PROMESSAS DE GUERRA

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É sempre um exercício interessante observar como atores que se lançam como cineastas se saem atrás das câmeras. No caso de Russell Crowe, com “Promessas de Guerra”, é uma feliz surpresa notar como ele se preocupa em estabelecer um visual belo e consistente para o filme, além de uma narrativa sóbria.

Situado após o fim a Primeira Guerra Mundial, o longa traz o próprio Crowe no papel de um camponês que trabalha descobrindo poços artesianos no interior da Austrália. Seus três filhos se alistaram no exército e desapareceram durante a famosa Batalha de Galípoli. O protagonista então faz uma promessa à sua mulher, de que irá descobrir o paradeiro dos rapazes, apesar de não ter esperanças de que eles estejam vivos. O dom que o personagem possui de “sentir” onde a água brota por baixo da terra irá auxiliá-lo nessa missão, afinal, é notória a sensibilidade que os pais possuem para “sentir” o que se passa com seus filhos.



Ao longo da jornada desse homem, Crowe alterna sequências de batalha e flashbacks com cenas mais intimistas. Por um lado, as belas tomadas que exploram os cenários chamam a atenção, em especial a cena em que ele relembra o dia em que salvou os filhos de uma tempestade de areia. Porém, as subtramas que o filme cria não são convincentes, como o envolvimento de Crowe com a funcionária do hotel em que ele fica hospedado na Turquia, papel de Olga Kurylenko.

Como é raro vermos filmes ambientados na época da Primeira Guerra Mundial, é louvável o esforço de Crowe em resgatar os impactos culturais e políticos que o conflito gerou na região onde ele nasceu, especialmente no que diz respeito à forma como a Austrália entrou na batalha, invadindo a Turquia. Serve como reflexão, sem ser moralista.

“Promessas de Guerra” traz Russell Crowe em uma atuação sólida e com um bom tino para a direção, embora falte ainda valorizar um pouco mais a duração de certos planos, equilibrar o ritmo. Caso ele decida investir na carreira como cineasta, e não se contente com uma só experiência, a tendência é que ele amadureça seu estilo e faça filmes ainda melhores. ■

(Este texto foi adaptado da resenha produzida para o programa Cinefonia, da Rádio Inconfidência, de 30/05/15.)

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