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Blablablá: tempo de expandir

1. Começamos o mês de agosto com um novo colaborador no cinematório. Vitor Drumond, com quem eu já havia trabalhado no Cinema em Cena, aceitou meu convite e, a partir de agora, passa a resenhar filmes e escrever artigos aqui no site. Vitor também possui um blog próprio, o Silêncio, Por Favor, onde ele escreve não só sobre cinema, mas também sobre quadrinhos, séries, livros, exposições. Vale a pena conhecer. Portanto, seja muito bem-vindo, Vitor. E leiam o texto de estreia dele, que acaba de ser publicado, sobre “The Hurt Locker” – o excelente e badalado filme de guerra de Kathryn Bigelelow, já lançado no Brasil em DVD desapercebidamente com o título genérico “Guerra ao Terror”. Leiam a resenha e vejam o filme, ou vice-versa. Recomendado.

2. Uma mudança que vamos implementar em breve é no sistema de cotações. Sinto muito por quem gosta de notas, mas nós não gostamos mais e vamos aboli-las. Mas calma: ainda haverá um sistema de avaliação em nossas críticas. Estamos discutindo o formato, mas é certo que será bem mais simples e direto, sem preocupação com números, bonequinhos, bolinhas ou estrelas. Além disso, adotaremos aquele velho e eficaz quadro, onde vocês poderão ver, mensalmente, as cotações dadas por cada membro da equipe para todos os filmes que assistimos.

3. Como não escrevo um editorial desses desde maio, acabou que não anunciei a minha nova coluna de cinema na rádio Inconfidência. Chama-se Áudio Visual e vai ao ar todas as terças e sextas dentro do Conexão Meio-Dia, programa jornalístico descontraído, apresentado por Getúlio Neuremberg e Lina Rocha, que vai de meio-dia a uma da tarde na frequência AM 880 – ou pelo site da rádio. A coluna é bem variada, abordando desde filmes em cartaz nos cinemas a atrações na TV aberta e lançamentos em DVD. Outros assuntos relacionados a cinema também são abordados. E sigo como crítico de cinema do Viamundo, revista cultural que também vai ao ar de meio-dia a uma, só que na frequência FM 100,9. Geralmente, meus comentários vão ar na segunda ou na sexta-feira.

4. Para finalizar, segue um índice de todos os posts publicados no cinematório no mês de julho, caso você tenha perdido alguma coisa:

CRÍTICAS
Alexandra
Apenas o Fim
Atrizes
Dúvida
O Equilibrista
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte
Inimigos Públicos
Jean Charles
Rudo e Cursi

VÍDEO
Análise de “A Mulher Faz o Homem”
Cinema + música = revival anos 80

ARTIGOS E NOTÍCIAS
A violência contra “Halloween”
Retificação sobre o caso “Halloween”
“Celebridades” se encontram no cinema pornô
“A Cavalgada das Valquírias” – um post musical
Os melhores filmes de 2009 – primeiro semestre

De cara nova

Vamos ser breves?
O cinematório lança nesta sexta-feira, 14 de janeiro de 2011, seu mais novo visual. Considere este um presente atrasado de Natal e adiantado de aniversário, já que o site completará oito anos no ar no próximo dia 10 de fevereiro.
Este é o nosso sexto layout e, sem dúvidas, o mais dinâmico e avançado, graças à evolução e à magia do HTML – e também aos bons designers que disponibilizam templates pré-moldados de graça na internet. Que Deus os pague!
Mas as mudanças vão além do visual. Modifiquei algumas partes da estrutura do site com a qual muitos de vocês se acostumaram nos últimos anos. A principal delas diz respeito à Parabólica, nossa coluna com links para as principais notícias do dia, dicas de artigos e vídeos, e eventuais recados. Até então, ela era efetivamente uma coluna, fixa, que ficava no centro da diagramação. Agora, a Parabólica vai funcionar como uma série de posts, o que nos permitirá ter mais agilidade e mobilidade para atualizá-la.
Como vocês certamente repararam, mudamos radicamente também nossa home, que agora é na verdade uma capa, por adotar o estilo magazine com um resumo do conteúdo do site. Com isso, as páginas internas de conteúdo ficaram mais espaçosas, permitindo uma melhor disposição do texto, além de contarem com os botões de compartilhamento com as principais redes sociais. Por falar nelas, nossa integração com o Facebook e o Twitter ganharam mais destaque. E a nossa coluna lateral agora também vai abrigar novas atrações, além das tradicionais Telescópio e Visão Além do Alcance. Essas novidades serão implementadas gradativamente.
E é isso. O ano passado foi um ano abaixo da média para o cinematório, devido a compromissos e emergências particulares de todos os membros da equipe. Mas nossa meta agora é reerguer o site. Se 2010 foi o ano da transição, em todos os sentidos, 2011 é o ano da retomada. E, claro, contamos com a participação de vocês nesta nova etapa.
Obrigado a todos pela paciência. E, agora, mãos à obra.

