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Globo de Ouro 2010 – Vencedores

Abaixo, os ganhadores da 67ª edição do Globo de Ouro, anunciados na cerimônia realizada em 17 de janeiro, no Beverly Hilton Hotel, em Beverly Hills, EUA. Como não assisti a todos os indicados (tarefa quase impossível, já que o calendário dos distribuidores brasileiros privilegia o Oscar), me abstenho de comentar os resultados. De qualquer forma, uau: “Avatar” melhor filme E direção? Nem o próprio James Cameron acreditou. “Achei que esse iria para a Kathryn (Bigelow)”, disse o cineasta, referindo-se a sua colega e ex-mulher, diretora de “Guerra ao Terror”. Vamos ver o que acontece no DGA e no Oscar.

Melhor Filme – Drama

Vencedor:
Avatar

Outros indicados:
Amor Sem Escalas
Bastardos Inglórios
Guerra ao Terror
Preciosa

Melhor Filme – Musical ou Comédia

Vencedor:
Se Beber, Não Case

Outros indicados:
(500) Dias Com Ela
Julie & Julia
Nine
Simplesmente Complicado

Melhor Ator – Drama

Vencedor:
Crazy Heart – Jeff Bridges

Outros indicados:
Amor Sem Escalas – George Clooney
Direito de Amar – Colin Firth
Entre Irmãos – Tobey Maguire
Invictus – Morgan Freeman

Melhor Ator – Musical ou Comédia

Vencedor:
Sherlock Holmes – Robert Downey Jr.

Outros indicados:
(500) Dias Com Ela – Joseph Gordon-Levitt
O Desinformante! – Matt Damon
Um Homem Sério – Michael Stuhlbarg
Nine – Daniel Day-Lewis

Melhor Atriz – Drama

Vencedora:
The Blind Side – Sandra Bullock

Outras indicadas:
Educação – Carey Mulligan
The Last Station – Helen Mirren
Preciosa – Gabourey Sidibe
The Young Victoria – Emily Blunt

Melhor Atriz – Musical ou Comédia

Vencedora:
Julie & Julia – Meryl Streep

Outras indicadas:
Duplicidade – Julia Roberts
Nine – Marion Cotillard
A Proposta – Sandra Bullock
Simplesmente Complicado – Meryl Streep

Melhor Ator Coadjuvante

Vencedor:
Bastardos Inglórios – Christoph Waltz

Outros indicados:
Invictus – Matt Damon
The Last Station – Christopher Plummer
The Messenger – Woody Harrelson
Um Olhar do Paraíso – Stanley Tucci

Melhor Atriz Coadjuvante

Vencedora:
Preciosa – Mo’Nique

Outras indicadas:
Amor Sem Escalas – Vera Farmiga
Amor Sem Escalas – Anna Kendrick
Direito de Amar – Julianne Moore
Nine – Penélope Cruz

Melhor Direção

Vencedor:
Avatar – James Cameron

Outros indicados:
Amor Sem Escalas – Jason Reitman
Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino
Guerra ao Terror – Kathryn Bigelow
Invictus – Clint Eastwood

Melhor Roteiro

Vencedor
Amor Sem Escalas – Jason Reitman; Sheldon Turner

Outros indicados:
Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino
Distrito 9 – Neill Blomkamp; Terri Tatchell
Guerra ao Terror – Mark Boal
Simplesmente Complicado – Nancy Meyers

Melhor Canção Original

Vencedor:
Crazy Heart – T-Bone Burnett; Ryan Bingham – “The Weary Kind”

Outros indicados:
Avatar – James Horner; Simon Franglen; Kuk Harrell – “I Will See You”
Entre Irmãos – U2; Bono – “Winter”
Everybody’s Fine – Paul McCartney – “(I Want To) Come Home”
Nine – Maury Yeston – “Cinema Italiano”.

Melhor Trilha Sonora Original

Vencedor:
Up – Altas Aventuras – Michael Giacchino

Outros indicados:
Avatar – James Horner
O Desinformante! – Marvin Hamlisch
Direito de Amar – Abel Korzeniowski
Onde Vivem os Monstros – Carter Burwell; Karen Orzolek

Melhor Filme em Língua Estrangeira

Vencedor:
A Fita Branca

Outros indicados:
Abraços Partidos
Baarìa – A Porta do Vento
La Nana
O Profeta

Melhor Filme de Animação

Up – Altas Aventuras

Outros indicados:
Coraline e o Mundo Secreto
O Fantástico Senhor Raposo
A Princesa e o Sapo
Tá Chovendo Hamburguer

Prêmio Cecil B. DeMille – pelo conjunto da obra
Martin Scorsese

Melhor Ator em Série – Drama

Vencedor:
“Dexter” – Michael C. Hall

Outros indicados:
“Big Love” – Bill Paxton
“House M.D.” – Hugh Laurie
“Mad Men” – Jon Hamm
“The Mentalist” – Simon Baker

Melhor Ator em Minissérie ou Filme Para TV

Vencedor:
“Taking Chance” – Kevin Bacon

Outros indicados:
“Wallander” – Kenneth Branagh
“Endgame” – Chiwetel Ejiofor
“Georgia O’Keeffe” – Jeremy Irons
“Into the Storm” – Brendan Gleeson

Melhor Ator em Série – Musical ou Comédia

Vencedor:
“30 Rock” – Alec Baldwin

Outros indicados:
“Californication” – David Duchovny
“Glee” – Matthew Morrison
“Hung” – Thomas Jane
“The Office” – Steve Carell

Melhor Atriz em Série – Drama

Vencedora:
“The Good Wife” – Julianna Margulies

Outras indicadas:
“Damages” – Glenn Close
“Mad Men” – January Jones
“The Closer” – Kyra Sedgwick
“True Blood” – Anna Paquin

Melhor Atriz em Minissérie ou Filme Para TV

Vencedora
“Grey Gardens” – Drew Barrymore

Outras indicadas:
“Georgia O’Keeffe” – Joan Allen
“Grey Gardens” – Jessica Lange
“Prayers for Bobby” – Sigourney Weaver
“The Courageous Heart of Irena Sendler” – Anna Paquin

Melhor Atriz em Série – Musical ou Comédia

Vencedora:
“United States of Tara” – Toni Collette

Outras indicadas:
“30 Rock” – Tina Fey
“Cougar Town” – Courteney Cox
“Glee” – Lea Michele
“Nurse Jackie” – Edie Falco

Melhor Ator Coadjuvante – Televisão

Vencedor:
“Dexter” – John Lithgow

Outros indicados:
“Damages” – William Hurt
“Entourage” – Jeremy Piven
“How I Met Your Mother” – Neil Patrick Harris
“Lost” – Michael Emerson

