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Cinema marginal em DVD!

Olhem que bela notícia para os cinéfilos interessados no resgate e preservação do cinema brasileiro – e principalmente para o público que nunca teve acesso fácil a essa importante era da nossa cinematografia. Uma coleção de DVDs com 38 filmes do chamado “cinema marginal” começa a ser lançada em maio, através de uma parceria entre a Lume Filmes e a Heco Produções.

No primeiro volume, está o clássico subversivo, metalinguístico, revolucionário – ou simplificando numa só palavra: indescritível – “Bang Bang”, de Andrea Tonacci. Abaixo, o release com as informações completas. É para soltar rojões!

LUME FILMES E HECO PRODUÇÕES CRIAM UM SELO DE CINEMA BRASILEIRO E LANÇAM EM HOME VIDEO A MAIS AGUARDADA COLEÇÃO DE FILMES DOS ÚLTIMOS ANOS NO BRASIL, COM 12 DVDS, UM TOTAL DE 38 FILMES PRODUZIDOS DESDE A DÉCADA DE 1960.

PRIMEIROS 4 LANÇAMENTOS TRAZEM CLÁSSICOS DE ANDREA TONACCI, ROGÉRIO SGANZERLA, ELYSEU VISCONTI E ANDRÉ LUIZ OLIVEIRA. OUTROS REALIZADORES QUE FARÃO PARTE DA COLEÇÃO: CARLOS REICHENBACH, JOSÉ AGRIPPINO DE PAULA, JOÃO SILVÉRIO TREVISAN, JÚLIO BRESSANE, GERALDO VELOSO, JAIRO FERREIRA, JOÃO CALLEGARO, OZUALDO CANDEIAS ENTRE OUTROS.

Parceria estabelecida entre a LUME FILMES e a HECO PRODUÇÕES cria um selo de cinema brasileiro que estréia com o lançamento de doze DVDs (totalizando 38 filmes) que irão compor a histórica COLEÇÃO CINEMA MARGINAL BRASILEIRO. Os quatro primeiros DVDs trazem filmes de Andrea Tonacci, Rogério Sganzerla, André Luiz Oliveira e Elyseu Visconti.

O DVD 1, Andrea Tonacci, contém o longa-metragem “Bang bang” (1971), o média-metragem “Blá, blá, blá” (1968) e o curta-metragem “Olho por olho” (1966), e nos extras há um depoimento inédito de Tonacci e uma palestra inédita do crítico Ismail Xavier. O DVD 2, Rogério Sganzerla, contém o longa “Sem essa, Aranha” (1970) e os curtas “Histórias em quadrinhos” (1969, em parceria com Álvaro de Moya) e “A miss e o dinossauro – Bastidores da Belair”, finalizado por Helena Ignez em 2005, como extra há uma extensa entrevista inédita de Sganzerla. O DVD 3, Elyseu Visconti, contém o longa-metragem “Os Monstros e Babaloo” (1970) e o curta-metragem “Ticumbi” (1978), nos extras há um depoimento de Elyseu Visconti e outro de Fernando Coni Campos, além dos curtas documentais “Boi Calemba” (1979), “Cavalo Marinho” (1979) e “Feira de Campina Grande” (1979). O DVD 4, André Luiz Oliveira, contém o longa-metragem “Meteorango Kid, o herói intergalático”, os curtas “Doce amargo” (1968) e “A fonte” (1970), nos extras há um depoimento inédito de André Luiz Oliveira e o curta-metragem “O Cristo de Vitória da Conquista” (1981).

Os DVDs trazem longas, médias e curtas-metragens, entrevistas e palestras inéditas com realizadores, críticos e/ ou ensaístas. Um encarte na forma de um livrete de 16 páginas, já editado de acordo com a nova reforma ortográfica da língua portuguesa, acompanhará cada unidade de DVD, com textos e imagens inéditos: vasto material iconográfico, ensaios sobre o movimento, artigos críticos, sinopses e fichas técnicas sobre os filmes lançados e uma biofilmografia dos autores das obras, mantendo o ineditismo e o consagrado padrão de qualidade alcançado ao longo dos últimos anos pela HECO PRODUÇÕES e pela LUME FILMES.

