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Críticas, críticas, críticas, críticas, críticas!

Depois de uma semana de jejum, acabo de publicar três críticas de filmes que entraram em cartaz recentemente no país:

Gran Torino
The Spirit – O Filme
O Visitante

E também aproveitei a semana para resgatar críticas antigas, dos primóridos do cinematório. É que com a migração dos dados para o Blogger, eu não pude transferir todos os posts anteriores a 2006. Então, tem muita coisa perdida, já que comecei a escrever aqui em 2003. Aos poucos, irei completando a base de textos. Por hora, fiquem com esses:

O Americano Tranquilo
Cazuza – O Tempo Não Pára
Chicago
Gangues de Nova York
As Horas
Pelé Eterno
Shrek 2

Por que eu vou chorar quando John Cleese se for…

Eu adoro John Cleese. Adoro Monty Python (sempre uso, sozinho, a frase “Ninguém espera a inquisição espanhola!”), mas para mim Cleese sempre foi o melhor deles – e de sua colaboração com Michael Palin vem o melhor e talvez mais famoso quadro dos Pythons, o do papagaio morto. Assim como eu assisto a qualquer filme com Samuel L. Jackson, eu também assisto a qualquer filme com John Cleese, inclusive “George, o Rei da Floresta” e “As Panteras – Detonando”. Quando eu li o artigo que está na versão online da famosa revista The Spectator, me surpreendi com o texto escrito por Cleese, que demostra o mesmo senso de humor pelo qual tantos o admiram, mesmo após tantos anos. Fiz uma pequena tradução para os nossos leitores, para que possamos compartilhar um pouco mais da genialidade desse grande mestre do humor:

A VERDADEIRA RAZÃO PELA QUAL EU ME JUNTEI AO THE SPECTATOR

John Cleese diz que a revista tem sido tão consistentemente horrível com ele durante os anos que se passaram que a única maneira de garantir críticas positivas foi se juntar ao seu time de escritores.

Nas últimas quatro décadas eu recebi muitas críticas na The Spectator, todas elas confusas (no senso técnico teatral de “extremamente ruim”). Por exemplo, em 1976 a The Spectator escreveu sobre “Fawlty Towers”:

Eu estou com dor de barriga, desde que comecei a escrever essa coluna, sobre os baixos padrões dos programas. Amigos e conhecidos me contaram, “Ah! Mas você assistiu a ‘Fawlty Towers’? Você vai gostar desse!”… Bem, no último domingo eu finalmente assisti à maldita coisa e estou feliz em dizer que não ri nenhuma vez sequer. E na verdade eu achei “Fawlty Towers”, assim como seu predecessor “Monty Python”, bem desagradável… Quando Cleese está envolvido eu detecto traços de sadismo. A batalha contínua entre o Sr. e a Sra. Fawlty é obsessiva e o som de um homem gritando o mais alto possível por meia hora está próximo de se tornar chato. Existe a mesma tendência como no “Monty Python” de pegar a piada e martelá-la sem remorsos no chão. Histeria é a atmosfera prevalente, mas não é uma histeria saudável. O personagem Fawlty de Cleese parece desprezível e desumano… Outro programa nada engraçado segundo a minha opinião é o novo esforço John Bird-John Fortune, “Well Anyway”.

Quando a segunda temporada começou, a revista escreveu:

O Sr. John Cleese e sua série cômica “Fawlty Towers” retornam às nossas telas na segunda-feira. Novamente eu a assisti de cara fechada. O problema com Cleese é que ele não consegue ver além de si mesmo. O único personagem que existe no seu cenário é seu alter ego Fawlty. Até que possa adquirir um ponto de vista do mundo menos egoísta e enxergar alguma humanidade nas pessoas que, no presente, ele acha que foram colocadas na Terra somente para irritá-lo, Cleese nunca me fará rir.

“Monty Python” tinha uma reputação um pouco melhor:

O status do Monty Python como tesouro nacional cegou o público para suas imperfeições e criou uma tradição entediante de humor juvenil, meio chapado, travestido de comédia verdadeira… Os desenhos tecnicamente bem feitos mas nada engraçados de Terry Gilliam… Quando os quadros acabavam abruptamente, com um tiro, ou um peso de 100 toneladas caindo do céu, ou a câmera se virando para mostrar o estúdio, ou créditos aparecendo no meio do show, esses truques baratos eram saudados com maquinações Brechtianas ou declarações surrealistas. Na verdade, sua existência servia como um disfarce para o fato de que não tínhamos como terminar os quadros apropriadamente, ou simplesmente terminar o programa… A maiora do suposto material “ofensivo” era juvenil e não satírico… No final das contas, porém, era tão subversivo quanto a Harry Secombe colocando a língua de fora. Para cada um dos telespectadores desgostosos, havia muito mais daqueles que estavam somente irritados ou entediados, e muitos mais alcançaram o botão para desligar a televisão.

Quando eu representei Petruchio em “A Megera Domada” para a BBC, a The Spectator comentou:

Jonathan Miller tomou conta das produções de Shakespeare da BBC com resultados predizíveis. Ele começou escalando John Cleese, meu bête noir, como Petruchio em “A Megera Domada”, um erro de julgamento típico do peculiar Doutor: Cleese não sendo um ator de verdade, mas sim uma marionete enlouquecida capaz de retratar somente raiva e frustração, como Mr. Punch… Em uma atmosfera apropriada de admiração mútua doentia, Cleese e Miller apareceram no Parkinson juntos… Breves amostras da produção não confirmaram seus pontos de vista… Cleese estava, a parte de tudo mais, inaudível, escolhendo por alguma razão declamar suas falas com os dentes cerrados, como o Príncipe Charles. Eu fui novamente abarrotado pela sua incrível arrogância.

A filmagem de “The Secret Policeman’s Other Ball” para caridade para a Anistia gerou essa reação:

O show do ano passado foi um desastre… Notavelmente pelo tipo de humor “esperto” que é popular somente para crianças do nível médio e estudantes… Eu não quero ver John Cleese sem roupas. Na verdade, eu não quero ver John Cleese de maneira alguma.

