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INDIE 2010: destaques da programação


O pôster oficial do INDIE 2010, by Voltz Design,
que virá encartado no catálogo – clique para ampliar

Sem dúvidas, os grandes destaques da programação do INDIE 2010 são as duas retrospectivas, ambas inéditas no Brasil e exclusivas do festival.

Primeiro, temos o já anunciado programa com a obra de Kiyoshi Kurosawa, que levará às telas da mostra 23 filmes deste cineasta japonês, cultuado por seu cinema de horror e por um dos grandes filmes dos últimos cinco anos, “Sonata de Tóquio”, que ainda permanece inédito em circuito comercial no Brasil.

E agora a organização do INDIE anuncia a retrospectiva Apichatpong Weerasethakul, ou “Joe” para simplificar. Ele mesmo, o vencedor da Palma de Ouro deste ano. Uma pena que o filme que ganhou Cannes, “Uncle Boonmee Who Can Recall His Past Lives”, não virá para o INDIE (pelo menos, até segunda ordem – vai que pinta uma surpresa?). Mas mesmo assim será uma chance única para o público conhecer a obra deste cineasta tailandês, que ainda não teve um filme sequer lançado comercialmente por aqui. A seleção dos cinco longas e 20 curtas que será apresentada no festival foi feita pelo próprio diretor para o INDIE. Sensacional.

Confira os demais destaques da programação, divulgados hoje. A lista completa dos filmes com os dias e os horários estará disponível no site oficial do INDIE a partir do próximo dia 26.

O INDIE 2010 acontece de 2 a 9 de setembro em Belo Horizonte e de 16 a 23 de setembro em São Paulo.

MOSTRA MUNDIAL > 24 filmes, 12 países, 22 estreias O programa faz um mix de diretores consagrados, novos diretores e as novas tendências do cinema. Entre os consagrados: Hong Sang-Soo ( com “Hahaha”, prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2010); Koji Wakamatsu com “Caterpillar” (competiu no festival de Berlim 2010); o último filme de Clare Denis, “White Material”; e Todd Solondz (os personagens de Happiness, 12 anos depois, em “A Vida Durante a Guerra”).

Foco também para o cinema romeno com destaque para “Terça-feira, Depois do Natal” (participante da seleção oficial da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes) e no novo cinema indie americano: “Mobília Mínima”, prêmio de Melhor Filme de Ficção no festival americano SXSW, dirigido Lena Dunham; “Alguns Dias São Melhores que Outros” de Matt McCormick que participou dos festivais de SXSW e Seattle; e “Amor e Ódio”, de Bryan Poyser, que estava na competitiva do Sundance deste ano.

RETROSPECTIVA KIYOSHI KUROSAWA > 23 filmes (22 deles, em 35mm). Os vários estilos e gêneros da obra de Kurosawa. Nascido em 19 de julho de 1955, em Kobe, na província de Hyogo, no Japão, Kurosawa começou a dirigir filmes independentes em 8mm quando estudava Ciências Sociais na Universidade Rikkyo. Kurosawa passou os anos seguintes aprendendo com os diretores Kazuhiko Hasegawa e Shinji Somai. Estreou comercialmente, em 1983, com o longa-metragem “Guerras De Kandagawa” um legítimo pinku eiga (os pornôs leves japoneses). A restrospectiva exibe também as séries sobre detetives e Yakuza feitas para a televisão nos anos 1990; além dos filmes que o consagraram como “Cure” (Prêmio de Melhor Diretor no Festival de Cinema de Yokohama, 1999); “Charisma” (Quinzena dos Realizadores, em Cannes 1999), “Permissão para Viver” (Fórum do Festival de Berlim, 1999); “Ilusões Inúteis” (Mostra Internacional de Veneza, de 1999), “Pulse” (Prêmio da Crítica na mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes 2001), “Futuro Brilhante” (competitiva do Festival de Cannes 2003); até “Sonata de Tóquio”( prêmio do júri na mostra Un Certain Regard, em Cannes 2008).

RETROSPECTIVA APICHATPONG WEERASETHAKUL > 25 filmes (5 longas, 1 média-metragem, 19 curtas). Nascido em Bangcoc, na Tailândia, em 1970, Apichatpong realiza instalações, obras conceituais, premiado diretor de cinema, é um dos grandes expoentes do cinema mundial. Formou-se em Arquitetura pela Universidade de Khon Kaen em 1994, cidade onde seus pais médicos trabalhavam num hospital. Mas foi nos EUA que estudou cinema, no Art Institute of Chicago, concluindo seu mestrado em 1997. Em 1999, ele fundou sua produtora Kick the Machine e começou a produzir seus próprios projetos e a dar apoio para outros artistas experimentais e independentes na Tailândia. Recebeu a Palmo de Ouro em Cannes 2010. O Indie exibirá seus longas: “Objeto Misterioso ao Meio-Dia” (2000), “Eternamente Sua” (premiado na mostra Um Certain Regard, Cannes, 2002), “As Aventuras de Iron Pussy” (2003), ”Mal dos Trópicos” (prêmio do júri em Cannes 2004), e “Síndromes e um Século” (concorrente na Mostra de Veneza 2006). A retrospectiva trará também quatro programas de curtas, com 20 filmes, selecionados pelo diretor especialmente para o Indie e inédita no país. Dentre os curtas estão os seus trabalhos mais recentes: “Uma Carta para Tio Boonmee” (2009), “Mobile Men” (filme-segmento que faz parte do longa Stories on Human Rights, 2008) e “Pessoas Luminosas” (também um filme-segmento do longa O Estado do Mundo, 2007), além de outros completamente inéditos no país.

