INDIE 2010: destaques da programação


O pôster oficial do INDIE 2010, by Voltz Design,
que virá encartado no catálogo – clique para ampliar

Sem dúvidas, os grandes destaques da programação do INDIE 2010 são as duas retrospectivas, ambas inéditas no Brasil e exclusivas do festival.

Primeiro, temos o já anunciado programa com a obra de Kiyoshi Kurosawa, que levará às telas da mostra 23 filmes deste cineasta japonês, cultuado por seu cinema de horror e por um dos grandes filmes dos últimos cinco anos, “Sonata de Tóquio”, que ainda permanece inédito em circuito comercial no Brasil.



E agora a organização do INDIE anuncia a retrospectiva Apichatpong Weerasethakul, ou “Joe” para simplificar. Ele mesmo, o vencedor da Palma de Ouro deste ano. Uma pena que o filme que ganhou Cannes, “Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives”, não virá para o INDIE (pelo menos, até segunda ordem – vai que pinta uma surpresa?). Mas mesmo assim será uma chance única para o público conhecer a obra deste cineasta tailandês, que ainda não teve um filme sequer lançado comercialmente por aqui. A seleção dos cinco longas e 20 curtas que será apresentada no festival foi feita pelo próprio diretor para o INDIE. Sensacional.

Confira os demais destaques da programação, divulgados hoje. A lista completa dos filmes com os dias e os horários estará disponível no site oficial do INDIE a partir do próximo dia 26.

O INDIE 2010 acontece de 2 a 9 de setembro em Belo Horizonte e de 16 a 23 de setembro em São Paulo.

MOSTRA MUNDIAL > 24 filmes, 12 países, 22 estreias O programa faz um mix de diretores consagrados, novos diretores e as novas tendências do cinema. Entre os consagrados: Hong Sang-Soo ( com “Hahaha”, prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2010); Koji Wakamatsu com “Caterpillar” (competiu no festival de Berlim 2010); o último filme de Clare Denis, “White Material”; e Todd Solondz (os personagens de Happiness, 12 anos depois, em “A Vida Durante a Guerra”).

Foco também para o cinema romeno com destaque para “Terça-feira, Depois do Natal” (participante da seleção oficial da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes) e no novo cinema indie americano: “Mobília Mínima”, prêmio de Melhor Filme de Ficção no festival americano SXSW, dirigido Lena Dunham; “Alguns Dias São Melhores que Outros” de Matt McCormick que participou dos festivais de SXSW e Seattle; e “Amor e Ódio”, de Bryan Poyser, que estava na competitiva do Sundance deste ano.

RETROSPECTIVA KIYOSHI KUROSAWA > 23 filmes (22 deles, em 35mm). Os vários estilos e gêneros da obra de Kurosawa. Nascido em 19 de julho de 1955, em Kobe, na província de Hyogo, no Japão, Kurosawa começou a dirigir filmes independentes em 8mm quando estudava Ciências Sociais na Universidade Rikkyo. Kurosawa passou os anos seguintes aprendendo com os diretores Kazuhiko Hasegawa e Shinji Somai. Estreou comercialmente, em 1983, com o longa-metragem “Guerras De Kandagawa” um legítimo pinku eiga (os pornôs leves japoneses). A restrospectiva exibe também as séries sobre detetives e Yakuza feitas para a televisão nos anos 1990; além dos filmes que o consagraram como “Cure” (Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cinema de Yokohama, 1999); “Charisma” (Quinzena dos Realizadores, em Cannes 1999), “Permissão para Viver” (Fórum do Festival de Berlim, 1999); “Ilusões Inúteis” (Mostra Internacional de Veneza, de 1999), “Pulse” (Prêmio da Crítica na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes 2001), “Futuro Brilhante” (competitiva do Festival de Cannes 2003); até “Sonata de Tóquio”( prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2008).

RETROSPECTIVA APICHATPONG WEERASETHAKUL > 25 filmes (5 longas, 1 média-metragem, 19 curtas). Nascido em Bangcoc, na Tailândia, em 1970, Apichatpong realiza instalações, obras conceituais, premiado diretor de cinema, é um dos grandes expoentes do cinema mundial. Formou-se em Arquitetura pela Universidade de Khon Kaen em 1994, cidade onde seus pais médicos trabalhavam num hospital. Mas foi nos EUA que estudou cinema, no Art Institute of Chicago, concluindo seu mestrado em 1997. Em 1999, ele fundou sua produtora Kick the Machine e começou a produzir seus próprios projetos e a dar apoio para outros artistas experimentais e independentes na Tailândia. Recebeu a Palmo de Ouro em Cannes 2010. O Indie exibirá seus longas: “Objeto Misterioso ao Meio-Dia” (2000), “Eternamente Sua” (premiado na mostra Um Certain Regard, Cannes, 2002), “As Aventuras de Iron Pussy” (2003), ”Mal dos Trópicos” (prêmio do júri em Cannes 2004), e “Síndromes e um Século” (concorrente na Mostra de Veneza 2006). A retrospectiva trará também quatro programas de curtas, com 20 filmes, selecionados pelo diretor especialmente para o Indie e inédita no país. Dentre os curtas estão os seus trabalhos mais recentes: “Uma Carta para Tio Boonmee” (2009), “Mobile Men” (filme-segmento que faz parte do longa Stories on Human Rights, 2008) e “Pessoas Luminosas” (também um filme-segmento do longa O Estado do Mundo, 2007), além de outros completamente inéditos no país.

INDIE BRASIL > 5 filmes brasileiros. O programa apresenta os documentários “Leite e Ferro”, de Claudia Priscilla (melhor direção e melhor documentário no Festival de Paulínia); “Meu Amigo Claudia”sobre a artista e travesti Claudia Wonder; além de filmes de novos diretores fora do eixo: “Pacific”do pernambucano Marcelo Pedroso e “Viagem para Ythaca”direção coletiva produzida no Ceará. Traz também a estreia na cidade do filme da mineira Marilia Rocha “A Falta que me Faz” .

MÚSICA DO UNDERGROUND > O programa exibe sete documentários sobre música. Destaque para “Nós Não Ligamos Mesmo Para Música”sobre a música de vanguarda feita em Tóquio, o filme participou de vários festivais tais como SXSW, BAFICI, Cinéma du réel, Singapore. E mais “ManOoman”, o impressionante e sensual movimento dancehall na Jamaica; como é ser punk na China (em “Beijing Punk”) e a luta do músico Pat Spurgeon, da banda pop indie Rogue Wave, por um transplante de rim em “D-Tour”. E a amizade vivida na estrada dos amigos músicos Devendra Banhart, Joanna Newsom e Kevin Barker (da banda Vetiver) em “Family Jam”.

CINEMA DE GARAGEM – Trinta e cinco novos realizadores brasileiros, de 10 estados, estão no programa que tem curadoria do videoartista Dellani Lima. O cinema feito sem orçamento nenhum, ou com pequenos incentivos, de forma autoral e inventiva. Dividido em 6 programas traz a diversidade da produção nacional: da geração da videoarte (Kika Nicolela, CarlosMagno Rodrigues), do curta-metragem (Rodrigo Grota, Sávio Leite) até os filmes B do catarinense Petter Baiestorf.

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