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Parabólica: Reações dos indicados ao Oscar, entrevista com Peter Weir, animação de Terry Gilliam, retrospectiva box office 2010

“Dez é muito. Não queremos tirar de ninguém.” Esta foi a primeira frase dos irmãos Coen à imprensa após saberem que “Bravura Indômita” recebeu 10 indicações ao Oscar. A reação do Darren Aronofsky também é impagável: “Eu estava brincando de Lego com meu filho e perdi a noção do tempo. Então o telefone começou a tocar e eu imaginei que deveriam ser boas notícias.” E de Helena Bonham-Carter: “Como minha filha de três anos disse: ‘Yay!’ Eu não poderia dizer melhor.” Leia todas aqui.

Ótima entrevista com Peter Weir sobre “Caminho da Liberdade” (11/fev nos cinemas), projetos recusados e a carreira.

Animação “1884”, produzida por Terry Gilliam e com participação de ex-membros do Monty Python, será exibida em festival em Lyon, na França, em março. Filme é uma comédia futurista (mas situada no século 19) sobre como um filme teria sido rodado em 1848 com energia a vapor. Curioso também é que os personagens são feitos em CGI, mas os olhos e as bocas são dos atores que os dublam. Mais detalhes. Abaixo, um vídeo-teste da animação.

O sempre antenado em números e história do box office mundial Brandon Gray, do site Box Office Mojo, lista os filmes que mais impressionaram nas bilheterias em 2010, ano em que a média de público nos cinemas americanos foi a pior em 15 anos. Tem também as produções que fracassaram.

O Cracked.com lista 17 imagens de bastidores que vão arruinar sua infância. Não apenas imagens de filmes.

Link “Star Wars” do dia: Hot Chicks in Star Wars T-Shirts. YEAH! Mas não vá com muita sede ao pote, pois elas nem são tão hot assim, e tem outras fotos que não são de chicks. Via @Vebisjr

Entrevista: Eduardo Coutinho, "Moscou"

Tive a oportunidade de conversar com Eduardo Coutinho a respeito de seu mais recente trabalho, “Moscou”, que chega aos cinemas neste 7 de agosto (leia a crítica). Coutinho revela como João Moreira Salles “salvou” o filme, afirma que nunca mais irá filmar com película, agora que usou câmera digital HD, explica como ele e Enrique Díaz “dividiram” a direção e discute a forma como ficção e documentário coexistem em seus dois últimos filmes. Confira.

Mostra de Cinema de Tiradentes – Entrevista com Murilo Grossi

No dia 24 de janeiro, foi exibido na 12ª. Mostra de Cinema de Tiradentes o filme “Subterrâneos”, do diretor homenageado, José Eduardo Belmonte. Ao fim da sessão, conversei com Murilo Grossi, um dos protagonistas do longa, sobre um sindicalista que abandona o trabalho para escrever um livro sobre o Centro Comercial de Brasília, onde encontra personagens bastante característicos.

Grossi, que estava ao lado de Rosanne Mulholland (atriz de outro filme de Belmonte, “A Concepção”), respondeu as minhas perguntas com muita descontração e simpatia. O resultado dessa conversa você acompanha logo abaixo.

As cenas que vocês dialogam com pessoas nas ruas me pareceram bem naturais. Vocês realmente pegaram pessoas que passavam nas ruas para gravar?

Murilo Grossi: Sim. Muitas vezes a gente chegava com a câmera bem de longe e a pessoa não via que estava sendo filmada. Era improvisado.

Rosanne Mulholland: E aquela cena da barbearia? Aquele diálogo é muito bom.

MG: Não. Aquele diálogo é um diálogo, uma cena produzida. Aquele é o João Paulo, que é ator.

RM: Eu não conheço ele. Ele é bom pra caramba.

MG: O João Paulo é ator, mas ali não é um diálogo em si, não é um diálogo inteiramente escrito. Nada no filme tem um diálogo inteiro. A gente recebia uma indicação de um diálogo, mas você tinha que fazer na hora. Era meio improvisado mesmo.

O prédio que a moça (Cibele Amaral) entra no final, e ela abraça a atendente da loja chorando, aquilo também é improvisado?

MG: É real.

A moça não sabia que ia ser abraçada?

MG: A gente entrava e falava: “A gente tá fazendo um filme. A gente pode filmar?” “Pode, mas o que é?” “Não… Ela vai só conversar com você.” “Tá bom.” “Ação!” Então, ela não sabia o que ia acontecer.