Por que eu vou chorar quando John Cleese se for…

Eu adoro John Cleese. Adoro Monty Python (sempre uso, sozinho, a frase “Ninguém espera a inquisição espanhola!”), mas para mim Cleese sempre foi o melhor deles – e de sua colaboração com Michael Palin vem o melhor e talvez mais famoso quadro dos Pythons, o do papagaio morto. Assim como eu assisto a qualquer filme com Samuel L. Jackson, eu também assisto a qualquer filme com John Cleese, inclusive “George, o Rei da Floresta” e “As Panteras – Detonando”. Quando eu li o artigo que está na versão online da famosa revista The Spectator, me surpreendi com o texto escrito por Cleese, que demostra o mesmo senso de humor pelo qual tantos o admiram, mesmo após tantos anos. Fiz uma pequena tradução para os nossos leitores, para que possamos compartilhar um pouco mais da genialidade desse grande mestre do humor:

A VERDADEIRA RAZÃO PELA QUAL EU ME JUNTEI AO THE SPECTATOR

John Cleese diz que a revista tem sido tão consistentemente horrível com ele durante os anos que se passaram que a única maneira de garantir críticas positivas foi se juntar ao seu time de escritores.

Nas últimas quatro décadas eu recebi muitas críticas na The Spectator, todas elas confusas (no senso técnico teatral de “extremamente ruim”). Por exemplo, em 1976 a The Spectator escreveu sobre “Fawlty Towers”:

Eu estou com dor de barriga, desde que comecei a escrever essa coluna, sobre os baixos padrões dos programas. Amigos e conhecidos me contaram, “Ah! Mas você assistiu a ‘Fawlty Towers’? Você vai gostar desse!”… Bem, no último domingo eu finalmente assisti à maldita coisa e estou feliz em dizer que não ri nenhuma vez sequer. E na verdade eu achei “Fawlty Towers”, assim como seu predecessor “Monty Python”, bem desagradável… Quando Cleese está envolvido eu detecto traços de sadismo. A batalha contínua entre o Sr. e a Sra. Fawlty é obsessiva e o som de um homem gritando o mais alto possível por meia hora está próximo de se tornar chato. Existe a mesma tendência como no “Monty Python” de pegar a piada e martelá-la sem remorsos no chão. Histeria é a atmosfera prevalente, mas não é uma histeria saudável. O personagem Fawlty de Cleese parece desprezível e desumano… Outro programa nada engraçado segundo a minha opinião é o novo esforço John Bird-John Fortune, “Well Anyway”.

Quando a segunda temporada começou, a revista escreveu:

O Sr. John Cleese e sua série cômica “Fawlty Towers” retornam às nossas telas na segunda-feira. Novamente eu a assisti de cara fechada. O problema com Cleese é que ele não consegue ver além de si mesmo. O único personagem que existe no seu cenário é seu alter ego Fawlty. Até que possa adquirir um ponto de vista do mundo menos egoísta e enxergar alguma humanidade nas pessoas que, no presente, ele acha que foram colocadas na Terra somente para irritá-lo, Cleese nunca me fará rir.

“Monty Python” tinha uma reputação um pouco melhor:

O status do Monty Python como tesouro nacional cegou o público para suas imperfeições e criou uma tradição entediante de humor juvenil, meio chapado, travestido de comédia verdadeira… Os desenhos tecnicamente bem feitos mas nada engraçados de Terry Gilliam… Quando os quadros acabavam abruptamente, com um tiro, ou um peso de 100 toneladas caindo do céu, ou a câmera se virando para mostrar o estúdio, ou créditos aparecendo no meio do show, esses truques baratos eram saudados com maquinações Brechtianas ou declarações surrealistas. Na verdade, sua existência servia como um disfarce para o fato de que não tínhamos como terminar os quadros apropriadamente, ou simplesmente terminar o programa… A maiora do suposto material “ofensivo” era juvenil e não satírico… No final das contas, porém, era tão subversivo quanto a Harry Secombe colocando a língua de fora. Para cada um dos telespectadores desgostosos, havia muito mais daqueles que estavam somente irritados ou entediados, e muitos mais alcançaram o botão para desligar a televisão.

