Máscara da Ilusão

Houve uma época em que o cinema conseguia gerar filmes de fantasia absolutamente encantadores e mágicos, no sentido de que criavam mundos imaginários nos quais conseguíamos acreditar. “O Mágico de Oz” provavelmente é o representante clássico do gênero. Para a geração de espectadores que viveu a infância na década de 1980, “Labirinto – A Magia do Tempo” e “História Sem Fim” certamente estão guardados em um lugar especial na memória. O advento da computação gráfica fez com que os bonecos e cenários desses filmes ficassem obsoletos para a indústria. A tecnologia está em constante evolução, é verdade, mas somente nos últimos dois anos é que ela finalmente nos possibilitou voltar a acreditar na magia do cinema.
“Máscara da Ilusão” é um perfeito exemplo de que os efeitos computadorizados atingiram tal grau de aprimoramento que, por mais absurdos e extraordinários que sejam seu universo e os personagens que o habitam, somos perfeitamente capazes de crer que os atores estão em contato com eles. Mas aqui não é como na trilogia “O Senhor dos Anéis” ou nos novos episódios de “Star Wars”, onde o CGI tenta parecer real. A grande jogada de “Máscara da Ilusão” é que o filme se beneficia da imaginação do diretor Dave McKean e do co-roteirista Neil Gaiman para contar uma história que se passa em uma espécie de sonho.
A protagonista é Helena (Stephanie Leonidas), uma adolescente, filha de artistas circenses, que está naquela fase de querer independência e não mais seguir as ordens dos pais. Quando sua mãe (Gina McKee) adoece e precisa ser internada subitamente, Helena se sente culpada por ter brigado com ela no dia anterior. Na noite em que a mãe passa por uma delicada cirurgia, a jovem é misteriosamente transportada para um mundo estranho, que perdeu o equilíbrio entre seus reinos depois que a princesa da Escuridão fugiu. Cabe a Helena, calçada com suas pantufas de coelho (uma clara alusão a “Alice no País das Maravilhas”), a missão de encontrar a chave que trará a paz de volta ao lugar.
McKean, que também é o responsável pelo design da produção, foi hábil o suficiente para economizar nos gastos (ele tinha um orçamento de apenas US$ 4 milhões), baseando o universo do filme nos desenhos feitos pela protagonista (interpretada pela talentosa Stephanie Leonidas). Assim, McKean fez com que os ambientes assumissem uma arquitetura surrealista e etérea, geometricamente exagerada, o que também se refletiu nos personagens. Para conceber algumas das criaturas, ele chegou até mesmo a tomar emprestado o estilo de animação pythonesca criada por Terry Gilliam, formando seus corpos com recortes e usando uma parte do rosto humano em suas faces.
O roteiro de McKean e Gaiman se aproveita dessas possibilidades para nos apresentar a situações criativas, como a cena em que Helena aprende que deve xingar um livro para que ele se sinta inútil e volte voando para a biblioteca, transformando-se assim em um prático meio de transporte; ou a forma encontrada pela Rainha da Escuridão para ver tudo o que acontece no reino. Há ainda um idílico número musical, com a canção “Close to You”, que é ao mesmo tempo belo e assustador.
Apesar de seu final deixar um pouco a desejar, “Máscara da Ilusão” é uma viagem fascinante por um mundo que há muito tempo não se via criado em um filme. É também uma combinação perfeita entre apreço artístico e um conto de fadas capaz de agradar a crianças e adultos.
Máscara da Ilusão (MirrorMask, 2005, Reino Unido/EUA). Direção de Dave McKean. Com Stephanie Leonidas, Gina McKee, Rob Brydon, Jason Barry, Dora Bryan, Robert Llewellyn, Andy Hamilton.
O DVD
O DVD não foi avaliado para esta resenha. De acordo com informações da Sony Pictures Home Entertainment, estas são as características do disco:
Formato de tela: widescreen anamórfico 1.85:1
Áudio: Dolby Digital Surround 5.1, nos idiomas Inglês e Português; Dolby Digital 2.0, no idioma Francês
Legendas: Inglês, Português, Espanhol, Francês, Chinês, Coreano e Tailandês
Extras: Comentário do diretor David McKean e do roteirista Neil Gaiman; Making Of; Artes; Trailers
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