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Mostra “Nossa Terra, Nossa Voz” exibe online filmes sobre lutas por território no mundo inteiro

"Chão" (2019), de Camila Freitas - Divulgação

"Chão" (2019), de Camila Freitas - Divulgação

Mostra “Nossa Terra, Nossa Voz” exibe online filmes sobre lutas por território no mundo inteiro

Já está disponível na plataforma Spcine Play a mostra “Nossa Terra, Nossa Voz”, um conjunto de 13 filmes — entre curtas e longas-metragens — que tratam de disputas territoriais em diferentes partes do mundo. A proposta é conectar histórias de luta por terra e identidade em países afetados por processos colonizatórios, expulsões forçadas e resistências históricas. A mostra pode ser acessada gratuitamente em todo o Brasil e ficará no ar por um ano.

Com curadoria de Carol Almeida e Kênia Freitas, a seleção traz filmes do Brasil, Palestina, Colômbia, México, Haiti, Mali, Austrália e outros países. São obras que variam em gênero e formato: documentários, ficções, filmes experimentais e animações. Segundo as curadoras, o critério principal foi a forma como essas produções articulam linguagem e política. “A demanda pela terra e a afirmação da própria voz unem-se de forma inseparável em reivindicações políticas e estéticas”, afirmam as curadoras.

A mostra foi produzida pela Caprisciana Produções, do Rio de Janeiro, e é descrita como um “canto de resposta” de povos que tiveram seus territórios tomados ou ameaçados. Para Kênia Freitas, o recorte está enraizado em um processo histórico mais amplo: “A colonização, a globalização, o capitalismo financeiro se baseiam no sequestro de territórios e na despossessão dos povos. Um processo em construção por alguns séculos”, diz. Segundo ela, o objetivo foi reunir lutas diversas por meio de filmes que apostam nas “consequências políticas e estéticas dessas reivindicações”.

Entre os filmes brasileiros selecionados, estão “Acercadacana”, de Felipe Peres Calheiros, que trata da zona da mata pernambucana; “Estamos Todos Aqui”, de Chica Andrade e Rafael Mellim, ambientado na Favela da Prainha, no litoral paulista; e “Chão”, de Camila Freitas, que acompanha o Movimento Sem Terra no sul de Goiás.

 

Outros destaques vêm da Palestina. “Um Filme Curto Sobre Crianças”, de Ibrahim Handal, trabalha a imaginação infantil para lidar com a ocupação territorial. “Ouroboros”, de Basma Alsharif, usa uma técnica de montagem reversa para provocar a sensação de repetição sem fim. Já o curta experimental “Seu Pai Nasceu com 100 Anos, assim como o Nakba”, de Razan Al Salah, propõe uma reconstrução do território por meio de arquivos e tecnologias digitais.

Segundo Carol Almeida, o objetivo também é pensar as linguagens do cinema em contextos marcados pela violência histórica. “Outra intenção em nosso gesto curatorial foi tentar pensar essas expressões políticas e estéticas do cinema a partir de territórios que, em comum, têm uma longa relação com violências coloniais”, afirma. Para ela, há uma pergunta comum a todas as obras: “Quais as respostas em linguagem fílmica que diretoras e diretores da Palestina, da Colômbia, do Mali e de aldeias aborígenes na Austrália e aldeias indígenas no Brasil estão produzindo?”

Dois filmes da mostra foram pensados com atenção ao público infantil. Um deles é a animação brasileira “Mãtãnãg, a Encantada”, dirigida por Shawara Maxakali e Charles Bicalho, que trabalha mitos e narrativas do povo Maxakali. O outro é o já citado curta palestino de Ibrahim Handal, que mostra como o olhar das crianças pode atravessar fronteiras físicas e simbólicas.

A mostra fica disponível por um ano na Spcine Play, plataforma pública de streaming da Prefeitura de São Paulo. Todos os filmes têm acesso gratuito e podem ser vistos de qualquer lugar do país.

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