Quando eu representei Petruchio em “A Megera Domada” para a BBC, a The Spectator comentou:

Jonathan Miller tomou conta das produções de Shakespeare da BBC com resultados predizíveis. Ele começou escalando John Cleese, meu bête noir, como Petruchio em “A Megera Domada”, um erro de julgamento típico do peculiar Doutor: Cleese não sendo um ator de verdade, mas sim uma marionete enlouquecida capaz de retratar somente raiva e frustração, como Mr. Punch… Em uma atmosfera apropriada de admiração mútua doentia, Cleese e Miller apareceram no Parkinson juntos… Breves amostras da produção não confirmaram seus pontos de vista… Cleese estava, a parte de tudo mais, inaudível, escolhendo por alguma razão declamar suas falas com os dentes cerrados, como o Príncipe Charles. Eu fui novamente abarrotado pela sua incrível arrogância.

A filmagem de “The Secret Policeman’s Other Ball” para caridade para a Anistia gerou essa reação:

O show do ano passado foi um desastre… Notavelmente pelo tipo de humor “esperto” que é popular somente para crianças do nível médio e estudantes… Eu não quero ver John Cleese sem roupas. Na verdade, eu não quero ver John Cleese de maneira alguma.

Minha tentativa de ajudar Robin Skynner a escrever um livro sobre psicologia foi saudada com isso:

A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre esse livro é que ele é não pode ser lido. Completamente terminantemente não pode ser lido. Eu desafio qualquer um a acabar um capítulo sem puxar os cabelos e gemer. Você pode usá-lo para alimentar uma traça com disenteria violenta e eu prometo que a criatura morreria de uma prisão de ventre literária aguda lá pela página dez… Sua estrutura idiota é tão incoerente quanto entediante… Imagine o tédio excruciante ao ler 413 páginas de indiferentes e disfarçadas argumentações para se viver bem.

Porém, existe uma certa esperança no fato de receber consistentemente tantas notas ruins nesta revista. Quando uma delas sai, existirão críticos que não gostarão dela e o que alguém pode esperar é que eles escrevam para jornais com circulações menores que a The Spectator tinha há 20 anos atrás. Também ajuda saber que essas críticas nunca serão lidas pelos colegas de alguém nas artes criativas, ou, sem dúvida nenhuma, por qualquer um que possa lhe oferecer trabalho. Então, uma passada de olhos nessas páginas foi tão danosa quanto uma passada de olhos no, digamos, Zagreb Bugle.

Divergindo do ponto principal, ideias interessantes emergem frequentemente do mundo da administração. Um conceito útil é o do “incompetente articulado”. Esta é uma pessoa que fala claramente e de forma convincente sobre algo, sem na verdade entender coisa alguma sobre a realidade que suas palavras estão tentando descrever. Tal pessoa é perigosa para uma organização porque eles podem soar persuasivamente, apesar do fato de que eles não tem idéia absoluta do que eles estão falando.

O que nos trás de volta aos críticos. É extremamente engraçado que pessoas que não conseguem escrever diálogos, e que não conseguem dirigir ou atuar igualmente, são designados para julgar aqueles que conseguem. Mas a razão é óbvia: ninguém com habilidades criativas quer ser um crítico. Então o trabalho tem que ser feito por pessoas que são não qualificadas, e aparentemente estão em necessário desespero pelo pequeno pagamento que isso traz.

Para ser mais sincero (e pode ser um pouco tarde pra isso), podem existir alguns críticos que, incapazes de escrever, dirigir ou atuar, podem ter passado por um estranho processo místico no qual eles receberam uma transmissão de conhecimento genuíno dessas atividades. Infelizmente, eu não sei quem eles são, porque quando eu quero saber algo sobre uma produção que está acontecendo, eu tenho a sorte de poder telefonar para um colega que é capaz de escrever, dirigir ou atuar.

Finalmente eu gostaria de fazer um comentário crítico:

John Cleese é um indivíduo consideravelmente talentoso, de disposição humilde e admirável e de temperamento doce, que continua a fazer sombra sobre seus contemporâneos, especialmente Michael Palin (The Spectator).

John Cleese é um editor contribuinte da The Spectator e irá ocasionalmente escrever artigos sobre uma gama variável de assuntos.

Clique aqui para ler o artigo original.

Cinema marginal em DVD!