A paixão pelo cinema autoral é o que move a parceria entre a LUME e a HECO na concretização deste selo de cinema brasileiro, inaugurado com o lançamento de 38 filmes distribuídos em doze DVDs, que serão lançados a cada dois meses ao longo do ano de 2009, compondo a Coleção Cinema Marginal Brasileiro. Excepcionalmente na estréia da coleção, serão lançados quatro volumes em DVD em duas unidades da Livraria Cultura, em São Paulo. No dia 2 de maio de 2009 (sábado) na unidade Villa Lobos a partir das 15 horas, e no dia 6 de maio de 2009 (quarta-feira) na unidade Pompéia às 19h30. Ambos os dias com exibição de filmes, debates, coquetel de lançamento e sessão de autógrafos.

A coleção apresenta obras pouco vistas, principalmente pelas novas gerações, já que parte dos filmes não chegou a ser lançado comercialmente. São filmes produzidos por cineastas que encontraram no cinema autoral um caminho eficiente de realizá-los. Despreocupados com as bem comportadas fórmulas narrativas e estéticas, esses cineastas conseguiram, com poucos recursos, extravasar seus anseios e produzir obras de primeira grandeza para a história do cinema brasileiro. É notável a irreverência e a genialidade desta geração de cineastas, que legaram importante e criativa contribuição para o cinema nacional.

A denominação “Cinema Marginal” é controversa, até mesmo para alguns dos cineastas associados a esse movimento. Pode se revelar uma redução ou um nome que não dá conta da invenção formal e do teor de experimentação de boa parcela dos filmes que se costumou incluir nesta tendência. O conjunto dessa produção poderia também receber o nome de Cinema Poesia (como prefere Júlio Bressane), Cinema Underground, Cinema Experimental, Udigrúdi (avacalhação do Underground americano inventada por Glauber Rocha), ou Cinema de Invenção (criado por Jairo Ferreira). No entanto, a designação Cinema Marginal persiste e sugere algo a respeito da produção à margem do cinema brasileiro do período e do seu contexto: um país marcado pela guerrilha urbana em resposta àquele que foi o período mais negro da ditadura.

"Fim dos Tempos" em DVD e Blu-ray

Para quem é do clube de apreciadores do cinema de M. Night Shyamalan, chegou a hora de ter em casa o mais recente trabalho subestimado do cineasta. Para quem não curtiu no cinema, chegou a hora de dar uma segunda chance, mesmo que pegando o DVD emprestado com alguém.

“Fim dos Tempos” chega às lojas no próximo dia 4, também em Blu-ray, pela Fox. Felizmente, ambos os formatos estão com a imagem em razão de aspecto correto, ou seja, widescreen anamórfico. O áudio vem em 5.1 canais (Dolby, eu suponho) com opções em inglês, português e espanhol (idem para as legendas).

A diferença fica mesmo para os extras. Enquanto o DVD traz cenas excluídas com introdução do diretor, erros de gravação e os featurettes “A difícil edição”, “Eu ouvi vocês cochichando”, “Um dia para Night”, “Elementos de uma cena” e “Forças ocultas”, o Blu-ray traz a mais as seguintes atrações: “Tomadas” (a Fox não especifica do que se trata no press-release); faixa de curiosidades; making of; e “A filmagem do trem”.

Hora de completar a coleção.

DIRETO EM DVD

Esta semana, a Califórnia Filmes também anunciou lançamentos, mas de filmes que chegarão direto às locadoras sem passar pelos cinemas. “Ong Bak 2” (continuação do ótimo filme de luta tailandês, agora dirigido por seu próprio astro, Tony Jaa – entrega 04/02); “Vida de Casado” (um suspense que eu jurava que era comédia, com Pierce Brosnan, Chris Cooper, Patricia Clarkson e a sumida Rachel McAdams – entrega 11/02); e “Charlie, um Grande Garoto” (um “growing up tale” com Robert Downey Jr. – motivo suficiente para já valer a locação – entrega 18/02).

E para quem não viu o maravilhoso “[REC]” no cinema (espero que não tenham perdido tempo com “Quarentena”), o filme estará disponível nas locadoras em 18 de fevereiro.

