Rambo IV

Eu estava buscando uma definição para “Rambo IV” e achei que soaria melhor falar em inglês. Portanto, com licença, vou limpar a garganta e exclamar: It’s a kill-the-mothefucka-body-count-blow-things-up-movie! Em suma, é um filme do Rambo. Ninguém tem dúvida sobre isso. Portanto, se você espera algo além de tiros, explosões, sangue, tripas e membros voando pela tela, esqueça. Sylvester Stallone serve muito bem a mesa para quem quer ver nada mais do que o velho soldado em uma nova matança.

Diferente de “Rocky Balboa”, que possibilitou a Stallone desenvolver um personagem e dar a sensação de encerramento de seu arco dramático, este quarto “Rambo” não faz mais do que aumentar a contagem de cadáveres (ou pedaços deles). É um filme mais sobre um bicho, um predador, do que sobre um ser humano. Stallone nos mostra no que esse personagem se transformou – e deixa isso muito claro.



Na primeira metade, o pouco que se pode enxergar da alma de John Rambo é que, duas décadas depois de sua última aparição, ele ainda é um expatriado, aspecto já abordado na parte três da série. Nós vemos que Rambo continua “programado para matar”, mas não presta mais esse serviço para seu país. Ele mata para sua própria sobrevivência e também para preservar o pouco do sentimento humano que ainda lhe resta: ajudar outra pessoa que está em perigo. Ele não se importa com causa alguma, como a defendida pelo grupo que vai para Burma em sua santa ingenuidade, com o ideal de acabar com a matança das vítimas da guerra civil local. Ele sabe que benevolência não acaba com mercenários e ditadores. Rambo é um anti-gandhista – e esse provavelmente é o ponto que Stallone quer provar aqui.

O problema todo é que se existe realmente um tema em “Rambo IV”, ele não é explorado o suficiente por seu diretor-roteirista, que preferiu manter o foco na ação descerebrada e converter Rambo em um personagem estereotipado. Parece que Stallone, (novamente, diferente do que fez em “Rocky”) decidiu transformar a série em algo mais próximo de “Sexta-Feira 13”. Assim, da mesma forma como é divertido ver o mascarado Jason dilacerar adolescentes idiotas (convenhamos: Jason deixou de ser vilão há muito tempo – você assiste aos filmes para vê-lo vencer, não as vítimas), a graça de “Rambo IV” é ver o brutamontes em ação, usando todos os métodos de que dispõe para acabar com os homenzinhos ruins da selva. Só é imperdoável que a emblemática cena da faixa sendo amarrada na cabeça tenha ficado de fora.

nota: 6/10 — veja sem pressa

Rambo IV (Rambo, 2008, EUA/Alemanha)
direção: Sylvester Stallone; com: Sylvester Stallone, Julie Benz, Matthew Marsden, Graham McTavish, Reynaldo Gallegos, Jake La Botz, Tim Kang, Maung Maung Khin, Paul Schulze; roteiro: Art Monterastelli, Sylvester Stallone; produção: Kevin King, Avi Lerner, Sylvester Stallone, Kevin King Templeton, John Thompson; fotografia: Glen MacPherson; montagem: Sean Albertson; música: Brian Tyler; estúdio: Emmett/Furla Films, Equity Pictures, Lionsgate, Millennium Films, Nu Image Films, The Weinstein Company; distribuição: Flashstar. 91 min
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