Olhem que bela notícia para os cinéfilos interessados no resgate e preservação do cinema brasileiro – e principalmente para o público que nunca teve acesso fácil a essa importante era da nossa cinematografia. Uma coleção de DVDs com 38 filmes do chamado “cinema marginal” começa a ser lançada em maio, através de uma parceria entre a Lume Filmes e a Heco Produções.

No primeiro volume, está o clássico subversivo, metalinguístico, revolucionário – ou simplificando numa só palavra: indescritível – “Bang Bang”, de Andrea Tonacci. Abaixo, o release com as informações completas. É para soltar rojões!

LUME FILMES E HECO PRODUÇÕES CRIAM UM SELO DE CINEMA BRASILEIRO E LANÇAM EM HOME VIDEO A MAIS AGUARDADA COLEÇÃO DE FILMES DOS ÚLTIMOS ANOS NO BRASIL, COM 12 DVDS, UM TOTAL DE 38 FILMES PRODUZIDOS DESDE A DÉCADA DE 1960.

PRIMEIROS 4 LANÇAMENTOS TRAZEM CLÁSSICOS DE ANDREA TONACCI, ROGÉRIO SGANZERLA, ELYSEU VISCONTI E ANDRÉ LUIZ OLIVEIRA. OUTROS REALIZADORES QUE FARÃO PARTE DA COLEÇÃO: CARLOS REICHENBACH, JOSÉ AGRIPPINO DE PAULA, JOÃO SILVÉRIO TREVISAN, JÚLIO BRESSANE, GERALDO VELOSO, JAIRO FERREIRA, JOÃO CALLEGARO, OZUALDO CANDEIAS ENTRE OUTROS.

Parceria estabelecida entre a LUME FILMES e a HECO PRODUÇÕES cria um selo de cinema brasileiro que estréia com o lançamento de doze DVDs (totalizando 38 filmes) que irão compor a histórica COLEÇÃO CINEMA MARGINAL BRASILEIRO. Os quatro primeiros DVDs trazem filmes de Andrea Tonacci, Rogério Sganzerla, André Luiz Oliveira e Elyseu Visconti.

O DVD 1, Andrea Tonacci, contém o longa-metragem “Bang bang” (1971), o média-metragem “Blá, blá, blá” (1968) e o curta-metragem “Olho por olho” (1966), e nos extras há um depoimento inédito de Tonacci e uma palestra inédita do crítico Ismail Xavier. O DVD 2, Rogério Sganzerla, contém o longa “Sem essa, Aranha” (1970) e os curtas “Histórias em quadrinhos” (1969, em parceria com Álvaro de Moya) e “A miss e o dinossauro – Bastidores da Belair”, finalizado por Helena Ignez em 2005, como extra há uma extensa entrevista inédita de Sganzerla. O DVD 3, Elyseu Visconti, contém o longa-metragem “Os Monstros e Babaloo” (1970) e o curta-metragem “Ticumbi” (1978), nos extras há um depoimento de Elyseu Visconti e outro de Fernando Coni Campos, além dos curtas documentais “Boi Calemba” (1979), “Cavalo Marinho” (1979) e “Feira de Campina Grande” (1979). O DVD 4, André Luiz Oliveira, contém o longa-metragem “Meteorango Kid, o herói intergalático”, os curtas “Doce amargo” (1968) e “A fonte” (1970), nos extras há um depoimento inédito de André Luiz Oliveira e o curta-metragem “O Cristo de Vitória da Conquista” (1981).

Os DVDs trazem longas, médias e curtas-metragens, entrevistas e palestras inéditas com realizadores, críticos e/ ou ensaístas. Um encarte na forma de um livrete de 16 páginas, já editado de acordo com a nova reforma ortográfica da língua portuguesa, acompanhará cada unidade de DVD, com textos e imagens inéditos: vasto material iconográfico, ensaios sobre o movimento, artigos críticos, sinopses e fichas técnicas sobre os filmes lançados e uma biofilmografia dos autores das obras, mantendo o ineditismo e o consagrado padrão de qualidade alcançado ao longo dos últimos anos pela HECO PRODUÇÕES e pela LUME FILMES.

A paixão pelo cinema autoral é o que move a parceria entre a LUME e a HECO na concretização deste selo de cinema brasileiro, inaugurado com o lançamento de 38 filmes distribuídos em doze DVDs, que serão lançados a cada dois meses ao longo do ano de 2009, compondo a Coleção Cinema Marginal Brasileiro. Excepcionalmente na estréia da coleção, serão lançados quatro volumes em DVD em duas unidades da Livraria Cultura, em São Paulo. No dia 2 de maio de 2009 (sábado) na unidade Villa Lobos a partir das 15 horas, e no dia 6 de maio de 2009 (quarta-feira) na unidade Pompéia às 19h30. Ambos os dias com exibição de filmes, debates, coquetel de lançamento e sessão de autógrafos.