Minha tentativa de ajudar Robin Skynner a escrever um livro sobre psicologia foi saudada com isso:

A primeira coisa que eu tenho a dizer sobre esse livro é que ele é não pode ser lido. Completamente terminantemente não pode ser lido. Eu desafio qualquer um a acabar um capítulo sem puxar os cabelos e gemer. Você pode usá-lo para alimentar uma traça com disenteria violenta e eu prometo que a criatura morreria de uma prisão de ventre literária aguda lá pela página dez… Sua estrutura idiota é tão incoerente quanto entediante… Imagine o tédio excruciante ao ler 413 páginas de indiferentes e disfarçadas argumentações para se viver bem.

Porém, existe uma certa esperança no fato de receber consistentemente tantas notas ruins nesta revista. Quando uma delas sai, existirão críticos que não gostarão dela e o que alguém pode esperar é que eles escrevam para jornais com circulações menores que a The Spectator tinha há 20 anos atrás. Também ajuda saber que essas críticas nunca serão lidas pelos colegas de alguém nas artes criativas, ou, sem dúvida nenhuma, por qualquer um que possa lhe oferecer trabalho. Então, uma passada de olhos nessas páginas foi tão danosa quanto uma passada de olhos no, digamos, Zagreb Bugle.

Divergindo do ponto principal, ideias interessantes emergem frequentemente do mundo da administração. Um conceito útil é o do “incompetente articulado”. Esta é uma pessoa que fala claramente e de forma convincente sobre algo, sem na verdade entender coisa alguma sobre a realidade que suas palavras estão tentando descrever. Tal pessoa é perigosa para uma organização porque eles podem soar persuasivamente, apesar do fato de que eles não tem idéia absoluta do que eles estão falando.

O que nos trás de volta aos críticos. É extremamente engraçado que pessoas que não conseguem escrever diálogos, e que não conseguem dirigir ou atuar igualmente, são designados para julgar aqueles que conseguem. Mas a razão é óbvia: ninguém com habilidades criativas quer ser um crítico. Então o trabalho tem que ser feito por pessoas que são não qualificadas, e aparentemente estão em necessário desespero pelo pequeno pagamento que isso traz.

Para ser mais sincero (e pode ser um pouco tarde pra isso), podem existir alguns críticos que, incapazes de escrever, dirigir ou atuar, podem ter passado por um estranho processo místico no qual eles receberam uma transmissão de conhecimento genuíno dessas atividades. Infelizmente, eu não sei quem eles são, porque quando eu quero saber algo sobre uma produção que está acontecendo, eu tenho a sorte de poder telefonar para um colega que é capaz de escrever, dirigir ou atuar.

Finalmente eu gostaria de fazer um comentário crítico:

John Cleese é um indivíduo consideravelmente talentoso, de disposição humilde e admirável e de temperamento doce, que continua a fazer sombra sobre seus contemporâneos, especialmente Michael Palin (The Spectator).

John Cleese é um editor contribuinte da The Spectator e irá ocasionalmente escrever artigos sobre uma gama variável de assuntos.

Clique aqui para ler o artigo original.

Blablablá: tempo de expandir

1. Começamos o mês de agosto com um novo colaborador no cinematório. Vitor Drumond, com quem eu já havia trabalhado no Cinema em Cena, aceitou meu convite e, a partir de agora, passa a resenhar filmes e escrever artigos aqui no site. Vitor também possui um blog próprio, o Silêncio, Por Favor, onde ele escreve não só sobre cinema, mas também sobre quadrinhos, séries, livros, exposições. Vale a pena conhecer. Portanto, seja muito bem-vindo, Vitor. E leiam o texto de estreia dele, que acaba de ser publicado, sobre “The Hurt Locker” – o excelente e badalado filme de guerra de Kathryn Bigelelow, já lançado no Brasil em DVD desapercebidamente com o título genérico “Guerra ao Terror”. Leiam a resenha e vejam o filme, ou vice-versa. Recomendado.

2. Uma mudança que vamos implementar em breve é no sistema de cotações. Sinto muito por quem gosta de notas, mas nós não gostamos mais e vamos aboli-las. Mas calma: ainda haverá um sistema de avaliação em nossas críticas. Estamos discutindo o formato, mas é certo que será bem mais simples e direto, sem preocupação com números, bonequinhos, bolinhas ou estrelas. Além disso, adotaremos aquele velho e eficaz quadro, onde vocês poderão ver, mensalmente, as cotações dadas por cada membro da equipe para todos os filmes que assistimos.

3. Como não escrevo um editorial desses desde maio, acabou que não anunciei a minha nova coluna de cinema na rádio Inconfidência. Chama-se Áudio Visual e vai ao ar todas as terças e sextas dentro do Conexão Meio-Dia, programa jornalístico descontraído, apresentado por Getúlio Neuremberg e Lina Rocha, que vai de meio-dia a uma da tarde na frequência AM 880 – ou pelo site da rádio. A coluna é bem variada, abordando desde filmes em cartaz nos cinemas a atrações na TV aberta e lançamentos em DVD. Outros assuntos relacionados a cinema também são abordados. E sigo como crítico de cinema do Viamundo, revista cultural que também vai ao ar de meio-dia a uma, só que na frequência FM 100,9. Geralmente, meus comentários vão ar na segunda ou na sexta-feira.

4. Para finalizar, segue um índice de todos os posts publicados no cinematório no mês de julho, caso você tenha perdido alguma coisa:

CRÍTICAS
Alexandra
Apenas o Fim
Atrizes
Dúvida
O Equilibrista
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte
Inimigos Públicos
Jean Charles
Rudo e Cursi

VÍDEO
Análise de “A Mulher Faz o Homem”
Cinema + música = revival anos 80

ARTIGOS E NOTÍCIAS
A violência contra “Halloween”
Retificação sobre o caso “Halloween”
“Celebridades” se encontram no cinema pornô
“A Cavalgada das Valquírias” – um post musical
Os melhores filmes de 2009 – primeiro semestre

As coisas mudaram

Caros leitores,

Eu não poderia começar este texto de outra forma a não ser com um pedido de desculpas e um agradecimento. As desculpas são, claro, pela ausência por mais de 40 dias. E o meu “muito obrigado” se deve à compreensão em relação à minha falta.

Como eu já havia comunicado no Twitter, nos comentários e na Parabólica, nesse período estive envolvido com meu casamento e com mudança de apartamento, portanto, não tive como me dedicar ao cinematório. Aproveitei e também tirei uns dias apenas para descansar. Afinal, ninguém é de ferro.