"Santiago" em DVD

A VideoFilmes lança este mês o DVD de “Santiago”. O filme de João Moreira Salles (“Notícias de Uma Guerra Particular”, “Entreatos”) foi lançado em 2007 nos cinemas e recolheu opiniões quase unânimes a respeito de sua qualidade. Muito do que foi dito a respeito do documentário é reiterado na faixa comentada que vem como extra no disco. Nela, o crítico e pesquisador Carlos Alberto Mattos conversa/entrevista JMS e os montadores do filme: o veterano Eduardo Escorel (“O Padre e a Moça”, “Terra em Transe”, “Cabra Marcado Para Morrer”) e a então iniciante Lívia Serpa (que depois viria a trabalhar em “Linha de Passe”).

Tanto as perguntas quanto as respostas enriquecem ainda mais “Santiago”, no sentido de que acrescentam quatro perspectivas sobre o processo de criação do documentário na montagem (incluindo uma terceira visão de JMS – sendo a primeira a de 1992, quando as imagens foram filmadas, e a segunda a de 2005, quando o filme que conhecemos foi montado). Um detalhe é que a capa do DVD informa que Eduardo Coutinho participa desta faixa comentada, mas o mestre é apenas citado em certo momento. Seria sensacional se ele tivesse participado da conversa, mas é somente um erro de impressão.

O DVD também inclui como extras três sequências com montagens alternativas e narração de Escorel, mais dois curtas dirigidos por JMS: “Poesia é uma ou duas linhas e por trás uma imensa paisagem” (1989) e “Dois Poemas” (1992). Para completar, encartado na embalagem está um livreto com a transcrição completa das falas do narrador e de Santiago, e ainda notas sobre o filme escritas por Jean-Claude Bernardet (que de tão boas realmente mereciam essa distinção).

Abaixo, um trecho da minha crítica sobre o filme, escrita à época da exibição nos cinemas.

É difícil ver um cineasta ser tão sincero e se abrir tanto para o público como João Moreira Salles em “Santiago”. Trata-se de um filme revelador, não só sobre a figura do mordomo Santiago, que trabalhou para a família Salles durante boa parte da vida do diretor e seus irmãos, mas ainda mais sobre o próprio documentarista, que faz aqui uma reflexão sobre a memória, a passagem do tempo e seu método de trabalho.

“Santiago” é um filme que se constrói e se desconstrói na montagem. Salles resgata cenas que filmou em 1992, quando o documentário seria outro, e recria o longa mais de uma década depois com o olhar de um cineasta mais maduro. Assim, ele acaba por fazer um estudo auto-crítico sobre a relação entre o documentarista e o personagem: o modo um tanto arrogante com que dirige Santiago, o personagem, cria uma nova relação entre ele e aquela figura que por anos fez parte de sua vida familiar.

Na tentativa de reparar os erros cometidos no passado, Salles cria algo novo e duplamente gratificante. Ele presta uma homenagem singular à memória de Santiago, eternizando sua peculiar personalidade em filme, e ainda oferece ao público uma instigante análise da linguagem documental e sua importância. Afinal, tal como o mordomo fazia com os personagens históricos presentes em suas inúmeras anotações colecionadas ao longo da vida, sem esse registro feito pelo diretor não saberíamos quem foi Santiago. O que move o interesse do espectador pelo filme é o interesse em conhecer o outro – justamente o que faltou a Salles em seu projeto original.

"Cegueira" e "Linha de Passe" em DVD

Dois filmes muito falados e elogiados (e também criticados, já que ninguém é perfeito) de 2008 estão prestes a chegarem às locadoras em DVD. E junto vem uma boa e uma má notícia.

A boa é que a Universal fez tudo direitinho e vai lançar “Linha de Passe” com formato de tela widescreen 1.85:1 anamórfico e áudio 5.1. A parte de extras fica um pouco a dever, contendo apenas entrevistas. Pelo menos, são muitas: Walter Salles e Daniela Thomas, os diretores; Sandra Corveloni, premiada em Cannes (e entrevistada também por mim); e os atores Vinicius de Oliveira, José Geraldo Rodrigues, João Baldasserini e Kaique de Jesus Santos.

