JIMI: TUDO AO MEU FAVOR

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Você já imaginou fazer um filme sobre a vida de um artista sem poder utilizar as músicas mais famosas dele na trilha sonora? Parece impossível, mas os produtores de “Jimi: Tudo ao Meu Favor” tiveram que se virar para contornar esse problemão.

Após tentativas frustradas de obter os direitos de uso das músicas de Jimi Hendrix para o longa-metragem, a equipe decidiu seguir em frente com o projeto e focalizar apenas no lado pessoal do famoso guitarrista.



Escrito e dirigido por John Ridley, vencedor do Oscar pelo roteiro de “12 Anos de Escravidão”, a cinebiografia acompanha desde as primeiras apresentações de Hendrix, quando ainda era um desconhecido nos palcos, até seu estrelato, quando fez shows inclusive com os Beatles na plateia.

Como acontece na maioria dos filmes sobre astros da música, a narrativa mostra as alegrias e também as tristezas do protagonista, que se deixou iludir pela fama e se rendeu aos excessos.

O lado bom de os produtores não terem conseguido usar as músicas de Hendrix é que você passa a conhecer mais o ser humano do que o ídolo. Porém, um certo excesso de atenção dispensada aos relacionamentos amorosos do biografado nos faz sentir falta de ter contato com o seu lado criativo, descobrir como ele compôs sucessos como “Purple Haze” e “Foxy Lady”. Não é à toa que o filme respira nos poucos momentos em que Hendrix sobe ao palco, mesmo que seja para tocar músicas de outros artistas ou simplesmente improvisar seus alucinantes solos de guitarra.

O filme sofre de uma profusão de pontas infrutíferas de artistas renomados (interpretados por atores desconhecidos), possivelmente porque Ridley se viu obrigado a estabelecer o cenário de fama em que Hendrix circulava, já que não pôde nos situar quanto à sua ascensão através das músicas. Mas é no elenco que reside o ponto alto do filme.

Imogen Poots encanta como Linda Keith (mulher de Keith Richards, dos Rolling Stones), mas a atuação de André Benjamin, que também é músico, faz valer os esforços dos realizadores. Ele é mais lembrado pela dupla Outkast, que ficou famosa com a música “Hey Ya!” Benjamin já atuou em alguns outros filmes (o policial “Quatro Irmãos” deve ser o melhor entre os mais conhecidos, enquanto o musical “Idlewild” é o que as pessoas deveriam conhecer entre os menos vistos), mas sem dúvida este é o seu melhor trabalho, mesmo que a sua fisionomia não se pareça muito com a de Hendrix. O importante é que ele incorpora bem seu estilo e espírito.

“Jimi: Tudo ao Meu Favor” não estreou nos cinemas brasileiros, mas foi lançado recentemente em DVD e Blu-ray. ■

(Este texto foi adaptado da resenha produzida para o programa Cinefonia, da Rádio Inconfidência, de 16/05/15.)

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