E para o ator também é inesperado, porque você não sabe como aquela outra pessoa vai reagir.

MG: É totalmente. O filme todo é em plano-sequência e nunca teve repetição. Entre os atores também funcionou assim. Era uma indicação de diálogo, mas não tinha nada pronto. Mesmo quando era uma cena só entre atores.

Como surgiu sua participação no filme?

MG: Eu era parceiro do Zé (José Eduardo Belmonte) desde o primeiro filme dele. O primeiro curta-metragem do Zé, que foi meu primeiro filme também. Aí eu fiz todos os curtas-metragens do Zé. A gente já tinha uma longa história juntos. Quando ele foi fazer esse longa foi meio que um esforço de um grupo de pessoas para fazer um longa. E aí, nos juntamos e fizemos. Já é uma consequência de um trabalho juntos.

Como foi rever o filme seis anos depois?

MG: Muito bom! Há muito tempo eu não via o filme e a gente não sabia como estava o som. No começo, a imagem… Apareceram uns riscos na tela. Eu fiquei preocupado, mas correu tudo bem. A recepção do público em Tiradentes é sempre muito boa. Foi assim em 2004? Acho que foi em 2004 quando exibimos o filme aqui pela primeira vez, e agora também foi ótimo. Um público enorme, muito inteligente e receptivo.

É bem diferente do público nas salas comerciais…

MG: Completamente diferente. Aqui tem uma coisa bem legal que eu estou adorando. É um “clima” diferente.

Bloco de notas: Alfred! Hulk! Cruise! Puenzo!

Saíram nessa quinta-feira as indicações ao ALFRED 2008 – o prêmio anual da Liga dos Blogues Cinematográficos. Fiquei satisfeito com a lista, principalmente porque a maioria dos meus votos ajudou os filmes nomeados. Dos que concorrem a Melhor Filme, só não votei em “Antes que o Diabo Saiba que Você Está Morto” – no lugar dele eu preferi “Na Natureza Selvagem”.

Também votei em três das cinco cenas do ano, minha categoria favorita. As duas que eu não escolhi foram a moeda no balcão, de “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e a descoberta do primeiro poço, de “Sangue Negro” (ao invés dessas, votei na cena do batismo de Daniel Plainview, também de “Sangue Negro”, e na dança de Darlene Glória, em “Feliz Natal”).

Clique aqui para ver a lista.

ENTREVISTA COM TOM CRUISE

Calma, que o vídeo está saindo. Ainda neste fim de semana. É que tive um problema com o equipamento e só consegui transferir as imagens para o computador hoje pela manhã.

Aproveitando, vi hoje na TV uma chamada para o Fantástico deste domingo, que terá entrevista exclusiva com o Cruise. Não vou ficar voltando nesse assunto para sempre, mas vejam só como são as coisas: concederam para o programa uma entrevista exclusiva e, na coletiva, deram o microfone para dois repórteres do jornal O Globo, uma repórter do Extra (que também é de O Globo) e uma repórter do Videoshow (sem falar na repórter do Jornal Hoje ficou aos berros ao final da coletiva pedindo para Cruise contar “um momento especial que viveu no Brasil”). Acho que esqueceram de colar a logo da Globo Filmes no começo do filme. Aliás, porque só nós, “pequenos veículos”, estamos reclamando? Folha, Estadão, Band, entre outros também são prejudicados com esse monopólio, ora.

Ah, sim: em função desse imprevisto na edição da nossa matéria sobre o Cruise, é possível que o podcast desta semana caia… Mas volta na semana que vem, sem falta!

HULK EM DVD

A Universal anunciou para o próximo dia 11 o lançamento do DVD de “O Incrível Hulk” para venda no Brasil. Eu adorei o filme do Louis Leterrier (que, coincidência ou não com a passagem do Cruise pelo Brasil, teve cenas rodadas no Rio de Janeiro). Mas não vou comprar o DVD – eu quero é o Blu-ray (que ainda não tem data de lançamento por aqui). Os extras da edição dupla que chega às lojas agora são: abertura alternativa; cenas excluídas; bastidores; featurettes: “Virando o Hulk”, “Virando a Abominação”, “Anatomia de uma transformação do Hulk” (que obsessão!) e “Dos quadrinhos às telas”. Vídeo em 1.85:1 widescreen anamórfico (yeah!) e áudio em Inglês e Português 5.1 (Dolby Digital).