Melhor Atriz Coadjuvante – Televisão

Vencedora:
“Big Love” – Chloë Sevigny

Outras indicadas:
“Damages” – Rose Byrne
“Glee” – Jane Lynch
“Hung” – Jane Adams
“Into the Storm” – Janet McTeer

Melhor Série – Musical ou Comédia

Vencedora:
“Glee”

Outras indicadas:
“30 Rock”
“Entourage”
“Modern Family”
“The Office”

Melhor Série – Drama

Vencedora:
“Mad Men”

Outras indicadas:
“Big Love”
“Dexter”
“House M.D.”
“True Blood”

Melhor Minissérie ou Filme Para TV

Vencedor:
“Grey Gardens”

Outros indicados:
“Little Dorrit”
“Georgia O’Keeffe”
“Into the Storm”
“Taking Chance”

Comédia mistura com câncer? "50/50" e outros trailers da semana

50/50

Há bem pouco tempo, falar em um filme sobre câncer significava levar um estoque de lenços para o cinema. Porém, já é tendência uma mudança de ângulo no tratamento do tema. Com os avanços da medicina, o câncer deixou de ser sinônimo de morte certa e a forma como é encarado mudou. 
O peso da palavra “câncer”, porém, ainda é forte e o grande trabalho do trailer de “50/50”era mostrar que comédia e câncer eram duas palavras que poderiam ser associadas sem assustar. Nesse sentido, a prévia é genial por um único motivo: a introdução que a antecipa. Nela identificamos que a história é real e o personagem principal, o jovem com câncer, é inspirado em seu próprio roteirista. Dessa forma, o trailer valida o seu tema, evitando qualquer tipo de estranhamento que poderia produzir. É como se nos dissesse: “Se por algum motivo a cena do protagonista usando o câncer para conseguir mulheres te incomodar, lembre-se que ela está sendo contada pelo próprio cara, que realmente teve o câncer e que tem propriedade para falar sobre isso.”
E o fato do enfoque ser mais de uma “dramédia” do que precisamente uma comédia, o que não é novidade (o seriados “The Big C”e “Desperate Housewives” já fizeram isso) também ajuda.


THE DESCENDANTS

Um novo filme de Alexander Payne é sempre muito esperado para uma turma de cinéfilos. Então, só o fato de o trailer dar destaque ao seu nome já é uma boa forma de vendê-lo para este público em potencial. O negócio é que, visualmente, os filmes de Payne não se diferenciam completamente à primeira vista. O cineasta é um artesão das palavras, das narrativas, dos complexos personagens. São informações que um trailer de poucos minutos não consegue passar. Portanto, é essencial lembrar quem é o responsável pelo longa e quais os outros que ele já fez (o trailer lembrou o de “Sideways” e “As Confissões de Schmidt”). Como o trailer vende um típico indie sobre pessoas diferentes obrigadas a conviverem juntas, essa é uma garantia de que não veremos mais uma “dramédia” indie genérica e, sim, uma “dramédia” de Alexander Payne. Há uma diferença imensa aí. 
E gosto de ver a abordagem que George Clooney parece dar à sua interpretação.


I DON’T KNOW HOW SHE DOES IT e A LITTLE HELP

Não tem muito tempo, o público feminino começou a ser observado com mais atenção pelos produtores de Hollywood. Desde que “Crepúsculo”, “Um Sonho Possível”, “O Diabo Veste Prada”, “Mamma Mia”, “Julie e Julia”, “Encantada”, “Sex And The City”e outros longas chamaram a atenção de mulheres e surpreenderam nas bilheterias, elas se tornaram espectadoras requisitadas.
Na última semana, foram lançados dois trailers que visam o público. O primeiro parece um produto pensado, produzido e embalado com o slogan “apenas para mulheres”.

O trailer de “I Don’t Know How She Does It” é bem-sucedido neste quesito “produto feminino”. Não há nada de novo, mas traz interessantes soluções visuais para externalizar os pensamentos femininos, como as frases escritas na parede e o congelamento da cena. Parece um filme que já vem com a mensagem de auto-ajuda pronta. 
É interessante observar como a prévia omite informações que poderiam atrair o público, como ser baseado em um best-seller ou ser escrito pela mesma roteirista de “O Diabo Veste Prada”. A sensação é de total confiança no tema. 
Existe, entretanto, uma informação visual que o trailer dá que desmonta toda essa confiança. Vamos lá: Sarah Jessica Parker de mulher moderna, imagens de Nova York embaladas pela narração em off da atriz. Te remete a algo? Carrie Bradshaw, talvez? A personagem de Parker, que saiu imune de qualquer filme ruim, continua uma referência para uma turma de mulheres que pagou caro para assistí-la no cinema. Que tal fazê-las pagar pelo ingresso deste também?

Já “A Little Help”é uma comédia de 2009, exibida em alguns festivais, mas só agora foi adquirida por uma distribuidora e será lançada nos cinemas. Não é uma ótima notícia. 
Não é possível saber se a ideia do filme seria atingir o público feminino, mas o trailer quer dar essa sensação. É a mesma ideia do anterior: mãe, profissional, esposa e, pior, agora viúva. 
Enquanto o trailer de “I Don’t Know How She Does It” assume o lado produto-padrão, o de “A Little Help” tenta mostrar que segue o estilo “Juno”e “Pequena Miss Sunshine” de ser indie. É um trailer na média, sem nada demais, mas que se torna interessante ao focar a protagonista como uma mulher imperfeita, o que torna a personagem de Fischer mais carismática que a de Parker.  Além disso, a abordagem do humor tragicômico dá o clima e as falas sobre o 11 de Setembro nas brigas entre mãe e filho são muito boas. 

TAKE SHELTER

“Take Shelter” chega aos cinemas já aclamado em Cannes e Sundance, e a prévia dá uma noção de estarmos diante de um exemplar cinematográfico superior. O trailer é muito claro na ascensão da tensão. Primeiro, uma família comum, cujo pai percebe uma ameaça de tempestade. Ele fica obcecado com a ideia de construir um abrigo que, por algum motivo, causa uma crise em seu casamento. Logo, já sabemos que o protagonista não é um homem com uma boa saúde mental. Enfim, a história nos é bem apresentada sem, aparentemente, entregar tudo e, por isso, atiça a nossa curiosidade. O tema realidade e fantasia me lembrou muito “Cisne Negro”, mas aqui, pela prévia, já notamos que não existirá o abuso de câmeras em movimento ou edição rápida. O que, para mim, é uma boa notícia. E prestem atenção na belíssima fotografia. 
Enfim, um trailer de primeira.

