"Meu Amigo Totoro" (Tonari no Totoro, 1988), de Hayao Miyazaki - Foto: Studio Ghibli
"Meu Amigo Totoro" (Tonari no Totoro, 1988), de Hayao Miyazaki - Foto: Studio Ghibli

Clássicos do Studio Ghibli voltam aos cinemas brasileiros em festival

O público brasileiro terá uma nova oportunidade de ver (ou rever) as obras do Studio Ghibli na tela grande. A Sato Company, distribuidora especializada em conteúdo asiático no Brasil, anunciou uma retrospectiva completa e inédita com os 22 longas-metragens do aclamado estúdio japonês. O evento marca uma celebração dupla: os 40 anos de história da própria distribuidora e as quatro décadas de existência do estúdio.

A mostra será dividida em duas partes. A primeira fase está programada para chegar aos cinemas em setembro, trazendo uma seleção de 14 filmes que atravessaram gerações e se consolidaram como referências da animação mundial. É uma chance de vivenciar narrativas que mesclam fantasia, emoção e uma profunda conexão com a cultura japonesa em sua plenitude visual e sonora.

A seleção inicial que chega em setembro reúne alguns dos títulos mais emblemáticos do estúdio. Entre eles está “A Viagem de Chihiro” (2001), vencedor do Oscar de Melhor Animação e um sucesso internacional que narra a jornada de amadurecimento de uma jovem em um mundo habitado por deuses e espíritos. Outro sucesso presente é “Meu Amigo Totoro” (1988), cujo personagem-título se tornou o símbolo do próprio Studio Ghibli.

A mostra também trará obras de forte impacto emocional, como “Túmulo dos Vagalumes” (1988), um retrato sensível e realista da luta de dois irmãos para sobreviver durante a Segunda Guerra Mundial. Em um tom mais fantástico, “O Castelo Animado” (2004) apresenta a aventura de uma jovem que encontra refúgio no castelo móvel de um mago.

A lista da primeira parte inclui ainda o épico ambientalista “Nausicaä do Vale do Vento” (1984), filme que serviu de impulso para a fundação oficial do estúdio, e clássicos como “O Serviço de Entregas da Kiki” (1989), sobre a jornada de independência de uma jovem bruxa, e “Porco Rosso: O Último Herói Romântico” (1992), uma aventura aérea com tons de melancolia do pós-guerra.

Para os fãs que desejam se aprofundar no catálogo do estúdio, a retrospectiva oferecerá títulos menos exibidos no circuito comercial, mas igualmente importantes. Entre eles estão “Meus Vizinhos os Yamadas” (1999), uma comédia com estilo visual único sobre o cotidiano familiar; “Pom Poko” (1994), uma sátira ecológica protagonizada por guaxinins que mudam de forma; e “Memórias de Ontem” (1991), um drama sobre as reflexões de uma mulher adulta sobre sua infância. Completam a primeira fase os filmes “Ponyo”, “Sussurros do Coração”, “Vidas ao Vento” e “Eu Posso Ouvir o Oceano”.

Ghibli Fest - Divulgação: Sato Company
Ghibli Fest – Divulgação: Sato Company

Um universo de fantasia e humanidade

Fundado em 1985 em Tóquio, o Studio Ghibli nasceu da parceria entre os diretores Hayao Miyazaki e Isao Takahata e o produtor Toshio Suzuki. O nome “Ghibli” vem de uma palavra italiana para um vento quente do deserto do Saara, escolhido por Miyazaki, um entusiasta da aviação, para simbolizar a intenção do estúdio de “soprar um novo vento na indústria de animes”. Sob a liderança criativa de Miyazaki, conhecido por suas fantasias épicas e mundos imaginativos, e de Takahata, que focava em um realismo dramático e social, o estúdio rapidamente se tornou sinônimo de excelência artística e narrativa.

As produções do Ghibli são reconhecidas mundialmente por características marcantes que as distinguem no cenário da animação. Visualmente, o estúdio preza pela animação tradicional, feita à mão, com cenários detalhados e uma paleta de cores rica. Tematicamente, seus filmes frequentemente exploram a relação entre a humanidade e a natureza, o pacifismo, a complexidade moral (raramente apresentando vilões puramente maus) e o crescimento pessoal. As protagonistas são, em sua maioria, meninas e mulheres fortes, independentes e resilientes, que navegam por desafios com coragem e compaixão.