INDIE BRASIL > 5 filmes brasileiros. O programa apresenta os documentários “Leite e Ferro”, de Claudia Priscilla (melhor direção e melhor documentário no Festival de Paulínia); “Meu Amigo Claudia”sobre a artista e travesti Claudia Wonder; além de filmes de novos diretores fora do eixo: “Pacific”do pernambucano Marcelo Pedroso e “Viagem para Ythaca”direção coletiva produzida no Ceará. Traz também a estreia na cidade do filme da mineira Marilia Rocha “A Falta que me Faz” .

MÚSICA DO UNDERGROUND > O programa exibe sete documentários sobre música. Destaque para “Nós Não Ligamos Mesmo Para Música”sobre a música de vanguarda feita em Tóquio, o filme participou de vários festivais tais como SXSW, BAFICI, Cinéma du réel, Singapore. E mais “ManOoman”, o impressionante e sensual movimento dancehall na Jamaica; como é ser punk na China (em “Beijing Punk”) e a luta do músico Pat Spurgeon, da banda pop indie Rogue Wave, por um transplante de rim em “D-Tour”. E a amizade vivida na estrada dos amigos músicos Devendra Banhart, Joanna Newsom e Kevin Barker (da banda Vetiver) em “Family Jam”.

CINEMA DE GARAGEM – Trinta e cinco novos realizadores brasileiros, de 10 estados, estão no programa que tem curadoria do videoartista Dellani Lima. O cinema feito sem orçamento nenhum, ou com pequenos incentivos, de forma autoral e inventiva. Dividido em 6 programas traz a diversidade da produção nacional: da geração da videoarte (Kika Nicolela, CarlosMagno Rodrigues), do curta-metragem (Rodrigo Grota, Sávio Leite) até os filmes B do catarinense Petter Baiestorf.

INDIE 2009: um balanço

ÍNDICE DE FILMES COMENTADOS (em ordem alfabética):

4000 Euros / Anticristo / Bem-vindo / Com Todo o Coração / Duas Senhoras / Elevador / Kinatay / Kronos / Li Tong / A Onda / Quanto Dura o Amor?


“Kinatay”, de Brillante Mendoza

O ano em que chegamos mais perto de Cannes

A exibição de “Kinatay” na sessão de encerramento do INDIE 2009, na quinta-feira, dia 10 de setembro, foi especial por vários motivos. O filme de Brillante Mendoza (o cineasta filipino teve a obra completa apresentada em retrospectiva, ponto alto da mostra) fala por si mesmo e proporciona uma experiência intensa ao espectador, que merece um texto próprio. Por hora, vale destacar a forma como Mendoza nos leva por um caminho escuro (grande segmento do filme é quase todo preto, filmado em luz natural, no escuro, com câmera na mão) até pisarmos no terreno igualmente indistinto do questionamento ético que confronta um jovem policial, testemunha de um ato de barbárie.

“Kinatay” é, sem dúvida, um dos melhores títulos exibidos nesta edição do festival. A sessão, aliás, estava comprometida e dependia da chegada dos rolos a Belo Horizonte, após uma longa viagem de Hong Kong, onde também fora exibido em festival. Chegou e a projeção correu tranquila, com legendas em inglês na película e em português na tradução eletrônica. Mesma cópia será exibida em São Paulo na versão compacta do INDIE, mas a exibição em BH teve um gostinho especial para os cinéfilos mineiros que raramente têm essa chance de degustar primeiro que todo mundo no país um filme como este, que chega premiado como Melhor Direção em Cannes 2009. Importante passo para o festival, que a cada ano tem ficado mais forte.

Aliás, outro filme que deixou este INDIE mais próximo de Cannes é “Anticristo”, escândalo de Lars von Trier que já estava em exibição comercial em salas do Rio de Janeiro e São Paulo. Tudo bem, não foi pré-estréia no INDIE, mas o que valeu foi o clima de festival e ver a sala apinhada de gente em plena noite de feriado de 7 de setembro.

A experiência contou mais do que o filme no fim, já que von Trier parece mais preocupado em se exibir, como sempre, do que em narrar uma história. De toda forma, no principal, que é construir imagens próprias de uma tela de cinema, ele consegue mais uma vez se sair bem. É impressionante como cada um de seus filmes possui um visual distinto, mas todos trazem sua inconfundível assinatura. Você sabe sempre que está assistindo a um filme de Lars von Trier. É possível que “Anticristo” (que também terá texto próprio em breve aqui no site) cresça numa revisão, feita com mais tranquilidade e estudo, já que o filme é permeado por simbolismos que no fundo podem ter algo de relevante. Por hora, no entanto, é um exercício plástico que enche os olhos, causa um mínimo de tensão, acerta no choque, mas é pouco construtivo no que tem a dizer.


“Duas Senhoras”, de Philippe Faucon

Alguns destaques da Mostra Mundial

Junto com “Kinatay”, o filme que mais gostei deste INDIE foi o francês “Duas Senhoras”, do diretor marroquino Philippe Faucon. Longa que já está na estrada há mais tempo, tendo sido exibido pela primeira vez no Festival de Toronto de 2007. É um filme humanista, que trata do conflito na Faixa de Gaza com subtexto político presente o tempo todo, mas apenas como pano de fundo, vindo à tona somente quando a relação das duas senhoras do título pede. E as duas, Ariane Jacquot e Zohra Mouffok, são ótimas atrizes – especialmente Zohra, que faz o filme crescer um tanto quando assume o lugar da filha (Sabrina Ben Abdallah) como protagonista.

