Terapia de grupo

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“O Que Traz Boas Novas” é mais um desses casos de títulos estranhos no Brasil. A produção canadense originalmente se chama “Monsieur Lazhar”, que é o nome do protagonista. A tradução brasileira foi tirada diretamente de uma fala do personagem, em uma cena em que ele explica o significado de seu primeiro nome, Bachir, a um aluno. Acaba que foi uma feliz escolha, pois Monsieur Lazhar, um professor argelino que se mudou para Montreal, realmente traz esperança à turma de crianças que ele assume após uma tragédia. A professora das crianças cometeu um suicídio e alguns dos alunos viram a mulher pendurada pelo pescoço no lustre da sala de aula.

Dirigido por Philippe Falardeau, cineasta natural do Quebec que ainda é pouco conhecido, apesar deste seu quarto longa-metragem ter sido indicado ao Oscar de Filme em Língua Estrangeira no ano passado, “O que traz boas novas” trata, na verdade, de duas tragédias. Tem esse episódio traumático pelo qual as crianças passam, mas há, principalmente, o drama pessoal de Bachir Lazhar, interpretado por Mohamed Saïd Fellag, que é um comediante de origem, mas que faz aqui, de maneira formidável, um papel sério, ainda que tenha seus toques de humor. O filme trata não apenas do esforço de Lazhar em reconstruir sua vida e superar uma perda provocada pela crise política em seu país, mas em ser aceito no novo país, enfrentando o preconceito por ser um imigrante.



“O Que Traz Boas Novas” é um desses “filmes de professor”, portanto, a comoção é indispensável, especialmente no que diz respeito aos alunos que são mais afetados pela morte da professora. Felizmente, Falardeau é sutil e elegante na construção da carga emotiva. ■

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