MENINO PEIXE

A Gryphus Editora (que publicou no ano passado livros de David Lynch e Guillermo Arriaga) está lançando no Brasil “O Menino Peixe”, primeiro romance de autoria de Lucia Puenzo – diretora do amado por alguns, odiado por outros, “XXY”. A escritora e cineasta argentina volta a contar uma história de temática polêmica: o relacionamento homossexual entre a garota Lala e sua empregada paraguaia Guayi. A menina descobre que seu pai tem um caso com a doméstica e, então, faz o mais óbvio: mata o sujeito. Puenzo já adaptou o livro para as telas e exibe o resultado no Festival de Berlim de 2009, que começou a rolar esta semana na Alemanha (ops! Olha aí outra referência ao filme do Cruise neste post. Isso é conspiração!).

Uma leitura nerd de Tropa de Elite 2

Curiosamente, podemos estabelecer relações entre “Tropa de Elite” e outras franquias de blockbusters hollywoodianos. Relações frívolas, que não passam de curiosidades e coincidências, mas que existem.

1) Tanto José Padilha quanto Bráulio Mantovani (co-roteirista e co-produtor) já citaram “Star Wars”. Mantovani, em recente entrevista, em que diz: “Não é legal pra c… quando o Darth Vader se volta contra o Imperador para defender o filho Luke Skywalker? É disso que se trata.” Ele está se referindo à relação entre Nascimento e Fraga em “Tropa de Elite 2”. Já Padilha mencionou “Star Wars” em outra ocasião e em relação a outro filme, o documentário “Garapa”. Ao apresentá-lo no Festival de Berlim, o cineasta disse: “Somos capazes de nos transportar para batalhas espaciais pela identificação com Luke Skywalker. Aqui, eu usei os recursos do cinema direto para fazer com que os espectadores experimentem os efeitos da fome em famílias que ficam dias sem comer.”

3) Já que falei em “Star Wars”, não custa lembrar que chegaram ao mercado bonequinhos inspirados no BOPE. E com direito a uma réplica do Caveirão:

3) Ainda pegando o que Mantovani fala na entrevista para o Blog da AC, as implicações do combate de Nascimento contra o “sistema” também podem ser observadas em franquias de Hollywood. Em “Batman Begins” e “Batman – O Cavaleiro das Trevas”, os métodos do Homem-Morcego geram uma escalada da violência que cria um monstro maior do que o próprio super-herói. E ele se vê obrigado a renegar a farda (preta, por sinal).

Já em “Matrix”, a relação que pode ser feita com “Tropa de Elite” é ainda mais curiosa: a forma como a corrupção se embrenha no “sistema” é bem parecida com a dominação do Agente Smith sobre o sistema da Matrix. Os policiais corruptos começam lá de baixo, nas comunidades, fazem parcerias com o tráfico, depois formam as milícias, apoiam políticos, até, enfim, chegarem ao poder (representado por uma tomada áerea do Congresso Nacional, em Brasília). O Agente Smith utiliza quase a mesma estratégia: ele se liberta da força que o controla, passa a agir por contra própria e corrompe outros programas para chegar ao Oráculo, ameaçando, assim, toda a estrutura da Matrix.

4) Eleição, Conflitos Internos e Poderoso Chefão.

Mostra de Cinema de Tiradentes – momentos e impressões (parte 1)

Quando cheguei a Tiradentes para a 12ª. mostra de cinema no último sábado, dia 24, o tempo estava nublado. Por volta do meio-dia o movimento pequeno de turistas chamou minha atenção. Primeiro pensei que o tempo ruim tinha feito com que alguns desistissem da viagem. Quando fui assistir à sessão de curtas infantis no início da tarde, cheguei a pensar que a programação repleta de trabalhos de novos e desconhecidos diretores poderia ter contribuído para o público, não pequeno, mas menor do que vi em minha última visita à mostra.

No fim da tarde, assisti a um ótimo filme do diretor homenageado, José Eduardo Belmonte, “Subterrâneos” (crítica em breve). Sessão praticamente lotada. As pessoas estavam chegando. Tudo indicava que o público estava chegando aos poucos a Tiradentes. Acabada a sessão – que teve início por volta das 18h – meu estômago já dava sinal de vida. Mesmo vendo que algumas pessoas não abandonariam a sala, já na espera para o próximo filme (“A Festa da Menina Morta”), deixei a sala. Logo que sai da sessão me deparei com uma fila tão grande que só depois de seguir por algum tempo avistei seu final. A sala, com capacidade para 600 pessoas, abrigaria todos aqueles que já estavam na fila, mesmo assim era muita gente. Achei melhor esquecer a fome e encarar.

