A noite de sábado (20/09) marcou o encerramento do 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, o mais longevo festival de cinema do país, que celebrou os 60 anos de sua criação. O grande vencedor da Mostra Competitiva Nacional, levando o Troféu Candango de melhor longa-metragem pelo júri oficial, foi “Futuro Futuro”, do diretor gaúcho Davi Pretto. A produção, uma ficção científica ambientada em um futuro próximo, também foi reconhecida nas categorias de Melhor Roteiro e Melhor Montagem, além de receber uma Menção Honrosa para o ator Zé Maria Pescador.
O público, que votou ao final das sessões, preferiu “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte, que levou o Candango de melhor longa pelo júri popular. Na disputa de longas, “Corpo da Paz”, de Torquato Joel, destacou-se nas categorias técnicas, recebendo os prêmios de Melhor Edição de Som, Trilha Sonora e Direção de Arte.
Entre os curtas-metragens, o grande premiado da noite foi “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, que recebeu o Candango de melhor filme pelo júri oficial. A obra, que retrata a ativista Laudelina de Campos Mello, pioneira na luta pelos direitos das trabalhadoras domésticas no Brasil, também foi premiada como troféu de Melhor Montagem e recebeu os prêmios Zózimo Bulbul e Abraccine, este último concedido pela crítica. O favorito do público na categoria de curtas foi “Couraça”.

Homenagem a Fernanda Montenegro e um olhar para o futuro
Um dos pontos altos da cerimônia de encerramento foi a homenagem a Fernanda Montenegro, que recebeu o Troféu Candango pelo Conjunto da Obra. A atriz, que aos 95 anos não pôde comparecer e enviou um vídeo de agradecimento, tem uma ligação histórica com o festival: ela foi a primeira a receber o prêmio de Melhor Atriz no evento, em 1965, pelo filme “A Falecida”.
O futuro do setor audiovisual foi tema de um manifesto. Antes do anúncio dos vencedores, as atrizes Bárbara Colen e Maeve Jinkings leram a “Carta de Brasília”. O documento, elaborado durante a 5ª Conferência do Audiovisual do festival, pede urgência na regulação dos serviços de vídeo sob demanda (VOD), na proteção dos direitos autorais e na formulação de políticas públicas. O texto alerta para a situação do setor: “O audiovisual brasileiro vive um momento de conquistas e reconhecimentos internacionais, mas também de grande preocupação. Celebramos nossos prêmios e talentos, mas sabemos que colhemos frutos de políticas passadas. O que angustia é o futuro, diante da falta de políticas estruturantes no presente”. A carta pode ser lida na íntegra aqui.

Outros destaques e a produção do DF
Na Mostra Brasília, que distribuiu R$ 290 mil em prêmios no 27º Troféu Câmara Legislativa, o grande vencedor foi “Maré Viva, Maré Morta”, de Cláudia Daibert. O filme foi escolhido como melhor longa tanto pelo júri oficial quanto pelo popular. Entre os curtas da mostra local, “Rainha” foi o preferido do público, enquanto “Três” foi o escolhido do júri oficial. A atriz Tuanny de Araújo foi um dos destaques, recebendo o Candango por sua atuação em dois filmes concorrentes: “Terra” e “Notas Sobre a Identidade”.
A edição de 2025, que celebrou os 60 anos de fundação do festival, exibiu 80 filmes de um total de 1.702 produções inscritas. O evento alcançou um público de 39 mil pessoas ao longo de nove dias e gerou 571 empregos diretos e indiretos. Todas as sessões contaram com recursos de acessibilidade. E a Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal já anunciou a data da próxima edição: o 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro acontecerá de 11 a 19 de setembro de 2026.