Já a senhora 20th Century Fox, que celebra (e com razão) a inclusão de uma faixa com audiodescrição para deficientes visuais, informa que “Ensaio Sobre a Cegueira” será lançado com tela 4×3 letterbox. Traduzindo: se você tem um televisor widescreen (LCD ou plasma), terá que usar o zoom para preencher a tela toda. O problema disso é que, além de você perder as legendas (já que, no formato letterbox, as mesmas ficam incrustadas na barra preta inferior à imagem do filme, diferente do formato anamórfico, onde elas ficam “soltas”), também irá perder qualidade de imagem. Afinal, o zoom acentua as imperfeições, principalmente nos contornos dos objetos e atores. Uma mancada dessas num dos principais filmes do distribuidor em 2008. Faltou visão – para usar o trocadilho infame.

“Linha de Passe” chega dia 14 de janeiro, enquanto “Ensaio Sobre a Cegueira” está disponível a partir de hoje, dia 7. Vale lembrar que essas são as versões para locação. Pode ser que na versão para venda ao consumidor as especificações sejam alteradas.

DATAS

Aproveitando, recebi da Paris Filmes a planilha de lançamentos no cinema para o primeiro semestre de 2009. A melhor notícia é o novo do Darren Aronofsky, “The Wrestler” (ainda sem título em português que vai se chamar “O Lutador”), com estréia programada para 6 de fevereiro. Vamos torcer para que não mude, já que é um final de semana concorrido. Olhem só o que já está marcado para o mesmo dia: “Coraline e o Mundo Secreto”, “Dúvida”, “Gran Torino”, “O Leitor”, “Milk – A Voz da Igualdade”, “The Spirit”. Quem vai cair?

A Paris também anuncia o vaiado em Veneza “Plastic City”, drama sobre a máfia chinesa em São Paulo, com a deusa Tainá Müller, para maio. Também tem, em março, o novo Alex Proyas, “Knowing” (cujo cartaz chupa descaradamente o de “Guerra dos Mundos” do Spielberg). Por outro lado, “Lars and the Real Girl” perdeu a previsão de estréia, assim como “The Brothers Bloom”, de Rian “Brick” Johnson (com Adrien Brody, Mark Ruffalo e Rachel Weisz).

AINDA A UNIVERSAL

A Universal também anunciou outros títulos em DVD para venda, com entrega para 21 deste mês. Entre eles estão “Ressaca de Amor” (da trupe do Judd Apatow), “Uma Mãe para o Meu Bebê” (da trupe do “Saturday Night Live”) e “Cadáveres 2”. Este último, para quem não se lembra, é o “The Morgue”. E diferente de quando o filme saiu para locação, agora a Universal citou no release que a direção é do brasileiro Halder Gomes. Vou acreditar que alguém de lá leu minha entrevista com o Halder e tomou vergonha na cara.

Direto em DVD – Ritmo Acelerado

O grande mérito de um mockumentary (o famoso “falso documentário”) é fazer o espectador acreditar em uma farsa. Tal como dois ótimos representantes desse subgênero – “This Is Spinal Tap”, de Rob Reiner (quando ele ainda era um bom diretor), e “Poucas e Boas”, de Woody Allen – “Ritmo Acelerado” cria um personagem enveredado no mundo musical.

Esta é a história de Frankie Wilde, um DJ que viveu de extremos em sua carreira. Na estrada do sucesso e da soberba, ele engata a quinta marcha e não consegue reduzir a tempo de fazer a curva, encontrando a queda livre quando um grave problema de audição rapidamente o deixa surdo. Privado do sentido que dava razão à sua vida, ele entra num período de reclusão e precisa juntar forças para reencontrar seu caminho.

O letreiro inicial dá conta de que o filme é baseado em uma história real, o que facilmente leva o espectador a acreditar que Wilde existe fora da tela (e eu acreditei). Contudo, o aviso é apenas parte da brincadeira. Embora possam ser encontrados registros de DJs que sofreram de problemas de surdez devido à profissão, uma história que possivelmente serviu como uma base maior para a concepção do personagem é a de um famoso compositor que todos nós conhecemos: Ludwig van Beethoven.