Tudo que pensei no início foi completamente o oposto do que aconteceu com a cidade nesse segundo dia de mostra. O Cine Tenda ficou pequeno para a quantidade de turistas que Tiradentes recebeu. No fim de “Subterrâneos”, mais pessoas do que eu imaginava optaram por ficar dentro da sala. Como resultado, mais da metade dos que estavam na fila, incluindo eu, não conseguiram entrar para ver o filme.

Agora não tinha mais o que fazer, poderia ir assistir ao filme dos Titãs no Cine Praça, mas faltava pouco menos de uma hora para o início. Era a hora de fazer uma pausa e comer algo, certo? Errado! Quando me encaminhava para a lanchonete da tenda vi Murilo Grossi (protagonista de “Subterrâneos”) ao lado da atriz Rosanne Mulholland e algumas pessoas que eu desconhecia. Tinha algumas curiosidades sobre o filme… Talvez essa pudesse ser uma boa oportunidade para uma entrevista. E era. Depois de uma conversa rápida, os amigos do ator já tinham partido para o restaurante onde iriam jantar. Resolvi terminar nossa entrevista e ir para a praça. Carros, pessoas, mesas, cadeiras e muito estrume disputavam cada espaço do Centro de Tiradentes. Quando cheguei ao local de exibição de “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” (crítica em breve também) todos os assentos estavam ocupados, algumas pessoas já buscavam lugar na grama, outras de pé. Sentei-me na mureta de um canteiro, assisti ao filme (com um galho de árvore na minha frente tampando uma parte da tela) e ao mesmo tempo matei a bendita fome.

Não duvido que “A Festa da Menina Morta” seja um filme melhor, mas ver uma sessão de cinema com pessoas sentadas nos capôs dos carros, em cima das árvores, nas mesas dos bares… Todos acompanhando um documentário foi uma experiência diferente. Gente dançando, gente cantando, gente bebendo. Tudo combinando perfeitamente com o espírito da banda. No fim, aquilo me pareceu mais um show do que uma projeção cinematográfica. Ainda bem, porque, enquanto documentário, “Titãs – A Vida Até Parece uma Festa” deixa muito a desejar, mas quando o assunto é a música sou fã do grupo. E música é o não que falta no filme.

Quase em Cannes

por RENATO SILVEIRA

Engraçado como são as coisas… Aqui em Belo Horizonte, dificilmente temos a oportunidade de receber atores e diretores no lançamento de filmes nacionais (quanto mais internacionais). No ano passado, a situação foi tão crítica que fiz apenas duas entrevistas. Já 2008 tem sido muito mais movimentado. Para se ter uma idéia, de junho para cá, realizei nada menos que sete entrevistas, uma delas com ninguém menos que David Lynch. As duas últimas aconteceram ontem e hoje.

Na verdade, a dessa segunda-feira não foi em BH – eu estive em São Paulo para o lançamento de “Ensaio Sobre a Cegueira”. O filme abriu Cannes este ano e chega às telas brasileiras no próximo dia 12. Teve a cabine de imprensa pela manhã e, logo depois, a coletiva com Fernando Meirelles, Alice Braga e uma atriz americana pouco conhecida chamada Julianne Moore, não sei se vocês conhecem…

Brincadeiras à parte, foi um dia muito proveitoso. A começar pelo filme, que é bastante radical na proposta visual, destoando de tudo que o Fernando já fez antes. Como a história, adaptada do livro homônimo de José Saramago, o filme busca uma forma de imersão na experiência vivida por aqueles personagens. A branquidão obtida na tela através de filtros, lentes e cortes chega a ser angustiante, até opressora. Incomoda, mas ao mesmo tempo é ótimo ver um diretor nosso se arriscando a experimentar a linguagem dessa forma. Dá a impressão de que algumas cenas foram “mal feitas” de propósito – algo que o próprio Fernando confirmou mais tarde, na coletiva, dizendo que sua intenção era fazer parecer que um cego estivesse operando a câmera nesses momentos. Detalhes importantes: as legendas pretas, devido às imagens brancas na maior parte do tempo; e as famosas logos intrusas da Lei de Incentivo da Ancine antes do filme começar, sendo que em nenhum momento temos a sensação de estarmos diante de um filme brasileiro.