TODOS OS PREMIADOS DO 58º FESTIVAL DE BRASÍLIA DO CINEMA BRASILEIRO
MOSTRA BRASÍLIA – 27º Troféu Câmara Legislativa do Distrito Federal
- Prêmio SESC-DF de Cinema: “Maré Viva, Maré Morta”, de Cláudia Daibert; “Rainha”, de Raul de Lima; “Dois Turnos”, de Pedro Leitão; e “O Cheiro do seu Cabelo”, de Clara Maria Matos
- Melhor Montagem: Raul de Lima (Rainha)
- Melhor Edição de Som: Olivia Hernandez (Maré Viva, Maré Morta)
- Melhor Trilha Sonora: C-Afrobrasil (Rainha)
- Melhor Direção de Arte: Douglas Queiroz (A Última Noite da Rádio)
- Melhor Fotografia: Elder Miranda Jr (Dois Turnos)
- Melhor Ator: Leonardo Vieira Teles (A Última Noite da Rádio)
- Melhor Atriz: Tuanny de Araújo (Terra e Notas Sobre a Identidade)
- Melhor Roteiro: Clara Maria Matos (O Cheiro do Seu Cabelo)
- Melhor Direção: Edileuza Penha e Edymara Diniz (Vozes e Vãos)
- Melhor Curta-Metragem (Júri Oficial): “Três”, de Lila Foster
- Melhor Curta-Metragem (Júri Popular): “Rainha”, de Raul de Lima
- Melhor Longa-Metragem (Júri Oficial): “Maré Viva, Maré Morta”, de Cláudia Daibert
- Melhor Longa-Metragem (Júri Popular): “Maré Viva, Maré Morta”, de Cláudia Daibert
MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – CURTA-METRAGEM – Troféu Candango
- Melhor Montagem: “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, de Milena Manfredini
- Melhor Edição de Som: “Replika”, de Piratá Waurá e Helisa Passos
- Melhor Trilha Sonora: Paulo Gama (Ajude os Menor)
- Melhor Direção de Arte: Rosana Urbes (Safo)
- Melhor Fotografia: Daniel Tancredi (A Pele do Ouro)
- Melhor Ator: Os 4 “Menor” (Ajude os Menor)
- Melhor Atriz: Laís Machado (Couraça)
- Melhor Roteiro: Patri, Marcela Ulhôa, Daniel Tancredi e Yare Perdomo (A Pele do Ouro)
- Melhor Direção: Piratá Waurá e Heloísa Passos (Replika)
- Melhor Curta-Metragem (Júri Oficial): “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, de Milena Manfredini
- Melhor Curta-Metragem (Júri Popular): “Couraça”, de Susan Kalil e Daniel Arcades
MOSTRA COMPETITIVA NACIONAL – LONGA-METRAGEM – Troféu Candango
- Melhor Montagem: Bruno Carboni (Futuro Futuro)
- Melhor Edição de Som: Bruno Alves (Corpo da Paz)
- Melhor Trilha Sonora: Haley Guimarães (Corpo da Paz)
- Melhor Direção de Arte: Romero Sousa (Corpo da Paz)
- Melhor Fotografia: Rodolpho Barros (Corpo da Paz)
- Melhor Ator: Murilo Benício (Assalto à Brasileira)
- Melhor Atriz: Dhara Lopes (Quatro Meninas)
- Melhor Ator Coadjuvante: Christian Malheiros (Assalto à Brasileira)
- Melhor Atriz Coadjuvante: Maria Ibrain (Quatro Meninas)
- Melhor Roteiro: Davi Pretto (Futuro Futuro)
- Melhor Direção: Karol Maia (Aqui Não Entra Luz)
- Melhor Longa-Metragem (Júri Oficial): “Futuro Futuro”, de Davi Pretto
- Melhor Longa-Metragem (Júri Popular): “Assalto à Brasileira”, de José Eduardo Belmonte
- Prêmio Especial do Júri: “Quatro Meninas”, de Karen Suzane
- Menção Honrosa do Júri: Zé Maria Pescador (Futuro Futuro)
MOSTRA CALEIDOSCÓPIO – Troféu Candango
- Melhor Filme (Júri FIPRESCI – Federação Internacional de Críticos de Cinema): “Uma Baleia Pode Ser Despedaçada Como uma Escola de Samba”, de Marina Meliande e Felipe Bragança
- Melhor Filme – Prêmio Jean-Claude Bernardet (Júri Jovem UnB): “Atravessa Minha Carne”, de Marcela Borela
PRÊMIOS ESPECIAIS
- Melhor Filme de Temática Afirmativa (Júri CODIPIR – Conselho Distrital de Promoção da Igualdade Racial): “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, de Milena Manfredini
- Prêmio Canal Brasil de Curtas (Melhor Curta-Metragem): “Couraça”, de Susan Kalil e Daniel Arcades
- Prêmio Canal Like (Melhor Longa-Metragem Júri Oficial): “Futuro Futuro”, de Davi Pretto
- Troféu Saruê Correio Brasiliense (Melhor Momento do Festival): José Eduardo Belmonte
- Prêmio Marco Antônio Guimarães (Melhor uso de material de memória, pesquisa e arquivo – Júri CPCB): “Sérgio Mamberti – Memórias do Brasil”, de Evaldo Mocarzel
- Melhor Curta-Metragem (Júri da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema): “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, de Milena Manfredini
- Melhor Longa-Metragem (Júri da Associação Brasileira dos Críticos de Cinema): “Morte e Vida Madalena”, de Guto Parente
- Prêmio Zózimo Bulbul de Melhor Curta-Metragem (Júri APAN e Centro Afrocarioca de Cinema): “Laudelina e a Felicidade Guerreira”, de Milena Manfredini
- Prêmio Zózimo Bulbul de Melhor Longa-Metragem (Júri APAN e Centro Afrocarioca de Cinema): “Aqui Não Entra Luz”, de Karol Maia
- Menção Honrosa Zózimo Bulbul: “Cantô meu Alvará”, de Marcelo Lin