Seja qual for a fonte, o importante é que “Ritmo Acelerado” consegue fazer com que Wilde praticamente seja uma pessoa real – o que não seria possível sem a performance arrebatadora do inglês Paul Kaye. Não importa se um filme é uma cinebiografia se o ator principal não nos consegue convencer de que ele É o personagem biografado. Pois, aqui, Kaye faz mais do que isto: ele nos convence de que é alguém que não existe. Como resultado, você passa a se importar com Wilde à medida em que sua história é contada, e quando acontece a sua “volta à cena”, chega a ser tocante.

Com ótima direção do canadense Michael Dowse e belas imagens captadas pelo fotógrafo húngaro Balazs Bolygo, sem falar na trilha sonora (que não contém somente música eletrônica, vale avisar a quem não é fã), “Ritmo Acelerado” é uma grata surpresa, injustamente subestimada por distribuidores. O filme finalmente está disponível em DVD no Brasil pela Califórnia Filmes, portanto, palmas para a empresa.

nota: 8/10 — vale a locação

Curiosidade: O título original é uma piada usada nas rádios britânicas, que rima o nome do famoso DJ Pete Tong (que faz uma ponta no filme como ele mesmo) com a palavra “wrong” (“it’s all gone wrong”, ou seja “deu tudo errado”).

Ritmo Acelerado (It’s All Gone Pete Tong, 2005, Reino Unido/Canadá), dir.: Michael Dowse.

Visão além do alcance

No último balanço que fizemos sobre os filmes que estavam na fila de espera para serem lançados no Brasil, a maioria já conseguiu, pelo menos, uma previsão de estreia – como “À Prova de Morte”, que deve chegar finalmente em novembro, e “Halloween”, que está apontado para julho. Outros já entraram em cartaz, como “Desejo e Perigo”, “A Garota Ideal” e “Half Nelson” (este acabou indo parar direto na TV paga).

Continuam sem previsão: “I’m a Cyborg, But That’s OK“, de Park Chan-wook, “Juízo Final“, de Neil Marshall [A Europa promete este para setembro nos cinemas.], “The Science of Sleep“, de Michel Gondry, e “Youth Without Youth“, de Francis Ford Coppola. “Redacted – Guerra Sem Cortes“, de Brian De Palma, chegou a ser anunciado para abril pela Imagem Filmes, mas cadê? Vergonha total.

Agora, é hora de acrescentar mais alguns títulos à nossa lista:

Deixe Ela Entrar“, de Tomas Alfredson

Sucesso absoluto no circuito de festivais (passou na Mostra de São Paulo de 2008) e também no mercado americano, onde causou até polêmica devido a uma edição em DVD com problemas na legendagem, este “filme de terror” sueco permanece inédito inclusive em homevideo no Brasil. É capaz de a refilmagem americana chegar primeiro, hein?

Fanboys“, de Kyle Newman

Nem mesmo a popularidade de “Star Wars” fez esta comédia emplacar. Se nos EUA já deu trabalho para ser lançada, devido a aporrinhação dos irmãos Weinstein, aqui no Brasil, então, a coisa fica mais complicada. Ainda sem distribuição, é bem possível que acabe saindo direto em DVD, com um daqueles títulos constrangedores, do tipo “Fanáticos nas Estrelas” ou “Os Nerds Contra-Atacam”.

The Informers“, de Gregor Jordan

Baseado em livro de Bret Easton Ellis (“Psicopata Americano”), trata-se de um daqueles filmes-mosaico, com vários personagens cruzando seus caminhos. O cenário é a Los Angeles dos anos 80. É um filme que chama a atenção pelo elenco também, com Mickey Rourke, Billy Bob Thornton, Kim Basinger, Winona Ryder e Brad Renfro em seu último trabalho. Grande parte da crítica americana detonou e a bilheteria foi um fiasco, mesmo para um lançamento limitado. Creio que, com sorte, veremos o filme em DVD no Brasil. Mas antes alguém precisa comprá-lo.

JCVD“, de Mabrouk El Mechri

ATUALIZAÇÃO: O filme vai ser lançado em agosto em DVD no Brasil, pela Swen Filmes (agradecemos ao Rene Hendrick e ao Hélio Flores).