A coletiva correu como toda entrevista badalada. Muita gente, pouco espaço. Muita fama, pouco tempo (foram só 45 minutos). Muitos fotógrafos, pouca educação. Logo quando a Julianne entrou, eles correram para a frente da mesa onde os entrevistados ficaram e praticamente se atiraram no chão. Eu estava filmando a entrevista da primeira fileira e tive que desviar a lente das cabeças por algumas vezes. Mas fora isso, deu tudo certo. Julianne foi uma simpatia só e me surpreendi ao constatar que ela é ainda mais bela pessoalmente do que nos filmes.

Consegui emplacar uma pergunta (que foi respondida pelos três) na coletiva, o que considerei uma pequena vitória, tendo em vista que muitos dos colegas presentes ficaram na fila e não conseguiram falar. Aliás, a Folha publicou uma matéria usando parte da resposta que a Julianne deu à minha pergunta. Claro que não perguntei se ela tinha pintado os cabelos para o filme. O que eu quis saber foi se os atores tinham idéia de que o visual das cenas seria tão branco, ao que ela disse que sua “loirice” acabou coincidindo com a paleta de cores do filme.

Depois da coletiva, Julianne foi embora rapidamente após mais uma saraivada de flashes. Fernando e Alice ficaram mais um pouco para um bate-papo de saideira com os jornalistas. Consegui conversar com ambos. Foi tudo muito rápido, mas valeu.

Já nesta terça, foi dia de ver “Linha de Passe”, novo de Walter Salles e Daniella Thomas, que concorreu à Palma de Ouro este ano. Belo filme, que tem inegavelmente a marca autoral de Salles. Quero assistir novamente, mas logo de cara concordo com aqueles que disseram se tratar do melhor momento do cineasta desde “Central do Brasil”. Os atores estão fantásticos (sim, eles foram preparados pela Fátima Toledo), e as histórias de cada personagem se amarram umas nas outras sem forçar a barra. O título é bem sugestivo nesse sentido. O bom também é que não existe uma preocupação de fechar a narrativa, de enlatá-la. As pontas deixadas soltas funcionam e são necessárias. Gostei muito e não tenho dúvidas de que é o filme a ser batido na escolha do representante brasileiro no próximo Oscar.

Após a exibição, houve uma coletiva com a Daniella e a Sandra Coverloni na própria sala do cinema. O papo foi bacana, mas tive a impressão de que ambas estavam cansadas (Daniella principalmente, uma vez que foi do aeroporto direto para lá, com mala e tudo). Mesmo assim, elas ficaram conosco por cerca de uma hora e foram atenciosas. Mais tarde, no hotel, eu pude conversar individualmente com a Sandra. Esbanjando carisma e disposição, falou comigo por quase 40 minutos! Tentei levar a conversa para um lado que não fosse o das respostas que ela deve estar dando a jornalistas desde maio, quando foi premiada como melhor atriz em Cannes. Não sei se consegui 100%, mas pelo menos ela se mostrou bastante interessada no bate-papo. Também filmei tudo e disponibilizarei em breve.

E foi isso… Por pelo menos dois dias, me senti quase como se estivesse em Cannes. Ou talvez em Toronto, já que os dois filmes vão estar por lá também na próxima semana.

Watchmen – O Filme

Parte da arte de ser um herói é saber quando você não precisa mais ser um deles.”
– Hollis Mason, em “Sob o Capuz”

Sabe, deve ser assim que as pessoas comuns se sentem. Deve ser assim que elas se sentem perto de nós.”
– Coruja II, em “Watchmen”: volume 11

Quando “Watchmen” foi publicado em 1986, a indústria dos quadrinhos atravessava uma crise criativa. Foram Alan Moore e Dave Gibbons que desencadearam, com a célebre minissérie, a onda das chamadas graphic novels, que nada mais são do que um eufemismo para “quadrinhos que um adulto pode ler sem embaraço”. O próprio Alan Moore refletiu sobre os efeitos surtidos por “Watchmen” em recente entrevista:

“Quando eu comecei a trabalhar na DC Comics, eu notei que meus leitores estavam provavelmente na faixa etária entre 13 e 18 anos. A média de idade do público de quadrinhos agora, e esse tem sido o caso desde o fim dos anos 80, provavelmente vai de 30 e tantos até 50 e poucos anos – o que tende a sustentar a idéia de que essas revistas não estão sendo mais compradas por crianças. Elas estão sendo compradas, em muitos casos, por nostálgicos sem esperanças ou, colocando da pior forma, talvez por pessoas com casos de desenvolvimento retardado que não estão preparadas para deixar a infância para trás, não importa o quão banais sejam as aventuras de seus vários heróis e ídolos.”