“Duas Senhoras” trata do encontro inusitado entre essas mulheres idosas, quando Esther (Ariane), a mais rica e judia, precisa de cuidados especiais por estar debilitada e não poder andar. A enfermeira, humilde e muçulmana, sugere que sua mãe, Halima (Zohra), passe a ajudá-la, servindo como companheira para Esther. A frase chave do filme sai da boca do imam que Halima visita: “Respeitamos quem nos respeita”, o que independe de credo, classe social, cultura ou origem. E a relação das duas senhoras se converte numa amizade bonita porque elas não permitem que fatores externos as influenciem.

Este é o primeiro filme de Faucon a que assisto e gostei de seu estilo de direção simples e muito preciso nas escolhas que faz do que deixar dentro e fora do quadro. Ele centraliza a atenção no que é mais importante: um olhar ou uma reação a uma conversa. São constantes as cenas em que os diálogos acontecem num campo só. Curioso, aliás, como todos os homens, exceto o marido muçulmano, quase não têm os rostos mostrados, ficando fora de quadro. E eles, como os demais atores, continuam atuando sem estarem enquadrados. Faucon dirige as cenas mesmo extra-câmera, em todo o set, e ali escolhe onde fazer o recorte. “Duas Senhoras” já tem distribuição garantida e deve entrar em cartaz em breve no circuito.

Outro feliz achado na programação do INDIE 2009 foi o canadense falado em francês “Com Todo o Coração”, de Stéphane Géhami. O filme traz uma certa semelhança com “Amantes”, de James Gray, já que seu protagonista também está dividido entre duas mulheres: a ex-namorada, por quem ainda nutre uma paixão impetuosa, e a nova, que tem emprego e nível social mais confortáveis – para ele. Como Joaquin Phoenix, o personagem de Pierre Rivard também é encrenca: rouba carros para ter sua fonte de renda e não consegue tomar jeito. Muitas vezes, parece um meninão mais imaturo que o adolescente Jimi, seu pupilo e parceiro em delito. Talvez Géhami não precisasse filmar tanto sexo, mas de forma geral sua câmera é bem disposta, consciente, e a narrativa não vacila nas alternâncias entre drama e humor da trajetória do personagem principal. Um bom filme que merece ser visto fora do festival. Ainda está sem distribuição, infelizmente.

Também gostei bastante do chinês “Li Tong”, de Nian Liu – filme doce sobre uma menininha que fica perdida no Centro de Pequim após seu passe de ônibus sumir. A garotinha é uma graça e segura bem o filme inteiro. Ela se sai melhor quando interage com o garoto de rua que encontra no caminho e que a ajuda a voltar para casa. O menino poderia ter entrado mais cedo na história, já que nos momentos em que a garota está sozinha o filme pede por mais ritmo. E não é pela forma como é dirigido, já que Liu demonstra segurança e serenidade, mas simplesmente porque algumas cenas não têm muito porquê de estarem ali (o encontro com o homem vestido de urso panda, por exemplo). É um filme sobre crianças feito para adultos. Também não tem distribuição garantida no Brasil.

Destaco ainda o espanhol “4000 Euros”, que é como se uma trama policial pós-Tarantino fosse dirigida com a crueza que se observa no cinema romeno atual, digamos. Mas antes de você se empolgar, tenho que dizer que o filme de Richard Jordan peca no refinamento da montagem, que conta com fades sem sentido (um deles é tão grosseiro que parece até que o cineasta se esqueceu de revisar o corte final). A comparação que faço com o cinema romeno (e outros contemporâneos) se deve mais àquela ideia de deixar a câmera estática enquadrada num rosto ou num lugar por uma duração acima da média de uma tomada convencional. Há aquela sensação de “naquele tempo, naquele lugar”, que torna o filme mais verdadeiro. Além disso, não há trilha sonora. A trama policial gira em torno de dois irmãos: ela tem que arrumar 4.000 euros para pagar uma dívida do irmão com uma gangue e salvar a vida dele. Os atores, Marta Larralde e Alberto López, são bons. O problema é que o filme termina meio sem jeito. O desfecho deveria dar um baque no público, mas nos deixa perguntando: “É só isso?” Sem estragar o filme para quem não viu, digo apenas que um gângster de verdade teria pelo menos arrancado um dedo do rapaz. “4000 Euros” é outro que está sem distribuição no Brasil. Se aparecer em algum festival na sua cidade, não perca.


“Kronos”, de Olav F. Wehling

Os micos do ano

Se todo INDIE tem filmes muito bons, também tem suas ovelhas negras. Se no ano passado foi o constrangedor “Amantes” (ainda bem que não foi lançado comercialmente, senão poderia causar confusão com o belo filme de James Gray), este ano a Mostra Mundial ofereceu “Kronos”. Sob o pretexto de remontar o mito grego do filho de Urano, o diretor alemão Olav F. Wehling não se vale da boa fotografia e da paisagem desértica que nos minutos iniciais dão esperança de um filme de direção impactante. Mas tal impacto de esvai quando o cineasta (estreante como quase todos da Mostra Mundial) começa a forçar na composição e insiste na trilha sonora maçante e repetitiva. Os problemas estéticos são os menores, na verdade. Wehling quer ser metafórico, mas acaba sem dizer coisa alguma. Seu filme (ou projeto de conclusão de curso, como é apresentado no site do festival) logo se converte numa tentativa pífia de falar sobre a condição humana em situação limite. Pretensioso demais.

