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29ª Mostra de Tiradentes abre calendário audiovisual de 2026 com foco na soberania criativa

"Dolores" (2025), de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes - Foto: Joana Luz/Divulgação

"Dolores" (2025), de Maria Clara Escobar e Marcelo Gomes - Foto: Joana Luz/Divulgação

A cidade histórica de Tiradentes, em Minas Gerais, volta a ser o centro do audiovisual nacional. A 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes ocorre entre os dias 23 e 31 de janeiro de 2026, marcando a abertura do calendário cinematográfico do país. Com uma programação inteiramente gratuita, o evento reúne 137 filmes em pré-estreia, além de debates, oficinas e encontros de mercado.

Nesta edição, a curadoria selecionou trabalhos provenientes de 23 estados brasileiros, refletindo a capilaridade da produção atual. O Rio de Janeiro lidera a lista com 30 títulos, seguido por Minas Gerais (27) e São Paulo (22). A seleção inclui ainda obras de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Ceará, Bahia, Goiás, Pará, entre outros, totalizando 43 longas-metragens e 93 curtas.

Soberania Imaginativa

O eixo curatorial deste ano gira em torno do tema “Soberania Imaginativa”. Proposto pela coordenação curatorial liderada pelo crítico Francis Vogner dos Reis, o conceito busca discutir a autonomia e o protagonismo cultural no Brasil. A ideia é analisar como a produção nacional das últimas duas décadas construiu projetos próprios no campo simbólico, para além das questões políticas e econômicas.

O tema permeará não apenas a seleção de filmes, mas também as mesas do 29º Seminário do Cinema Brasileiro. A abertura dos debates ocorre no dia 24, com uma discussão sobre as perspectivas das curadorias para esta edição.

Abertura e Homenagem

A noite de abertura, em 23 de janeiro, no Cine-Tenda, traz a exibição inédita de “O Fantasma da Ópera”. O curta-metragem é uma colaboração entre Julio Bressane e Rodrigo Lima, construído a partir de imagens de bastidores do longa inédito “Pitico”. A exibição celebra também os 80 anos de Bressane, que serão completados em fevereiro.

A homenageada de 2026 é a atriz, roteirista e diretora Karine Teles. Conhecida por transitar entre o cinema independente e produções de grande alcance comercial, Karine tem em seu currículo filmes como “Que Horas Ela Volta?”, “Bacurau” e “Riscado” — este último exibido na Mostra Aurora de 2011. A homenagem destaca sua trajetória como um exemplo da pluralidade do campo audiovisual brasileiro.

"A Lama da Mãe Morta" (2023), de Camilo Pellegrini - Foto: Divulgação
“A Lama da Mãe Morta” (2023), de Camilo Pellegrini – Foto: Divulgação

Destaques da Programação

A Mostra Aurora, dedicada a diretores em seu primeiro longa-metragem, segue como um dos principais espaços de aposta do evento. A seleção de 2026 inclui seis títulos: “Vulgo Jenny” (GO), “Sabes de Mim, Agora Esqueça” (DF), “Politiktok” (BA), “A Voz da Virgem” (RJ), “Para os Guardados” (MG) e “Obeso Mórbido” (AM).

Já a Mostra Olhos Livres, voltada para propostas estéticas mais arriscadas de realizadores com trajetória em festivais, exibe sete longas, incluindo “Meu Tio da Câmera” (ES) e “Anistia 79” (RJ).

A programação conta ainda com a Mostra Praça, que exibe filmes de maior comunicação com o público em sessões ao ar livre. Entre os destaques estão “Dolores”, de Marcelo Gomes e Maria Clara Escobar, “Querido Mundo”, de Miguel Falabella, e “O Último Episódio”, do mineiro Maurílio Martins (confira nossa entrevista com o diretor).

Para o encerramento, no dia 31, foi escalado “Copacabana, 4 de Maio”, de Allan Ribeiro. O filme revisita o show de Madonna realizado no Rio de Janeiro em 2024.

"Querido Mundo" (2025), de Miguel Falabella - Foto: Alexandre Sonhador Filmes/Divulgação
“Querido Mundo” (2025), de Miguel Falabella – Foto: Alexandre Sonhador Filmes/Divulgação

Mercado e Formação

Além das exibições, a Mostra Tiradentes sedia a 4ª edição do Fórum de Tiradentes, focado em políticas públicas para o setor. O objetivo é formular propostas para a criação de um Sistema Nacional do Audiovisual, culminando na elaboração da Carta de Tiradentes 2026.

Na área de mercado, o Conexão Brasil CineMundi promove encontros entre realizadores e agentes do setor, apresentando filmes em estágio de finalização na sessão WIP – Corte Final.

O evento também oferece um amplo programa de formação, com 505 vagas gratuitas em oficinas, workshops e masterclasses. As atividades abrangem temas como roteiro, direção de fotografia, produção executiva e inteligência artificial generativa.

Premiação e Acesso Online

A parceria com a Embratur resulta na concessão de prêmios em dinheiro para as mostras competitivas. O Prêmio Embratur destinará R$ 20.000,00 para o Melhor Longa da Mostra Aurora e o mesmo valor para o Melhor Longa da Mostra Olhos Livres.

Para quem não puder estar presencialmente em Minas Gerais, parte da programação estará disponível online. Filmes das mostras Panorama e Homenagem poderão ser vistos na plataforma oficial do evento e um recorte especial estará disponível na Itaú Cultural Play. Os debates e as cerimônias de abertura e encerramento serão transmitidos pelo YouTube.

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