“Ainda Estou Aqui” é o grande vencedor do Prêmio Grande Otelo 2025

Walter Salles no Prêmio Grande Otelo 2025 - Foto: Cláudio Andrade/Christian Rodrigues
Walter Salles no Prêmio Grande Otelo 2025 - Foto: Cláudio Andrade/Christian Rodrigues

Representantes de diferentes gerações do cinema brasileiro se reuniram nessa quarta-feira, 30 de julho, no Rio de Janeiro, para premiar os melhores do ano na cerimônia do Prêmio Grande Otelo 2025. Como era de se esperar, o grande protagonista da noite foi o longa-metragem “Ainda Estou Aqui”, do diretor Walter Salles, que confirmou seu favoritismo e levou para casa 13 troféus, incluindo as categorias de Melhor Longa-metragem de Ficção, Melhor Direção, Melhor Atriz e Melhor Ator. A cerimônia, organizada pela Academia Brasileira de Cinema, aconteceu na Cidade das Artes Bibi Ferreira, com apresentação de Barbara Paz e Isabel Fillardis.

A jornada de “Ainda Estou Aqui” na premiação foi uma sequência de vitórias. Além dos prêmios principais, o filme foi reconhecido por Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Direção de Fotografia, Melhor Efeito Visual, Melhor Figurino, Melhor Trilha Sonora, Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem e Melhor Som. A produção — a primeira a vencer o Oscar de Melhor Filme Internacional para o Brasil — consolida um ano de destaque para o cinema nacional, que foi o tema central dos discursos e homenagens ao longo do evento.

Nas categorias de atuação, o elenco de “Ainda Estou Aqui” também foi o destaque. A vencedora do Globo de Ouro, Fernanda Torres, recebeu o prêmio de Melhor Atriz, enquanto Selton Mello foi o vencedor como Melhor Ator. Em seu discurso, Fernanda falou sobre a jornada do filme ao redor do mundo. “‘Ainda Estou Aqui’ começou no Rio de Janeiro e me sinto muito realizada tendo dado a volta ao mundo com Walter [Salles], Selton [Mello], com o filme, com Eunice [Paiva] para estar aqui hoje, de volta. Eu estou muito feliz de ir para casa com o Grande Otelo!”, disse a atriz.

Outras produções também tiveram seu momento de reconhecimento. Juliana Carneiro da Cunha venceu na categoria Melhor Atriz Coadjuvante por “Malu”, e Ricardo Teodoro ganhou como Melhor Ator Coadjuvante por seu trabalho em “Baby”. O filme “Malu” ainda rendeu a Pedro Freire os prêmios de Melhor Roteiro Original e Melhor Primeira Direção de Longa-metragem. “Chico Bento e a Goabeira Maraviosa” foi eleito o Melhor Longa-Metragem Infantil, enquanto o documentário “Milton Bituca Nascimento” foi premiado pelo Voto Popular. Nas categorias de séries, Gabriel Leone foi laureado como Melhor Ator por “Senna”, e Adriana Esteves como Melhor Atriz por “Os Outros”.

Celebração de um ano especial

A noite foi aberta por Renata Almeida Magalhães, presidente da Academia Brasileira de Cinema, que ressaltou a força da produção recente. “Este foi um ano muito especial para o nosso cinema e, na noite de hoje, vamos celebrá-lo com todos que o realizam. Não importa quem ganha ou perde, todos somos vencedores porque acreditamos na força das nossas imagens e sonhos, e não desistimos nunca”, afirmou Magalhães, que ainda fez uma referência ao primeiro Oscar de Melhor Filme Internacional vencido pelo Brasil. “Em 2025, fizemos um golaço em pleno Carnaval e, para ser justo com Waltinho [Walter Salles], foi um gol de Garrincha”, brincou.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também subiu ao palco e falou sobre o impacto do setor audiovisual. “O Prêmio Grande Otelo é um dos momentos mais inspiradores da cultura brasileira, nossa maior homenagem ao talento, criatividade e força do cinema nacional. Com o maior orgulho, celebramos filmes como ‘Ainda Estou Aqui’, o grande destaque desta edição que recebeu 16 indicações, o que reforça o talento dos nossos profissionais e a maturidade do nosso setor”, comentou Paes, destacando a importância do investimento público para o florescimento da cultura.

