Aquecimento 20ª Mostra de Cinema de Tiradentes

Em 2017, a tradicional Mostra de Cinema de Tiradentes chega aos 20 anos de existência. E algumas informações já foram divulgadas sobre a programação dessa edição especial, que acontece de 20 a 28 de janeiro, na cidade histórica de Tiradentes, localizada na região do Campo das Vertentes, em Minas Gerais. A começar pela temática: “Cinema em Reação, Cinema em Reinvenção”, propondo colocar em debate um cinema que reage a seu espaço e a seu tempo histórico, na maior parte do tempo assumindo pontos de vista através das articulações da linguagem. Uma das principais questões abordadas pela temática é, portanto, como pode o cinema confrontar as questões contemporâneas sem que os filmes se tornem reportagens em tela grande.

Segundo texto assinado pelo curador Cléber Eduardo, publicado no site oficial, a temática é representativa do cinema em si:

“O cinema é uma forma em reação. Quando na ficção se grita ‘ação’ no set, o que sucede ao comando são reações (dos atores, da equipe), por sua vez resultantes de uma produção/planejamento e de uma roteirização/intencionalidade. O cinema desde sempre carregou em muitas de suas manifestações uma evidência de seu desejo de agir/reagir. De alguma forma, de intervir na vida, para contrapor ou para conservar. O cinema reage a uma ideia inicial transformada em arquitetura de cenas e narrativas. E essa ideia é, também, de modo direto ou enviesado, uma reação dos criadores à vida. Reagem à observação do mundo, a uma reflexão sobre algo da existência, deles ou de outros seres, não sem o trabalho da imaginação investido nessa reação formal.”

Temática representativa também do que vivemos em 2016, um ano pautado pela efervescência social e política. Cléber Eduardo continua:

“O ano de 2016 foi marcado por reações e crises políticas de modo amplo, desde as de governos e instituições federais – em guerra entre si – até as de segmentos hegemônicos e minoritários da sociedade civil, uns e outros em luta pela preservação ou reconfiguração dos lugares de poder, dos direitos dos indivíduos e de grupos. A justa representatividade, mais equânime, tornou-se uma bandeira. Demorou!”

Duas homenageadas da mostra já foram anunciadas: Leandra Leal, que abrirá a programação com seu primeiro filme como diretora, “Divinas Divas”, e Helena Ignez, também atriz e diretora, mas de uma geração anterior, do Cinema Marginal. Helena dará nome a um prêmio a ser entregue, a partir dessa edição, a uma mulher em alguma das funções da criação cinematográfica, em longa ou curta, presente nas mostras competitivas do evento.

A programação completa de filmes da 20ª Mostra de Tiradentes ainda não saiu, mas a seleção de curtas-metragens, sim, tal como os selecionados para a Mostra Aurora. Serão exibidos 72 curtas originários de 11 estados brasileiros, escolhidos pelo trio Francis Vogner dos Reis, Pedro Maciel Guimarães e Lila Foster, com coordenação de Cléber Eduardo. Os títulos foram distribuídos em 10 mostras temáticas, como detalhado abaixo:

MOSTRA HOMENAGEM:

“A Miss e o Dinossauro”, de Helena Ignez (SP)

MOSTRA CENA MINEIRA:

“Acaiaca”, de Leonardo Good God (MG)

“Constelações”, de Maurilio Martins (MG)

“Feminino”, de Carolina Queiroz (MG)

“Primeiro Ensaio”, de Daniel Couto (MG)

“Vem Comigo”, de Gabriel Quintão (MG)

MOSTRA PANORAMA:

“Abigail”, de Isabel Penoni e Valentina Homem (RJ)

“Ainda Sangro Por Dentro”, de Carlos Segundo (SP)

“Aroeira”, de Ramon Batista (PB)

“As Ondas”, de Juliano Gomes e Leo Bittencourt (RJ)

“Capital/Interior”, de Danilo Dilettoso e Talita Araujo (SP)

“Chico”, de Irmãos Carvalho (RJ)

“Demônia – Melodrama em 3 Atos”, de Cainan Baladez e Fernanda Chicolet (SP)

“Diamante, o Bailarina”, de Pedro Jorge (SP)

“E o Galo Cantou”, de Daniel Calil (GO)

“Hotel Cidade Alta”, de Vitor Graize (ES)

“O Delírio é a Redenção dos Aflitos”, de Fellipe Fernandes (PE)

“O Mais Barulhento Silêncio”, de Marccela Moreno (RJ)

“O Olho do Cão”, de Samuel Lobo (RJ)

“Silêncios”, de Caio Casagrande (RJ)

“Solon”, de Luana Melgaço (MG)

“Stanley”, de Paulo Roberto (PB)

MOSTRINHA:

“A Luta”, de Bruno Bennec (MG)

“As Aventuras do Chauá”, de Alunos da Escola Municipal Santo Antônio do Norte (ES)

“Caminho dos Gigantes”, de Alois Di Leo (SP)

“Lipe, Vovô e o Monstro”, de Felippe Steffens e Carlos Mateus (RS)

“Médico de Monstro”, de Gustavo Teixeira (SP)

MOSTRA JOVEM:

“A Antologia de Antonio”, de Bruno Oliveira (RS)

“CEP 05300”, de Adria Meira e Lygia Pereira (SP)

“Pai aos 15”, de Danilo Custódio (PR)

“Retorno”, de Kaio Caiazzo (RJ)

MOSTRA REGIONAL:

“A Fita”, de Lucian Fernandes Bernardes (MG)

“Bento”, de Luisa Bahury Assis Lanna (MG)

“Cruzes de Tiradentes”, de Thiago de Andrade Morandi (MG)

“De Quando em Vez”, de Jader Barreto Lima e Rafaella Pereira de Lima (MG)

“Fé e Religiosidade”, de Thiago de Andrade Morandi (MG)

“Meninas de Ouro”, de Carol Rooke (MG)

“O Canto das Almas para Tiradentes”, de Piettro Garibaldi e Murilo Romão (MG)

“Ora Pro Nobis”, de Thiago de Andrade Morandi (MG)

“Vida Tirana”, de Marlon de Paula, Priscila Natany e Flávia Frota Resende (MG)

CURTA NA PRAÇA:

“Deusa”, de Bruna Callegari (SP)

“Galeria Presidente”, de Amanda Gutierrez Gomes (SP)

“Impeachment”, de Diego de Jesus (ES)

“Kappa Crucis”, de João Borges (MG)

“Não me Prometa Nada”, de Eva Randolph (RJ)

“O Chá do General”, de Bob Yang (SP)

“Opala Azul Negão”, de Rene Brasil (SP)

“Procura-se Irenice”, de Marco Escrivão e Thiago B. Mendonça (SP)

“Tango”, de Francisco Gusso e Pedro Giongo (PR)

MOSTRA FOCO (a ser avaliada pelo júri da crítica e cujo ganhador leva o Troféu Barroco e prêmios de parceiros do festival para o incentivo a novas produções):

“A Canção do Asfalto”, de Pedro Giongo (PR)

“A Maldição Tropical”, de Luisa Marques e Darks Miranda (RJ)

“Autópsia”, de Mariana Barreiros (RJ)

“Cinemão”, de Mozart Freire (CE)

“Estado Itinerante”, de Ana Carolina Soares (MG)

“Ferroada”, de Adriana Barbosa e Bruno Mello Castanho (SP)

“Minha Única Terra é na Lua, de Sergio Silva (SP)

“Nunca e Noite no Mapa”, de Ernesto de Carvalho (PE)

“Restos”, de Renato Gaiarsa (BA)

“Tempos de Cão”, Ronaldo Dimer e Victor Amaro (SP)

“Vando Vulgo Vedita”, de Andreia Pires e Leonardo Mouramateus (CE)

MOSTRA EXPERIMENTOS (novidade em 2017, que reúne filmes com novas proposições nas relações entre som e imagem):

“A Propósito de Willer (Regarding Claudio Willer)”, de Priscyla Bettim e Renato Coelho (SP)

“Confidente”, de Karen Akerman, Miguel Seabra Lopes (RJ)

“Gozo/Gozar”, de Luiz Rosemberg Filho (RJ)

“Sem Título # 3 : E Para que Poetas em Tempo de Pobreza?”, de Carlos Adriano (SP)

MOSTRA FORMAÇÃO:

“203”, de Luana Cabral e Luciana GB (ES)

“A Água-Viva Não Possui Esqueleto”, de Manoela Cezar (SP)

“Alforria”, de Bruno Rubim (MG)

“Diva”, de Clara Bastos (SP)

“Do Lar”, de Erik Gasparetto (SP)

“Obra Autorizada”, de Iago Cordeiro Ribeiro (BA)

“Obrigados”, de Henrique Grise (SP)

“Vazio do Lado de Fora”, de Eduardo Brandão Pinto (RJ)

Aurora
A Mostra Aurora é dedicada à exibição de longas-metragens inéditos de realizadores em início de carreira, sempre primando pela invenção e experimentação de formas. Já revelou ou deu visibilidade a muitos cineastas hoje bem estabelecidos, como Kleber Mendonça Filho,  Bruno Safadi, Felipe Bragança e Marina Meliande, Irmãos Pretti & Primos Parente, Gabriel Mascaro e Adirley Queirós.

Os títulos da Mostra Aurora são avaliados pelo Júri da Crítica e concorrem ao Troféu Barroco e a prêmios de parceiros do evento. Nesta edição comemorativa, os selecionados vêm de três estados:

“Baronesa” (MG), de Juliana Antunes

“Corpo Delito” (CE), de Pedro Rocha

“Eu não Sou Daqui” (MG), de Luiz Felipe Fernandes e Alexandre Baxter

“Histórias que Nosso Cinema (não) Contava” (SP), de Fernanda Pessoa

“Sem Raiz” (SP), de Renan Rovida

“Subybaya” (MG), de Leo Pyrata

“Um Filme de Cinema” (SP), de Thiago B. Mendonça

“Eu Não Sou Daqui” | Foto: Gustavo Baxter

Oficinas

Além da exibição de filmes, a Mostra Tiradentes também oferece diversas outras atividades culturais gratuitas, inclusive oficinas, que este ano, para adultos, serão as seguintes: Assistência de Direção, com Marcelo Caetano; Direção e Atuação Para Cinema, com Ricardo Alves Jr.; GIF Lumiére, com  Henrique Kopke; Noções Básicas de Montagem e Edição, com Daniel Brandi do Couto; Realização em Curta Digital, com Luiz Carlos Lacerda; Trilha Sonora Aplicada, com Márcio Brant e Felipe Fantoni. Haverá também oficinas para jovens e crianças.

As inscrições já estão abertas e podem ser feitas neste link, até o dia 5 de janeiro.

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