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CineOP celebra 20 anos com foco no humor feminino, 147 filmes e novos prêmios

CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto - Foto: Leo Lara/Universo Produção

CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto - Foto: Leo Lara/Universo Produção

Com novos prêmios, 20ª CineOP celebra o humor feminino no cinema brasileiro

A cidade histórica de Ouro Preto, em Minas Gerais, sedia até o dia 30 de junho a 20ª edição da CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto, o único evento do país dedicado integralmente aos eixos de preservação, história e educação no cinema. Para celebrar duas décadas de trajetória, a mostra oferece uma programação robusta e gratuita, com a exibição de 147 filmes de 10 estados e 5 países, além de debates, oficinas e encontros que reafirmam a importância do audiovisual para a memória e a cidadania.

Neste ano, a temática histórica joga luz sobre “O Humor das Mulheres no Cinema Brasileiro”. A proposta, segundo os curadores Cleber Eduardo e Juliana Gusman, é refletir sobre como as mulheres, em um campo historicamente dominado por homens, utilizaram a comédia como ferramenta de resistência e subversão de estereótipos. A programação explora desde curtas emblemáticos da década de 1980, como “A Mulher Fatal Encontra o Homem Ideal”, de Carla Camurati, até a exibição de uma cópia restaurada de “A Mulher de Todos” (1969), longa protagonizado por Helena Ignez e dirigido por Rogério Sganzerla.

A grande homenageada desta edição é a atriz Marisa Orth, reconhecida por sua versatilidade e por personagens que, ao longo de sua carreira na TV, no teatro e no cinema, desafiaram com ironia as representações femininas. Para o curador Cleber Eduardo, a atriz sintetiza a força e a elasticidade do humor feminino no audiovisual brasileiro.

Marisa Orth, homenageada da 20ª CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto - Foto: Leo Lara/Universo Produção
Marisa Orth, homenageada da 20ª CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto – Foto: Leo Lara/Universo Produção

Novos prêmios para celebrar duas décadas

Como parte das comemorações, a 20ª CineOP instituiu dois novos prêmios para reconhecer trajetórias de destaque em seus pilares temáticos.

Na área da preservação, o inédito Prêmio Preservação é concedido ao professor João Luiz Vieira, uma referência nacional por sua atuação na formação de profissionais e na defesa de políticas públicas para o setor. Coordenador do Laboratório Universitário de Preservação Audiovisual (LUPA), Vieira é celebrado por sua contribuição fundamental para consolidar uma cultura de preservação no Brasil.

Já o Prêmio Cinema e Educação é entregue à socióloga e educadora Maria Angélica Santos, em reconhecimento ao seu trabalho com a alfabetização audiovisual nas escolas. Membro ativo de grupos que atuam na formulação de políticas para a implementação da Lei 13.006/2014, que torna obrigatória a exibição de cinema brasileiro no ambiente escolar, ela é uma referência no debate sobre o cinema como ferramenta pedagógica.

Inovação e foco no arquivo

"Um Olhar Inquieto: o Cinema de Jorge Bodanzky" (2024), de Liliane Maia e Jorge Bodanzky - Divulgação
“Um Olhar Inquieto: o Cinema de Jorge Bodanzky” (2024), de Liliane Maia e Jorge Bodanzky – Divulgação

Outra novidade desta edição é a criação da Mostra Competitiva Contemporânea, intitulada “Arquivos em Questão”. A competição reúne cinco longas-metragens que se destacam pelo uso criativo de imagens de arquivo para construir novas narrativas. A proposta é valorizar o trabalho de realizadores que usam registros históricos, pessoais e culturais não apenas como documento, mas como linguagem artística.

Entre os filmes que concorrem ao Troféu Vila Rica estão documentários sobre figuras do cinema brasileiro, como “Ruminantes”, sobre Luís Sérgio Person e Jean-Claude Bernardet, e “Um Olhar Inquieto”, sobre Jorge Bodanzky. A seleção também inclui obras que exploram fenômenos sociais e investigações familiares.

Programação diversa e restaurada

Além da competição, a programação de filmes se espalha por outras 11 mostras. A Mostra Preservação, com curadoria de José Quental e Vivian Malusá, homenageia os 95 anos do estúdio Cinédia, os 50 anos da Cinemateca de Curitiba, os 40 anos do Centro Técnico do Audiovisual (CTAv) e os 10 anos da Cinemateca Capitólio. Entre os destaques estão as cópias restauradas de “Alô Alô Carnaval” (1936), com Carmen Miranda, e “O Capitão Bandeira contra o Dr. Moura Brasil” (1971), de Antônio Calmon.

A Mostra Educação, por sua vez, exibe dezenas de curtas de até três minutos produzidos em contextos educacionais, explorando as escolas como lugares de memória e criação. Para o público infantil, a Mostrinha apresenta o longa mineiro “A Mensagem de Jequi” (2024), de Igor Amin.

CineOP - Mostra de Cinema de Ouro Preto - Foto: Leo Lara/Universo Produção
CineOP – Mostra de Cinema de Ouro Preto – Foto: Leo Lara/Universo Produção

Espaço para debate e formulação de políticas

A CineOP se reafirma como um espaço estratégico para o setor audiovisual, sediando o 20º Encontro Nacional de Arquivos e Acervos Audiovisuais Brasileiros e o XVII Fórum da Rede Kino. Mais de 130 profissionais participam de 34 debates e rodas de conversa. A programação inclui mesas sobre políticas públicas, com a presença de representantes da Secretaria Nacional do Audiovisual e da Ancine, e discussões sobre temas atuais, como o impacto da crise climática na preservação de acervos.

A programação se completa com oficinas, lançamento de 20 livros, um cortejo artístico pelas ruas da cidade e uma festa junina. Para quem não pode estar em Ouro Preto, parte da programação de filmes e os principais debates são transmitidos online, pelo site oficial do evento e pelo canal da Universo Produção no YouTube. Um recorte especial da mostra também estará disponível na plataforma Itaú Cultural Play.

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