Filmes estrelados por Jean-Claude Van Damme costumavam chegar direto nas locadoras brasileiras. Os últimos, desapercebidamente. Mas chegavam. Este “JCVD”, porém, continua ausente das prateleiras – e olha que é o trabalho do astro dos filmes de porrada que mais rendeu comentários na imprensa nos últimos anos. Será que está sendo esnobado porque não é um filme de luta?

Observe and Report“, de Jody Hill

ATUALIZAÇÃO: O filme vai ser lançado direto em DVD no Brasil pela Warner, em 13 de agosto, com o título “Caos no Shopping Center” (agradecemos ao Hélio Flores).

Este chegou a ser anunciado pela Warner ainda para o primeiro semestre no Brasil, mas subitamente desapareceu do calendário de estreias e até agora não voltou. E olha que comédias estreladas por Seth Rogen e Anna Faris geralmente têm espaço garantido nas salas. Por esta ter sido bastante comentada nos EUA desde que foi exibida no South by Southwest Festival, vamos torcer para que a Warner ainda considere exibi-la por aqui na telona.

Sonata de Tóquio“, de Kiyoshi Kurosawa

Outro favorito das mostras do ano passado que continua sem previsão de lançamento no Brasil. Para isso, de nada adiantou ter ganhado a Un Certain Regard em Cannes ou o prêmio de Melhor Filme no Asian Awards. Não encontramos informação de compra. De qualquer forma, se já tem distribuidor brasileiro, está bem guardado no fundo do freezer. Uma pena, já que é um belíssimo filme, que certamente faria sucesso no circuito alternativo.

Sunshine Cleaning“, de Christine Jeffs

Estrelado por Amy Adams e Emily Blunt, e ainda com Alan Arkin no elenco, esta comédia dramática ainda não foi comprada pelas distribuidoras brasileiras. Estreou nos EUA em março, mais de um ano após ter feito a premiere em Sundance. Teve uma ótima recepção da crítica, mas isto nunca basta para garantir lançamento no Brasil. De duas, uma: ou vai acabar como “A Garota Ideal”, que ficou pulando de galho em galho no calendário e foi lançado em circuito restritíssimo, ou esbarraremos com o filme nas locadoras um dia desses.

Tyson“, de James Toback

O documentário sobre um dos grandes pugilistas de todos os tempos foi aclamado pela crítica nos festivais e chegou ao circuito americano no mês passado pela Sony Pictures Classics, que, ao que consta, só tem os direitos de exibição nos EUA. Por aqui, nada ainda.

What Just Happened?“, de Barry Levinson

Esta sátira dos bastidores de Hollywood entrou em cartaz nos EUA em outubro do ano passado e, até agora, nem mesmo em DVD pintou por aqui. Distribuído lá pela Magnolia, no Brasil ainda não foi comprado. Uma pena, já que é um bom filme, ainda que restrito a um público que acompanha a indústria hollywoodiana mais de perto. Mesmo assim, por ter Robert De Niro, Sean Penn e Bruce Willis (e Kristen Stewart, Robin Wright, Stanley Tucci, Catherine Keener…) no elenco, um mínimo de publicidade já estaria garantida.

Eis mais alguns títulos que permanecem no limbo da distribuição no Brasil. Se você lembrar de mais algum, deixe a sugestão nos comentários que incluiremos na lista.

– “$9.99
– “Anvil! The Story of Anvil

"A Vida Num Só Dia" direto em DVD

Acabo de receber release da Universal avisando que “A Vida Num Só Dia” – título “traduzido” dado pelo distribuidor a “Miss Pettigrew Lives for a Day” – chega às locadoras brasileiras no próximo dia 10 de dezembro.

Para quem não está a par, trata-se de uma comédia romântica “screwball”, daquelas típicas dos anos 30. As notas são boas no Rotten Tomatoes (77% – com direito a certificado “Fresh”) e no IMDb (7.2 em 10). Já o metacritic registra nota 63 em 10 – ainda assim, nada mal.

A direção é do cineasta indiano Bharat Nalluri, que, entre outras coisas, fez “O Corvo 3: A Salvação”… Medo! Mas como os roteiristas trabalharam em “Em Busca da Terra do Nunca”, “Ou Tudo Ou Nada” e no elogiadíssimo “Slumdog Millionaire” (novo do Danny Boyle), vale dar uma conferida. E um filme com Frances McDormand e Amy Adams nos papéis principais não é de se jogar fora.

