De recife para as telas: documentário “Tijolo por Tijolo” narra luta por moradia e direitos. Filme que acompanha a jornada da micro-influenciadora Cris Martins durante a pandemia estreia em 14 de agosto, após acumular prêmios em festivais de cinema pelo país e exterior.
Uma história de resistência e reconstrução, que se desenrola na periferia do Recife, em Pernambuco, chega aos cinemas de todo o Brasil neste 14 de agosto. O documentário “Tijolo por Tijolo”, dirigido pela dupla Victória Álvares e Quentin Delaroche, apresenta a vida de Cris Martins, moradora do bairro do Ibura, que teve sua rotina transformada no início da pandemia de Covid-19.
A trama central do filme documenta um período de incertezas para a família de Cris. Com a perda dos empregos formais dela e de seu marido, a situação se agrava com a descoberta de uma quarta gravidez e a notícia de que a casa onde vivem apresenta um sério risco de desabamento. Diante desse cenário, Cris encontra uma nova frente de atuação como micro-influenciadora digital. Em seu perfil no Instagram, ela passa a compartilhar seu cotidiano, oferecendo dicas sobre maternidade e promovendo ações de empoderamento feminino na comunidade.
Enquanto Cris constrói sua presença online, seu marido assume a tarefa de ampliar a moradia da família. Sem experiência prévia, ele recorre a vídeos tutoriais disponíveis no YouTube para aprender sobre construção civil. Além das batalhas pelo sustento e por um teto seguro, o filme também documenta a luta de Cris pelo seu direito à laqueadura, um procedimento de esterilização voluntária.

Os diretores, que também assinam o roteiro e a produção, explicam que a obra busca ir além do registro dos fatos. “‘Tijolo por Tijolo’ vai além de um registro documental. O longa é uma manifestação sobre dignidade, maternidade e o direto à moradia, uma história que ecoa as vozes de tantas outras ‘Cris’ espalhadas pelo Brasil, apostando no cinema como uma ferramenta de autoconhecimento, reflexão e transformação da sociedade”, comentam Victória Álvares e Quentin Delaroche.
A produção do filme, realizada pela Revoada Filmes, começou após a disponibilização da vacina contra a Covid-19. Essa condição permitiu que a equipe acompanhasse de perto a intimidade e a cumplicidade da família, registrando a luta diária pela sobrevivência. “O processo de filmagem resultou em uma troca de relações humanas com o objetivo de apresentar o debate sobre desigualdades em retrato íntimo de luta da mulher periférica do Brasil”, completam os cineastas. O documentário se propõe a levar ao público questionamentos sobre temas como racismo ambiental e desigualdades sistêmicas.
Antes mesmo de sua estreia comercial, com distribuição da Olhar Filmes, “Tijolo por Tijolo” percorreu um circuito de festivais nacionais e internacionais, onde acumulou um número expressivo de prêmios. No festival Olhar de Cinema, em Curitiba, recebeu os prêmios de Melhor Direção, Melhor Montagem e o Prêmio da Crítica (Abraccine). No Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), foi o grande vencedor, levando os prêmios de Melhor Filme, Melhor Direção, Prêmio do Júri Jovem e o Prêmio da Imprensa. A lista de reconhecimentos inclui também os prêmios de Melhor Direção e Melhor Montagem no Festival Goiamum Audiovisual e os de Melhor Direção, Montagem, Som e Personagem no Festival de Triunfo, entre outros.