Mais adiante, na mesma entrevista, Moore também lamenta que “Watchmen” tenha “amaldiçoado” a indústria de quadrinhos, que desde então passou a produzir histórias “muito amargas e muitas vezes pretensiosas”, sem conseguir contornar o que sua minissérie representou: um trabalho de extrema inteligência, ironia e autocrítica sobre a condição da existência dos super-heróis. “Existência” no sentido stricto do universo das HQs, mas, em última análise, também no sentido latu, já que “Watchmen” reflete sobre a possibilidade de esses heróis fantasiados combaterem o crime no mundo real.

A versão de “Watchmen” para cinema chega em um momento historicamente semelhante àquele de duas décadas atrás: em um mercado saturado de filmes de super-heróis, a adaptação feita pelo jovem cineasta Zack Snyder e os roteiristas Alex Tse e David Hayter surge como uma maneira de olhar para trás e pensar: o que esses personagens dizem sobre esses tempos de hoje, não só na esfera da ficção, mas principalmente em nossa realidade?

Curiosamente, também em 1986 foi publicada outra minissérie seminal: “O Cavaleiro das Trevas”, de Frank Miller. E “Watchmen” chega às telas menos de um ano após o segundo filme do Batman dirigido por Christopher Nolan, que apesar do título emprestado da HQ, não é uma adaptação dela. Ainda assim, o mais recente filme do Homem-Morcego traz o mesmo tipo de indagação que Miller e Moore faziam naquela época: o mundo real precisa de super-heróis? O que aconteceria se eles existissem? “Super”. Quer dizer: pessoas com poderes sobrenaturais ou mesmo que vistam fantasias para transmitirem a idéia de que são semideuses.

O que talvez seja mais interessante na adaptação cinematográfica de “Watchmen” é o fato de que o filme é a visão de pessoas que foram influenciadas pela HQ escrita por Moore e ilustrada por Dave Gibbons. É preciso ter em mente que esta é uma versão dos quadrinhos, não uma transposição literal em live-action. Semioticamente falando, existem aqui pelo menos três camadas acima da matéria-prima, que são as visões de Snyder, Hayter e Tse (por último sempre haverá ainda a do espectador, mas não entremos nesses meandros). O resultado combinado é que o longa se torna um misto de um novo revisionismo da cultura pop que envolve os “super” (apesar de o filme também se passar nos anos 80, como a HQ, as implicações nos dias atuais dos eventos narrados são facilmente detectáveis) com uma homenagem ao trabalho de Moore e Gibbons.

Há cenas que reproduzem fielmente imagens memoráveis dos quadrinhos (como o inesquecível rosto sorrindo na superfície de Marte) e até movimentos de câmera que repetem o mesmo movimento que se tem na HQ, partindo de um plano de detalhe até abrir o quadro (exemplo, a sequência que parte do broche sujo de sangue do Comediante na calçada até a janela de seu apartamento). Zack Snyder e seu diretor de fotografia Larry Fong reencenam vários enquadramentos a partir da arte de Gibbons, mas também se dão ao direito de criar suas próprias cenas, e estas predominam. Ou seja, apesar das fotos de divulgação que mostram a simetria entre HQ e filme, o que se vê na tela não é um trabalho de copycat, como o próprio Snyder havia feito em “300”, ou Robert Rodriguez em “Sin City”.

Além disso, Tse e Hayter se mostram corajosos por fazerem alterações no texto de Moore – seja pela limitação imposta pela duração do filme (pouco mais de 2 horas e 40 minutos para uma minissérie de 432 páginas ao todo), seja para tornar mais plausível o desfecho da trama (não que o original seja falho, mas, narrativamente, o novo final funciona bem e amarra melhor a história). E mesmo que Moore não tenha apoiado a realização do filme, há de se considerar que o teor de seu texto foi cordialmente preservado. A não ser pela criação de algumas elipses para economizar tempo (ex.: a libertação de Rorschach), o essencial está lá, inclusive as falas mais célebres (mesmo algumas que, na HQ, encontram-se apenas nos apêndices de cada volume).

