CineOP 2016: Diário da Mostra – Dias 1 e 2

A abertura oficial da 11ª CineOP, no Cine Vila Rica, foi uma verdadeira viagem no tempo. Toda ambientada nos anos 80 (seguindo a identidade visual e as temáticas da mostra), a cerimônia teve apresentação do compositor, cantor e ator Leri Faria, que relembrou os históricos programas da televisão brasileira e seus icônicos apresentadores, como Silvio Santos, Flávio Cavalcanti e Chacrinha.

Entre as performances artísticas, se destacaram as músicas ao vivo, com direito à apresentação do Hino Nacional pela Banda Bom Senhor Jesus do Matozinhos e, principalmente, a performance das atrizes Cibele Maia, Gabrielle Salomão e Ludmilla Ferrara, que fizeram uma espécie de dança-protesto, embaladas por músicas fortes de mulheres. Ao mesmo tempo, no telão, eram projetados textos sobre violência contra as mulheres e fotos de manifestações feministas de várias épocas. Eu, como mulher, me emocionei. Senti nossas vozes ganhando força naquele cinema majestoso.

As homenagens também foram emocionantes, por se tratarem de pessoas muito admiradas e que faleceram recentemente: o restaurador Chico Moreira e o cineasta Eduardo Coutinho. Ambos com contribuições de extremo valor para o cinema brasileiro. Momentos antes das homenagens, a Universo Produção e a UFOP (Universidade Federal de Ouro Preto) assinaram um acordo de parceria para assumir juntos a programação cultural do Cine Vila Rica.

Como parte da homenagem e também da Mostra Histórica houve a exibição de “Cabra Marcado Para Morrer”, de Eduardo Coutinho. Um documentário que me deixa até sem palavras para descrever, tanto pelas qualidades como cinema quanto pelo valor histórico e de reflexão. Eu ainda não o havia visto e me senti privilegiada por conhecê-lo da melhor maneira possível: na tela grande. Ainda mais do Cine Vila Rica, um prédio histórico que carrega tanta memória e beleza.

Para o encerramento, músicos da região se apresentaram. Os shows, inclusive, estão acontecendo ao final de todos os dias. Uma oportunidade para lançar o olhar (e os ouvidos) também para a arte musical local.

Na sexta-feira os destaques foram os debates, seminários e oficinas, além da exibição de outros grandes filmes e de curtas produzidos por educadores e estudantes. Estive presente no Seminário Preservação, História e Educação com o tema “Imagens Vivas de Um Brasil Interditado”, onde se discutiu sobre como o cinema abordou o período da abertura política, as marcas da ditadura e os desafios de retratar o período atual, também em transformação.

Assisti às exibições de “Eles Não Usam Black Tie”, de Leon Hirsman, que teve a presença do filho do cineasta, João Pedro Hirszman, e a “Sessão Especial Eduardo Coutinho”, com o longa “Um Dia Na Vida”. Ambos muito aplaudidos pelo público, tanto por quem revia quanto por quem provavelmente estava vendo pela primeira vez, assim como eu no caso da excelente obra de Hirszman. Aliás, o sentimento que permeia essa mostra é exatamente esse: passado, presente e futuro que se mesclam nas reflexões, vivências e sonhos.

 

 

CineOP 2016: Cinco filmes em destaque sobre a Abertura Política

Eu conversei com o curador da temática Histórica da 11ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, Francis Vogner dos Reis, para o Cinefonia, na Rádio Inconfidência. Por limitações de tempo, a entrevista completa não pôde ser veiculada. Mas transcrevo aqui a fala integral em que ele destaca cinco filmes dentro da seleção feita para discutir o tema central da mostra, a Abertura Política no Brasil, entre 1976 e 1985.

Eles Não Usam Black Tie (1981)

Eles Não Usam Black Tie (1981), dir.: Leon Hirszman

“É um filme que data do início dos anos 80, período da abertura política. É uma peça [escrita por Gianfrancesco Guarnieri duas décadas antes] sobre greve, sobre conflito de classes. Mas o interessante dessa releitura, dessa atualização dos anos 80, é confrontar esse período político no momento em que esse novo sindicalismo forçava os limites da abertura política. É interessante também porque o filme do Hirszman tem uma compreensão desse momento histórico, tenta entender como é a geração que cresceu durante a ditadura e que, naquele momento, no início dos anos 80, estava começando a tomar o protagonismo na vida política, Então, o personagem emblemático é o Tião (Carlos Alberto Ricelli), que é um personagem pragmático, individualista, ou seja, o Brasil que começava ali, no fim da ditadura, que seria protagonizado, isso na visão do Hirszman, por uma geração que sofreu durante a ditadura e que é a face acabada do pragmatismo que, a partir de então, se tornou uma certa tônica política da vida social brasileira.”

