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Festival Visões Periféricas exibe potência do cinema independente no Rio de Janeiro e online

"Tigrezza" (2026), de Vinicius Eliziario - Foto: Boca de Filmes

"Tigrezza" (2026), de Vinicius Eliziario - Foto: Boca de Filmes

Começa nesta quinta-feira a 19ª edição do Festival Visões Periféricas, evento pioneiro na difusão do cinema nacional produzido fora dos grandes centros urbanos. Com exibições gratuitas presenciais até domingo (26/07) em diversos pontos do Rio de Janeiro, além de transmissões online, a programação deste ano bateu recorde ao receber 856 inscrições — número 70% superior ao registrado na edição anterior. O evento selecionou 69 produções vindas de 18 estados brasileiros.

A noite de abertura conta com uma homenagem ao projeto Vídeo nas Aldeias e exibe o longa-metragem “Arquivo Vivo”, de Vincent Carelli e Ana Carvalho, às 19h, no Estação Claro Rio, em Botafogo.

Sob curadoria de Lukas Nascimento, Quézia Lopes, Olinda Tupinambá e Wilq Vicente, as produções desta edição abordam temas como memórias, identidades de gênero, culturas de terreiro, apagamentos históricos, questão ambiental e precarização do trabalho.

Diversidade de mostras e formatos de exibição

O festival divide sua seleção em sete mostras paralelas. Quatro delas disputam a premiação do júri oficial: Fronteiras Imaginárias, com obras de até 25 minutos realizadas por cineastas independentes de todo o país; Cinema da Gema, com curtas de até 25 minutos produzidos no estado do Rio de Janeiro; Panorâmica, com médias e longas-metragens com duração mínima de 40 minutos; e Visorama, com curtas de até 15 minutos oriundos de iniciativas de formação audiovisual e ensino básico ou médio.

A programação se completa com as mostras não competitivas Informativa (dedicada a longas) e Visões do Amanhã (voltada ao público infanto-juvenil), além da Mostra ICPLAY, que exibe curtas selecionados exclusivamente na plataforma de streaming gratuita Itaú Cultural Play entre os dias 23 de julho e 6 de agosto. O público também escolhe um filme para receber o prêmio do júri popular.

Duas décadas de transformação e maturação estética

O marco de 20 anos do Festival Visões Periféricas evidencia a consolidação e o amadurecimento do audiovisual periférico no país. Para Márcio Blanco, idealizador e coordenador geral do festival, a produção que antes ocupava as margens hoje desempenha um papel central no debate cultural:

Quando o festival surgiu, poucas pessoas olhavam para essa produção da periferia. Duas décadas depois, ela ocupa um espaço cada vez mais relevante, ajudando a romper estigmas, revelando a diversidade de olhares sobre questões nacionais e regionais e apresentando novos arranjos estéticos e criativos no audiovisual brasileiro.

O curador Wilq Vicente ressalta também a evolução narrativa das produções ao longo desse período:

Se antes predominavam filmes de denúncia sobre temas urgentes, como violência, racismo, representatividade e território, hoje vemos obras mais elaboradas do ponto de vista narrativo e estético, com crescimento da ficção e mais subjetividade. As questões raciais e sociais continuam presentes, mas são apresentadas de forma mais elaborada, atravessando histórias sobre trabalho, afetos, relações familiares e amor.

Vicente aponta ainda a descentralização proporcionada por políticas públicas recentes como a Lei Paulo Gustavo e a Política Nacional Aldir Blanc, que permitiram a chegada de obras de regiões sem histórico de participação no evento.

Formação e acessibilidade

Paralelamente às exibições, o evento realiza o Visões Lab, laboratório focado na formação e no desenvolvimento de novos projetos audiovisuais. O festival conta com apoio do Ministério da Cultura e da RioFilme, e oferece sessões adaptadas com Libras e legendas descritivas.

A grade de horários, os locais das exibições e os detalhes das exibições virtuais podem ser consultados no site oficial.

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