"Mil Luas" (2025), de Carina Bini - Foto: ELO Studios/Divulgação
ELO Studios/Divulgação

58º Festival de Brasília: “Mil Luas” e os recomeços na terceira idade

Uma história sobre coragem, liberdade e a descoberta de que nunca é tarde para recomeçar. Essa é a premissa de “Mil Luas”, longa-metragem da diretora Carina Bini, exibido no 58º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. O filme, uma coprodução entre Brasil e Itália, foi exibida no dia 16 de setembro, dentro da competição da Mostra Brasília.

“Mil Luas” narra a jornada de Chiara, interpretada por Thaia Perez, uma imigrante italiana de 80 anos que vê seu mundo desmoronar com a venda do restaurante que construiu ao longo da vida. Diante da perda e do enfrentamento da finitude, ela embarca em um processo de redescoberta, ressignificando a própria velhice. Novos encontros e amizades (incluindo personagens vividos por Nuno Leal Maia e Paula Passos) mostram a Chiara que a vida ainda pode surpreender.

Para a diretora Carina Bini, a estreia no Festival de Brasília tem um significado especial. “É um filme sobre a coragem humana de conquistar a liberdade e a autonomia a qualquer tempo. ‘Mil Luas’ é uma produção do cinema brasiliense, portanto, estrear nesta cidade, exibindo pela primeira vez ao público na telona do Cine Brasília, o ‘templo do cinema brasileiro’, nas palavras do mestre Vladimir de Carvalho, e dentro da programação deste icônico festival, é realmente uma imensa alegria e um sonho realizado”, comenta a diretora.

Bini também destaca a presença de profissionais experientes na equipe, conectando o tema do filme com a própria produção. “Acho importante e relevante mencionar que ‘Mil Luas’, que em seu tema se desdobra sobre a velhice, contou com a ‘melhor idade’ na equipe, como os atores Thaia Perez, Nuno Leal Maia, Paula Passos, Mauri de Castro, e o mestre da fotografia do cinema do Distrito Federal, Waldir de Pina. E ainda fomos presenteados pela mestra da montagem, Cristina Amaral”, comemora.

Um espelho da realidade brasileira

"Mil Luas" (2025), de Carina Bini - Foto: ELO Studios/Divulgação
ELO Studios/Divulgação

A narrativa de “Mil Luas” dialoga diretamente com uma transformação demográfica em curso no Brasil. Dados do Censo de 2022, divulgados pelo IBGE, confirmam o rápido envelhecimento da população. Em 2022, o número de pessoas com 65 anos ou mais atingiu 22,1 milhões, representando 10,9% do total da população, um crescimento de 57,4% em comparação com o censo de 2010. A população com 60 anos ou mais já ultrapassa os 32 milhões de brasileiros, correspondendo a 15,8% do país.

Essa mudança é evidenciada também pelo aumento da idade mediana do brasileiro, que saltou de 29 anos em 2010 para 35 anos em 2022. Ao colocar em foco uma protagonista de 80 anos que desafia estigmas e busca novos caminhos, o filme reflete uma realidade social cada vez mais presente e a necessidade de novas representações sobre o envelhecer.

Cinema feito por mulheres

Carina Bini - Foto: Luciana Melo
Carina Bini – Foto: Luciana Melo

“Mil Luas” é uma produção da Atman Filmes, produtora de Brasília fundada por Carina Bini em 2015. É o primeiro longa da cineasta que antes dirigiu as séries “Casa Vivas” (2023) e “As Pajés” (2024), sobre mulheres indígenas. Atualmente, ela já se prepara para realizar o próximo longa: um documentário sobre a repatriação do Manto Tupinambá.

“Mil Luas” faz parte do Selo ELAS, uma iniciativa da distribuidora ELO Studios criada para fomentar o cinema dirigido por mulheres e promover maior equidade de gênero no setor audiovisual.

O selo funciona como uma incubadora, oferecendo consultoria e acompanhamento estratégico para potencializar os projetos e as carreiras das diretoras selecionadas. Desde sua criação, a iniciativa já atendeu 46 projetos, com um foco importante em produções de fora do eixo Rio-São Paulo, buscando ampliar a diversidade de narrativas no cinema nacional.