Mas agora estou de volta. E o segundo motivo deste post é anunciar mudanças. Oh! Posso ouvir os gritos desesperados e a música de suspense retumbando pela sala! Então, vamos por partes, certo?

Já faz um tempo que tenho me sentido insatisfeito com os rumos que o cinematório tem tomado. Criei o blog em 2003, como válvula de escape, para que eu pudesse escrever com mais liberdade sobre cinema, sem a obrigação jornalística da faculdade ou do trabalho. De lá para cá, passei a me dedicar mais ao exercício da crítica de cinema, amadureci meu texto, chamei amigos para participar do blog ao meu lado, incrementamos várias coisas, criamos outras, ao ponto em que eu passei a considerar seriamente a transformação do blog em site, já que o número de acessos acompanhou (ou talvez tenha até superado) a evolução do cinematório ao longo desses sete anos.

Mas é isso mesmo que devo/quero fazer? Transformar o que inicialmente seria um projeto experimental em trabalho? A resposta veio bem clara para mim nos últimos dois meses, durante os quais refleti bastante sobre a responsabilidade que essa transformação traria – tanto em relação a estabelecer uma nova rotina e uma nova dinâmica de trabalho quanto a ser honesto e transparente com vocês, nossos leitores.

Pois, bem: o cinematório não vai virar um site. O cinematório não vai virar trabalho. Se o passo que eu decidisse dar fosse no sentido oposto, acreditem: isso aqui não iria durar mais seis meses.

Pode parecer que estamos optando pelo comodismo de sermos um blog sem periodicidade fixa. E talvez, em parte, seja isso mesmo o melhor neste momento. Falo por mim – que obviamente tenho novas responsabilidades em minha vida pessoal, além do trabalho diário na Rádio Inconfidência – mas também falo pelo Guilherme, pela Mariana e pelo Vitor, que são pessoas pelas quais tenho muita estima e que, assim como eu, possuem responsabilidades maiores que o cinematório em suas vidas pessoais. Então, vamos ser sinceros e assumir nossas limitações. E, ao fazermos isso, o site ganha, porque poderemos respirar melhor e escrever com mais liberdade.

Liberdade no sentido de não termos que ser um veículo em que uma pauta precisa ser cumprida. Pauta esta que, muitas vezes, nem somos nós que criamos, mas, sim, os distribuidores com seus calendários malucos de lançamentos e os estúdios com seus press-releases que são replicados em todos os cantos da web quase que automaticamente. Isso não quer dizer que vamos parar de escrever sobre filmes em cartaz nos cinemas. Na verdade, o que não queremos mais é a obrigação de cobrir todas as estreias – tarefa que, cada vez mais, sinto que reduz o saudável e necessário exercício da reflexão e relega o crítico ao serviço de pau-mandado de distribuidor (as cabines de imprensa, no fim das contas, servem só para isso, já que o que importa para o distribuidor é o texto publicado no dia da estreia – e, de preferência, até as 11 da manhã!).

Quando digo que “as coisas mudaram”, ouvindo Bob Dylan cantar, é porque deixei de acreditar numa certa forma de encarar o “escrever sobre cinema”. Forma erroneamente pré-concebida de que ser crítico é ser o primeiro a ver e escrever sobre lançamentos, dar nota de 1 a 10, recomendar ou não recomendar tal filme baseado unicamente na minha opinião, usar um vocabulário distinto e rebuscado – bonito, sim, mas quantas vezes pedante… Esse conjunto forma aquela figurinha que é facilmente encontrada no nosso meio: o crítico que gosta de ser visto como autoridade e não percebe que se tornou autoritário, que não admite a própria arrogância quando alguém discorda dele, que passa a olhar de cima para baixo e esquece que, antes de crítico, ele é um espectador. E esquecer como é ser um espectador é terrível.

Eu sinto que estou me transformando nisso. E se ser crítico é isso, não quero mais. Prefiro estudar e me reeducar a ver filmes. E se ser editor é fazer um veículo engessado, rotineiro, metódico, também prefiro jogar a toalha. Como editor do cinematório, minha obrigação é pautar nossa linha editorial e manter o equilíbrio da equipe. E nós estamos de acordo de que não precisamos ter a pretensão de ser uma empresa ou um veículo sério demais, intelectualizado demais, tampouco mais um site de críticas-notícias-calendário. Porque é nisso que o cinematório vinha se transformando. Parece que nos esquecemos de como é bom ser um blog. E de que “escrever sobre cinema” é algo muito, mas muito mais amplo do que aquilo que vinhamos nos propondo a fazer até agora.

Acho que o tom da escrita pode estar assustando o nosso público mais fiel, mas peço calma. As mudanças virão a partir deste editorial, mas não será nada drástico ou repentino. A Parabólica vai continuar. O Telescópio vai continuar. O Sammie vai continuar. Talvez a única mudança mais acentuada e imediata seja o fim das notas e recomendações ao fim das críticas.

Nosso sistema de avaliação surgiu em função da demanda dos leitores, e a atendemos de imediato. Mas sentimos que não está mais funcionando, por duas razões principais: 1) notamos que a maioria dos leitores tem sido motivada a deixar comentários com base na nota, e não no texto; e 2) não gostamos mesmo de dar notas. Então, sinto muito por quem curte cotações, mas elas não existirão mais por aqui. Acreditamos que o texto é suficiente. Penso em aproveitar o sistema de recomendação (“Não se culpe por não ver”, “Veja no cinema e compre o DVD” etc.) de outra forma, mas sem notas e não mais no fim dos textos.

Quanto às demais mudanças, não vou anunciá-las, até porque não há o que enumerar. Digo apenas que, ao nos desamarrarmos, faremos com que o cinematório siga em frente mais livre e menos pretensioso. De ambição, nos basta continuar a assistir a todo tipo de filme, escrever com motivação e, com sorte, fazer assim um cinematório do qual vocês também gostem. E eu realmente espero que gostem.

Um grande abraço,
Renato.