A coleção apresenta obras pouco vistas, principalmente pelas novas gerações, já que parte dos filmes não chegou a ser lançado comercialmente. São filmes produzidos por cineastas que encontraram no cinema autoral um caminho eficiente de realizá-los. Despreocupados com as bem comportadas fórmulas narrativas e estéticas, esses cineastas conseguiram, com poucos recursos, extravasar seus anseios e produzir obras de primeira grandeza para a história do cinema brasileiro. É notável a irreverência e a genialidade desta geração de cineastas, que legaram importante e criativa contribuição para o cinema nacional.

A denominação “Cinema Marginal” é controversa, até mesmo para alguns dos cineastas associados a esse movimento. Pode se revelar uma redução ou um nome que não dá conta da invenção formal e do teor de experimentação de boa parcela dos filmes que se costumou incluir nesta tendência. O conjunto dessa produção poderia também receber o nome de Cinema Poesia (como prefere Júlio Bressane), Cinema Underground, Cinema Experimental, Udigrúdi (avacalhação do Underground americano inventada por Glauber Rocha), ou Cinema de Invenção (criado por Jairo Ferreira). No entanto, a designação Cinema Marginal persiste e sugere algo a respeito da produção à margem do cinema brasileiro do período e do seu contexto: um país marcado pela guerrilha urbana em resposta àquele que foi o período mais negro da ditadura.

A última sessão de cinema do Belas Artes, em São Paulo

O Belas Artes resistiu o quanto pôde, adiou o fechamento por quase um mês inteiro, mas parece que agora não tem mais jeito.

A seguir, o release com a programação do último dia de funcionamento do tradicional cinema de rua de São Paulo – pelo menos, em seu atual endereço.

BELAS ARTES

apresenta

“A Última Sessão do Cinema”

O Belas Artes, um dos cinemas mais antigos e tradicionais da cidade de São Paulo, na esquina da Consolação com Paulista, anuncia para esta quinta-feira, dia 17 de março, o encerramento de suas atividades depois de um ano de funcionamento sem patrocínio.

Isto não significa o fim definitivo do Belas Artes. “A proposta de difundir o que há de melhor na cinematografia mundial, ofício acompanhado apaixonadamente por cinéfilos de tantas gerações, não deixará de existir, já que estamos em busca de um novo endereço”, afirma André Sturm, sócio-proprietário e programador oficial do cinema.

Desde janeiro, André está em intensa negociação com os advogados do proprietário do imóvel onde o cinema funciona, porém não chegou a um acordo em relação ao valor do aluguel. Com isso, as últimas sessões do cinema de quinta-feira, das seis salas do Belas Artes, exibirão seis grandes clássicos da filmografia mundial, homenageando os fãs do cinema.

No Tempo do Onça, que reúne os irmãos Marx e reis da comédia: Groucho, Chico e Harpo, foi dirigido por Edward Buzzell, compositor e ator, que se tornou estrela da Broadway.

Estrelado por Rudolph Valentino, O Águia, do diretor Clarence Brown, mostra a rebeldia de um soldado russo que é rejeitado por uma imperatriz. Brown, dirigiu a estrela Greta Garbo em dois dos seus maiores sucessos: A Carne e o Diabo e Anna Karenina.

O filme italiano Queimada! é uma aventura histórica, que ocorre numa ilha ficcional nas Caraíbas, que pertencia a Portugal. Baseado na história do Haiti, o longa é protagonizado pela galã Marlon Brando e dirigido por Gillo Pontecorvo, conhecido por A Batalha de Argel.

O Leopardo é o filme mais pessoal de Luchino Visconti. A história é ambientada nos anos 1860, quando a Itália vivia umas das épocas mais conturbadas do país, conhecida por Risorgimento. Toda a essência da obra viscontiana passa por este clássico do cinema, já que Luchino era aristocrata de nascimento, comunista por convicção, e se considerava um homem fora do seu tempo.

O Joelho de Claire, melhor filme em San Sebastian, indicado ao Globo de Ouro de filme estrangeiro e Prix Louis Delluc, é um dos melhores trabalhos do diretor Eric Rohmer . O forte de O Joelho de Claire não é a ação, mas os diálogos e as belas paisagens do charmoso Lago de Annecy, que fica no leste da França, bem próximo aos Alpes.