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CINEFONIA – Edição #63

Renato Silveira fala sobre o grande vencedor do Festival de Brasília, facebook_logoBig Jato”, filme que conta a história do jornalista e escritor Xico Sá, com direção de Cláudio Assis. No quadro Mulheres no Cinema, Adilson Marcelino relembra a trajetória da renomada cenógrafa e diretora de arte Lia Renha. Já no quadro Perfil, Pedro Vieira fala sobre a carreira da atriz Megan Fox, que está de volta aos cinemas em “Tartarugas Ninja: Fora das Sombras”. O programa também destaca a mostra “Quentin Tarantino – O Maestro do Caos”, que acontece no Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte. O crítico e professor de cinema Renné França fala sobre a obra do cineasta. No Cinefonia, você fica por dentro de tudo sobre a sétima arte, sempre no embalo do melhor das trilhas sonoras do cinema brasileiro.

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O Cinefonia é um programa da Rádio Inconfidência. Escute todos os sábados, às 14h no AM 880, às 18h no FM 100,9 ou online. Aqui, ele é disponibilizado toda segunda-feira. Ouça abaixo:

O FUTEBOL ou a memória do que um dia foi

O Futebol (2016)

Em “O Futebol”, não há um lance de gol sequer, embora o grito da torcida seja escutado. Na verdade, não há nem mesmo uma imagem de uma partida sendo disputada, apesar de o filme ter sido feito e se passar durante a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

Ainda assim, “O Futebol” é um filme sobre futebol, ou melhor: sobre a memória do que foi o futebol. O esporte – ou ex-esporte, dependendo de como você o interprete na forma como é praticado hoje – é o ponto de partida do longa e o que motiva o diretor Sérgio Oksman a propor ao pai passarem a Copa juntos, relembrando os velhos tempos em que iam ao estádio ver jogos do Palmeiras.

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Cinema e rock independentes brasileiros, Tarantino e Malick em revisão, sala Drive-In em São Paulo, cinema suíço e filmes políticos em retrospectiva

© 2016 CINEMATÓRIO

Novidades do Cinema Nacional

Estamos de olho em “Singapore Sling”, filme realizado por uma equipe totalmente brasileira, dirigido por Marcos Sigrist, com roteiro e produção de Neto DePaula Pimenta e que teve sua primeira exibição no último dia 7 de junho, no tradicional TLC Chinese Theater, em Los Angeles, dentro do festival Dances With Films 2016.

Segundo assessoria de imprensa, o longa teve baixíssimo orçamento, sendo inteiramente filmado na cidade de Americana, no interior de São Paulo, com apenas uma locação e em apenas sete dias. Mesmo assim, a obra tem sido elogiada pela imprensa internacional por sua qualidade técnica e proposta ousada.

A história mostra dois casais que passam uma tarde em uma casa. O filme é rodado em 12 planos contínuos, onde cada um mostra uma perspectiva diferente da história. Mas a criatividade não para por aí. Para as filmagens, Ivan Rodrigues, diretor de fotografia, construiu um equipamento em madeira que foi utilizado no plano de abertura do filme, no qual se movimenta ao redor de um carro em deslocamento, enquanto o casal protagonista tem uma discussão.

O vídeo de making of que mostra o equipamento criado por Ivan também tem feito sucesso e já obteve mais de 14 mil visualizações. Veja você também:

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CINEFONIA – Edição #62

facebook_logoWarcraft: O Primeiro Encontro de Dois mundos” é o tema da Resenha, com Renato Silveira. No quadro Perfil, Pedro Vieira fala sobre a carreira do ator Mark Ruffalo, indicado ao Oscar este ano por seu papel no filme “Spotlight: Segredos Revelados” e que está de volta aos cinemas em “Truque de Mestre: O Segundo Ato”. Já no quadro Mulheres no Cinema, a gente relembra com Adilson Marcelino a trajetória da atriz Elisa Lucinda. O programa também comemora os 30 anos do lançamento de um grande sucesso dos anos 80: a comédia “Curtindo a Vida Adoidado”. E para aproveitar o fim de semana dos namorados, nós fizemos uma seleção especial de trilhas sonoras românticas de filmes brasileiros.

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TELESCÓPIO: Filmes para ver em junho no cinema

Com a transferência dos grandes lançamentos de Hollywood para antes do tradicional “verão americano” (afinal, os principais filmes de super-heróis já foram lançados), junho foi esvaziado e não sobrou nada muito interessante. O único blockbuster que suscitava alguma expectativa era “Warcraft”, pois seu diretor, Duncan Jones, vinha de um início promissor de carreira, tendo feito “Lunar” e “Contra o Tempo”. Mas deu no que deu. Dos filmes dos grandes estúdios, portanto, minhas esperanças agora repousam em “Invocação do Mal 2” e “Procurando Dory” apenas. Sim, as continuações ainda imperam.