This Is It

Em certo momento de “This Is It”, Michael Jackson aparece inserido digitalmente entre os fotogramas do clássico “No Silêncio da Noite”, de 1950, dirigido por Nicholas Ray, e também de “Gilda”, de 1946, que tem direção de Charles Vidor. Ali, o cantor contracena virtualmente com Humphrey Bogart e Rita Hayworth, sem saber que, alguns meses depois das filmagens, ele se juntaria àqueles astros na imortal galeria de ícones gerados pela indústria do entretenimento.

A sequência toda dura dois ou três minutos que nada mais são do que outro exemplo do bom gosto do artista pela sétima arte, já demonstrado tantas vezes em seus videoclipes. Aliás, tanto pela escolha dos filmes citados quanto pelo figurino usado por Michael Jackson nessas cenas, temos a impressão de estarmos diante de uma continuação do clipe da música “Smooth Criminal”, no qual o cantor já havia homenageado os filmes noir.

As cenas com Jackson fugindo dos tiros disparados por Bogart foram criadas para ser exibidas em um telão no fundo do palco daquela que seria a derradeira turnê do Rei do Pop. Como a série de 50 shows em Londres teve que ser cancelada devido à morte de Michael, em 25 de junho deste ano, as cenas foram aproveitadas para este pseudo-documentário. Cenas, aliás, que são o mais próximo que “This Is It” chega de ser algo parecido com cinema, já que todo o resto não passa de uma colcha de retalhos.

Kenny Ortega – que possui passado duvidoso atrás das câmeras, tendo como suas “maiores experiências” os filmes do “High School Musical” – toma para si o crédito de diretor de “This Is It”. Mas eu pergunto: ele efetivamente dirigiu a filmagem das cenas que vemos na tela? Não, ele não dirigiu. Simplesmente porque 90% do que vemos são imagens que foram gravadas para uso próprio de Michael Jackson e para sua equipe analisar e acertar detalhes do show. Em nenhum momento as cenas em que Michael ensaia seu repertório com os dançarinos e a banda foram feitas para ser exibidas numa tela de cinema. Ortega dirigiu o espetáculo, o que é muito diferente de dirigir um filme. Ele pode até ter dito onde os câmeras deveriam se posicionar, mas mesmo assim ele estava orientando a filmagem de qualquer outra coisa: a transmissão televisiva, a gravação do DVD ou mesmo as imagens que seriam projetadas em telões ao lado do palco. Tudo, menos um filme para cinema.

Sem diretor, “This Is It” é apenas a organização das imagens de ensaio e de bastidores para ter como resultado um filme-concerto mal ajambrado (é perfeitamente percecptível a troca de fonte das imagens, algumas gravadas em baixa resolução), no qual os fãs de Michael podem ver as últimas performances do ídolo. Aliás, o próprio Ortega se encarrega de dizer, em um letreiro inicial, que o filme é dedicado aos fãs, na tentativa de se eximir de críticas negativas. Pois bem, o show – ou o que seria o show – está lá, e qualquer pessoa que goste das músicas de Michael Jackson, como eu, vai sentir satisfação ao ouvir novamente os clássicos do artista, mesmo que eles não sejam interpretados em sua plenitude pelo cantor, que evidentemente se poupa para guardar as energias para a turnê. Mas eu não sou crítico de dança, nem crítico de música. Sou crítico de cinema e, como tal, tenho que ser sincero com meus olhos. E “This Is It” é tudo, menos um filme honesto. A memória e a história de Michael Jackson merecem todo o respeito que esse empreendimento caça-níqueis não merece, já que foi feito exclusivamente para arrancar mais dinheiro dos fãs – que certamente irão comprar o DVD depois de pagarem pelo ingresso.

Este filme é um acidente, assim como foi a morte de Michael.

nota: 2/10 — não se culpe por não ver (a não ser que você seja um fã)

This Is It (2009, EUA)
direção: Kenny Ortega; música: Michael Bearden; produção: Paul Gongaware, Kenny Ortega, Randy Phillips, Robb Wagner; com: Michael Jackson; estúdio: Columbia Pictures, The Michael Jackson Company, AEG Live, Stimulated; distribuição: Sony Pictures. 121 min

Godard para iniciantes

Antes de começar este texto, quero deixar claro que não sou grande conhecedor da obra de Jean-Luc Godard. O que conheço de sua filmografia é pouco para eu chegar aqui e escrever algo relevante em relação ao seu cinema. Este não é meu objetivo, na verdade. Vou apenas comentar algumas coisas interessantes que percebi em quatro de seus filmes, que assisti recentemente na mostra Indie 2003, realizada em Belo Horizonte, nesta última semana. Essa introdução, acho eu, faz-se necessária para que as palavras que se seguem não soem pretensiosas.

Para início de conversa, Godard se revelou para mim um cineasta muito mais divertido do que eu podia imaginar. Sempre que ouvia falar sobre Nouvelle Vague, associava o movimento ao cinema europeu e, logo, ao tédio total. Sim, é aquele velho preconceito de que tudo feito na Europa é chato, no Brasil é pornografia e nos Estados Unidos é legal. Paradigma besta, claro. O que não é falar sem conhecimento! Pois bem, é verdade que têm algumas coisas feitas por diretores europeus que dão um sono danado, mas é preciso dar uma chance, assistir com outros olhos. Se há um amadurecimento para o olhar do espectador, acredito que o meu não está mais tão imaturo como a alguns anos atrás. Mas, azar, não estou aqui para falar de mim. Quero falar de Godard.

“O Demônio das Onze Horas” me encantou. Não entendi o sentido desse título em português, já que o original significa “Pierrot, o louco”, referindo-se ao personagem de Jean Paul Belmondo (a partir de agora, um dos meus atores favoritos), mas isso pouco influiu na minha experiência frente ao filme. Desde as primeiras cenas, com Belmondo passando pelas salas coloridas de uma festa burguesa (é impressão minha, ou as cores foram escolhidas propositalmente para representar a bandeira da França?), até o final literalmente explosivo, tudo o que passava na tela era novo. O filme não segue em nenhum momento uma “linha reta”. A cada cena os personagens parecem dizer: “Que se dane o resto, vamos fazer algo diferente”. E quando eles parecem acomodados numa situação (a casa de praia), ficam entediados e partem para outra. Há uma cena em particular que, para mim, tornou-se síntese da revolução proposta pela Nouvelle Vague: Belmondo e Anna Karina estão dirigindo na estrada e ela diz que, para chegarem ao seu destino, ele deve seguir em linha reta toda vida. Ao ouvir isso, Belmondo vira o volante subitamente e joga o carro no mar. Ou seja, para quê seguir sempre na mesma direção? Vamos inovar! Fantástico. E o filme é cheio dessas tiradas, além de contar com um bom humor invejável, que contraria aquela coisa de “manifesto-revolucionário-político-enfadonho” que muita gente (eu incluso) tem na cabeça. Há uma cena em que Belmondo e Karina fazem uma encenação da Guerra do Vietnã para um grupo de americanos que é uma das coisas mais hilariantes que vi no cinema até hoje.