Para finalizar, não há como deixar de fora o incrível Federico Fellini e sua a obra prima A Doce Vida, filme vencedor da Palma de Ouro de 1960. Ambientado em Roma, A Doce Vida conta a história de um jornalista de origem humilde, que enfrenta uma crise de consciência por estar sempre atrás de fofocas da alta sociedade, usando-as como fonte para seus artigos. O protagonista é Marcello Mastroianni, considerado o maior ator da Itália e um dos melhores atores de todos os tempos.

Programação:
Quinta-feira, 17 de março

Sala 1/Villa-Lobos: A Doce Vida
Horário: 21h

Sala 2/Candido Portinari: No Tempo do Onça
Horário: 21h30

Sala 3/Oscar Niemeyer: O Leopardo
Horário: 20h30

Sala 4/Aleijadinho: O Joelho de Claire
Horário: 21h30

Sala 5/Carmen Miranda: O Águia
Horário: 21h20

Sala 6/Mario de Andrade: Queimada
Horário: 20h20

Sinopses:
A DOCE VIDA
(La Dolce Vita)
Direção: Federico Fellini
Elenco: Marcello Mastroianni, Anita Ekberg e Anouk Aimée.

Roma, início dos anos 60. O jornalista Marcello vive entre as celebridades, ricos e fotógrafos que lotam a badalada Via Veneto. Neste mundo marcado pelas aparências e por um vazio existencial, freqüenta festas, conhece os tipos mais extravagantes e descobre um novo sentido para a vida.

O LEOPARDO
(Il Gattopardo)
Itália, 1963, cor, 205 min., 14 anos.
Direção: Luchino Visconti
Elenco: Burt Lancaster, Claudia Cardinale e Alain Delon.

Sicília, durante o período do “Risorgimento”, o conturbado processo de unificação italiana, o príncipe Don Fabrizio Salina testemunha a decadência da nobreza e a ascensão da burguesia, lutando para manter seus valores em meio a fortes contradições políticas.

QUEIMADA!
(Queimada!)
Itália/França, 1970, 115 min., 14 anos.
Direção: Gillo Pontecorvo
Elenco: Marlon Brando, Renato Salvatori e Evaristo Márquez.

Numa de suas melhores interpretações, Marlon Brando é um agente britânico que insufla a revolta numa colônia portuguesa e depois a esmaga com cinismo. O filme foi proibido durante anos no Brasil.

NO TEMPO DO ONÇA
(Go West)
EUA, 1940, p/b, 80 min., livre.
Direção: Charles Riesner
Elenco: Groucho, Chico, Harpo. Marx Bros. e John Carroll.

Nesta louca comédia os irmãos Marx vão para o Oeste, um lugar onde o sol sempre brilha, a diversão nunca tem fim e onde eles passam a perna em um ladrão de terras.

O ÁGUIA
(The Eagle)
EUA, 1925, p/b, 70 min., livre – mudo.
Direção: Clarence Brown
Elenco: Rodolfo Valentino, Vilma Bánky e Louise Dresser.

Uma czarina russa é apaixonada por um soldado, mas ele a rejeita. Por isso, ela pede a cabeça do rapaz a prêmio. Ao mesmo tempo, ele resolve usar uma máscara e se tornar o Águia, um justiceiro popular no estilo de Robin Hood. Mal sabe ele que sua principal vítima é pai de uma outra jovem por quem está apaixonado.

O JOELHO DE CLAIRE
(Le Genou de Claire)
França, 1970, cor, 105 min., 14 anos.
Direção: Eric Rohmer
Elenco: Jean-Claude Brialy, Aurora Cornu e Béatrice Romand.

Um diplomata passa as últimas férias de solteiro às margens do lago Annecy. Lá ele reencontra uma amiga que alugou um quarto na casa de uma senhora e suas duas filhas, Laura e Claire. Logo a amiga avisa que Laura está interessada nele, incentivando-o a ter um último namoro antes do casamento. Mas o diplomata está mais interessado em Claire, tendo um desejo obsessivo de acariciar seu joelho.

Ingressos:
R$ 18,00 e R$ 9,00 (meia-entrada).

Belas Artes
Rua da Consolação, 2423
Cerqueira César
São Paulo – SP
Tel.: 3258-4092

Digam o que quiserem, pois eu vou dizer

A partir de hoje, passo a escrever nesta mistura de site com blog. Mistura porque não pretendo fazer do Cinematório um site propriamente dito, nem um blog com atualizações diárias etc. Na verdade, o que me levou a criar esse espaço foi uma necessidade de me exercitar textualmente. Possuo um blog pessoal, mas lá é um local muito informal, dedicado a assuntos mais corriqueiros, onde escrevo o que me vem na telha. Já aqui, pretendo escrever especificamente sobre Cinema, arte pela qual sinto amor.