Ao longo da cerimônia, que teve seus envelopes auditados pela PwC Brasil, o evento também prestou homenagens à trajetória internacional do cinema brasileiro. Foram relembrados momentos históricos, desde a chegada de atores brasileiros a Hollywood até as vitórias em festivais como Cannes, Berlim e Veneza, passando pela importância do Cinema Novo. A produtora LC Barreto Produções Cinematográficas, com mais de 80 títulos em seu portfólio, recebeu uma homenagem especial.

A trilha sonora da noite ficou por conta da banda Primavera nos Dentes, com a vocalista Duda Brack. O grupo apresentou um repertório que atravessou a história do cinema brasileiro, com canções como “O que é que a baiana tem”, imortalizada por Carmen Miranda; “Bye Bye Brasil”, de Chico Buarque; e “É preciso dar um jeito, meu amigo”, de Erasmo Carlos, que ganhou novos significados com o sucesso de “Ainda Estou Aqui”.

VENCEDORES – PRÊMIO GRANDE OTELO 2025

MELHOR LONGA-METRAGEM FICÇÃO

AINDA ESTOU AQUI, de Walter Salles

MELHOR LONGA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

3 OBÁS DE XANGÔ, de Sérgio Machado

MELHOR LONGA-METRAGEM ANIMAÇÃO

ARCA DE NOÉ, de Sérgio Machado e Aloís Di Leo

MELHOR LONGA-METRAGEM INFANTIL

CHICO BENTO E A GOIABEIRA MARAVIOSA, de Fernando Fraiha

MELHOR LONGA-METRAGEM IBERO-AMERICANO

GRAND TOUR (Portugal), de Miguel Gomes. Indicação: Academia Portuguesa de Cinema

MELHOR DIREÇÃO

WALTER SALLES por Ainda Estou Aqui

MELHOR PRIMEIRA DIREÇÃO DE LONGA-METRAGEM

PEDRO FREIRE por Malu

MELHOR ATRIZ DE LONGA-METRAGEM

FERNANDA TORRES como Eunice Paiva por Ainda Estou Aqui

MELHOR ATOR DE LONGA-METRAGEM

SELTON MELLO como Rubens Paiva por Ainda Estou Aqui

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE DE LONGA-METRAGEM

JULIANA CARNEIRO DA CUNHA como Dona Lili por Malu

MELHOR ATOR COADJUVANTE DE LONGA-METRAGEM

RICARDO TEODORO como Ronaldo por Baby

MELHOR DIREÇÃO DE FOTOGRAFIA

ADRIAN TEIJIDO, ABC, por Ainda Estou Aqui

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

PEDRO FREIRE por Malu

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

MURILO HAUSER e HEITOR LOREGA – baseado no livro “Ainda Estou Aqui”, de Marcelo Rubens Paiva – por Ainda Estou Aqui

MELHOR MONTAGEM

AFFONSO GONÇALVES, ACE, por Ainda Estou Aqui

MELHOR EFEITO VISUAL

CLAUDIO PERALTA por Ainda Estou Aqui

MELHOR SOM

LAURA ZIMMERMAN e STÉPHANE THIÉBAUT por Ainda Estou Aqui

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

CARLOS CONTI por Ainda Estou Aqui

MELHOR FIGURINO

CLAUDIA KOPKE por Ainda Estou Aqui

MELHOR MAQUIAGEM

MARISA AMENTA e LUIGI ROCHETTI por Ainda Estou Aqui

MELHOR TRILHA SONORA

WARREN ELLIS por Ainda Estou Aqui

MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE FICÇÃO, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING

SENNA – TEMPORADA ÚNICA, de Vicente Amorim

MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE DOCUMENTÁRIO, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING

FALAS NEGRAS – 4ª TEMPORADA, de Antonia Prado

MELHOR SÉRIE BRASILEIRA DE ANIMAÇÃO, DE PRODUÇÃO INDEPENDENTE, PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING

IRMÃO DO JOREL – 5ª TEMPORADA, de Juliano Enrico

MELHOR ATRIZ – SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING

ADRIANA ESTEVES como Cibele por Os Outros

MELHOR ATOR – SÉRIE DE FICÇÃO PARA TV ABERTA, TV PAGA OU STREAMING

GABRIEL LEONE como Senna por Senna

MELHOR CURTA-METRAGEM FICÇÃO

HELENA DE GUARATIBA, de Karen Black

MELHOR CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO

VOCÊ, de Elisa Bessa

MELHOR CURTA-METRAGEM ANIMAÇÃO

A MENINA E O POTE, de Valentina Homem e Tati Bond

VOTO POPULAR

MILTON BITUCA NASCIMENTO, de Flavia Moraes (documentário)