OS MUPPETS

A magia do cinema nos faz acreditar na mentira mais escandalosa. Sim, nós aceitamos felizes o Homem-Aranha liberar uma teia de seu pulso e sair pulando de prédio em prédio por Nova York. É coerente com o universo criado. Por isso, é tão estranho ver um microfone invadindo a tela, quebra completamente o clima criado.
Fazer um filme de fantoches interagindo com seres-humanos e tal interação ser aceita pelo espectador como parte de um universo onde isso poderia acontecer é, portanto, difícil. Ora, são fantoches, afinal! A gente sabe que existe alguém os manipulando.
O primeiro teaser dos Muppets faz um belo trabalho para criar este clima. Para isso ele, justamente, quebra o clima. Explico: se você assiste a este trailer pela primeira vez, sem nenhuma informação anterior, a impressão de uma genérica comédia romântica é inevitável. Até o locutor começar a apresentar o elenco e ele próprio duvidar do que está narrando: “Miss Piggy?” Aí vem Jason Segel: “Peraí, tem Muppets nesse filme?” O trailer quebra toda a ilusão da narrativa e, ao quebrá-la, coloca Caco e Miss Piggy como se fossem seres reais que interpretam personagens no filme dos Muppets, assim como Amy Adams e Jason Segel. Quando o trailer mostra uma espécie de cena de bastidores e Caco continua falando, ele ajuda na construção de uma crença irracional de que o fantoche com vida é algo verossímil neste universo. Daí nasce a graça da prévia, além da brincadeira que faz com o gênero comédia romântica. 
Mas, claro, ela só funciona totalmente sem nenhuma informação anterior. No mundo virtual, isso é impossível. Os produtores sabem disso e, para dar continuidade à campanha de marketing dos Muppets, lançaram um novo teaser que não faz essa quebra, mas também satiriza um gênero. Para quem não percebeu, o segundo teaser de “Os Muppets” (abaixo) é uma brincadeira com o primeiro teaser de “Se Beber Não Case 2″. 



DON’T BE AFRAID OF THE DARK

“Don’t Be Afraid of the Dark” é centrado em Sally, uma arredia garotinha que se muda com seu pai e a nova namorada para uma mansão do século XIX que estão reconstruindo. Na casa, a menina descobre um porão secreto e liberta monstruosas criaturas. Uma história comum. Porém, o trailer quer te avisar que existe o dedo de Guillermo del Toro no projeto. 
Depois de “O Labirinto do Fauno”, o cara virou praticamente o papa das histórias fantásticas de terror. O destaque do nome do cineasta seria como se fosse a confirmação de um universo fantástico de qualidade. Porque, no fim das contas, é o que realmente chama a atenção. Afinal, a prévia explora todos os conhecidos ingredientes de filmes do tipo: a criança reservada, os adultos céticos, o coadjuvante misterioso que dá o aviso, uma história misteriosa que explica as criaturas. Enfim, passa a sensação de mais do mesmo. Porém, sabendo se tratar de uma produção de Guillermo del Toro, a expectativa sobe.

HAPPY FEET 2

“Happy Feet” é uma animação que nunca me interessou. Pelo fato de todos os pinguins serem iguais uns aos outros, não existe, no meu caso, uma identificação com os personagens. Diferente, por exemplo, do Scrat de “A Era do Gelo”, as expressões faciais e os movimentos corporais dos pinguins nunca me passaram nada. O problema é que o trailer usa os pouco carismáticos personagens para atrair o que, para mim, não funciona.

THE WHISTLEBLOWER

Rachel Weisz tenta fazer um trabalho social em algum país devastado, mas sua atuação incomoda poderosas corporações. Oi? “O Jardineiro Fiel” não foi lançado há uns três anos? O trailer de “The Whistleblower” se beneficia muito com a sua protagonista fazendo um papel semelhante àquele que lhe rendeu um Oscar e um bocado de credibilidade. Não é uma prévia arrebatadora. Os thrillers políticos parecem seguir um mesmo esquema e, pela prévia, este não parece fugir deles. Mas atrai pelo nível de absurdo da denúncia e o gabaritadíssimo elenco: Vanessa Redgrave, David Strathairn e Monica Belluci. E, claro, um elogio aqui e acolá para dar a sensação de um filme respeitado.

BAIT 3D e SHARK NIGHT 3D

Filmes de criaturas assassinas são o meu guilty pleasure. É difícil não me divertir com um. Mas, claro, sei diferenciar uma bobagem de um filme bom. “Do Fundo do Mar” é uma grande e divertida besteira. Já “O Nevoeiro” é um filmaço. “A Noiva de Chucky” é uma hilária idiotice. “Morte Súbita” e “Abismo do Medo” não apresentam a mensagem sociológica de “O Nevoeiro”, mas trabalham bem seus personagens e a tensão da narrativa. Tivemos, na semana passada, o lançamento de dois trailers de filmes de tubarões assassinos que parecem ter esses dois enfoques diferentes.
Ninguém pode reclamar de “Shark Night 3D”. O trailer entrega exatamente o que o filme parece ser: um desfile de corpos sarados no primeiro terço do longa e os mesmos corpos sarados destroçados a partir da  meia hora inicial. A assinatura dos produtores e diretores de “O Albergue”, “Premonição”e “O Massacre da Serra Elétrica” garante as mortes criativas, o sangue jorrando e os sustos sem tensão. Enfim, parece mais um filme ruim divertido, que dependendo da bilheteria, poderá ser repetido eternamente até “Shark Night 3D – Parte 32”. Pense nos riscos, então.

Já o trailer de “Bait” comunica um filme menos sanguinolento, um pouco mais sutil (se é que é possível usar esta palavra), mais claustrofóbico, que trabalha com a construção da tensão e alguns personagens um pouco menos bidimensionais. O problema é construir uma certa expectativa e não cumprir, por que a linha entre um filme de bichos assassinos ruim e um filme de bichos assassinos que valha a pena é bem tênue.

OS SMURFS

Os Smurfs vão para a cidade. Encontram um cara certinho para virar a vida dele ao avesso. Gargamel e os Smurfs usam todas as piadas possíveis e já conhecidas de perseguições no estilo “gato e rato”, sendo os bichinhos azuis os espertões e Gargamel o Coiote, ou o Frajola, ou o Tom… Enfim, Gargamel será atropelado dezenas de vezes. Se você se atrai por filmes com bichinhos bonitinhos, este trailer é para você. Mas já aviso que parece que vai ser como todos os outros, afinal não será “Os Smurfs” e nem Raja Gosnell, seu diretor, que vão injetar um pouco de frescor neste subgênero. Ah, o trailer não te avisa, mas eu sim: Gosnell dirigiu “Vovó… Zona”. Já basta para manchar qualquer currículo.

