Sem Controle

Não deixa de ser curioso que os primeiros longas de duas diretoras brasileiras da nova geração estejam ligados por protagonistas que se envolvem com um ambiente de insanidade mental. Porém, enquanto Laís Bodanzky causou forte impressão com seu “Bicho de Sete Cabeças”, Cris D’Amato não chega a tanto com “Sem Controle” – apesar de superar a expectativa dado seu pouco atraente currículo de assistente de direção (que inclui colaborações com Xuxa, Padre Marcelo, Daniel Filho e Moacyr Góes). A distância entre um filme e outro começa pela caracterização não tão convincente dos enfermos, que por vezes surgem como alívio cômico em “Sem Controle”. É verdade que a proposta de D’Amato não é denunciar como Bodanzky, mas dada a seriedade do problema daquelas pessoas, não deixa de ser desconfortável quando somos levados a rir delas, por mais que não se trate de zombaria. De qualquer forma, o que pode haver de engraçado ali é totalmente subvertido no terceiro ato: numa injeção de originalidade, a história toma um rumo inesperado e pouco visto no cinema brasileiro, tanto do ponto de vista narrativo quanto cinético. Ponto para o roteirista Sylvio Gonçalves (também estreante em longa) e D’Amato, que criam uma adequada atmosfera de thriller psicológico. E o melhor: eles acreditam na platéia, sem fornecer explicações que poderiam satisfazer apenas o espectador mais preguiçoso. Só não fica muito claro o propósito do questionamento sobre o fim da pena de morte no Brasil, já que uma discussão não chega a ser desenvolvida.

nota: 6/10 — vale o ingresso

Sem Controle (2007, Brasil)
direção: Cris D’Amato; com: Eduardo Moscovis, Milena Toscano, Vanessa Gerbelli, Dirce Migliaccio; Marcelo Valle; Edmilson Barros; roteiro: Sylvio Gonçalves; produção: Júlio Uchôa; música: Pedro Bernardes; fotografia: Nonato Estrela; montagem: Eduardo Hartung. 90 min
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