(Fato curioso: durante a sessão de “Kronos” no sábado à tarde, um senhor, que aparentava estar embriagado, não se conteve e começou a gritar contra a tela nas cenas de incesto. Saiu da sala no meio de uma delas, esbravejando: “Imundo! Imundo!” Pois se nem ele aguentou…)

Um filme que me decepcionou bastante foi “Quanto Dura o Amor?”, segundo longa de Roberto Moreira, de quem eu esperava bem mais após a estreia com o forte “Contra Todos”. Pois bem. O cineasta cai na arapuca dos filmes de tramas paralelas que competem entre si. Aí temos duas histórias para lá de lugar-comum que o filme tenta empurrar como quebra de tabu por falar de amor através da perspectiva homossexual. O terceiro enredo é o único que gera algum interesse maior: um escritor, careca e barrigudo, que idealiza uma relação perfeita e tenta concretizá-la se refugiando nos braços de uma prostituta. É o único personagem que eu queria ver mais, já que os outros vivem dramas de fácil acepção por qualquer folhetim de TV. Moreira não deveria ter trocado a câmera trêmula e urgente de “Contra Todos” pela steady-cam, que acaba por romantizar o que já é romantizado em excesso. E a trilha sonora tem Radiohead, o que sempre é bom, mas os covers picaretas de Danni Carlos dão nos nervos. Pelos nomes envolvidos em “Quanto Dura o Amor?” (Anna Muylaert também assina o roteiro e Sílvia Lourenço é uma das atrizes principais), o resultado não só poderia, como deveria ter sido bem melhor.


“Elevador”, de George Dorobantu

Na média

Nestes últimos parágrafos, outros três filmes que ficaram na média entre o que vi no INDIE 2009. O francês “Bem-vindo”, de Philippe Lioret, tem aquela história bonitinha, mas ordinária do garoto e da garota que tem um namoro proibido. Ele vai tentar atravessar o Canal da Mancha a nado para reencontrá-la na Grã-Bretanha. O filme tem seus bons momentos na relação do menino com o professor de natação (Vincent Lindon) que o ajuda a treinar – o professor vendo no jovem um esforço para recuperar a mulher amada que ele mesmo naõ foi capaz de exercer para salvar o casamento. A direção de Lioret é muito convencional, o que acaba por pasteurizar demais a abordagem da história de amor.

“Bem-vindo” já está em cartaz nos cinemas de outras cidades, assim como o alemão “A Onda”, de Dennis Gansel. Este, no início, chega a lembrar o ótimo “Edukators” por tratar de uma discussão política entre adolescentes. Esse começo de conversa é bastante interessante na forma como o professor (Jürgen Vogel) apresenta aos alunos o modelo de dominação de massa. Mas depois que o filme passa a se concentrar apenas na falta de controle que o experimento ganha fora da sala de aula, o interesse pelo tema político fica em segundo plano. Você fica apenas curioso em ver como aquilo vai acabar, o que também não é nenhum mistério, graças aos estereótipos de alunos que Gansel utiliza.

Montagem moderninha, trilha sonora agitada, personagens fáceis, rostos bonitos, tudo na medida em “A Onda” para o gosto do público juvenil médio. O mesmo é encontrado no bem mais modesto “Elevador” – que se passa quase todo dentro de um elevador, ora essa. A química entre os dois únicos atores do filme, Cristi Petrescu e Iulia Verdes, é boa e rende empatia e alguns bons diálogos. A ideia de filmar dentro de um recinto fechado não é inédita e acaba não sendo bem executada, já que o diretor George Dorobantu recorre a efeitos de câmera que só atrapalham e o distanciam da “nova escola” do cinema romeno (que já rendeu o premiado “4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias”, de Cristian Mungiu, além de “À Leste de Bucareste”, de Corneliu Porumboiu, e a elogiada antologia “Tales from the Golden Age”, exibida em Cannes este ano). Sem falar que ele faz cortes rápidos sem necessidade, numa tentativa de tornar as coisas mais agitadas dentro do elevador, e força uma narrativa não-linear mais ao final que também não tem razão, já que não traz nenhuma revelação sobre o que vimos antes. É uma pena que ele não consiga conduzir o filme, pois o plano final, com a tela do celular, é ótimo.

O INDIE pulsa

Já está rolando nas salas do Usina em BH, e também no Cine Humberto Mauro, a programação do INDIE 2008 (site). Esta é uma das mostras mais particulares do calendário nacional, já que grande parte de sua seleção comporta filmes que não serão vistos em outros lugares, seja em festivais, seja no circuito comercial, seja em DVD.

Nesse espírito de “veja no INDIE ou não veja nunca” (“nunca” é exagero, já que hoje a internet é um meio de distribuição de fato), esta oitava edição da mostra tem uma característica destoante dos anos anteriores. E isso para o bem, do ponto de vista curador da coisa toda.

Se já tivemos INDIEs com uma cartela de filmes badalados, certezas de filas até o fim do quarteirão, em 2008 cabem numa mão os longas que chegam laureados por suas passagens em festivais anteriores e também pela fama de seus diretores. São eles, “O Silêncio de Lorna”, dos irmãos Dardenne, e “A Fronteira da Alvorada”, de Philippe Garrel. Há também o novo documentário de Eryk Rocha, “Panchamama”, e o vencedor da categoria no Oscar deste ano, “Táxi Para a Escuridão”.

