"Garotas do ABC" (2004), de Carlos Reichenbach - Divulgação
"Garotas do ABC" (2004), de Carlos Reichenbach - Divulgação

Cinema de Carlos Reichenbach ganha mostra gratuita em streaming

A obra de um dos cineastas mais celebrados e inventivos do Brasil, Carlos Reichenbach (1945-2012), ganha uma nova janela de exibição a partir desta sexta-feira, 18 de julho. Em homenagem ao diretor, que completaria 80 anos em 2025, a plataforma de streaming Itaú Cultural Play lança a mostra “5 vezes Carlos Reichenbach”, reunindo cinco filmes que representam diferentes facetas de sua carreira, marcada pela fusão entre o erudito e o popular. O acesso é gratuito.

A seleção traz um panorama da filmografia de “Carlão”, como era conhecido, incluindo obras premiadas em festivais e que se tornaram referências do cinema nacional. A iniciativa oferece ao público a chance de conhecer ou revisitar o trabalho de um autor que usou o cinema para refletir sobre as complexidades da sociedade brasileira com um olhar único.

Os filmes da mostra

"Alma Corsária" (1993), de Carlos Reichenbach - Divulgação
“Alma Corsária” (1993), de Carlos Reichenbach – Divulgação

Um dos destaques da seleção é “Alma corsária” (1993), uma das obras mais aclamadas de Reichenbach e um dos quatro filmes do diretor presentes na lista dos 100 melhores filmes brasileiros da Abraccine. A trama acompanha o reencontro de dois poetas e amigos, Rivaldo Torres e Teodoro Xavier, durante o lançamento de um livro em uma pastelaria no Centro de São Paulo. A partir dali, o filme viaja por três décadas da história do Brasil para recontar a amizade da dupla, criando um inventário sobre uma geração. O longa foi o grande vencedor do Festival de Brasília de 1993, levando os prêmios de Melhor Filme, Direção e Roteiro.

A mostra também exibe “Falsa Loura” (2007), o último longa dirigido por Reichenbach. Definido pelo próprio cineasta como um “musical proletário”, o filme segue a história de Silmara (Rosanne Mulholland), uma operária paulistana que sonha com a ascensão social. Seu envolvimento com um cantor pop em início de carreira (Cauã Reymond) e um ídolo da música romântica (Maurício Mattar) serve de pano de fundo para uma narrativa com forte elenco feminino e uma crítica social perspicaz.

"Falsa Loura" (2007), de Carlos Reichenbach - Divulgação
“Falsa Loura” (2007), de Carlos Reichenbach – Divulgação

Em “Bens Confiscados” (2004), Reichenbach mergulha no melodrama para expor os bastidores da política nacional. A trama gira em torno de Serena (Betty Faria), amante de um senador que, em meio a um escândalo de corrupção, é enviada para cuidar do filho secreto do político em um balneário decadente. O filme é uma homenagem ao mestre do gênero, Douglas Sirk, e um confronto do cinema brasileiro com sua própria história contemporânea.

Com uma temática que se mostra ainda muito atual, “Garotas do ABC” (2004) aborda questões como neonazismo e violência policial na região industrial de São Paulo. A história acompanha um grupo de operárias, entre elas Aurélia, uma mulher negra que se apaixona por um jovem branco envolvido com uma gangue de extrema-direita. O filme, premiado no Festival de Brasília, exibe as marcas do cinema de Reichenbach, como a mistura de gêneros e a tensão entre realismo e estilização. Selton Mello interpreta o ideólogo do grupo neonazista.

Completa a seleção “Lilian M: Relatório Confidencial” (1975), segundo longa do diretor. Considerado libertário, erótico e político, o filme narra a jornada de uma mulher que deixa o campo para tentar a vida na cidade grande, envolvendo-se com figuras da elite. A obra foi censurada pelo governo militar, que cortou 25 minutos de sua duração original, e posteriormente restaurada.

"Lilian M: Relatório Confidencial" (1975), de Carlos Reichenbach - Divulgação
“Lilian M: Relatório Confidencial” (1975), de Carlos Reichenbach – Divulgação

O cineasta da Boca do Lixo

Nascido em Porto Alegre, mas radicado em São Paulo, Carlos Reichenbach foi uma figura central da chamada Boca do Lixo, polo de produção cinematográfica que marcou as décadas de 1960 a 1980. Seu cinema autoral ficou conhecido por transitar com naturalidade entre a cultura popular e referências eruditas. Ao longo da carreira, dirigiu grandes nomes como Betty Faria, Selton Mello e Ney Latorraca, deixando um legado de inventividade e amor pelo cinema até sua morte, em 2012, no dia em que completava 67 anos.

A mostra “5 vezes Carlos Reichenbach” está disponível gratuitamente na plataforma Itaú Cultural Play, que pode ser acessada pelo site itauculturalplay.com.br, por aplicativos em smart TVs (Samsung, LG, Android TV) e dispositivos móveis, além de estar integrada a serviços como Claro TV+ e Watch Brasil.