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“Se Eu Fosse Você 3”: Um raio não cai três vezes no mesmo lugar

"Se Eu Fosse Você 3" (2026), de Anita Barbosa - Foto: Crédito: Eny Miranda/Divulgação

"Se Eu Fosse Você 3" (2026), de Anita Barbosa - Foto: Crédito: Eny Miranda/Divulgação

Se você pesquisar no Google sobre o ditado “um raio não cai duas vezes no mesmo lugar”, verá que essa fala popular não tem nenhuma comprovação científica. E, voltando a esse pensamento em relação à franquia “Se Eu Fosse Você”, realmente a frase está errada; afinal de contas, os dois primeiros filmes foram bons (apesar de o segundo não apresentar muita diferença em comparação ao anterior).

Mas, ao se referir a “Se Eu Fosse Você 3”, podemos adequar a frase para: “um raio não cai três vezes no mesmo lugar”. Para comprovar o ditado adaptado, basta assistir ao novo título da trilogia.

Vinte anos após a última troca de corpos, Cláudio (Tony Ramos) e Helena (Gloria Pires) vivem uma nova fase ao lado da filha Bia (Cleo Pires), agora adulta e casada com Aquiles (Rafael Infante). Enquanto o casal dos outros filmes aproveita sua segunda lua de mel, o jovem casal enfrenta uma crise no relacionamento, o que acarreta novamente uma maldição na família.

O filme é ruim, e o problema não é a fórmula repetida, como aconteceu no segundo título da trilogia. O longa deste ano é fraco por diversos outros motivos, principalmente pela montagem. Os cortes de uma cena para outra são secos, e poucas sequências de imagem contêm uma transição digna — que poderia ter sido feita de várias maneiras, apoiando-se em uma trilha sonora interessante, por exemplo.

Existem diversas cenas que não fazem sentido onde estão. São momentos em que o que está em tela não complementa a história de forma linear, deixando a impressão de que aquele material fazia parte de uma sequência maior que, por algum motivo, foi retirada, levando consigo o contexto.

Há também o problema dos diálogos fracos. Não que os outros filmes da franquia fossem compostos por textos impecáveis e roteiros primordiais, mas eram mais completos.

Em longas com essa temática (como “Sexta-Feira Muito Louca”, “Soul”, entre outros), a relação entre os protagonistas precisa ser baseada em conversas consistentes e claras, para que o espectador consiga entender qual é o conflito principal da dupla e acreditar que há um caminho para reverter o feitiço. Porém, antes de a maldição acontecer, Bia e Aquiles já não tinham diálogos construtivos, e, depois do ocorrido, muito menos. O que nos é apresentado são discussões com frases soltas, com algum sentido, mas sem nenhuma credibilidade.

Não acredito que essas conversas rasas sejam culpa dos atores; afinal, Cleo e Rafael são bons quando estão juntos em cena (não possuem uma química que salte aos olhos, mas têm uma certa sintonia). Inclusive, quando eles trocam de corpo, a atuação de ambos melhora significativamente, o que demonstra um trabalho muito bom dos interpretes.

O problema maior é o texto assinado por Leandro Soares, que já roteirizou e atuou em uma comédia nacional bem divertida, “Morando Sozinho” (2010). E os diálogos não são ruins só entre o casal: as interações da maioria dos personagens são rasas.

E o pior: no meio da história, quando a narrativa parece mostrar novos pontos interessantes a serem explorados — principalmente no momento próximo à volta à normalidade —, a trama retorna à falta de profundidade (mesmo que mínima) e fecha as pontas abertas da maneira mais seca possível. As adversidades do casal são facilmente resolvidas de forma totalmente duvidosa e com poucos conflitos aparentes.

Onde o filme dirigido por Anita Barbosa (“Amor.com”) mais peca é justamente nos dois pontos altos da história (ou pelo menos nos que deveriam ser): quando acontece a troca pela primeira vez e quando eles retornam ao normal. Não há um diálogo que sustente essa quebra de magia; tudo acontece de forma muito rápida, sem emoção, sem humor, sem nada!

“Se Eu Fosse Você 3” é a sequência de uma comédia brasileira famosa, mas que não tem humor, carisma, texto interessante nem cena memorável. É um filme rápido, sem essência, bom apenas para passar o tempo — e, mesmo assim, de uma forma bem insossa. ■

Nota:
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