Jogo de Amor em Las Vegas

por RENATO SILVEIRA

Considerando que este é um típico filme de encomenda para o verão americano, “Jogo de Amor em Las Vegas” não é tão ruim quanto se espera. As partes ruins são evidentes, com muitas cenas histéricas – seja com os atores gritando, seja com o montador tentando fazer o público ficar tonto junto com os personagens numa bebedeira, seja com o pouco conhecido diretor Tom Vaughan querendo fazer graça com seqüências cartunescas, como uma em que os protagonistas correm como crianças pelas ruas do Brooklyn. No entanto, existem boas sacadas, principalmente aquelas que brincam com o universo masculino.



A festa armada por Cameron Diaz é talvez o momento mais divertido, muito pela reação machista de Ashton Kutcher ao receber um grupo de gostosonas em sua casa. Há também a entrada dos coadjuvantes que, apesar de rasos e caricaturais, acabam provocando risos mais sinceros que a maior parte das piadas feitas pelos atores principais. E o “relacionamento” entre os melhores amigos deles, vividos por Rob Corddry e Lake Bell, também funciona bem, apesar de você prever desde o início como vai acabar.

Esses “apesares” é que revelam as fraquezas óbvias de um filme, cujo roteiro parece ter sido escrito às pressas para escapar da greve dos roteiristas, ocorrida no final do ano passado. Você tem que desculpar muitas falhas para poder aproveitá-lo. A própria premissa, de que o casal tem que tentar fazer o casamento funcionar, é absurda e só existe mesmo dentro desse gênero tão batido que é a comédia romântica. No entanto, o pior não é ter que comprar essa idéia, mas ser obrigado a seguir todos os atalhos que o roteiro de Dana Fox impõe à narrativa para chegar ao final da história.

O melhor exemplo disso talvez seja o anel de noivado ostentado pela personagem de Diaz, que não tem outra função a não ser provocar a “virada dramática” obrigatória do ato final de toda comédia romântica. Se ainda fosse uma boa virada, vá lá. Mas ela acontece por uma desculpa tão banal, que qualquer simpatia que possamos ter conquistado por aquela garota se esvai, já que ela comprova ser uma mulher superficial e sem foco. Viver um dilema quanto à sua vida amorosa ou à sua carreira é um problema humano, mas, no filme, é apenas problema de roteiro. Assim como é, também, um porta-retrato, cuja existência só nos é revelada no último e manipulativo instante da trama.

Aliás, o filme todo é manipulativo do início ao fim. A música indica sempre se uma cena vai ser triste ou engraçada, funcionando quase como trilha de risadas de uma sitcom. E embora você até a acompanhe em alguns momentos, na maior parte do tempo a impressão é a de que “Jogo de Amor em Las Vegas” está rindo sozinho de si mesmo.

nota: 4/10 — não se culpe por não ver

Jogo de Amor em Las Vegas (What Happens in Vegas, 2008, EUA)
direção: Tom Vaughan; com: Cameron Diaz, Ashton Kutcher, Rob Corddry, Lake Bell, Jason Sudeikis, Treat Williams, Deirdre O’Connell, Dennis Farina, Queen Latifah; roteiro: Dana Fox; produção: Michael Aguilar, Dean Georgaris, Shawn Levy; fotografia: Matthew F. Leonetti; montagem: Matt Friedman; música: Christophe Beck; estúdio: Regency Enterprises; distribuição: 20th Century Fox. 99 min
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