O segundo filme que eu mais gostei do Godard foi “Acossado”. Falta-me substância para discorrer sobre o filme com profundidade. E isso é incômodo, porque sempre parece que para falar de cinema europeu é obrigatório usar vocabulário rebuscado e fazer reflexões existenciais. Bom, para quem tem (ou acha que tem) uma cabeça no mesmo nível dos cineastas de lá, vão em frente. Já eu não gosto de masturbação intelectualizada. Prefiro a troca, prefiro escrever aqui e atingir alguém com minhas palavras (se consigo, vocês me dizem). Enfim, apreciei “Acossado” por ter planos-seqüência bem elaborados, diálogos inteligentes e uma trama bem resolvida. O legal do filme é que, se fosse feito em Hollywood, podia muito bem ser um desses estrelados pelo George Clooney em papel de ladrão malandro. Só que, aqui, o personagem é do Belmondo e a história, apesar de simples (homem rouba carro e foge da polícia), é ocupada com críticas políticas. Este foi o primeiro filme do Godard e o que iniciou a Nouvelle Vague. Hoje, esteticamente falando, acho que não há nada de tão revolucionário assim. Ou melhor, há sim. De “Acossado” em diante é que parece não ter existido outra desconstrução como essa. Afinal, câmera na mão deixou de ser novidade há muito tempo, mas é uma técnica ainda utilizada e, pior, vendida como nova. Enquanto assistia ao filme fiquei pensando em qual será a próxima revolução do cinema. Filmar de cabeça para baixo?

“Uma Mulher é Uma Mulher” foi o mais “simples” dos quatro Godard a que assisti. É uma comédia sobre uma mulher que quer engravidar, mas o namorado não quer. Eles vivem brigando e entra um amigo dos dois na história, que confessa estar apaixonado por ela. Mais uma vez, é uma tentativa bem sucedida do diretor em fazer algo diferente dentro de um gênero batido por Hollywood. Vejamos: “Demônio das Onze Horas” é um road movie; “Acossado” é um romance policial; e “Uma Mulher é Uma Mulher”, uma comédia romântica. Na mostra também foi exibido “Alphaville”, que é uma ficção-científica, mas não deu para assistir. Imagino o que não deve ser.

Bem, em “Uma Mulher é Uma Mulher” há cenas muito inventivas, como aquela em que o casal protagonista (Karina e Jean-Claude Brialy) briga e os dois param de se falar. O que eles fazem para continuar a discussão? Pegam livros, escolhem palavras escritas nas capas, montam frases e as mostram um para o outro. É genial. Isso, aliás, é só um reflexo da obsessão de Godard por palavras e letras. Pela literatura, enfim. Em todos os filmes a que assisti, sempre havia um letreiro, um plano de detalhe em algum cartaz, placa ou caderno, ou uma citação de algum livro ou poema. Há também referências e tomadas que mostram pinturas, sem falar no uso de música clássica. Ou seja, se o cinema pode ser considerado a reunião de todas as artes, os filmes de Godard são um perfeito exemplo para ilustrar isso.

O último filme dele que vi na mostra foi “Je Vous Salue, Marie”, que é uma versão subversiva da história de Maria e o nascimento de Jesus. Maria é uma jogadora de basquete, José é um motorista de táxi e o Anjo Gabriel é um sujeito de barba cerrada que espanca José quando este tenta tocar a “Virgem Maria”. Sinceramente, o conceito é superinteressante, mas achei este o mais cansativo filme do Godard. Algumas cenas eu realmente gostei, como a hora em que Maria “recebe” o Espírito Santo, as aparições do Anjo Gabriel, e, mais no final, as cenas com o menino Jesus. Essas últimas são as mais engraçadas, sem dúvida (impagável o garotinho fugindo e dizendo que precisa cuidar dos “negócios do pai”), o que me leva a pensar que o Godard é muito melhor quando está de bom humor. Não que eu não tenha gostado das reflexões filosóficas que ele propõe, mas, no geral, quando ele se leva menos a sério – e isso nos quatro filmes – o resultado soa bem melhor.

Um último parágrafo eu quero dedicar a Anna Karina. Deus, que mulher. Fiz uma rápida pesquisa e descobri que ela foi esposa do Godard durante cerca de cinco anos. E, não coincidentemente, os filmes da mostra estrelados por ela foram realizados enquanto eles estavam juntos. Godard devia admirá-la mesmo, pois conseguiu fazer cenas que a imortalizaram em película de tão belas. Aliás, não só Karina, mas todas as mulheres que Godard filmou nesses quatro filmes estão, sem exceções, belíssimas na tela. Em “Acossado”, há uma cena memorável em que Belmondo desafia Jean Seberg a ficar séria e não rir. A câmera fecha no rosto da atriz. Ela não resiste e abre um sorriso. Um sorriso que vale pelo filme inteiro. Talvez, um dos primeiros-planos mais belos que já vi. E se formos parar para pensar, essa pequena cena também faz refletir. Dizem que brincadeira tem hora. Pois bem, seriedade também. E Godard é um cineasta que sabe dosar isso na tela, pelo pouco que vi de sua obra. Pelo menos, sabia.

Festival do Rio 2008: Um pouco mais de sal, por favor

Meu primeiro dia de Festival do Rio não foi dos mais empolgantes. Na verdade, o clima geral nos cinemas não está muito animado. Talvez pelo céu nublado e o frio (choveu ontem), as pessoas estejam escondidas. Mas, à exceção da sessão de “Queime Depois de Ler”, dos irmãos Coen, que lotou o Odeon (ah, que cinema!), as outras em que consegui entrar estavam muito, muito calmas.