Outros destaques de 2003

Melhores Interpretações Masculinas
Adrien Brody, “O Pianista”
Olivier Gourmet, “O Filho”
Johnny Depp, “Piratas do Caribe”

Melhores Interpretações Femininas
Alison Lohman, “Os Vigaristas”
Leandra Leal, “O Homem Que Copiava”
Renée Zellweger, “Abaixo o Amor”

Troféu Vampira (ou “Por Ela Eu Entro em Coma”)
Monica Bellucci, “Matrix Reloaded/Revolutions”, “Lágrimas do Sol”, “Irreversível”
Menção honrosa: Jessica Biel, “O Massacre da Serra Elétrica” e Leandra Leal, “O Homem Que Copiava”

Seqüências de Ação Fodas
Perseguição com caminhão-guindaste, “O Exterminador do Futuro 3”
Batalha nos campos do Pelennor, “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”
Batalha em Zion, “Matrix Revolutions”

Melhores Porradas
Hulk vs. Cães-Hulk, “Hulk”
The Bride vs. todos seus inimigos, “Kill Bill: Volume 1”
Neo vs. Bane, “Matrix Revolutions”

Melhores Finais
Confissões de uma Mente Perigosa
O Exterminador do Futuro 3
Chicago

Trilha-Sonora Instrumental “Só Escuto no Talo”
“O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei”

Trilha-Sonora Compilada “Repeat ON”
“Houve Uma Vez Dois Verões”
Menção honrosa: “Kill Bill: Volume 1”

*Obs. para essas duas categorias: ouvi poucas trilhas em 2003. Dentre as que pude conferir na íntegra, essas duas foram as que mais gostei.

Melhores DVDs adquiridos
Superman – O Filme (os outros dois filmes do box eu considero extras)
E.T. – O Extraterrestre (edição tripla)
X-Men 1.5
Procurando Nemo
Box Indiana Jones

Melhor Filme Subestimado Por Crítica e Público
Full Frontal (2002, EUA)
Dir.: Steven Soderbergh

Melhor Animação
Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003, EUA)
Dir.: Andrew Stanton

Melhores Filmes Assistidos nas Poucas Mostras a Que Compareci
– Ônibus 174 (2002, Brasil)
Dir.: José Padilha (Mostra de Cinema de Tiradentes)

– Baran (2001, Irã)
Dir.: Majid Majidi (Mostra Indie de BH)

Filme Excelente Que Não Entrou na Lista de Melhores
Sobre Meninos e Lobos (Mystic River, 2003, EUA)
Dir.: Clint Eastwood

Quotes Memoráveis do Ano
(eu devia ter anotado direito isso, mas vou listar apenas as que me vêm a memória neste instante)

– Diálogo entre Mística e Noturno, “X-Men 2”:
Noturno: “They say you can imitate anyone, even their voice.” Mística: “Even their voice.” Noturno: “Then why not stay in disguise all the time? You know, look like everyone else.” Mística: “Because we shouldn’t have to.”

– Discurso de Merovingian* sobre causa e conseqüência, “Matrix Reloaded”:
“What is the reason? Soon the why and the reason are gone and all that matters is the feeling. This is the nature of the universe. We struggle against it, we fight to deny it; but it is of course a lie. Beneath our poised appearance we are completely out of control. You see there is only one constant. One universal. It is the only real truth. Causality. Action, reaction. Cause and effect.”

– Hattori Hanzo falando sobre a espada feita para The Bride, “Kill Bill: Volume 1”:
“I can tell you with no ego that this is my finest blade. If, on your journey, you should encounter God… God will be cut.”

– Bill falando com The Bride antes de dar o tiro mortal, “Kill Bill: Volume 1”:
“Do you find me sadistic? Yah know, I bet I could fry an egg on your head right now, if I wanted to. Now Kiddo, I’d like to believe that you’re aware enough even now to know there’s nothing sadistic in my actions, maybe towards those other… jokers, but not you. No Kiddo, this moment, this me at my most… masochistic.”

* Troféu Especial “Palavrão Mais Bem Falado em um Filme”, para Lambert Wilson, “Matrix Reloaded”:
“I love French wine, like I the French language. I have sampled every language, French is my favorite. Fantastic language. Especially to curse with. Nom de dieu de putain de bordel de merde de saloperie de connard d’enculé de ta mère. It’s like wiping your arse with silk. I love it.”

Gratas Surpresas do Ano (ou “Filmes Que Eu Não Esperava Nada, Mas Surpreenderam”)
CINEMA: Driblando o Destino (Bend It Like Beckham, 2002, Inglaterra)
Dir.: Gurinder Chadha

DVD: O Último Beijo (L’Ultimo Baccio, 2001, EUA)
Dir.: Gabriele Muccino

Melhores Clássicos Assistidos
DVD: Os Sete Samurais (Sichinin no Samurai, 1954, Japão)
Dir.: Akira Kurosowa

CINEMA: Grande Ditador, O (The Great Dictator, 1940, EUA)
Dir.: Charles Chaplin

Melhor Cineasta Descoberto
Sofia Coppola, “As Virgens Suicidas”

Filme Cult do Ano
Clube do Suicídio (Jisatsu Circle, 2001, Japão)
Dir.: Shion Ono (visto na Mostra Indie de BH)

Filmes Que Eu Mais Queria Ter Visto em 2003 (Mas as Distribuidoras Não Deixaram)
Peixe Grande
Dogville
21 Gramas
Encontros e Desencontros

A importância de X-Men para o futuro da Marvel

A franquia “X-Men” parece cumprir uma função essencial no departamento de cinema da Marvel. O primeiro filme, dirigido por Bryan Singer e lançado em 2000, praticamente abriu as portas para a tradicional empresa de quadrinhos se aventurar nas telas grandes e construir o seu império cinematográfico. Não foi o primeiro a chegar aos cinemas (“Blade” e “Howard, The Duck” foram lançados antes), mas certamente foi a primeiro a se associar com mais força à marca Marvel e levá-la para um público mais expressivo em números.

Depois de “X-Men”, vieram “Homem-Aranha”, “Homem de Ferro”, “Hulk”, “Demolidor”, “Thor” e outros.  A chegada de “X-Men” nos cinemas é resultado de uma co-produção entre Marvel e Fox. Seu sucesso abriu as portas para outros estúdios se associarem à Marvel (“Homem-Aranha, “Demolidor”) e a própria Marvel passar a produzir no cinema sozinha (“Homem de Ferro”, “Thor”, “Hulk”), através da Marvel Studios

Hoje, a marca é reconhecida e aparentemente estável no audiovisual. Aparentemente porque o grande problema de uma marca que cresce e ganha dinheiro demais é sacrificar uma visão empreendedora , sem riscos, e passar a repetir os mesmos passos que a fez juntar seus milhões.

