A animação brasileira “Papaya”, primeiro longa-metragem dirigido por Priscilla Kellen, chega às salas de cinema do país nesta quinta-feira (24/09). Com distribuição da Cajuína Audiovisual em parceria com a Sessão Vitrine Petrobras, a produção propõe uma experiência poética e sensorial voltada a todas as idades.
Desenvolvido ao longo de sete anos, o filme é produzido pela Boulevard Filmes em coprodução com o Birdo Studio e conta com a participação do cineasta Alê Abreu (diretor do indicado ao Oscar “O Menino e o Mundo”) no time de produtores. A trama lúdica acompanha uma pequena semente de mamão apaixonada pela ideia de voar que vive em constante movimento para evitar criar raízes. Ao longo da caminhada, a protagonista descobre que suas origens e conexões profundas com a terra possuem uma força capaz de transformar o mundo ao seu redor.
Estética tropical e narrativa sem diálogos
Com 74 minutos de duração, “Papaya” prescinde totalmente de diálogos falados. A narrativa é estruturada por meio de formas bidimensionais, colagens e uma paleta de cores inspirada na arte gráfica latino-americana e nos célebres recortes em papel do artista francês Henri Matisse — combinação visual que a diretora define como um “tropicalismo pós-apocalíptico”.
A trilha sonora desempenha papel central na construção dramática. Assinada por Talita Del Collado (integrante do Trio Manaflor) e com a participação da cantora Tulipa Ruiz, a ambientação sonora conduz a percepção do público sem recorrer a recursos explicativos. A diretora Priscilla Kellen ressalta a proposta de confiar na sensibilidade dos espectadores:
Optamos por construir uma narrativa respeitando o olhar crítico e capacidade de interpretação da criança, sem entregar tudo pronto. O longa tem como protagonista uma personagem curiosa, em um mundo que a pressiona a se enquadrar nos padrões e atender às expectativas alheias. Isso reflete temas como diversidade, pertencimento e transformação.

Trajetória nacional e reconhecimento internacional
Antes de aportar no circuito comercial, “Papaya” percorreu importantes eventos do audiovisual brasileiro. Teve sua primeira exibição no Festivalzinho do Festival de Brasília em 2025, além de passagens pela Première Brasil do Festival do Rio, Mostra de São Paulo, COP30 em Belém, Mostra de Tiradentes, CineOP e Olhar de Cinema de Curitiba.
No cenário internacional, a animação alcançou um marco inédito para o cinema brasileiro ao se tornar o primeiro longa do gênero a integrar a mostra competitiva Generation KPlus do Festival de Berlim, em 2026. Representada pela distribuidora belga Best Friend Forever, a obra já garantiu lançamento comercial em 11 países, incluindo Alemanha, Portugal, México, Líbano e França — onde a distribuição fica a cargo da Gebeka Films, selo responsável pelo lançamento de títulos como “Kirikou e a Feiticeira”, “Meu Amigo Totoro” e “Minha Vida de Abobrinha”.
A produtora Letícia Friedrich, da Boulevard Filmes, destaca a relevância do alcance global da produção:
A trajetória de “Papaya” tem sido muito especial e confirma a força das nossas histórias e da animação brasileira para conectar culturas e gerações. Estamos muito felizes com esse reconhecimento e empolgados para a estreia nos cinemas brasileiros. Para nós, é especialmente importante que um filme brasileiro possa construir essa trajetória de forma tão ampla, passando por importantes festivais e encontrando públicos de diferentes países sem abrir mão de sua identidade.
A programação completa e as salas de exibição podem ser consultadas na grade das redes exibidoras participantes da Sessão Vitrine Petrobras.