O nome “Cinematório” surgiu também de uma mistura. “Cinema” com “sanatório” foi minha primeira idéia – e que não deixa de ser uma boa perspectiva para enxergar isso aqui. Mas, no final, o nome acabou ficando assim por também ser uma mistura de “cinema” com “observatório”. Ou seja, o Cinematório vai funcionar mais como um lugar onde eu, Renato, vou escrever sobre Cinema em geral (de filmes a outros assuntos relacionados à sétima arte), sempre sob um ponto de vista de observador, ou espectador.

Quero deixar bem claro com esta apresentação que o Cinematório é um espaço experimental, e não profissional. Como minha formação acadêmica é jornalística (tiro o diploma em julho deste ano) e minhas pretensões na área são relacionadas ao jornalismo cultural, decidi criar este espaço com a finalidade de realizar um exercício opinativo. Redijo textos informativos na maior parte do meu tempo (atualmente, trabalho como chefe de redação do site Cinema em Cena, onde estou há dois anos) e comecei a sentir uma certa carência em expressar minha opinião. Antes, eu escrevia artigos para um jornal da faculdade, mas este acabou. Eu também tinha um site, o CINEWeb, mas as obrigações acadêmicas me impediram de levá-lo adiante. Portanto, sinto que está mais do que na hora de dar uma desenferrujada e voltar a falar sobre Cinema do meu jeito.

Ah, claro, espero que a experiência também seja proveitosa para vocês, porque escrever carta morta nunca foi meu objetivo. Sendo assim, convido todos a acompanhar e deixar opiniões espalhadas pelo Cinematório, pois a troca de idéias também é um dos propósitos principais desse meu novo caminho.

Bom, chega de papo: o Cinematório está aberto!

Hora de voltar

editorial_horadevoltar

O cinematório completou dez anos no ar e está de cara nova, após um longo período de poucas atualizações. É fato, minha rotina após assumir, em abril de 2011, o posto de editor-chefe do Cinema em Cena, função que acumulei ao trabalho na Rádio Inconfidência, foi a principal culpada pela escassez de textos no blog. Mas agora, já acostumado ao batente da jornada dupla, eu me sinto seguro para retomar as publicações sem hiatos mensais entre elas.

Não vou cair na bobagem de prometer atualizações diárias. A proposta é que o blog, que já pretendeu um dia ser um site completo e até revista eletrônica, volte a ser um blog pessoal, onde eu poderei publicar meus textos, que variam entre artigos, críticas, análises ou simples impressões. É claro, com o tempo, e à medida que as ideias surgirem, outras atrações podem pintar aqui.

Mais uma vez, não farei promessas. Vou deixar a coisa rolar. O importante mesmo é que o espaço e meu ânimo estão revigorados. E agora, após anos de tentativas, finalmente e oficialmente o cinematório faz parte da família Cinema em Cena e está hospedado no portal. Um fator a mais que me permitirá manter o blog ativo.

Para a (re)estreia, eu finalizei alguns textos que estavam rascunhados sobre filmes que passaram recentemente pelos cinemas: “A Morte do Demônio“, “Oblivion“, “Alvo Duplo“, “A Caça“, “Hitchcock” e “Meu Pé de Laranja Lima“. Como vocês verão, alguns são bem breves mesmo, enquanto outros eu desenvolvi mais. É esse o espírito que o blog seguirá. Além disso, a primeira-dama Raquel Gomes, que sempre me ajudou por aqui e estará ainda mais presente nestas páginas de agora em diante (por vontade dela e insistência minha), escreveu sobre “Ginger e Rosa“.

