O Homem do Tempo

Eu me lembro de uma vez imaginar como a minha vida seria, como eu seria. Eu me imaginava tendo todas essas qualidades, qualidades fortes e positivas que as pessoas poderiam olhar e escolher. Mas à medida que o tempo passou, poucas se tornaram qualidades que eu realmente possuía. E todas as possibilidades que eu encarei, e os tipos de pessoa que eu poderia ter me tornado, todas elas foram se reduzindo, a cada ano, a um número menor e menor… Até que elas finalmente se reduziram a uma só, a quem eu sou. E é este quem eu sou: o homem do tempo.

– Nicolas Cage, em “O Sol de Cada Manhã”



Caros leitores,

Como vocês já perceberam, o Cinematório não é atualizado há 20 dias. Não me recordo de ter ficado tanto tempo sem postar um texto por aqui, nem mesmo um link na Parabólica aí ao lado. Sempre que algum hiato acontece, eu me desculpo com vocês. Mas desta vez não farei isso. Vou explicar o que está se passando e que me impede de atualizar o blog com a freqüência de antes.

No início deste mês, recebi um telegrama da Rádio Inconfidência, uma das mais tradicionais aqui de Belo Horizonte. Três anos atrás, eu havia feito a prova de um concurso público da empresa, mas não me classifiquei de imediato. O tempo passou, segui minha vida e não contava mais com a possibilidade de ser chamado, nem como “excedente”. Eu não me lembrava nem mesmo do cargo ao qual concorri e o salário oferecido. Sendo assim, quando abri o envelope e li que estava convocado para preencher a vaga, fiquei surpreso – e feliz, claro, já que um emprego assim não cai do céu todo dia.

Mas confesso que uma ponta de preocupação me afligiu. Afinal, eu estava trabalhando no Cinema em Cena, e fazendo o que eu gosto – escrever sobre cinema –, o que sempre pesou em minhas escolhas profissionais. Como até então eu não sabia como seria o trabalho na rádio, passei os cinco dias seguintes ansioso para saber se teria que abandonar o site, onde estava há seis anos e meio.

Felizmente, isso não foi preciso. O horário na rádio é noturno, sendo assim, estou me virando para conciliar as duas coisas: de manhã e à tarde fico na redação do Cinema em Cena; à noite vou para redação da Inconfidência. No total, estão sendo cerca de 12 horas de trabalho diário, sem contar os fins de semana que tenho que fazer plantão na rádio.

O que nos traz ao Cinematório. Como dizem, a corda sempre arrebenta do lado mais fraco, e o blog (que sempre tratei como um segundo veículo) não poderá mais existir da mesma forma. Não pretendo encerrar as atividades por aqui, de maneira alguma. Porém, a freqüência de atualizações terá que ser mudada.

Ainda estou estudando uma forma de continuar mantendo o Cinematório vivo. Talvez, passemos a ter uma atualização semanal ou quinzenal, virando uma espécie de fanzine ou revista eletrônica. Ou talvez, estabelecer uma periodicidade não seja possível. Honestamente, não sei. Ainda estou me adaptando à nova rotina e os fins de semana – que poderiam ser utilizados para atualizar o blog – ultimamente têm sido de muito sono. Nem mesmo ao cinema eu tenho ido direito. Não vi nenhum dos lançamentos do mês até agora. O último filme a que assisti foi “O Assasinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford” (achei fabuloso). Fora isso, niente.

Eu já havia rascunhado críticas de alguns filmes que vi no final de novembro e as publicarei ao longo dos próximos dias, portanto, vocês já têm novos posts assegurados. Quanto à Parabólica, realmente não sei como ficará. Não gosto de apenas colar links ali, mas, sim, de pesquisar e ler todos os textos antes para selecionar os mais interessantes. E isso, como vocês devem imaginar, leva tempo.

A rádio está sendo uma nova e interessante experiência profissional, já que eu nunca havia trabalhado com esse meio além do que vi na faculdade. Para quem tiver interesse em conhecer o que eu faço, basta sintonizar na freqüência 880 khz AM ou acessar o site da Inconfidência. Escute o Jornal Integração (das 7h às 8h da manhã, de segunda a sexta), o Jornal Seis e Meia (às 18h30, também de segunda a sexta) e o programa Radiografia (12h às 13h, aos sábados). Vez ou outra, é capaz da minha voz ser ouvida, já que, além da redação dos noticiários, faço locução quando necessário.

E é isso. Mais uma vez, o Cinematório não acabou! Estamos apenas passando por uma reformulação logística, digamos. Teremos o Cinematório Awards normalmente no princípio de janeiro, com a distribuição dos Sammies e, claro, do troféu Por Ela Eu Entro em Coma – que, nesta edição, terá a vencedora escolhida por voto público! Mais detalhes em breve.

Conto com a compreensão de todos… E espero que continuem conosco.

Um abraço,
Renato Silveira

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