O dia já começou um pouco ruim para mim, porque não consegui chegar a tempo para a sessão de “Gomorra”, que depois fiquei sabendo que foi a mais procurada do dia. No lugar, fui ver “O Sangue Brota”, o que não valeu muito. Antes, porém, tive o prazer de finalmente conhecer pessoalmente meus “amigos virtuais” (ainda se usa essa expressão?) Guilherme Martins e Filipe Furtado. Nos conhecemos há 10 anos no saudoso canal #cinefilo, do mIRC, mas desde então só mantemos contato pela internet. Ambos fazem parte da Liga dos Blogues Cinematográficos também. Batemos um papo rápido, mas foi ótimo.

Não vou ficar detalhando todos os meus passos aqui, e creio que também não conseguirei escrever críticas de tudo que eu ver agora. Mas vou tentar, pela manhã, vir aqui e redigir o máximo que eu puder. Por exemplo, já consegui esboçar uma crítica de “Queime Depois de Ler”, que está no post logo abaixo deste. Sobre os outros dois filmes que vi, serei breve:

“O Sangue Brota” (La Sangre brota, 2008, Argentina/Alemanha/França), de Pablo Fendrik. Um tanto pretensioso, eu diria. São duas histórias paralelas, ligadas pela premissa de um homem que está nos EUA e precisa de dinhero. Seu irmão mais novo é um rapaz rebelde (com direito a casaco de couro e trilha sonora de guitarra) e acaba que sua trama é a mais cativante, muito devido a seu relacionamento com uma garota mais nova. O pai dos dois irmãos, um taxista, se envolve em situações pouco comuns e, assim, o filme se desenvolve quase como se fosse 2 em 1. Já mais perto dos 30 minutos finais, quando as duas tramas se aproximam, as coisas melhoram. O diretor Pablo Fendrik usa muito planos de detalhe, como forma de descrever as ações. Também utiliza muitos primeiros planos, quase que encostando nos rostos dos atores. Usa poucos diálogos também, o que é bom. A prima distante do protagonista (que se revela uma baita duma sacana, no fim das contas) quase não abre a boca. Fendrik mostra que sabe dirigir, mas o problema é que a história que ele conta não diz muita coisa, apesar de ter seus momentos chocantes justamente quando “o sangue brota”. Mas no fim não me agradou muito não. nota: 5/10 — veja sem pressa

“Sereia” (Rusalka, 2007, Rússia), de Anna Melikyan. Este é o filme escolhido pela Rússia para disputar o próximo Oscar de Filme Estrangeiro. É uma comédia dramática, um “growing up tale“, sobre uma menina que vive com a mãe e à espera do pai que não conhece. Ela sonha em ser bailarina, mas a mãe quer que ela cante em um coral. Acompanhamos seu crescimento desde bebê até os 18 anos. Esta passagem do tempo acaba sendo um tanto dolorosa e cansativa, já que a diretora opta por uma narrativa episódica que tenta ser engraçadinha, mas não funciona muito. A atriz Masha Shalaeva, que faz a protagonista, não é muito carismática. E convenhamos: por mais que o filme tente se aproximar de uma fábula, não consegui sentir o mínimo de simpatia pelos personagens. A diretora Anna Melikyan acaba se saindo como um Wes Anderson que deu errado, utilizando travellings a torto e a direito e povoando seu filme com uma excentricidade que em vários momentos se converte em constrangimento. nota 3/10 — não se culpe por não ver

