Giallo – Reféns do Medo

O termo “Giallo” se refere a um gênero específico da ficção policial que rendeu inúmeros livros e filmes na Itália décadas atrás. Foi tão influente, que pode ser considerado o “pai” dos thrillers de serial killers que pululam no cinema comercial. Dario Argento, mais conhecido como diretor de horror, é um dos pioneiros do Giallo e, em seu mais recente trabalho, faz mais do que um revival: como Quentin Tarantino, Argento refina o gênero em um filme que pode ser chamado de tudo, menos de “suspense barato” – má fama que os Giallos de antigamente ganharam por terem baixo preço e alta replicação.

Lançado no Brasil diretamente em DVD, “Giallo – Reféns do Medo” traz Adrien Brody (“O Pianista”, “King Kong”) no papel do detetive perseguidor de assassinos, protagonista de 10 entre 10 dessas histórias. O vilão da vez, um psicopata obcecado por mulheres jovens e bonitas, também é interpretado por Brody, sob pesada maquiagem (mas nos créditos, repare, o nome do ator aparece espertamente como um anagrama: Byron Deidra). Tal escolha de Argento, obviamente proposital, reproduz um aspecto próprio de produção barata em que um mesmo ator interpreta mais de um papel.



Outra característica evidente do kitsch buscado pelo cineasta é a cor amarela que predomina no filme inteiro – afinal, “giallo” significa “amarelo” em italiano, e os livros do gênero tinham a capa amarela. Cor que contrasta com o vermelho da violência explícita, com agulhas, alicates e mutilações (hello, torture-porn!), que também tem uma aproximação própria para gênero – além, claro, de ser uma marca do cinema de horror de Argento, que evoluiu justamente a partir do Giallo.

Argento vai e volta em diversas convenções do gênero, mas é na construção da história que ele surpreende. A partir de certo ponto, o filme toma um rumo diferente do esperado, isto é, que o serial killer será revelado e perseguido, a última vítima irá quase morrer e o crime será solucionado. Tudo isso acontece, mas tanto o assassino quanto o detetive ganham camadas de personalidade que o afastam de qualquer superficialidade. E a famosa reviravolta é evitada, sem com isso enfraquecer a tensão e a eficácia do desfecho da trama.

“Giallo – Reféns do Medo” não pretende reinventar o próprio gênero, longe disso. Mas naquilo em que busca ser um exemplar que é, ao mesmo tempo, homenagem e algo novo (já que a geração mais nova de espectadores pode nunca ter visto um Giallo), Argento se sai com a competência habitual do mestre que é.

nota: 7/10 — vale a locação

Giallo – Reféns do Medo (Giallo, 2009, Itália/EUA)
direção: Dario Argento; roteiro: Dario Argento, Jim Agnew, Sean Keller; fotografia: Frederic Fasano; montagem: Roberto Silvi; música: Marco Werba; produção: Rafael Primorac, Richard Rionda Del Castro; com: Adrien Brody, Emmanuelle Seigner, Elsa Pataky, Robert Miano, Byron Deidra, Silvia Spross, Daniela Fazzolari, Valentina Izumi, Luis Molteni; estúdio: Opera Film Produzione, Giallo Production; distribuição: Califórnia Filmes. 92 min
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