Apesar de ser uma das primeiras franquias da Marvel a chegar aos cinemas, “X-Men” não é a mais rica. Enquanto os filmes da trilogia mutante nunca ultrapassaram a barreira de US$ 500 milhões nas bilheterias, os longas do “Homem-Aranha” chegaram ao redor dos US$ 800 milhões. Não que US$ 500 milhões sejam ruins, mas já que dá para fazer 800, por que não aproveitar? O que se viu, então, foi a consagração de “Homem-Aranha” como o produto “Marvel” e a subsequente repetição de sua narrativa.
O homem imaturo que se vê em uma realidade diferente, causadora de seu amadurecimento. Há o interesse amoroso, com a função de levar o filme para o romance e, algumas vezes, comédia romântica. Não é assim nos carros-chefe da Marvel Studios ? “Homem de Ferro”, “Thor” e “O Incrível Hulk”? Não é essa a impressão dada pelo trailer de “Capitão América”? Não ficamos sentados no cinema até o fim dos créditos pois sabemos que um produto Marvel tem sempre uma surpresinha final? É fácil identificar filmes da Marvel, além de seus heróis. E funcionam, certo? “Homem de Ferro” continuou a trajetória de lucros, assim como “Thor”. E, acima de tudo, são filmes divertidos.
Porém, a cada filme, a receita narrativa fica mais clara e a falta de frescor cada vez mais identificável. Certamente trata-se de uma tendência que pode condenar o “produto Marvel”. Afinal, “Homem de Ferro” lucra, mas não chega aos pés do fenômeno que foi o último “Batman”, da DC Comics e totalmente alheio ao estereótipo dos filmes de heróis. “Thor” lucra, mas sua arrecadação é menor que a de “Velozes e Furiosos 5”, o quinto filme de uma franquia que nem é tão tradicional assim.
É nesse cenário que surge “X-Men: Primeira Classe”, um novo filme e recomeço da franquia. Remonta as origens do grupo de mutantes, através das histórias do Professor Xavier e Magneto que, em um dado momento, se cruzam. Cada um deles lida com seu gene mutante da forma que a vida lhes reservou. Eric Lensherr viu a mãe morrer na sua frente e foi explorado por seus poderes mutantes. Charles Xavier teve uma vida rica financeiramente e, por isso, cheia de possibilidades, dentre elas, estudar a sua própria característica excepcional. O primeiro vê um mundo hostil aos mutantes, de impossível melhora, já que humanos, cegos em seus preconceitos, nunca conseguiriam absorver a ideia de poderes extraordinários. Xavier também percebe esse mundo hostil, mas acredita que existe esperança, que é possível a convivência pacífica entre humanos e mutantes. Apesar dos pensamentos distintos, Eric e Xavier se se tornam amigos em um primeiro momento, unidos pela causa mutante.
Daí surgem as diferenças entre “X-Men” e outros longas da Marvel os “produtos puros” da Marvel Studios. “X-Men” não é um filme sobre um personagem específico, não existe um protagonista propriamente dito. É um filme sobre um tema: a aceitação. Mas não a aceitação de mutantes por humanos, humanos por mutantes ou mutantes por outros mutantes. Essa foi a questão tratada nos filmes anteriores. Em “Primeira Classe” o mote é a aceitação dos mutantes por eles mesmos e, a partir do momento que ela ocorre, cada um lida com a própria existência e o mundo ao redor – que a influencia, de uma forma particular. Por isso, não dá para dizer que Magneto ou Xavier sejam os protagonistas do longa. O verdadeiro protagonista, se é para achar um, é a relação entre eles. É ela que, ao longo do filme, percorre um trajetória de mudança e provoca as mudanças nos caminhos de outros personagens.
Por isso que, se alguns personagens parecem rasos ou pouco dimensionais, é porque eles estão a serviço de um tema maior. Afinal, são muitas figuras que desfilam em “X-Men: Primeira Classe” e quase todas elas tem uma certa profundidade, ou seja, não são enfeites, como era a Mística e a Tempestade nos filmes anteriores. A Mística aqui, interpretada com talento por Jennifer Lawrence, é uma personagem atormentada por sua aparência, incomodada por não poder (ou conseguir) assumir o seu verdadeiro eu, por mais que queira. Toda a sua trajetória é reflexo do que sente.
Através de interessantes soluções visuais, alguns personagens menores conseguem ir além de adornos narrativos e complementam a história de uma forma mais consistente. Em uma única sequência, já conseguimos perceber que a mutante Angel Salvadore é uma menina desconfiada que, provavelmente, foi muito explorada na vida e que Havok é uma espécie de atrevido de bom coração. Claro que não se tratam de soluções geniais, mas são necessárias para o tema maior e, mais importante, são eficazes.
É esperado, portanto, que com tanto personagens, o roteiro de Matthew Vaughn, Jane Goldman, Zack Stentz e Ashley Miller não tivesse uma profundidade almodovariana para cada um. E, claro, não se trata de algo perfeito. Poderia ser um pouco maior. Talvez, se a história fosse concebida como uma trilogia, o resultado seria mais satisfatório em termos narrativos. Há alguns momentos um pouco encavalados aqui e ali, para deixar claro o que está se passando no interior dos personagens. Mas, o fato é que funciona para a construção do todo, da jornada dessa relação entre Magneto e Xavier e seus reflexos. Acreditamos na escolha de cada personagem, porque eles foram minimamente trabalhados nos minutos anteriores. O diretor Matthew Vaughn também fez uma ótima escolha ao colocar cenas reais da época do longa, como os pronunciamentos de John Kennedy (o filme é ambientado na década de 60, no auge da Guerra Fria).