Infelizmente, o DVD para locação está em tela cheia. Vamos ver se na versão para venda teremos a razão de aspecto correta, que é 2:35:1.

Trailer a seguir:

São Paulo Sociedade Anônima

Não é à toa que “São Paulo Sociedade Anônima” é considerado um dos dez melhores filmes da história do cinema brasileiro. Filmado por Luís Sérgio Person no início da década de 1960, o longa até hoje produz ressonâncias temáticas, não só em nossa sociedade, mas em qualquer outra onde o indivíduo de classe média se vê sem direção em meio às preocupações que leva de casa para o trabalho e vice-versa.
Nesta crônica da cidade grande, Walmor Chagas interpreta Carlos, um jovem que larga o emprego em uma grande empresa para trabalhar como gerente de uma fábrica de auto-peças. Entre a troca de trabalho e a tentativa de subir rápido na vida, Carlos se envolve com três mulheres, cada qual com uma personalidade peculiar: Luciana (Eva Wilma) é a certinha, com quem se casa; Ana (Darlene Glória) o atrai pelo olhar ambicioso; e Hilda (Ana Esmeralda) é a paixão do passado, com quem dividia os mesmos ideais.
Chagas compõe um personagem introspectivo, que ao longo do filme demonstra um olhar cansado e indiferente durante suas constantes caminhadas pela cidade. Esse aspecto blasé de Carlos representa um sentimento geral que pode ser observado nas pessoas que vivem nas metrópoles: tudo parece se tornar desinteressante com a rotina diária. Os pedestres, prédios, carros, placas. Nada espanta e tudo é tédio.
Para retratar esse sentimento de angústia de seu protagonista, Person cria uma narrativa reflexiva, subjetiva por excelência: em vários momentos ouvimos os pensamentos de Carlos, praticamente como se o filme se passasse em sua cabeça. O que se vê na tela é também o que ele vê. A não-linearidade dos acontecimentos é uma amostra disso, já que a memória do personagem também é uma das guias da história, indo e voltando no passado a fim de ligar um evento a outro.
Por Carlos ser um homem solitário (nunca o vemos na companhia da família ou amigos, as únicas pessoas com quem ele convive são suas amantes e os amigos e parentes delas), Chagas está praticamente em todas as cenas do filme. Duas em particular chamam a atenção: aquela em que, embriagado após o reveillon, ele grita o nome de Luciana em frente à casa da moça e quebra garrafas na rua; e a seqüência em que ele repete “Aceitar, recomeçar!”, quase como um mantra. Através da montagem, esta segunda faz uma analogia do homem como engrenagem da cidade e estabelece aquele que é o principal conflito do longa: “recomeçar” é viver em ciclo, como uma máquina. Mas o homem não é uma máquina, logo, sua vida pessoal e afetiva dificilmente se adequará a uma rotina mecânica.
Meu professor de sociologia (o saudoso “Kika”) na faculdade me disse certa vez que um dos grandes perigos que o indivíduo da sociedade urbana e consumista corre é confundir “utilidade” com “felicidade”. É um pensamento que não se aplica apenas aos tempos de hoje, quando ele se encontra intensificado. Vem de longa data e “São Paulo S/A” o reflete bastante. O valor do filme é ainda maior quando pensamos que, numa época em que a principal preocupação era o desenvolvimentismo, Person virou sua câmera para o homem e viu que dentro dele havia uma revolução contida, suprimida por um maquinario impessoal que o enxergava como mera peça para seu funcionamento.
São Paulo Sociedade Anônima (1965, Brasil). Direção de Luís Sérgio Person. Com Walmor Chagas, Eva Vilma, Lenoir Bittencourt, Darlene Glória, Otelo Zeloni e Ana Esmeralda.
O DVD
Lançado em DVD pela VideoFilmes, “São Paulo S/A” está com qualidade de imagem impecável. Há cenas em que me assustei com a ausência de sujeiras, principalmente naquelas em que o fundo é branco. Não consta no DVD informações sobre um processo de restauração, mas, sem dúvidas, foi feita uma excelente transferência. O som também está ótimo, apresentado em uma faixa Dolby Digital 2.0.
Os extras deixam um pouco a desejar por não trazerem atrações que se aprofundem na realização do filme. É uma pena que não se tenha aproveitado Walmor Chagas e Eva Vilma para a gravação de uma faixa de áudio comentada. Os dois atores só aparecem em uma breve entrevista de três minutos de duração, feita a partir de depoimentos que a filha do diretor, Marina Person, colheu para o documentário “Person”, de 2003, feito em homenagem ao pai (aliás, a não ser que esteja planejado um lançamento futuro de “Person” em DVD, o filme certamente poderia estar no mesmo disco que “São Paulo S/A”, nem que fosse numa edição dupla). 
Há, porém, um material curioso: comerciais de TV dirigidos por Luís Sérgio Person. São pequenas (e divertidas, por vezes) peças publicitárias que somam nove minutos no total. Entre elas, se destaca a de um cartão de crédito recomendado sem constrangimento por várias personalidades da arte, do esporte e da alta sociedade.
O disco ainda traz biografia e filmografia do diretor e um texto que o próprio cineasta escreveu sobre “São Paulo S/A”. Apesar de carecer de extras mais chamativos, o DVD com certeza vale a pena dada a importância do filme.