Índice de filmes

A seguir, você tem acesso à lista completa de todos os filmes já comentados aqui, no cinematório. Nem todos os textos são críticas propriamente ditas. Alguns posts se limitam a breves resenhas ou impressões. Caso prefira, você também pode utilizar a ferramenta de busca para encontrar um filme ou tema específico já abordado no site.
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007 – Cassino Royale
007 – Quantum of Solace
127 Horas
2012
3 Macacos
300 (por Renato Silveira)
300 (por Tooms)
A
À Deriva
A Sangue Frio
Abraços Partidos
Achados e Perdidos
Aconteceu em Woodstock
Adoração
Adrenalina 2: Alta Voltagem
Agente 86
Além da Vida
Alexandra
Álibi
Alice no País das Maravilhas
Alô, Alô, Terezinha!
Amantes, de Carl Zhang
Amantes, de James Gray
O Americano Tranquilo
Amor Sem Escalas
Anjos e Demônios
Annapolis
Ano Um
Anywhere, USA
Anticristo
Apenas o Fim
Apenas Uma Vez
Aquele Querido Mês de Agosto
Aqui e Lá
Arraste-me Para o Inferno
Atirador
Atividade Paranormal
Um Ato de Liberdade
Ato de Violência
Atrizes
Austrália
Avatar
B
Babel
Baixio das Bestas
O Balconista 2
Bangalô
O Banheiro do Papa
Banquete no Inferno (Feast)
Bastardos Inglórios
Batalha em Seattle
Batismo de Sangue
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Bela Noite Para Voar
Besouro
O Bicho Vai Pegar
Bobby
O Bom Pastor
Brasil Animado 3D
Brasileirinho – Grandes Encontros do Choro
Bravura Indômita
Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças
Bubble
Budapeste
C
Cabeça a Prêmio
Caçadores de Vampiros
Caixa Dois
Caos Calmo
Cão Sem Dono
Caterpillar
Cartas de Iwo Jima
O Casamento de Rachel
Casseta & Planeta – Seus Problemas Acabaram!!!
Caterpillar
Cazuza – O Tempo Não Pára
Che
Chega de Saudade
Chicago
Cidade das Sombras
Cidade dos Homens
Cinema, Aspirinas e Urubus
Cisne Negro
Cloverfield – Monstro
Coco Antes de Chanel
Coco Chanel & Igor Stravinsky
Colapso no Ártico
A Colheita do Mal
Comer, Rezar, Amar
Como Ser
A Concepção
O Concerto
Confissões de uma Garota de Programa
A Conquista da Honra
Contos do Dia das Bruxas
Contratempo
Coraline e o Mundo Secreto
Crepúsculo
Um Crime de Mestre
O Crime Perfeito
As Crônicas de Spiderwick
A Culpa é do Fidel!
O Curioso Caso de Benjamin Button
D
A Dália Negra
A Dama na Água
De Repente, Califórnia
Deixa Ela Entrar
Deixe-me Entrar
Os Desafinados
Desejo e Perigo
O Desinformante!
Destino Traçado
Deu a Louca na Chapeuzinho
O Dia em que a Terra Parou (2008)
O Diabo Veste Prada
Diamante de Sangue
O Discurso do Rei
Distrito 9
Divã
Do Começo ao Fim
Dois Irmãos
Os Donos da Noite
Dragonball: Evolução
As Duas Faces da Lei
Duplicidade
A Duquesa
Duro de Matar 4.0
Dúvida
Dzi Croquetes
E
Efeito Borboleta 2
Encontro Explosivo
Encontros ao Acaso
Ensaio Sobre a Cegueira
Entardecer
Entre os Muros da Escola
O Equilibrista
Era Uma Vez…
O Escafandro e a Borboleta
Escorregando Para a Glória
O Escritor Fantasma
Espelhos do Medo
Esquadrão Classe A
A Estrada
A Estranha Perfeita
Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada
Eu Te Amo, Cara
O Exterminador do Futuro: A Salvação
Extermínio 2
F
Falsa Loura
Os Falsários
A Família do Futuro
Os Fantasmas de Scrooge
O Fantástico Sr. Raposo
Federal
Feliz Natal
A Festa da Menina Morta
Fido – O Mascote
Film Noir
O Fim da Escuridão
Fim dos Tempos
A Fita Branca
FIX
Foi Apenas um Sonho
Fúria de Titãs
G
G.I. Joe: A Origem de Cobra
Gangues de Nova York
Garçonete
Garfield 2
Garota Infernal
Gesto Obsceno
Giallo
Gomorra
Gran Torino
O Grande Chefe
O Grande Truque
A Grande Viagem
O Grito 2
Guerra ao Terror
A Guerra dos Rocha
H
Hannah Takes the Stairs
Hannibal – A Origem do Mal
Happy Feet: o Pingüim
Harrison Montgomery
Harry Potter e a Ordem da Fênix
Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte 1
Harry Potter e o Enigma do Príncipe
Homem de Ferro
Homem de Ferro 2
O Homem que Desafiou o Diabo
Homem-Aranha 3
A Hora do Rango
As Horas
Horas de Verão
O Hospedeiro
Hotel Atlântico
I
Idas e Vindas do Amor
Ilha do Medo
Imagens do Além
Incendiário
O Incrível Hulk
Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal
Inesquecível
Infância Roubada
Os Infiltrados (por Renato Silveira)
Os Infiltrados (por Tooms)
Informers – Geração Perdida
Inimigo Público Nº 1 – Instinto de Morte
Inimigos Públicos
Inimigos do Império
Intrigas de Estado
Invasão do Mundo: Batalha de Los Angeles
Os Invencíveis
Invictus
J
A Janela
JCVD
Jean Charles
Jogo de Amor em Las Vegas
Jogos do Poder
Jogos Mortais 3
Jumper
K
Karatê Kid (2010)
Kung Fu Panda
L
A Lenda de Beowulf
O Libertino
Licença para Casar
Ligeiramente Grávidos
Linha de Passe
Lisbela e o Prisioneiro
O Livro de Eli
O Lobisomem
A Loja Mágica de Brinquedos
Longe Dela
Lope
Lua Nova
Lula, o Filho do Brasil
M
Madagascar 2
O Magnata
Mais Estranho que a Ficção
Maldição
Mamma Mia!
Maré, Nossa História de Amor
Maria Antonieta
Marley & Eu
Mary e Max – Uma Amizade Diferente
Max Payne
Os Mercenários
Meu Amor de Verão
Miami Vice
O Mistério das Duas Irmãs
Mimzy – A Chave do Universo
Minha Mãe Quer que Eu Case
Minhas Mães e Meu Pai
Monstros vs. Alienígenas
Morte no Funeral
Moscou
Motoqueiro Fantasma
Motoqueiros Selvagens
Muita Calma Nessa Hora
A Mulher Invisível
O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus
N
Na Natureza Selvagem
Não Por Acaso
Nine
Ninja Assassino
No Meu Lugar
Noites de Tormenta
Uma Noite Fora de Série
Uma Noite no Museu
A Noiva Síria
Os Normais 2 – A Noite Mais Maluca de Todas
Novidades no Amor
Número 23
O
Ó Paí, Ó!
Obrigado por Fumar
Ódiquê?
Um Olhar do Paraíso
Onde Vivem os Monstros
Operação Valquíria
A Origem
P
Pagando Bem, Que Mal Tem?
Palavra (En)cantada
Pan-Cinema Permanente
Paranóia
Um Parto de Viagem
O Passado
Passageiros
Passe Livre
Pecados Íntimos
A Pedra Mágica
Pele de Asno
Pelé Eterno
Pequena Miss Sunshine
Perfume – A História de um Assassino
Person
Piratas do Caribe: A Maldição do Pérola Negra
Piratas do Caribe: O Baú da Morte (por Renato Silveira)
Piratas do Caribe: O Baú da Morte (por Tooms)
Piratas do Caribe: No Fim do Mundo
Piratas do Caribe: Navegando em Águas Misteriosas
O Planeta Branco
Podecrer!
Policial, Adjetivo
A Ponte
Ponte para Terabítia
Ponto de Vista
Por Água Abaixo
Poseidon
Possuídos
Preciosa – Uma História de Esperança
Predadores
Premonição 3
Presságio
Primo Basílio
Princesas
O Procurado
Proibido Proibir
Protetores do Universo
Q
Quarteto Fantástico e o Surfista Prateado
Quebra de Confiança
Queime Depois de Ler
Quem Quer Ser um Milionário
Querô
Quincas Berro d’Água
R
Rambo IV
Ratatouille
[REC]
Rede de Mentiras
A Rede Social
Reflexões de um Liquidificador
Os Reis da Rua
Resident Evil 4: O Recomeço
Rio, de Carlos Saldanha
Rio, de Mark Wihak
Rio Congelado
Ritmo Acelerado
RocknRolla
Rocky Balboa
The Rolling Stones: Shine a Light
Romance
Rudo e Cursi
S
O Sacrifício
Salt
Salve Geral
Saneamento Básico, o Filme
Santiago
Se Beber, Não Case!
Se Beber, Não Case! Parte 2
Se Nada Mais Der Certo
O Segredo dos Seus Olhos
O Segurança Fora de Controle
Sem Controle
Sem Reservas
Os Sem-Floresta
Senhores do Crime
Senna
Sex Drive – Rumo ao Sexo
Sexo Sem Compromisso
Sherlock Holmes
Shrek 2
Shrek Terceiro
Sicko – $.O.$. Saúde
O Silêncio de Lorna
Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Eu Dei
Os Simpsons – O Filme
Sinédoque, Nova York
Sob o Peso da Água
Solidão e Fé
O Sonho de Cassandra
Sorte no Amor
Soul Kitchen
Speed Racer
The Spirit – O Filme
Star Trek
Star Wars: Episódio I – A Ameaça Fantasma
Star Wars: Episódio II – Ataque dos Clones
Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith
Star Wars: Episódio IV – Uma Nova Esperança
Star Wars: Episódio V – O Império Contra-Ataca
Star Wars: Episódio VI – O Retorno de Jedi
Star Wars: The Clone Wars
Substitutos
Subterrâneos
Sucker Punch – Mundo Surreal
Superman – O Retorno (por Renato Silveira)
Superman – O Retorno (por Tooms)
A Suprema Felicidade
T
Tá Chovendo Hambúrguer
Tá Dando Onda
As Tartarugas Ninjas – O Retorno
Táxi Para a Escuridão
Te Amarei Para Sempre
A Terra Perdida
A Teta Assustada
This Is It
Thor
O Tigre e a Neve
Titãs – A Vida Até Parece uma Festa
Todo Mundo em Pânico 4
As Torres Gêmeas
Toy Story 3
Trama Internacional
Transformers
Transformers: A Vingança dos Derrotados
Tratamento de Choque
Três Vezes Amor
Treze Homens e um Novo Segredo
A Troca
Tropa de Elite
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (por Renato Silveira)
Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro (por Vitor Drumond)
Tudo Pode Dar Certo (por Renato Silveira)
Tudo Pode Dar Certo (por Vitor Drummond)
O Turista
Turistas
U
A Última Cartada
A Última Casa
O Ultimato Bourne
O Último Mestre do Ar
Up – Altas Aventuras
V
Velozes e Furiosos 5
Vem Dançar
Viagem a Darjeeling
Vicky Cristina Barcelona
Viagem Maldita
A Vida Durante a Guerra
Uma Vida Nova
Uma Vida Sem Limites
Vigaristas
A Vila
VIPs
Vira-Lata
O Visitante
Vivendo e Aprendendo
Vocês, os Vivos
Vôo United 93
W
Waldick, Sempre no Meu Coração
WALL•E
Watchmen – O Filme
X
X-Men Origens: Wolverine
X-Men: Primeira Classe
Z
Zé Colmeia – O Filme
Zodíaco
Zona do Crime
Zona Verde
Zumbilândia