Não há em “X-Men: Primeira Classe” um ingrediente claro que remeta ao “produto Marvel”. A narrativa é diferente. Aliás, assim como “Batman”, nem parece um filme de super-heróis. Está mais para um thriller com personagens mutantes.
Daí voltamos à importância da série “X-Men”. Ao sair da sala, me informaram que há uma preocupação na bilheteria de “X-Men: Primeira Classe”. Afinal, a divulgação realmente não está das melhores. E, como já comentado, a narrativa difere de outras de super-heróis por aí. Mas, por mais que a publicidade do longa merecesse um esforço maior, talvez seja um filme com a função de teste.
É uma suposição baseada em dados não confirmados, na verdade. Não consegui encontrar números oficiais, mas rumores da web dizem que o orçamento de “X-Men: Primeira Classe” foi de US$ 80 milhões. Não é confirmado, mas tudo indica que não foi orçamento mais polpudo de todos os tempos, até mesmo pelo próprio desgaste da franquia nos cinemas e pela escolha de Vaughn, um cara que já provou fazer coisas muito bacanas com pouco dinheiro (“Kick-Ass” custou US$ 50 milhões).
O fato é que o primeiro “Homem de Ferro” custou US$ 140 milhões, o segundo ficou na casa dos US$ 200 milhões, “Thor” foi realizado com US$ 150 milhões e, no fim das contas, são filmes muito parecidos. Como disse, são divertidos, mas um dia cansa. O próprio Vaughn deu algumas declarações ao jornal Los Angeles Times, indicativas do particular estado dos filmes de super-heróis. Segundo ele, ao explicar por que aceitou fazer o filme, o gênero não dura por muito mais tempo.
“Está com hora marcada e em alguns casos o controle de qualidade não é o que deveria ser. As pessoas estão ficando cansadas. (…) Sempre quis fazer um filme de super-heróis de alto orçamento e acho que ultrapassamos o Rubicon (Vaugh usa a palavra Rubicon no sentido de ‘caminho sem volta’) em relação aos filmes de super-heróis. Acho que a oportunidade de dirigir um ocorrerá mais duas ou três vezes. Depois, o gênero vai morrer por um tempo pois o público já o engoliu demais. É um campo cheio. Cheio demais.”
Pode parecer pessimista, mas é um panorama que parece se formar por motivos já expostos. É claro, portanto, que Vaughn não faria o mesmo filme de sempre. E, possivelmente, a Marvel a Fox, ao escalá-lo, não estivesse esperando o mesmo filme de sempre. Afinal, ele foi selecionado pela própria empresa para dirigir “X-Men: O Confronto Final”, antes de cair nas mãos de Brett Ratner. Em entrevista ao jornal Daily Telegraph, antes de ser escalado para realizar “X-Men: Primeira Classe”, Vaughn revelou porque decidiu abdicar da direção do longa anterior.
“Não tive tempo para realizar o filme que gostaria. Tinha uma visão sobre como deveria ser e queria ter a certeza de que estava fazendo um filme tão bom quanto ‘X-Men 2’. Sabia que não iria acontecer e vi que não era a coisa certa para mim. Foi uma decisão difícil, porque era uma puta oportunidade. Mas estava tentando construir uma carreira como diretor e não queria ser conhecido como ‘o cara que fez o filme ruim dos X-Men’.”
Daí a Marvel Fox vem e o chama para dirigir “X-Men: Primeira Classe”? Tem coisa aí, certo?  
Temos, então, um diretor que consegue fazer obras muito divertidas com pouco grana e com frescor. Dessa forma, “X-Men: Primeira Classe” é um filme com poucas cenas de ação e efeitos especiais menos espetaculares. Mas nunca é menos envolvente. Até mais, pois, aqui, nos importamos muito com seus personagens e o perigo parece real.

Além disso, “X-Men” é uma franquia que permite um risco com segurança. Primeiro porque não estamos falando de algo totalmente desconhecido pelo público. A série é notória e só o nome “X-Men” já chama a atenção. A forma como a história é desenvolvida desde sempre já diferencia da de outros personagens da Marvel. Enquanto “Thor”, “Homem de Ferro” e “Homem-Aranha” são personagens marcantes, a força de “X-Men”, por maior que seja o carisma de Wolverine, está no grupo. Dessa forma, as narrativas dos filmes são naturalmente diferenciadas. E o fato de “X-Men” ser  um produto híbrido, co-produção da Marvel com a Fox,  explica algumas soluções criativas diferentes das do produto Marvel “puro”.

Por mais que Vaughn fale da morte dos filmes de super-heróis, acredito que ele estava muito consciente da importância dos mutantes para o gênero. Posso estar sendo extremamente otimista ao falar isso, mas talvez o seu filme abra  os olhos da Marvel Studios para um novo ângulo de narrativa ou ajude a criar uma ideia no público de que os longas de super-heróis ainda podem surpreender. Afinal, a Marvel é uma empresa e como toda grande empresa, vez ou outra, é preciso arriscar. O público muda e se cansa, e apostar eternamente em uma mesma fórmula é um dos grandes erros e razão da morte de muitas empresas.
Enfim, enquanto existir alguém disposto a recriar e reinventar a franquia do “X-Men”, os super-heróis cinematográficos respiram mais aliviados.

ATUALIZAÇÃO 04/06 12:28: O leitor Alexandre Luiz, nos comentários, disse algo de extrema importância que deixei passar na primeira versão do texto. “X-Men: Primeira Classe”é uma co-produção Marvel e Fox e a segunda toma boa parte das decisões. Há algumas correções (e elas estão destacadas) e novas informações no artigo em função disso. 

INDIE em SP e outros tópicos

Começa hoje, no CINESESC, a versão paulista do INDIE 2008. A programação completa pode ser acessada aqui. É um resumo do que foi exibido em BH, mas tem uma seção inédita por aqui: a retrospectiva Koji Wakamatsu, que, pelas palavras de Francesca Azzi, uma das curadoras e organizadoras da mostra, parece ser deveras interessante (leiam o texto de apresentação que ela escreveu). Quem estiver em Sampa não pode perder.

Ainda sobre o INDIE SP: seis filmes que serão exibidos até o próximo dia 12 foram comentados aqui no cinematório durante a cobertura do INDIE BH:

Anywhere, USA
Ato de Violência
Como Ser
FIX
Hannah Takes the Stairs
Rio

Uma pena que os dois melhores a que eu pude assistir, “Entardecer” e “Bangalô”, integrantes do programa Nova Escola de Berlim, não foram incluídos. No índice aí ao lado, vocês podem conferir outros longas que conseguimos ver.

NOVA INTEGRANTE

A equipe do cinematório cresceu: agora, temos também a presença de Mariana Deslandes em nossas páginas. A Mariana está se formando em Jornalismo, tem uma visão sensível e escreve com talento e espirituosidade. Ela aceitou meu convite para colaborar com o site e estreou ontem, com um texto sobre “Gesto Obsceno”, fechando a cobertura do INDIE. Seja bem-vinda, Mari. Estou certo de que nossos leitores irão aprovar sua chegada.

CINEMA EM CENA

E como alguns de vocês já sabem, estou me desligando da equipe do Cinema em Cena. Hoje foi meu último dia na redação. Não sou mais editor do site, mas continuarei por perto, como colaborador. Uma coluna está sendo planejada e, além disso, o cinematório tem o apoio do CeC, sendo hospedado nos servidores do portal.