No mais, os programas do INDIE 2008 incluem em grande número títulos de cineastas emergentes, que estão em seus primeiros ou segundos filmes. Outros já possuem uma filmografia, mas esta é desconhecida fora do circuito de festivais ou em mercados que não sejam os de seus países de origem – como é o caso dos alemães da Nova Escola de Berlim.

O INDIE está mais indie do que nunca este ano. O convite é para o cinéfilo se tornar um aventureiro, montar sua programação no escuro e descobrir novos cinemas. Até o fim da mostra, e depois também, o cinematório fará o relato de seus achados. Para localizar os filmes comentados, consulte o índice abaixo:

Amantes
Anywhere, USA
Ato de Violência
Bangalô
Como Ser
Destino Traçado
Entardecer
FIX
Gesto Obsceno
Hannah Takes the Stairs
Harrison Montgomery
Pan-Cinema Permanente
Rio
O Silêncio de Lorna
Táxi Para a Escuridão

Arquivo

Festival do Rio 2008: O tempo abriu

Já estou em Belo Horizonte, onde a maratona de filmes continua com as Mostras INDIE e do Cinema Japonês, como antecipei alguns posts atrás. No Rio, a qualidade dos filmes não melhorou muito, mas em relação aos primeiros que já resenhei aqui (irmãos Coen e Charlie Kaufman são as exceções), deu para aproveitar mais. E, felizmente, o tempo abriu. Assim, o vôo de volta ofereceu uma bela vista do litoral carioca na decolagem.

Sem delongas, abaixo estão mais algumas atrações do Festival. Mas não acabou. Tenho coisas não muito boas a falar sobre “Última Parada 174” e “Noites de Tormenta” e ainda irei comentar outros filmes (alguns, como os novos dos irmãos Dardenne e de Philippe Garrell – cujo cinema ainda não me afeiçoa – também estão no INDIE, portanto as coberturas vão se misturar em algum momento).

O Bom, o Mau, o Bizarro (Joheunnom nabbeunnom isanghannom ou The Good, the Bad, and the Weird, 2008, Coréia do Sul), de Kim Ji-woon. Novo trabalho do diretor do ótimo “O Gosto da Vingança” é, principalmente, uma comédia de ação. Faz sátira e ao mesmo tempo homenagem ao western. Funciona melhor quando é sátira, já que na homenagem se limita a quase parodiar cenas do clássico “Três Homens em Conflito”, cujo título original (“O Bom, o Mau e o Feio”) já serve como piada. Também por isso, em alguns momentos Ji-woon se excede e tenta ser Tarantino demais (chega até a usar a música “Don’t Let Me Be Misunderstood”, do Santa Esmeralda, já escutada em “Kill Bill: Volume 1”). De qualquer forma, as cenas de ação são na maioria satisfatórias, com boa e hábil movimentação da câmera em meio às coreografias no set (algo já observado no magnífico tiroteio final de “O Gosto da Vingança”). Incomodam um pouco as cores saturadas – utilizadas propositalmente para realçar o aspecto histriônico do filme – embora isso não comprometa o senso de composição dos planos. Dos personagens, só o “Mau” (Lee Byung-hun) é que não convence, pois parece mais uma caricatura afetada de Lee Van Cleef. Já os outros dois, o “Bom” (Jung Woo-sung) e o “Bizarro” (Song Kang-ho), funcionam melhor, talvez por formarem uma dupla, como acontece com Clint Eastwood e Eli Wallach no filme de Sergio Leone. Mas quem rouba a cena mesmo é o “Bizarro”. É uma diversão descompromissada, que se leva menos a sério do que o título pressupõe pela responsabilidade da referência. nota: 7/10 — vale o ingresso

Um Conto de Natal (Un conte de Noël, 2008, França), de Arnaud Desplechin. No que parece ser uma “versão cabeça” de “Tudo em Família” (aquela comédia dramática hollywoodiana com Diane Keaton, Sarah Jessica Parker e Luke Wilson), o novo filme de Arnaud Desplechin (“Reis e Rainha”) utiliza o típico enredo natalino: parentes se reúnem, mágoas engasgadas vêm à tona, relações rompidas são recuperadas. A diferença para a produção americana está, obviamente, no desenvolvimento dos personagens e na profundidade que o francês atinge no estudo das interações daquelas pessoas. O estilo de direção também é muito mais refinado, com Desplechin utilizando desde íris (para concentrar a atenção do espectador em determinado ponto do quadro) a split-screen – técnicas que hoje em dia não se vê com tanta freqüência. O ponto fraco fica por conta da longa duração. Por mais que você se envolva com o drama dos personagens, chega um ponto em que a sensação é de estar numa ceia de Natal de uma família que não é a sua. A companhia pode ser agradável, mas é desnecessário passar o dia inteiro com eles. nota: 6/10 — vale o ingresso