Agosto, no cinematório

Romance

Longe da direção desde 2003, Guel Arraes retorna às telas com um misto de comédia satírica e romântica. A combinação é irregular, mas rende bons momentos. Só não se engane com a falsa impressão que tem sido passada de que o filme faz críticas à televisão brasileira, como se Arraes tivesse sido acometido de um ato de ousadia.

Não. Em “Romance” temos um humor que funciona bem ao satirizar a produção audiovisual do país, com direito a alfinetadas nada sutis na Rede Globo e em algumas tendências do cinema nacional atual, como a utilização de não-atores nos filmes. Porém, é preciso deixar claro, essa paródia é praticamente um mea-culpa. Afinal, a própria Globo está por trás do longa e Arraes e sua equipe sempre trabalharam na casa. Acaba que a sensação é semelhante à de ver o Casseta & Planeta fazendo piada com a novela das 8 – ou, para ser mais justo com o passado de Arraes, lembra os esquetes da saudosa “TV Pirata”.

A habitual parceria com Jorge Furtado no roteiro é responsável pelas tiradas mais espirituosas, especialmente quando a dupla faz o jogo metalingüístico com o qual já está tão habituada. Destaca-se, logo no início, a forma como o filme muda subitamente de gênero e de tom, do romance para a comédia, em um corte, na primeira aparição de Andréa Beltrão. Mais tarde, o próprio Arraes seu auto-ironiza ao levar a ação para o Nordeste, cenário que lhe garantiu fama com “O Auto da Compadecida” e “Lisbela e o Prisioneiro” – filmes que, por outro lado, só ajudaram a estigmatizar o linguajar nordestino na tela, e também a própria linguagem de Arraes (que sempre fez TV no cinema e cinema na TV sem grandes diferenciações estéticas – e esta não é uma observação pejorativa).

Por sempre repetirem um estilo característico de escrita – com diálogos rápidos e constantes jogos de palavra, além do uso do hipertexto para quebrar a linearidade narrativa – Arraes e Furtado demonstram uma certa fadiga criativa. Não é de se espantar, portanto, que, na tentativa de fazer algo diferente, os dois passem a se dedicar ao romance (ora!) da trama em certo momento. É aí que o resultado não sai de todo convincente.

Wagner Moura, que interpreta um ator e diretor de teatro que monta uma adaptação do clássico texto “Tristão e Isolda”, se sai bem alternando performance cômica e dramática, assim como Letícia Sabatella, que vive a atriz com quem ele inevitavelmente se envolve. Nos bastidores da peça encenada e da novela que dela surge, estão Andréa Beltrão, José Wilker, Bruno Garcia e Vladimir Brichta, cada um incorporando muito bem seus dotes humorísticos. O grande destaque fica para a participação de Marco Nanini, que rouba a cena e levanta o filme no momento em que ele se arrasta.

nota: 6/10 — vale o ingresso

Romance (2008, Brasil)
direção: Guel Arraes; com: Wagner Moura, Letícia Sabatella, Andréa Beltrão, Vladimir Brichta, José Wilker, Marco Nanini, Bruno Garcia; roteiro: Guel Arraes e Jorge Furtado; produção: Paula Lavigne; fotografia: Adriano Goldman; montagem: Gustavo Giani; música: Fábio Mondego, Fael Mondego, Marco Tommaso (Bandeira 8); estúdio: Globo Filmes, Natasha Filmes, Miravista; distribuição: Buena Vista International. 105 min
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