Desejo todo sucesso ao Pablo, Patrícia e à toda a nova equipe que está começando agora. Foram sete anos e meio de dedicação e experiências enriquecedoras, sem as quais eu não teria chegado até aqui. E, neste momento, não quero falar de fim, mas de um novo começo. Para mim e para vocês.

Vamos em frente.

Expectativa 2009: Cinema Nacional


“Se Nada Mais Der Certo”, José Eduardo Belmonte

Dando sequência a um post anterior, prosseguimos com nossa série Expectativa 2009, agora com foco no cinema brasileiro: em um ano em que teremos a abominação “High School Musical: O Desafio” ocupando salas como filme brasileiro, o que nossos principais cineastas tem a oferecer? Mas antes, vamos relembrar rapidamente o que já foi lançado até aqui.

“Se Eu Fosse Você 2”, de Daniel Filho, sem dúvida é um marco, porém pelo recorde de público, e não enquanto expressão artística. “Verônica”, apesar dos pesares, acaba sendo o que melhor se viu nesses primeiros meses por representar a tentativa mais próxima e recente do cinema nacional de se aproximar de um filme médio – aquele que não se restringe ao nicho alternativo, mas que também não se rende ao apelo popular. “Menino da Porteira”, de Jeremias Moreira, também se encaixa nessa classificação. Entre os documentários, o destaque fica com “Contratempo”, de Malu Mader (embora eu não tenha visto, nossa colega Mariana Deslandes gostou muito).

Até agora, 2009 tem sido de vacas magras para o nosso cinema. E não parece que a situação irá mudar radicalmente até dezembro. De acordo com tabela do Filme B, as estreias já programadas que realmente chamam a atenção (seja pelo nome de seus diretores, seja pelo que já foi dito sobre os filmes em suas passagens por festivais) são, ao todo, apenas dez – o que dá uma média inferior a uma por mês. É claro que existem outros longas que vão entrar em cartaz e que podem surpreender. Mas, por hora, são nestes que devemos ficar de olho:

– “Se Nada Mais Der Certo“, de José Eduardo Belmonte (Imovision, abril) – Possivelmente o diretor brasileiro que mais filma e não é distribuído, Belmonte já está em seu sexto quarto longa e este é apenas o segundo a ganhar espaço no circuito comercial. O primeiro foi o ótimo “A Concepção”.

– “FilmeFobia“, de Kiko Goifman (Polifilmes, maio) – Vencedor do Festival de Brasília e dono de um conceito muito interessante. Sem falar que Goifman é um artista visual indispensável.

– “Garapa“, de José Padilha (Downtown, maio) – Já vem causando polêmica desde Berlim, o novo documentário do diretor de “Ônibus 174” e “Tropa de Elite” certamente não passará batido.

– “Budapeste“, de Walter Carvalho (Imagem, maio) – Nosso principal diretor de fotografia adapta o romance de Chico Buarque em sua primeira incursão solo no comando de uma ficção. Já andam dizendo coisas boas a respeito por aí.

– “Tempos de Paz“, de Daniel Filho (Downtown, maio) – OK, OK. Talvez incluir Daniel Filho numa lista de expectativa seja um equívoco. Mas como este novo filme não é mais uma de suas comédias delirantes, e sim um drama que se passa numa sala de interrogatórios em 1945, daremos o benefício da dúvida.

– “A Mulher Invisível“, de Cláudio Torres (Warner, junho) – O segundo filme do diretor de “Redentor”, “A Mulher do Meu Amigo”, não convenceu em 2008, passando quase batido pelas salas. Mas este terceiro, novamente uma comédia sobre relacionamentos, tem uma premissa mais interessante. Melhor darmos uma segunda chance.


“Budapeste”, Walter Carvalho

– “A Festa da Menina Morta“, de Matheus Nachtergaele (Imovision, junho) – O filme que todo mundo que frequenta festivais já deve ter visto. Mas para quem paga ingresso, o impacto das imagens de Nachtergaele (ecoando o cinema de Cláudio Assis) finalmente não tardam muito mais.

– “Moscou“, de Eduardo Coutinho (VideoFilmes, julho) – Sobre este não há muito mais o que dizer no momento. É só esperar o mais novo trabalho de nosso maior documentarista chegar às telas que o filme faz o resto.

– “Todo Mundo Tem Problemas Sexuais“, de Domingos de Oliveira (Estação, julho) – Nosso “Woody Allen” tem uma nova comédia pronta desde os festivais do ano passado. Novamente, ele cruza histórias em torno do tema favorito de qualquer piadista. A diferença é que Oliveira sabe contar piadas de sexo com classe.

– “Besouro“, de João Daniel Tikhomiroff (Buena Vista, outubro) – O trailer preliminar divulgado há pouco tempo dá uma noção de que este será um filme de ação à brasileira como nunca se viu. É torcer para que o produto final tenha um bom acabamento, pois será ótimo que um filme de gênero como este, sem grandes nomes no elenco, faça sucesso entre o público. Vale acessar o site oficial e acompanhar.

– “Salve Geral!“, de Sérgio Rezende (Sony, outubro) – Ele pode não ser um cineasta dos mais amados entre os cinéfilos, mas faz filmes pelo menos decentes. E como “Zuzu Angel” ficou acima da média, este drama que traz Andréa Beltrão (atriz que parece ter se redescoberto no cinema) enfrentando os ataques do PCC em São Paulo soa como mais um de seus projetos ambiciosos (afinal, são dele também “Guerra de Canudos”, “Lamarca” e “O Homem da Capa Preta”).

– “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Agua“, de Sérgio Machado (Sony/VideoFilmes, sem data) – Em seu segundo longa de ficção, o diretor de “Cidade Baixa” reúne um grande elenco para adaptar um belo material de Jorge Amado. Vem coisa boa aí.

– “Mano” (título provisório), de Laís Bodanzky (Warner, sem data) – O terceiro filme da talentosa cineasta será voltado para o público adolescente – que é tradicionalmente pouco visado pelo cinema nacional e se vê refém dos enlatados hollywoodianos.

