A cidade de Bonito, no Mato Grosso do Sul, se torna a capital do cinema sul-americano a partir desta sexta-feira (25). Começa hoje a 3ª edição do Bonito CineSur, festival que até o dia 2 de agosto exibirá 63 filmes de nove países, incluindo Brasil, Argentina, Peru e Chile, com o objetivo de criar um diálogo entre as diversas realidades do continente.
A programação conta com mostras competitivas de longas e curtas, um forte recorte dedicado a pautas ambientais, uma janela para a produção sul-mato-grossense, além de sessões infanto-juvenis, oficinas de formação e pré-estreias.
A cerimônia de abertura acontece hoje à noite, no Centro de Convenções de Bonito, e contará com a presença dos atores Antônio Pitanga e Maeve Jinkings. O filme que abre o festival é o premiado “As Herdeiras” (2018), de Marcelo Martinessi, seguido por uma homenagem à sua protagonista, Ana Brun, que com este trabalho se tornou a primeira atriz paraguaia a ganhar o Urso de Prata, principal prêmio de atuação do Festival de Berlim.

Uma calçada da fama com pegada ambiental
Este ano, o festival lança uma iniciativa inédita na cidade: “As Pegadas da Memória do Cinema Sul-Americano”. Em parceria com a prefeitura local, o projeto criará uma série de placas com a marca da mão de onze artistas sul-americanos convidados, ao lado da pegada de um animal típico dos biomas da região. A proposta é criar uma conexão simbólica entre a arte e o meio ambiente. A primeira a deixar sua marca será a homenageada Ana Brun, que moldará sua mão ao lado da pegada de uma onça-pintada. As obras ficarão expostas na praça central de Bonito antes de serem transferidas para o futuro cinema da cidade.
Destaques da programação
A Mostra de Longas Sul-Americanos traz uma seleção diversa de narrativas. Entre os destaques estão “A Melhor Mãe do Mundo”, da brasileira Anna Muylaert, sobre a jornada de uma catadora e seus filhos em São Paulo, e “Brasiliana, o Musical Negro que Apresentou o Brasil ao Mundo”, de Joel Zito Araújo, que celebra a importante companhia de dança. A seleção inclui ainda o thriller equatoriano “Chuzalongo”, o drama chileno “Oro Amargo” e o documentário argentino “Quinografia”, sobre o criador de Mafalda, icônica personagem dos quadrinhos.
A pauta ambiental, central para um evento realizado em Bonito, tem duas mostras dedicadas ao tema, com títulos como o peruano “Karuara: O Povo do Rio” e o brasileiro “Kopenawa: Sonhar a Terra-Floresta”. A produção local também é valorizada na Mostra MS, onde seis filmes concorrem ao Troféu Pantanal.

O festival também será palco para pré-estreias e sessões especiais. Um dos destaques é a exibição do novo longa de animação “Tainá e os Guardiões da Amazônia – Em Busca da Flecha Azul”, que conta com a voz da cantora Fafá de Belém. A programação inclui ainda a exibição de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, e “Mataram um Jockey”, de Luis Ortega.
Para além das telas, o braço educativo do evento, “Bonito CineSur Educa”, oferece oficinas, palestras e cursos ministrados por profissionais do mercado, buscando promover o cinema como uma ferramenta de formação para a comunidade local. A cerimônia de encerramento, no dia 2 de agosto, será apresentada por Cláudia Ohana e Thiago Lacerda, com a entrega de R$ 57.500,00 em prêmios aos vencedores das mostras competitivas.
A programação completa pode ser consultada no site bonitocinesur.com.br ou nas redes sociais do festival.