Mas nem tudo são flores. Se a sequência de abertura é maravilhosa por criar um flashback que reconstitui e contextualiza os acontecimentos históricos que levaram até a morte do Comediante, utilizando adequadamente como trilha a canção “The Times They Are A’Changin”, de Bob Dylan, outras mudanças na inserção das músicas não se mostram oportunas. A começar por “Unforgettable”, na voz de Nat King Cole, que deixa de embalar uma cena de amor para servir de BG de uma cena de ação. Sente-se ainda a ausência de “You’re My Thrill”, de Billie Holiday, na cena em que Dan Dreiberg e Laurie Juspeczyk têm seu momento abordo da nave Arquimedes. Você vai ouvir a música durante o filme, mas em outro momento. De modo geral, as escolhas musicais feitas para a tela não agradam – o que de certa forma é decepcionante, visto que era a chance para os fãs finalmente acompanharem a história com a trilha que Moore havia imaginado.

Snyder por sua vez também comete gafes na direção que acabam reduzindo o brilhantismo do filme. Talvez num ato de consciência, ele ignora muito das sugestões que estão nos quadrinhos, como os diversos planos subjetivos e, principalmente, as rimas visuais. Talvez o exemplo mais notável na HQ seja a sequência do funeral do Comediante, na qual Moore e Gibbons levam a “câmera” até o rosto de cada um dos Watchmen, que relembram um momento marcante que tiveram ao lado de Edward Blake. Snyder esnoba veementemente as elegantes transições no traço de Gibbons, e opta por cortes convencionais que, se não prejudicam a construção da cena, também não a tornam distinta.

Cineasta limitado (ou pouco experiente) que é, ao tentar imprimir ao filme um pouco mais de sua assinatura Snyder acaba cometendo excessos. Não se trata somente do uso gratuito de slow-motion, já que, para Snyder, esse efeito parece ser obrigatório não só nas cenas de ação, mas em qualquer ação que não seja falar. O que também incomoda é que, talvez no ímpeto de ainda ser lembrado como o diretor do ótimo “Madrugada dos Mortos”, Snyder amplia substancialmente a violência a um nível gráfico que não existe nos quadrinhos, com direito a fraturas expostas e membros decepados em cenas de luta. E embora seja louvável que ele tenha mantido as duas principais cenas de sexo da HQ, não era necessário aproximar uma delas do soft-porn, muito menos transformar o gozo dos personagens numa gag batida, que, diga-se de passagem, foi muito mais bem explorada em “Corra que a Polícia Vem Aí 2 e 1/2”.

Outro problema, menos grave, está no elenco, com as escalações de Mathew Goode para o papel de Adrian Veidt (caricato demais) e de Malin Akerman como a segunda Espectral (é uma mulher linda, mas uma atriz limitada). Por outro lado, Jackie Earle Haley é o Rorschach perfeito, assim como o Comediante de Jeffrey Dean Morgan. E Patrick Wilson também cria um Dan Dreiberg à altura. Billy Crudup encarna o Dr. Manhattan com serenidade e seriedade, o que era fundamental para transmitir também seu lado irônico, representado por suas falas complexas e sua visão nada romantizada da humanidade.

Por falar no Dr. Manhattan, a criação do personagem por meios de motion-capture finalmente surpreende e se torna tão crível quanto o Gollum de “Senhor dos Anéis”, até então exemplo máximo do uso dessa técnica. É praticamente imperceptível notar que aquele sujeito azul não é Billy Crudup maquiado e com lentes de contato, mas, sim, uma versão do ator criada em computação gráfica. E vale dizer que Snyder não recuou em mostrar o personagem em nu frontal, como na HQ (embora, mais uma vez num exemplo de excesso, ele o mostre em muito mais cenas do que Gibbons desenhou). Todo o cuidado visual do filme impressiona, na verdade. Desde os uniformes, especialmente os antigos, feitos de pano, até os detalhes que enriquecem os cenários (dos mais óbvios, como a pilha de livros “Sob o Capuz” sobre a mesa de Hollis Mason, aos mais sutis, como a exibição do primeiro comercial do Macintosh da Apple, lançado em 1984, no canto do painel de monitores da sala de Ozymandias).