A boa notícia é que junho promete ser um grande mês para o cinema brasileiro, com os lançamentos de filmes como “Campo Grande”, de Sandra Kogut (“Mutum”), “Big Jato”, de Cláudio Assis (“Febre do Rato”) e “Trago Comigo”, de Tata Amaral (“Um Céu de Estrelas”). Mas quero mesmo é “Vampiro 40º”, terror superindependente que, infelizmente, deve chegar a poucas salas. E por falar em circuito restrito, aguardo com ansiedade por “A Academia das Musas”, do espanhol José Luis Guerín (do magnífico “Na Cidade de Sylvia”).

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CineOP 2016: Uma mostra de cinema engajada

Pensando o cinema de forma completa, como instrumento de conhecimento e ação, a Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP) é o primeiro e único evento audiovisual do Brasil que se propõe a discutir preservação e memória do patrimônio cinematográfico ao mesmo tempo que debate questões da atualidade. Esse ano, por exemplo, o evento se volta para a reflexão sobre a trajetória política brasileira, desde a ditadura. Além disso, a mostra se dedica à educação, com uma programação que se compromete também com a comunidade escolar e com a formação e qualificação profissional.

Na 11ª edição, o eixo temático central é “Cinema, TV e Educação” e os homenageados são profissionais que se incluem nessa temática, cada um a sua maneira: o diretor Eduardo Coutinho e o montador Francisco Sérgio Moreira. Coutinho é referência para a história do cinema brasileiro através da assinatura de obras documentais importantíssimas, como “Cabra Marcado Para Morrer”, de 1984, que está entre os filmes selecionados para a homenagem . Já Moreira é considerado pioneiro no trabalho de restauração, tendo trabalhado na Cinemateca do MAM e na Labocine. Ambos começaram suas carreiras na televisão.

"Cabra Marcado Para Morrer",de Eduardo Coutinho

“Cabra Marcado Para Morrer”,de Eduardo Coutinho

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CINEFONIA – Edição #61

facebook_logoO documentário “O Futebol”, vencedor do festival É Tudo Verdade este ano, é tema da Resenha de Renato Silveira, que fala também sobre “Olmo e a Gaivota” na dica de DVD. No quadro Perfil, Pedro Vieira fala sobre a carreira da duas vezes vencedora do Oscar Sally Field. Você também relembra a trajetória da atriz Analu Prestes no quadro Mulheres no Cinema, com Adilson Marcelino. Tem ainda as últimas novidades da sétima arte, sempre no embalo do melhor das trilhas sonoras do cinema brasileiro – e nesta edição você escuta, em primeira mão, a música “Ventos Irmãos”, gravação inédita de Milton Nascimento para a trilha sonora original do filme “O Outro Lado do Paraíso”.

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O Cinefonia é um programa da Rádio Inconfidência. Escute todos os sábados, às 14h no AM 880, às 18h no FM 100,9 ou online. Aqui, ele é disponibilizado toda segunda-feira. Ouça abaixo:

Aquecimento CineOP, homenagem a Christian Petermann, retrospectiva George Romero, Filme Livre em BH, “Aquarius” no mundo e “Salve Ferris!”

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Oficinas e workshops da 11ª CineOP

A CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto chega a sua 11ª edição e está com inscrições abertas para as oficinas e workshops internacionais gratuitos. Mas corre porque o prazo termina nesta sexta-feira, 3 de junho! Basta preencher o formulário disponível no site oficial do evento e aguardar o prazo de seleção. São 220 vagas, com modalidades diversificadas que serão realizadas dentro da programação, entre os dias 22 a 27 de junho.

A mostra se estrutura em três temáticas: preservação, história e educação. Além da exibição de 91 filmes e da realização das oficinas e workshops, há também debates, seminário, exposições, lançamento de livros, shows, atrações artísticas e homenagens a personalidades do audiovisual. Este ano, os homenageados são o cineasta Eduardo Coutinho (“Cabra Marcado Para Morrer”, “Jogo de Cena”) e o montador, pesquisador, restaurador e técnico de preservação de filmes Francisco Sérgio Moreira.

Serviço
11ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto
De 22 a 27 de junho de 2016
Cine Vila Rica, Centro de Artes e Convenções e Praça Tiradentes – Ouro Preto, MG
Programação gratuita
Inscrições, programação completa e mais informações aqui

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