Em conversa com o cinematório, o ator Bill Skarsgård (intérprete dos vilões de “It: A Coisa” e “Nosferatu”) fala sobre a complexidade de seu personagem no filme “Refém Por um Fio” e conta como foi divertido — e inacreditável — conhecer e trabalhar com Al Pacino, o lendário astro da Nova Hollywood que protagonizou thrillers policiais e sociais dos anos 1970, como “Um Dia de Cão” e “Serpico”.
Entrevista realizada por Renato Silveira. Confira:
Em “Refém Por um Fio” (Dead Man’s Wire), o diretor Gus Van Sant (“Milk: A Voz da Igualdade”, “Gênio Indomável”) transforma um episódio real de sequestro ocorrido nos Estados Unidos em 1977 em um thriller de humor sombrio que também investiga as tensões sociais e políticas por trás daquele acontecimento.
O filme acompanha Tony Kiritsis (Bill Skarsgård), um homem comum que, revoltado com o sistema financeiro e sentindo-se injustiçado, mantém um empresário (Dacre Montgomery) como refém e ameaça matá-lo caso suas exigências não sejam atendidas pelo dono de uma companhia hipotecária (Al Pacino). Tony faz isso usando uma espingarda ligada ao próprio pescoço por um mecanismo que dispara caso ele seja morto.
O que poderia ser apenas uma história de crime e suspense ganha, nas mãos de Van Sant, uma dimensão mais ampla. O diretor, que retorna aos longas-metragens depois de sete anos, reproduz a atmosfera frenética de um caso que foi transmitido ao vivo pela televisão e que se tornou um espetáculo midiático. Filmado em apenas 19 dias, o longa busca recriar minuto a minuto os três dias de tensão que marcaram o episódio, enquanto expõe a fronteira cada vez mais tênue entre informação, entretenimento e exploração da indignação pública.

No centro dessa abordagem está Bill Skarsgård, que interpreta Tony. Desde os primeiros momentos, a câmera acompanha de perto a energia instável do personagem, seus discursos inflamados e sua transformação de homem ressentido em figura cada vez mais imprevisível. A atuação exige do ator transitar constantemente entre a revolta aparentemente legítima de alguém que se sente abandonado pelo sistema e o comportamento delirante de quem perde progressivamente o controle da situação.
Com roteiro de Austin Kolodney e um elenco que também reúne Colman Domingo e Myha’la, “Refém Por um Fio” usa um episódio peculiar da história americana para falar de temas que continuam extremamente atuais: desigualdade, ressentimento, poder, mídia e a necessidade de ser ouvido.
“Refém Por um Fio” foi exibido no Festival de Veneza e tem roteiro assinado pelo estreante Austin Kolodney. O lançamento no Brasil é da Pandora Filmes.