A INCRÍVEL HISTÓRIA DE ADALINE & TROCANDO OS PÉS

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“A Incrível História de Adaline” utiliza o realismo fantástico para contar uma história de amor. A personagem principal, nascida na virada do século 19 para o século 20, sofre um acidente de carro e ganha o dom, ou a maldição, de nunca envelhecer.

Dirigido por Lee Toland Krieger, o filme é interessante enquanto nos mostra como a protagonista atravessa as décadas sempre com a aparência de uma jovem de 29 anos, e os problemas que ela precisa enfrentar, como fugir da polícia, que desconfia que ela utiliza uma identidade falsa. Além disso, ela evita se apaixonar e ainda vê sua filha se tornar uma senhora e aparentar ser sua avó.



Porém, a partir de meia hora de filme, “A Incrível História de Adaline” passa a dedicar mais atenção ao romance vivido pela personagem com um rapaz que tem uma importante ligação com seu passado. Não é que a história de amor seja ruim, mas a nossa curiosidade é maior em saber como aquela pessoa tão especial lida com as adversidades que uma vida tão longa lhe impôs.

Além de Blake Lively, que tem se revelado uma boa atriz, o filme tem como destaque o ator Harrison Ford, que faz uma das melhores atuações de seus trabalhos mais recentes. Apesar de perder a oportunidade de desenvolver mais sua protagonista, é um filme bonito e metafórico sobre a importância de não deixar para trás problemas mal resolvidos.

 

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Outro filme em cartaz que também utiliza o realismo fantástico é a comédia “Trocando os Pés”. Nela, Adam Sandler interpreta o filho de um sapateiro, vivido por Dustin Hoffman. Ele herda a loja do pai e descobre uma máquina que lhe permite assumir a vida dos donos dos sapatos que o procuram para solicitar algum tipo de conserto em seus calçados.

A ideia é boa e remete a produções típicas dos anos 80. Porém, passados os primeiros minutos e a descoberta dos poderes que a tal máquina dá ao protagonista, o filme se torna um festival de tolices próprias das comédias de Sandler.

É uma pena, pois o filme começa com um tom diferente, muito em função do diretor Thomas McCarthy, que antes havia feito dois dramas muito interessantes e sensíveis, “O Agente da Estação” e “O Visitante”. Ele até consegue dar a “Trocando os Pés” um visual bem trabalhado e um ritmo bem cadenciado, mas se perde na condução de um roteiro implausível, que ainda tenta nos fazer torcer por um personagem que usa seu recém-descoberto poder para praticar crimes e alimentar o próprio ego. Uma oportunidade desperdiçada, infelizmente. ■

(Este texto foi adaptado da resenha produzida para o programa Cinefonia, da Rádio Inconfidência, de 06/06/15.)

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