A produção cinematográfica de Cuba, uma das mais influentes da América Latina, ganha destaque na CAIXA Cultural Rio de Janeiro com a mostra “Filmes Cubanos Restaurados”. O evento, que começou na terça-feira (22) e segue com entrada gratuita até 3 de agosto, oferece ao público a oportunidade de assistir a 15 obras clássicas do país em versões com qualidade de imagem e som aprimoradas.
Com curadoria de Silvia Oroz e Gregory Baltz, a programação reúne oito longas e sete curtas-metragens que marcaram época. A iniciativa celebra o trabalho de preservação que vem sendo realizado pela Cinemateca de Cuba, sob a direção de Luciano Castillo, garantindo que novas gerações tenham acesso a esse patrimônio audiovisual.
Entre os filmes selecionados estão títulos de grande repercussão internacional. É o caso de “Morango e Chocolate” (1993), de Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío, que foi indicado ao Oscar de Melhor Filme Internacional. Outra obra de Alea, “Memórias do Subdesenvolvimento” (1968), será exibida em sua cópia restaurada que passou pelo Festival de Cannes em 2016. Completa a trinca de destaques “A Morte de um Burocrata” (1966), cuja restauração foi apresentada no Festival de Veneza.
A ideia para a mostra surgiu de forma espontânea durante a produção de um outro projeto, como conta o curador Gregory Baltz: “Estou dirigindo um documentário sobre a vida e a obra de Silvia Oroz, que tem uma importância ímpar dentro do cinema latino-americano. Em Cuba, durante uma das entrevistas que realizamos com Luciano Castillo, diretor da Cinemateca de Cuba, ele mencionou que alguns filmes cubanos estavam sendo restaurados. Foi nesse contexto que surgiu, espontaneamente, a ideia de realizar uma mostra dedicada aos filmes cubanos restaurados”, relata Baltz.
Debates e convidadas especiais
Além das exibições, a mostra promove uma série de encontros para aprofundar a discussão sobre o cinema e a preservação. O evento leva ao Rio duas personalidades do cinema cubano: a atriz Mirtha Ibarra, protagonista de “Morango e Chocolate”, e Lola Calviño, vice-diretora da Cinemateca de Cuba.

O público poderá participar de um bate-papo com Mirtha Ibarra sobre sua atuação no clássico de 1993, e de uma conversa com Lola Calviño sobre os processos de restauração. Uma mesa de debate reunirá as duas convidadas com a curadora Silvia Oroz para discutir a história do cinema cubano.
Outro encontro, com os especialistas Fábio Vellozo e Hernani Heffner, abordará os desafios da preservação audiovisual na América Latina. A programação de atividades se completa com uma masterclass do professor Afrânio Mendes Catani sobre a obra do cineasta Tomás Gutiérrez Alea.
Um cinema nascido da Revolução
A forte identidade do cinema cubano está diretamente ligada à sua história. Apenas 83 dias após a Revolução Cubana de 1959, foi criado o Instituto Cubano de Arte e Indústria Cinematográficos (ICAIC). Com cineastas como Tomás Gutiérrez Alea, Santiago Álvarez e Sara Gómez, o cinema do país ganhou projeção mundial.
A fundação da Escola Internacional de Cinema e TV de San Antonio de los Baños (EICTV) também foi um marco, atraindo como professores e convidados nomes como Francis Ford Coppola, George Lucas e Steven Spielberg, e consolidando a ilha como um polo de formação audiovisual no continente.
A mostra “Filmes Cubanos Restaurados” acontece até 3 de agosto na CAIXA Cultural Rio de Janeiro, com entrada gratuita para todas as sessões e atividades.