Antes de deixá-los à vontade, quero registrar meus agradecimentos a pessoas que foram fundamentais para o início desta nova etapa do blog: Arthur Freitas, pelos conselhos e ajuda técnica na modelação do nosso novo visual; Thadeu Augusto, pelo apoio na migração; Guilherme Tomasi, pela opinião sempre amiga; Pablo Villaça, pelo convite e incentivo para trazer o blog para o Cinema em Cena; e a todos os leitores que, mesmo em nosso período ocioso, leram e recomendaram o cinematório para os amigos, além de trocarem ideias comigo no Twitter. ■

PAUTAS

CINEMA

– Juízo Final

– Amantes

– A Teta Assustada

– Paris

– Tempos de Paz

– Veronika Decide Morrer

DVD

– Diário dos Mortos (11/05, Imagem – Venda)

– Expresso Transiberiano (14/05, Imagem – Locação)

– Às Margens de um Crime (In the Eletric Mist, 26/05, Califórnia – Locação)

– Faça o que Eu Digo Não Faça o que eu Faço (Role Models, 03/06, Universal – Locação)

– O Filho de Rambow (08/06, Paramount – Locação)

– Nossa Vida Não Cabe Num Opala (10/06, Imovision – já visto)

– Chocolate, de Prachya Pinkaew (17/06, Paris – Locação)

– Brick Lane e Cadillac Records (já vistos, 23/06, Sony)

– Sob Controle (Surveillance, 24/06, Imagem – Venda)

– No Limite (The Express, 10/07, Universal – Venda)

– Perdendo a Noção (Hamlet 2, 10/07, Universal – Venda)

– O Último Trem (Midnight Meat Train, 10/07, Universal – Venda – já visto)

– Usina de Sonhos (The Mysteries of Pittsburgh, 22/07, Imagem – Locação)

– Massacre no Bairro Japonês (Shinjuku Incident, 05/08, California – Locação)

– Caos no Shopping Center (13/08, Warner – DVD)

– JVCD (19/08, Imagem – Locação)

– B.13 Ultimato (B13 Ultimatum, 08/09, California – Locação)

– O Paraíso é Logo Aqui, de Mark Pellington (Henry Poole is Here, 10/09, Imagem – Locação)

ARTIGOS

– A evolução Apatow, retrospectiva das produções do cineasta (pegar trailer de Funny People http://www.movie-list.com/trailers.php?id=funnypeople)

– Documentário brasileiro

– Rambo vs. Harry Potter

– William Castle (http://en.wikipedia.org/wiki/William_Castle)

– Haneke

– Titulos de sacanagem

– The Flight of the Red Baloom

– Se7en e Zodíaco: dois lados da mesma moeda

Parabólica e Telescópio reativados

parabolica2014

Passada a 10ª edição do Sammie, é hora de pensar no que vem por aí, não só nas telas de cinema, mas no que você verá aqui no blog. Quem nos acompanha há mais tempo provavelmente se lembra de duas atrações que tínhamos em nossa home: a Parabólica e o Telescópio. Entre as duas últimas mudanças de layout e a migração da plataforma Blogger para WordPress, nós acabamos desligando essas duas ferramentas. Mas, agora, elas estão reativadas e com cara nova.

A Parabólica é uma coluna de links para artigos, ensaios, entrevistas, reportagens, notícias, vídeos, entre outras coisas que nós pescamos durante nossa navegação diária pela internet. É uma forma de compartilhar com o leitor o que nós temos visto de interessante por aí, seja em sites nacionais ou estrangeiros. A atualização é diária e, agora, está bem mais dinâmica, graças à evolução da tecnologia. A Parabólica se transformou numa timeline do Twitter, portanto, vale sempre checar as novidades que estamos jogando lá. Mesmo se você não usa o Twitter, dá para acompanhar. Veja como funciona aqui.

O Telescópio é uma espécie de calendário de estreias com curadoria. Não é uma simples agenda de filmes que serão lançados em breve, mas uma lista de títulos mais pessoal. Nós demos uma boa peneirada em todas as datas divulgadas pelos distribuidores e deixamos apenas as estreias com que realmente nos importamos. As datas serão constantemente checadas, e atualizadas no caso de alterações. Para a lista inicial nós não consideramos as estreias deste mês. Ela começa em março e vai até 2016. Você pode consultar tudo aqui.

Ao mesmo tempo, filmes de repercussão em festivais e projetos recém-anunciados formam uma lista-irmã do Telescópio, a Visão Além do Alcance, também uma atração antiga do blog que tinha sido deixada de lado.  As duas listas, na verdade, foram retomadas a partir da construção do tradicional post de “promessas de ano novo”, que eu publicava aqui em todo janeiro. Então, desta vez, ao invés de criarmos um post que acabaria ficando para trás após algum tempo, preferimos fazer algo mais duradouro, que servirá de referência para nós e para o leitor.

Sugestões de links para a Parabólica e filmes para o Telescópio e a Visão Além do Alcance sempre são bem-vindas! Caso você tenha alguma(s), deixe-a(s) nos espaços para comentários do blog, no nosso Twitter ou no nosso Facebook. ■

Agosto, no cinematório

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