Cavalo de Duas Pernas (Asbe du-pa ou Two-Legged Horse, 2008, Irã), de Samira Makhmalbaf. Não se via um cineasta ser tão impiedoso com seu protagonista provavelmente desde Mel Gibson em “A Paixão de Cristo”. O título do novo filme de Samira Makhmalbaf (“A Maçã”, “Às Cinco Horas da Tarde”) se refere a um menino pobre, com claros indícios de deficiência mental, que aceita um “emprego”: carregar nas costas um garoto rico que perdeu as duas pernas. Os dois atravessam a relação empregado-patrão e, após desentendimentos, desenvolvem uma amizade no mínimo excêntrica. Afinal, o menino pobre aceita toda a submissão que o garoto rico lhe impõe. E numa desesperada atitude para sair do buraco onde vive e ser reconhecido por alguém, ele aceita se tornar (atenção: literalmente!) um cavalo. Sim, com direito a sela, ferradura, alfafa e, acreditem… Bom, mesmo sendo o fim da picada o desprezo ao qual o menino é submetido ao final, não me sinto no direito de descrever spoilers. O provável objetivo de Samira é mesmo o da denúncia social, mas fazê-la por meio de tanto sofrimento, para infligir no espectador algum sentimento de culpa ou mesmo compaixão, não é algo que deva ser aplaudido. nota: 1/10 — pura perda de tempo

Liverpool (2008, Argentina/França/Holanda/ Alemanha/Espanha), de Lisandro Alonso. Este filme do argentino Lisandro Alonso traz provocações suficientes para gerar uma mesa-redonda dedicada a ele. “Liverpool” é estética pura, com enquadramentos milimetricamente organizados e fotografados sob um prisma contemplativo muito belo, seja no porão de um navio, numa cozinha de hotel ou numa paisagem bucólica da extremidade sul-americana do arquipélago de Tierra del Fuego. É um filme aquário, onde a câmera raramente se move, desafiando o público a prestar atenção às mínimas ações dos personagens ou mesmo ao “nada” que paira na tela. Sim, este é daqueles filmes “sem história”. E Alonso faz do espectador um expectador até o último plano, deixando-o na espera de que algo aconteça que justifique a viagem do protagonista para ver a mãe, ou até mesmo o significado do título. Embora seja difícil (ou nem tanto), “Liverpool” conta, sim, uma história e constrói significados. O que o diretor pede é paciência e atenção da platéia. Não é muito. E vale a pena. nota: 7/10 — veja sem pressa (mesmo)

INDIE 2009: Um pequeno guia para não se perder


“Koma” (2009), de Naomi Kawase

Todo ano é um tiro no escuro atrás de outro. Aventurar-se na programação do INDIE é exercício para o cinéfilo destemido, que não tem medo de cair em uma armadilha numa sessão de um filme suspeito, pois sabe que alguma hora, em alguma sala, algo precioso pode ser encontrado.

É assim que funciona no carro-chefe da programação, a Mostra Mundial, que novamente traz uma seleção de filmes de novos diretores ao lado das pré-estreias badaladas. Entre estas, destacam-se três. Logo no primeiro dia, com promessa de formar uma fila que provavelmente vai se estender da bilheteria do Belas Artes até a Praça da Liberdade, será exibido o terror “Anticristo”, de Lars von Trier. As outras duas premieres que merecem destaque são “Bem-Vindo”, de Philippe Lioret, sobre um rapaz iraquiano que decide atravessar o Canal da Mancha a nado para reencontrar a namorada; e a antologia “Tokyo!”, em que três cineastas – Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho – retratam a capital japonesa, cada um a seu modo.

Para não ficar perdido entre as 121 uma opções do INDIE 2009, vale seguir de perto o programa INDIE Brasil, que traz alguns dos expoentes da produção independente brasileira. Confira “A Fuga da Mulher Gorila”, road movie musical que venceu a Mostra de Tiradentes deste ano. Não perca também “No Meu Lugar”, de Eduardo Valente, que foi exibido em Cannes e promete ser um “filme de favela” diferente do filão já conhecido das telas de cinema. Tem ainda terror à brasileira com “Morgue Story”, “Morro do Céu”, segundo longa-metragem de Gustavo Spolidoro (de “Ainda Orangotantos”), documentário musical com Lenine em “Continuação” e até filme sobre a história do skate no país.

Para quem gosta de música pesada, também vale pegar ingressos para os documentários “Guidable – A Verdadeira História do Ratos de Porão” e “Ruído das Minas”, que investiga a origem do heavy metal mineiro, que gerou bandas como Sepultura, Sarcófago e Overdose.

Por fim, talvez as principais atrações deste ano sejam as três retrospectivas programadas, que trazem não apenas a BH, mas ao Brasil, pela primeira vez, as obras completas de três cineastas que tem chamado a atenção no cenário cinematográfico contemporâneo. São eles, a japonesa Naomi Kawase, o francês Philippe Grandrieux e o filipino Brillante Mendoza. Este último, aliás, traz ao INDIE seu mais recente trabalho, “Kinatay”, um dos filmes mais polemizados (e elogiados) do Festival de Cannes deste ano. É a primeira vez que o filme será exibido no país, antes mesmo do Festival do Rio e da Mostra de São Paulo. O que mostra a importância que o INDIE tem ganhado ao longo de seus nove anos de história com um autêntico grito de independência.

Faça sua programação – consulte os horários e salas no site oficial Quem não puder vir a BH, não se preocupe: de 17 a 24 de setembro, logo depois que acabar na capital mineira, a mostra viaja para São Paulo com as principais atrações da versão original. E este ano também com entrada franca em todas as sessões.

