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Em Foco: “Ela Quer Tudo“ (1986), de Spike Lee

"Ela Quer Tudo" (She's Gotta Have It, 1986), de Spike Lee - Foto: Island Pictures/Divulgação

"Ela Quer Tudo" (She's Gotta Have It, 1986), de Spike Lee - Foto: Island Pictures/Divulgação

Nesta edição do podcast Em Foco, nós analisamos “Ela Quer Tudo” (She’s Gotta Have It, 1986), primeiro longa-metragem de Spike Lee (“Faça a Coisa Certa”, “Infiltrado na Klan”). Este episódio especial celebra os 40 anos de lançamento do filme e traz uma entrevista exclusiva com o próprio Spike Lee.

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Selecionado para a Quinzena dos Realizadores no Festival de Cannes e premiado no Independent Spirit Awards, “Ela Quer Tudo” tem como protagonista Nola Darling, uma artista independente do Brooklyn, em Nova York, que se mantém fiel a si mesma e recusa as regras tradicionais da sociedade ao se relacionar com três homens ao mesmo tempo. Ela é interpretada por Tracy Camilla Johns e seus namorados são vividos por Tommy Redmond Hicks, John Canada Terrell e Spike Lee.

Uma das estreias mais impressionantes de diretores de todos os tempos, “Ela Quer Tudo” chama a atenção pela discussão feminista sobre liberdade sexual e pela representação de personagens negros fora de estereótipos de violência e miséria. Ao mesmo tempo, é um filme bem-humorado e um deleite para os olhos e ouvidos, com Spike Lee esbanjando estilo na construção de sequências inventivas e de uma narrativa envolvente e moderna (com referências que vão de “Rashomon” a “O Mágico de Oz”), embalada pela trilha sonora de jazz composta pelo lendário músico Bill Lee, pai do cineasta.

Confira abaixo a minutagem dos quadros e capítulos do podcast:

00:00:00 – Introdução

00:04:19 – Grande Angular: conheça a equipe por trás de “Ela Quer Tudo”

00:12:23 – Close-Up: saiba detalhes e curiosidades sobre a realização  do filme

00:19:22 – Entrevista exclusiva com Spike Lee

00:23:45 – Ponto de Vista: nossa análise do filme

00:57:12 – Zoom: nossas cenas favoritas comentadas

01:02:49 – Fora de Quadro: a série “Ela Quer Tudo” que Spike Lee dirigiu para a Netflix

O podcast Em Foco é produzido e apresentado por Renato Silveira e Kel Gomes, editores do cinematório. Aqui você ouve debates e análises de filmes, sejam eles clássicos, grandes sucessos de bilheteria e de crítica, produções que marcaram época ou que foram redescobertas com o passar dos anos, não importa o país de origem. Além disso, você revisita conosco a filmografia de cineastas que deixaram sua assinatura na história do cinema.

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Este episódio contém trechos meramente ilustrativos da trilha sonora de “Ela Quer Tudo”, composição de Bill Lee. Todos os direitos reservados aos artistas.

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Tradução da entrevista com Spike Lee:

Cinematório: “Luta de Classes” começa em um tom mais dramático até chegarmos a Denzel e Jeffrey indo atrás do sequestrador. Há tensão naquela primeira metade é claro, mas eu tive a impressão de que você quis tentar algo diferente ali, indo mais fundo no drama. Essa era a sua intenção?

Spike Lee: Bem, eu não sei se posso dizer realmente que… Quero dizer, a minha intenção é sempre contar a melhor história que eu posso. E mesmo na fonte original, o filme de Akira Kurosawa, “Céu e Inferno”, as coisas realmente não começam a ficar movimentadas até o dinheiro ser pago. Digo, o dinheiro do resgate. E neste filme são $17,5 milhões de francos suíços. Então, você tem que reservar um tempo para estabelecer isso. E uma vez que está estabelecido, é quando Denzel, o personagem que ele interpreta, deixa sua cobertura e vai para o metrô. Então, eles descem lá e é aí que o filme realmente decola. Então, nós sabíamos que para chegar ali teríamos que estabelecer as bases primeiro.

Cinematório: Com certeza. E já que a primeira adaptação do livro de Evan Hunter foi feita por Kurosawa, eu gostaria de saber como Kurosawa inspirou você como cineasta?

Spike Lee: Minha inspiração como cineasta veio de, grande parte, do meu primeiro ano estudando na Escola de Cinema de Nova York, onde Ernest Dickerson, meu diretor de fotografia de longa data, e Ang Lee éramos colegas de sala. Foi lá que eu realmente fui apresentado ao cinema mundial. E a premissa de “Rashomon” eu usei no meu primeiro longa-metragem, “Ela Quer Tudo”. E como você pode ver, esta foto [aponta para a parede] foi autografada pelo mestre. Então, na sala de edição, imagino que ele está sempre olhando por cima do meu ombro! [risos] E eu perguntaria pra ele: “Como estamos indo, senhor? Como estamos? Está ficando bom?” E ele me daria o polegar para cima! [risos]

Cinematório: Maravilhoso! E você poderia falar sobre a música? Tanto a música escrita e cantada por Ayanna, que é linda, e a música composta por Howard Drossin, que me pareceu tão épica para um drama tão pessoal.

Spike Lee: Bem, a música é uma das ferramentas mais importantes que tenho na minha caixa. Para melhor ou pior, dependendo de quem são as pessoas, para mim a música é tão importante quanto a fotografia, a montagem, a direção de arte, o figurino. É uma ótima ferramenta se você usá-la corretamente. E para mim nunca foi apenas sobre fazer uso da música como se fosse uma jukebox onde você pega um monte de músicas de sucesso e põe para tocar, a menos que seja talvez em um filme de época. Um filme que se passe em uma determinada época. Mas eu amo música. E eu conheço o poder da música. Porque eu sei, veja bem, o público no cinema não sabe como uma cena fica sem a música e depois com a música… E eu sei o que estou fazendo sem a música. É uma ferramenta, da mesma forma que as outras que eu mencionei, fotografia, montagem… É uma ferramenta para contar a sua história.

Textos, imagens e outros materiais relacionados:

— Vídeo-ensaio sobre o estilo de direção de Spike Lee:

 

— Trilha sonora original do filme, composta por Bill Lee:

 

— Trailer original do filme:

 

— Referências usadas no roteiro do podcast:

Página do filme no IMDb

“She’s Gotta Have It”, site do American Film Institute

Matéria da revista Jet, publicada originalmente em 10 de novembro de 1986

Matéria da MTV, publicada originalmente em 11 de outubro de 2016

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