Zé Colmeia – O Filme

Junto às cópias de “Zé Colmeia – O Filme”, a Warner incluiu um curta protagonizado por dois de seus mais famosos personagens, o Papaléguas e o Coiote Coió. Apesar de pertenceram à franquia dos Looney Tunes, enquanto Zé Colmeia é da Hanna-Barbera, o curta funciona como uma companhia perfeita ao longa, até para efeito de comparação de resultados.

Papaléguas e Coiote foram remodelados em computação gráfica 3D, mas foram mantidos a essência do humor e o formato de pílula do desenho da TV (também aproveitado por Joe Dante no subestimado “Looney Tunes De Volta à Ação”, de 2003). Não se pode dizer o mesmo de “Zé Colmeia”, o filme. Se as aventuras do urso ladrão de comida funcionam na TV justamente por utilizarem o mesmo formato curto dos desenhos do Papaléguas, no cinema o personagem chega até mesmo a ser colocado no vexatório papel de coadjuvante por um trio de roteiristas que sua para preencher 80 minutos com a trama “Vamos salvar o parque Jellystone!”

A graça do Zé Colmeia é vê-lo tentar roubar as cestas de piquenique, fugir do Guarda Smith e pronto. Pá-pum, acabou. Não é como os desenhos do Scooby-Doo, que tinham uma trama, uma investigação (e que, mesmo assim, não funcionaram quando foram para a telona). Aí, você tem que aguentar encheção de linguiça: Zé Colmeia e Catatau dançando ao som de “I Like Big Butts” (milagre não terem colocado o “melô das popozudas” na versão brasileira), Guarda Smith (Tom Cavanagh) tentando chegar aos finalmentes com uma documentarista geek (Anna Faris, longe da ótima comediante que ela sabe ser), e um boçal sem graça chamado Guarda Jones (T.J. Miller) que serve de escada para o vilão, o prefeito da cidade (Andrew Daly), que quer fechar o parque. Sem falar na direção óbvia de Eric Brevig (“Viagem ao Centro da Terra”) e a má utilização do 3D, jogando objetos e gosmas em direção ao espectador o tempo inteiro. Salva-se o CGI, que é bem feito, apesar de nada revolucionário. É só uma página a mais para o portfólio da produtora Rhythm and Hues.
Não é que “Zé Colmeia” seja uma bomba. É bobo, apenas. Não chega ao nível de debilidade de “Garfield” ou “Alvin e os Esquilos”. E pensem bem: se levou tanto tempo para esses personagens virarem filme, é porque eles nunca foram concebidos para durarem mais que 5, 10 minutos ou uma tirinha de jornal. Prova da crise criativa que assola Hollywood já há mais de uma década, sem que roteiristas ou produtores consigam surgir com algo realmente novo para o público. As franquias já estabelecidas, como os desenhos animados, os super-heróis e, agora, os brinquedos, acabam se tornando o alvo mais fácil para que a roda continue a girar, ainda que sem direção.
Justiça seja feita: a dublagem brasileira de Guilherme Briggs para o Zé Colmeia ficou muito boa, quase identica à original da TV, feita pelo grande Older Cazarré. Pura nostalgia. Só é imperdoável que tenham tirado o “Seu Gualda!” do Catatau. Será que até nisso o politicamente correto tem que falar mais alto?

UPDATE: O dublador do Catatau no Brasil, Renan Freitas, me enviou um recado no Twitter explicando que a correção do “Seu Gualda” foi uma escolha da Warner Bros. Ele afirmou ainda que tentou manter a fala como na dublagem da TV, mas teve que refazer. Bola fora, hein, Warner?

Para saber mais sobre os curtas do Papaléguas, clique aqui. São três. Este que passa antes de “Zé Colmeia” fecha a trilogia. O primeiro foi exibido junto de “Como Cães e Gatos 2”. Já o segundo acompanhou “A Lenda dos Guardiões”.
Zé Colmeia – O Filme (Yogi Bear, 2010, EUA)
direção: Eric Brevig; roteiro: Jeffrey Ventimilia, Joshua Sternin, Brad Copeland; fotografia: Peter James; montagem: Kent Beyda; música: John Debney; produção: Donald De Line, Karen Rosenfelt; com: Tom Cavanagh, T.J. Miller, Nathan Corddry, Andrew Daly, Anna Faris, Dan Aykroyd (voz), Justin Timberlake (voz); estúdio: Warner Bros. Pictures, Sunswept Entertainment, De Line Pictures, Picnic Basket, Rhythm and Hues; distribuição: Warner Bros. 80 min
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