Mesmo que o filme atenue a trama policial e apenas sugira o tom noir evidente na investigação de Rorschach nos quadrinhos, e também exclua a importante figura do jornaleiro, que serve como elo entre a população e o cenário político que se desenha ao longo da história, “Watchmen” é uma versão digna e satisfatória daquilo que se julgava impossível filmar.

nota: 8/10 — veja no cinema e compre o DVD

Watchmen – O Filme (Watchmen, 2009, EUA/Reino Unido/Canadá)
direção: Zack Snyder; roteiro: Alex Tse, David Hayter (baseado nos quadrinhos de Alan Moore e Dave Gibbons); fotografia: Larry Fong; montagem: William Hoy; música: Tyler Bates; produção: Lawrence Gordon, Lloyd Levin, Deborah Snyder; com: Jackie Earle Haley, Jeffrey Dean Morgan, Patrick Wilson, Malin Akerman, Billy Crudup, Matthew Goode, Carla Gugino, Matt Frewer, Stephen McHattie, Laura Mennell, Rob LaBelle, Robert Wisden, Glenn Ennis, Niall Matter, Dan Payne, Darryl Scheelar, Apollonia Vanova, Danny Woodburn; estúdio: Warner Bros., Paramount, Legendary Pictures, Lawrence Gordon Productions, DC Comics; distribuição: Paramount Pictures; 163 min

Tom Cruise – Sim, nós vimos!

Acabei de sair do salão nobre do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, onde ocorreu a coletiva de imprensa com Tom Cruise, para lançamento do filme “Operação Valquíria”.

Foi uma coletiva bem organizada (sem fotógrafos!) e relativamente rápida, algo em torno de 40 minutos, e de conteúdo razoável. Algumas perguntas renderam longas respostas de Cruise – não necessariamente boas, mas válidas para quem precisa de aspas para matéria de jornal – outras beiraram o ridículo, como esperado nesses eventos grandiosos, dos credenciados por parte de veículos popularescos.

Houve pelo menos um momento muito constrangedor, quando um fã disfarçado de jornalista conseguiu acesso ao disputado microfone para perguntar se podia tirar uma foto com Cruise para mostrar ao sobrinho dele. Tá bom. Sobrinho, sei. Para piorar, uma outra jornalista – essa parecia jornalista mesmo! – invadiu a faixa de segurança para tirar foto também. Um segurança teve que se prontificar para evitar novas invasões, mas Cruise parece não ter se importado com os atrevimentos. Deve ter é gostado, porque no fim rende fofoca e publicidade. (Raquel, que veio comigo ajudar na operação da câmera – sim, nós filmamos tudo! – reclama desse meu último comentário. Mas não vale, pois ela é defensora ardorosa do indivíduo e está deixando o lado passional falar mais alto que o profissional. Humpf.)

Infelizmente, não consegui o direito ao microfone para fazer minha pergunta. Uma frustração, mas tudo bem. Já era esperado que veículos impressos e redes de TV (e conhecidos do mediador da entrevista) tivessem preferência. Infelizmente, os websites ainda são vistos com preconceito, apesar de muitos darem uma exposição bem maior para um filme ou artista do que um veículo impresso de média circulação. Apesar de eu ter passado 40 minutos com a mão levantada para tentar fazer uma pergunta sobre cinema (e outros colegas que trabalham em sites também), aqueles que queriam perguntar “Do que você gostou mais no Brasil?” foram mais bem sucedidos.

Relato aqui apenas algumas impressões sobre a entrevista, já que nos próximos dias editarei a matéria completa – em vídeo! Não percam. Agora vou dar uma passeada pelo Rio, porque ninguém é de ferro.

P.S.: Acabou que o filme virou um detalhe nessa passagem do Cruise pelo Brasil. Pois bem, vai uma notapé: gostei de “Operação Valquíria” mais do que esperava. Talvez seja o filme menos inspirado do Bryan Singer, mas ainda assim ele se sai bem na construção do suspense nas principais cenas, e continua compondo belas tomadas. O conjunto é que não convence tanto. É um filme sobre um episódio curioso da Segunda Guerra, um filme sobre falhas. É um thriller bom, nada mais do que issso. Mais a respeito na crítica que está por vir. Agora, sim, o Rio!

David Lynch, cinema e meditação

Aqui está, a entrevista que fiz com David Lynch logo após a coletiva. Enjoy!

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