CINQUENTA TONS DE CINZA

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O livro “50 Tons de Cinza”, o primeiro de uma trilogia escrita por E.L. James, se tornou famoso devido à sua alta carga erótica. Porém, os fãs que esperavam que o filme trouxesse cenas picantes estão se decepcionando, já que o sexo mostrado na tela é bastante restrito, por razões óbvias de censura. Não vai muito além do que uma minissérie da Rede Globo às 11 da noite já não tenha exibido.

Dirigido pela cineasta Sam Taylor-Johnson (“O Garoto de Liverpool”), o filme conta a história de uma jovem insegura, Anastasia Steele, e seu romance com o milionário Christian Grey. Mas não é qualquer romance, pois o rapaz tem uma preferência sexual peculiar: o sadomasoquismo.



A questão do sadomasoquismo também é outra decepção, principalmente porque ele é mostrado como uma doença a ser curada, como um desvio de comportamento, e não algo que depende da pessoa definir se é bom ou ruim, se lhe dá prazer ou não.

Mas esses são problemas menores do filme “50 Tons de Cinza” perto do machismo que ele praticamente defende ao colocar a protagonista como uma mulher submissa ao homem, em todos os sentidos. Como se não bastasse o absurdo de ela ter que assinar um contrato em que aceita ser um tipo de escrava sexual, Anastasia não demonstra ter qualquer interesse em seu “príncipe encantado” a não ser seu dinheiro e os presentes caríssimos que ele lhe dá.

Em um momento em que as mulheres mais que nunca clamam por independência, direitos iguais e liberdade para viverem do jeito que quiserem, “50 Tons de Cinza” surge como um enorme retrocesso. E o mais triste é que essa mesma história poderia ter sido contada de forma a criticar o machismo ainda dominante em nossa sociedade.

Para não falar que o filme não tem nenhuma qualidade, vale destacar que os dois atores principais, Dakota Johnson e Jamie Dornan, são carismáticos e certamente terão carreiras promissoras se acertarem em suas próximas escolhas. A fotografia do filme também é bem pensada, ainda que recorra a algumas obviedades para representar a submissão da protagonista diante de seu amado. ■

(Este texto foi adaptado da resenha produzida para o programa Cinefonia, da Rádio Inconfidência, de 11/04/15.)

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