INDIE em SP e outros tópicos

Começa hoje, no CINESESC, a versão paulista do INDIE 2008. A programação completa pode ser acessada aqui. É um resumo do que foi exibido em BH, mas tem uma seção inédita por aqui: a retrospectiva Koji Wakamatsu, que, pelas palavras de Francesca Azzi, uma das curadoras e organizadoras da mostra, parece ser deveras interessante (leiam o texto de apresentação que ela escreveu). Quem estiver em Sampa não pode perder.

Ainda sobre o INDIE SP: seis filmes que serão exibidos até o próximo dia 12 foram comentados aqui no cinematório durante a cobertura do INDIE BH:

Anywhere, USA
Ato de Violência
Como Ser
FIX
Hannah Takes the Stairs
Rio

Uma pena que os dois melhores a que eu pude assistir, “Entardecer” e “Bangalô”, integrantes do programa Nova Escola de Berlim, não foram incluídos. No índice aí ao lado, vocês podem conferir outros longas que conseguimos ver.

NOVA INTEGRANTE

A equipe do cinematório cresceu: agora, temos também a presença de Mariana Deslandes em nossas páginas. A Mariana está se formando em Jornalismo, tem uma visão sensível e escreve com talento e espirituosidade. Ela aceitou meu convite para colaborar com o site e estreou ontem, com um texto sobre “Gesto Obsceno”, fechando a cobertura do INDIE. Seja bem-vinda, Mari. Estou certo de que nossos leitores irão aprovar sua chegada.

CINEMA EM CENA

E como alguns de vocês já sabem, estou me desligando da equipe do Cinema em Cena. Hoje foi meu último dia na redação. Não sou mais editor do site, mas continuarei por perto, como colaborador. Uma coluna está sendo planejada e, além disso, o cinematório tem o apoio do CeC, sendo hospedado nos servidores do portal.

Desejo todo sucesso ao Pablo, Patrícia e à toda a nova equipe que está começando agora. Foram sete anos e meio de dedicação e experiências enriquecedoras, sem as quais eu não teria chegado até aqui. E, neste momento, não quero falar de fim, mas de um novo começo. Para mim e para vocês.

Vamos em frente.

INDIE 2008

Ato de Violência – nota 3

– Reacionário. A história serve apenas como desculpa para a justiça com as próprias mãos exercida pelos personagens.

– Eles nem parecem amigos. Parecem se detestar. Nenhum deles cria empatia, mesmo os mais “bonzinhos”, já que são submissos.

– Direção muito fraca, erra até na montagem.

– Atores irritantes.

– Nem se compara a “Mean Creek”.

7 Anos – nota 6

– Tem uma premissa interessante quando passa a envolver o triângulo amoroso. Só que cai quando passa a valorizar mais o romance entre a mulher e o carcereiro.

– É bem dirigido de uma forma geral.

– O garotinho que é desnecessário. É só um acessório narrativo.

Hannah Takes the Stairs

– Os diálogos são bons em alguns momentos, mas ficam cansativos com o passar do tempo. Muito porque os personagens falam demais, e algumas vezes eles falam algo que realmente importa. É o perigo de se fazer um filme com diálogos improvisados. É como se estivéssemos vendo uma conversa casual. Eles conversam naturalmente, isso ninguém nega. Mas ficar 1 hora e 20 vendo os outros falando é demais.

– Acaba que a direção se limita a pegar os atores conversando. Os planos não saem muito disso… Há um primeiro plano vez ou outra, ou um plano de detalhe… Mas pela natureza do filme, o improviso, a naturalidade, não há muito que se exaltar em termos de composição ou fotografia (até porque parece uma filmagem feita com câmera caseira, já que a luz é natural e não há tratamento de imagem).

– Apesar de se tornar enfadonho, o filme levanta um tema interessante e certamente atual. E a metáfora do título é boa: Hannah vai de escada, mas em que direção? E até onde ela vai continuar? Ela parece perdida numa escada em espiral, já que entra em um círculo vicioso cada vez que inicia e termina um relacionamento. É a eterna incerteza que faz girar esse jovem mundo adulto que os personagens do longa habitam.

Por Ela Eu Entro em Coma 2008 – As Vencedoras!

Nada melhor para curar a ressaca do Carnaval do que as vencedoras do nosso prêmio, não? No primeiro ano em que as ganhadoras foram eleitas por voto popular, a disputa ficou acirradíssima entre as cinco primeiras colocadas, que trocaram de posição várias vezes durante a contagem dos votos. A apuração funcionou da seguinte forma: os primeiros lugares votados somaram 5 pontos, segundos lugares, 4 pontos, e assim por diante. O número de citações valeu como critério de desempate. No final, as vitoriosas eleitas por 21 leitores deste blog fizeram jus ao título e estão logo aí embaixo para o deleite dos marmanjos… Respire fundo (e clique nas figuras para ampliá-las)!

5° lugar – Natalie Portman (29 pontos, 8 citações)
Filmes em 2008: “Hotel Chevalier”/”Viagem a Darjeeling”; “Sombras de Goya”; “A Loja Mágica de Brinquedos”; “Paris, Te Amo”

4° lugar – Camila Pitanga (29 pontos, 11 citações)
Filmes em 2008: “Saneamento Básico – O Filme”; “Noel – Poeta da Vila”
3° lugar – Tainá Müller (34 pontos, 9 citações)
Filmes em 2008: “Cão Sem Dono”
2° lugar – Eva Mendes (41 pontos, 10 citações)
Filmes em 2008: “Os Donos da Noite”; “Motoqueiro Fantasma”; “Totalmente Apaixonados”

1° lugar – Kate Winslet (43 pontos, 11 citações)
Filmes em 2008: “Pecados Íntimos”

Espero que estejam extasiados. Por fim, vamos à Escolha do Editor! Rufem os tambores…
Tainá Müller!