Direto em DVD – O Crime Perfeito

Desconfie sempre que um filme estiver pronto há uns dois anos e ainda não encontrou distribuidor. Ray Liotta faz um promotor público que pretende concorrer à prefeitura, mas que vê seus planos darem errado quando se envolve na investigação de um assassinato alegadamente cometido em legítima defesa por sua assistente. A moça é interpretada por Jolene Blalock (da série “Enterprise”) e é vista por todos os machos do filme como a mulher mais bonita e sedutora do distrito (pudera, já que não vemos outra). Ela é o pivô da trama, se envolvendo com quase todos os personagens. Daí você já pode imaginar que teremos vários pontos de vista para a história. Mekhi Phifer é o cara morto que se envolveu com Blalock. LL Cool J é um ex-tira que se diz amigo de Phifer (e também se revela seu confidente, já que sabe detalhes íntimos da relação dele com a garota). Bruce McGill é o tira pé-no-saco e Chiwetel Ejiofor, o melhor ator do elenco, é desperdiçado como um repórter tentando conseguir um furo sobre o caso. Wayne Beach (“A Cilada”, aquele com Wesley Snipes) é o diretor e o roteirista. Falha como ambos. Primeiro, porque cria planos ridículos, como aquele em que faz Blalock passar por uma vidraça colorida enquanto alguém diz que “ela muda de cor como um camaleão” (pfffff!). Segundo, porque a história é uma bagunça e usa o velho artifício das reviravoltas com flashbacks para tentar dar sentido àquilo tudo. Enfim, uma perda de tempo.

O Crime Perfeito (Slow Burn, 2005, EUA), dir.: Wayne Beach – disponível nas locadoras

Direto em DVD – Álibi

Esta comédia pouquíssimo vista tem um elenco que impressiona, com nomes como Sam Elliott, James Brolin, Rebecca Romjin e John Leguizamo. Steve Coogan é o protagonista, Ray Elliot, dono de um negócio que, sob a fachada de firma de consultorias, serve para proteger maridos e esposas infiéis de serem flagrados. Quando um de seus clientes (James Marsden, o Cíclope de “X-Men”) acaba matando sua amante, Ray tenta livrar a própria cara, mas acaba se envolvendo com pessoas perigosas e coloca sua vida e seu trabalho em risco. O roteiro do novato Noah Hawley é vivo e eficiente na articulação da trama, que culmina com um grande plano arquitetado pelo personagem de Coogan. A dupla de diretores Matt Checkowski e Kurt Mattila, também estreantes, se sai bem e conduz tudo com o ritmo adequado que uma comédia irônica pede. Uma boa dica para quem ficar em dúvida sobre qual filme locar.
Álibi (The Alibi, 2006, EUA/Holanda), dir.: Matt Checkowski e Kurt Mattila – disponível nas locadoras.
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