E como citado em meu post sobre “Cão Sem Dono”: “Marcela é aquela que ilumina o filme, que na maior parte do tempo acontece em um tom pouco otimista. Interpretada com doçura pela lindíssima Tainá Müller, a personagem é a representação daquela que considero a minha “garota dos sonhos”. Sei que de muita gente também, e Brant e Ciasca conhecem muito bem sua platéia: os diretores exploram todos os encantos da atriz, que possui aquele irresistível jeito meio meigo, meio rebelde, traduzido numa combinação ideal de inteligência, personalidade forte, sensibilidade e beleza. E que beleza. Marcela aparece nua, corpo perfeito (que seios!), sem pudor de sentir prazer e realizar suas (e nossas) fantasias. Transa com Ciro na sacada do apartamento. Dorme de camiseta e calcinha. Acorda e anda pela casa apenas enrolada em um lençol. E como se não bastassem essas cenas, capazes de ficar no imaginário da platéia masculina por um tempo além da duração do filme, ela ainda aparece cantando, meio chapada, a bela e melancólica canção “Moonshiner””.

A classificação geral ficou assim:

1ª Kate Winslet (43/11)
2ª Eva Mendes (41/10)
3ª Tainá Müller (34/9)
4ª Camila Pitanga (29/11)
5ª Natalie Portman (29/8)
6ª Catalina Sandino Moreno (19/7)
7ª Paula Patton (15/6)
8ª Ashley Judd (10/4)
9ª Katherine Heigl (8/3)
10ª Cécile de France (5/2)
11ª Jacinda Barrett (2/2)
12ª Keri Russell (1/1)

And that’s a wrap, folks!

INDIE 2013: Mar Negro

27a[1]

Eu fiquei tão maravilhado e impressionado com “Mar Negro“, que sonhei com o filme após assisti-lo no Belas Artes, em BH, como parte da programação do festival INDIE 2013. E a sensação de assistir a mais este trabalho do diretor Rodrigo Aragão é realmente a de um delírio. São tantas iguarias cinematográficas reunidas, dosadas em cenas que vão do humor extraído de uma conversa de bêbado até a mais alucinante das cenas de ação, que você realmente se pega num estado de entusiasmo e perturbação típico de quando se está num desses pesadelos bons: tudo aquilo é grotesco, nojento, repulsivo, você quer sair dali, mas quando acorda achou tudo muito divertido.

Autor dos igualmente insanos “Mangue Negro” e “A Noite do Chupacabras”, Aragão constrói um filme de horror gore que pouco se ousa fazer hoje em dia no cinema comercial, nem mesmo no cinema americano, que nos 70 e 80 teve sua época de ouro e que Aragão busca referenciar o tempo todo, especialmente no uso descambado de efeitos especiais práticos. Na verdade, ele vai bem mais atrás no tempo, pois pode-se tirar dali homenagens a “Godzilla” e a “O Monstro da Lagoa Negra” (cabe ainda “O Dia em que a Terra Parou”, de Robert Wise), além da origem nos mortos-vivos de George A. Romero, é claro. Referências que não se limitam a serem meramente visuais, deve-se destacar, pois Aragão, em meio a tanta loucura, também busca a alegoria política. No caso, aponta para a exploração do petróleo no litoral brasileiro.

Voltando aos efeitos especiais, Aragão e sua equipe não têm a preocupação de que eles pareçam realistas ao extremo, coisa que a computação gráfica se propõe a fazer em 99% dos casos desde o início de sua supremacia na indústria a partir da metade dos anos 90. Porém, eles também não querem fazer com que os efeitos soem falsos. O que eles buscam é dar uma aparência diegeticamente real, ou seja, dentro daquele escopo, dentro do universo consciente de que aquele é um filme de terror barato, eles querem fazer com que os monstros, o sangue, as gosmas, as decapitações sejam críveis. Há de se ressaltar que é nítido (e natural) o aperfeiçoamento técnico em relação a “Mangue Negro”, mas é melhor não citar ou detalhar nada das cenas de violência, pois você merece se surpreender com o rumo que as coisas tomam, clímax atrás de clímax, culminando em um momento de absoluto espantamento e genialidade.

Imbuído também de referências folclóricas e culturais brasileiras, “Mar Negro” não é um filme: é um rolo compressor. É cinema de horror fantástico como há muito não se via, se é que já se viu ser feito no Brasil alguma vez, com todo respeito e reverência que se deve a José Mojica Marins. O “Zé do Caixão” já tem quem continuar seu legado na turma da qual Aragão faz parte, com sua produtora Fábulas Negras, localizada em Guarapari, no Espírito Santo. É um bravo que merece ser aplaudido e cumprimentado por todos os fãs do gênero.

ZOMBIE INDIE

O INDIE 2013 também exibe em sua programação, em BH, outros dois filmes de zumbi brasileiros: “Porto dos Mortos“, de Davi de Oliveira Pinheiro (o filme também está disponível no Netflix), e “Zombio 2: Chimarrão Zombies“, de Petter Baiestorf, da Canibal Filmes. São outros dois expoentes do gênero que mostram que a produção de longas está aumentando, já que em curta-metragem ela é bastante rica e esse pessoal merece ser descoberto por um público cada vez maior. ■

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