Essa lista traz apenas filmes que já tem distribuição garantida. Mas uma outra compilação do Filme B (embora um pouco desatualizada) mostra que existem vários outros filmes interessantes ou promissores que ainda estão entre os “sem tela”. Dê só uma olhada:


“A Fuga da Mulher Gorila”, Felipe Bragança, Marina Meliande

– “À Margem do Lixo“, de Evaldo Mocarzel (abordando o trabalho dos catadores de papel, é o mais recente documentário deste que é um dos mais prolíficos realizadores brasileiros – e ele tem ainda um outro sem distribuidor, “Sentidos à Flor da Pele”)
– “Belowars“, de Paulo Munhoz (animação sobre a épica “guerra interior” de um garoto do campo, foi o único brasileiro a competir no Anima Mundi ano passado)
– “Crítico“, de Kleber Mendonça Filho (KMF faz seu primeiro longa, um documentário sobre a relação entre críticos e cineastas)
– “A Erva do Rato“, de Júlio Bressane (exibido em Veneza no ano passado, com Selton Mello e Alessandra Negrini, adaptado de dois contos de Machado de Assis)
– “A Fuga da Mulher Gorila“, de Felipe Bragança, Marina Meliande (o road-movie que venceu Tiradentes este ano)
– “Pachamama“, de Eryk Rocha (novo documentário do filho de Glauber, também passou em tudo quanto é festival ano passado – é um road-movie documental que atravessa a floresta amazônica rumo à Bolívia)
– “Rinha“, de Marcelo Galvão (apesar de eu não gostar de “Quarta B”, confesso que fiquei intrigado com a premissa deste: lutas clandestinas realizadas em uma piscina vazia).

E também existem outros filmes que estão em fase de finalização e devem aparecer nos festivais do segundo semestre (alguns, quem sabe, até podem chegar ao circuito comercial ainda este ano). São eles:


“Cabeça à Prêmio”, Marco Ricca

– “À Deriva“, de Heitor Dhalia (diretor de “O Cheiro do Ralo” agora trabalha com elenco internacional, com Vincent Cassel e Camilla Belle)
– “Andar às Vozes“, de Eliane Caffé (primeiro filme da diretora de “Narradores de Javé” após um hiato de seis anos)
– “O Bem Amado“, de Guel Arraes (se “Romance” deixou a desejar, talvez seja mesmo a hora de Arraes se apoiar em material já explorado antes para não fazer feio)
– “Cabeça à Prêmio“, de Marco Ricca (o ator de “Crime Delicado” e “O Invasor” agora é cineasta e trabalha com uma trama policial envolvendo latifundiários no centro-oeste brasileiro)
– “Condomínio Jaqueline“, de Roberto Moreira (o aguardado segundo longa do diretor do impactante “Contra Todos”)
– “É Proibido Fumar“, de Anna Muylaert (também aguardado novo trabalho da diretora de “Durval Discos”, grata surpresa de 2002)
– “Hotel Atlântico“, de Suzana Amaral (mais uma cineasta de volta ao batente)
– “Insolação“, de Daniela Thomas e Felipe Hirsch (a parceira habitual de Walter Salles agora em nova colaboração com o dramaturgo Felipe Hirsch, numa “investigação sobre como o jovem contemporâneo lida com o amor”)
– “Não Se Pode Viver Sem Amor“, de Jorge Durán (diretor de “Proibido Proibir” volta ao cotidiano do subúrbio do Rio)
– “Natimorto“, de Paulo Machline (primeiro longa comandado pelo diretor do curta indicado ao Oscar “Uma História de Futebol” trata de imigração e redenção de um americano no Brasil)
– “Olhos Azuis“, de José Joffily (o retorno de outro veterano, cujo último filme, “Achados e Perdidos”, é de 2005)
– “Porto dos Mortos“, de Davi de Oliveira Pinheiro (é uma nova incursão do cinema brasileiro no terror, agora com zumbis a la George Romero; o trailer já está rolando na web há coisa de um ano)
– “Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo“, de Karim Aïnouz e Marcelo Gomes (diretores de dois filmes fundamentais da retomada, “O Céu de Suely” e “Cinema, Aspirinas e Urubus”, respectivamente, colaboram agora em “uma observação poética sobre o sertão a partir de uma pessoa que está viajando e vive uma desilusão amorosa”).

Enfim, vocês podem perceber que essa última lista é bem mais chamativa do que a primeira. Portanto, é torcer para que pelo menos parte dessas boas promessas possam ser finalizadas logo e que consigam distribuição mais rápido ainda. Para alguns, será mais fácil. Para outros, é torcer para que a crise financeira não faça muitas vítimas.

P.s.: Vale a pena consultar a lista completa do Filme B para saber mais detalhes sobre os projetos supracitados, além de ter uma idéia do que ainda está em fase de desenvolvimento – como novos documentários de José Padilha e Marcos Prado, além de outros trabalhos previstos para diretores da nova onda, como Sérgio Machado, Karim Aïnouz, Beto Brant, Vicente Amorim e Marcos Bernstein, e outros cineastas que não fazem filmes há bastante tempo e preparam seus retornos, como Arnaldo Jabor, Ana Carolina e Jorge Bodanzky.

Outros Destaques de 2004

Pronto, finalizamos a lista de prêmios. Vocês vão encontrar de tudo aqui, do embaraço ao extremo do status cool. Lembrando que o intuito destas várias menções é descontrair, claro. Quer seriedade? Vá atrás do Oscar (se é que o Oscar é pra ser levado a sério…).

O Cara Mais Engraçado do Ano

Will Ferrell, por “O Âncora”, “Starsky & Hutch”, “Dias Incríveis” e sua apresentação no Oscar (ao lado de Jack Black)

Cena Mais Hilária

Pinóquio parodiando “Missão: Impossível” em “Shrek 2” (na verdade, o prêmio merece ir para o filme inteiro).

Melhor Dublagem do Ano

O Gato de Botas de Antonio Banderas, em “Shrek 2”

Diálogo do Ano

An essential characteristic of the superhero mythology is, there’s the superhero, and there’s the alter ego. Batman is actually Bruce Wayne, Spider-Man is actually Peter Parker. When he wakes up in the morning, he’s Peter Parker. He has to put on a costume to become Spider-Man. And it is in that characteristic that Superman stands alone. Superman did not become Superman, Superman was born Superman. When Superman wakes up in the morning, he’s Superman. His alter ego is Clark Kent. His outfit with the big red “S”, that’s the blanket he was wrapped in as a baby when the Kents found him. Those are his clothes. What Kent wears, the glasses, the business suit, that’s the costume. That’s the costume Superman wears to blend in with us. Clark Kent is how Superman views us. And what are the characteristics of Clark Kent? He’s weak, he’s unsure of himself… he’s a coward. Clark Kent is Superman’s critique on the whole human race. Sort of like Beatrix Kiddo and Mrs. Tommy Plympton.

– David Carradine, em “Kill Bill: Volume 2”

Melhores Referências

King Kong escalando o Empire State Building durante a invasão de robôs, em “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”

Todas as referências aos filmes de George Romero, em “Todo Mundo Quase Morto”

Melhor Final

Antes do Pôr-do-Sol

Melhor DVD

A Caixa (também conhecido como Box “Star Wars” – Trilogia)

Melhor Trilha Sonora

“Kill Bill” (Volumes 1 e 2)

Troféu Samuel L. Jackson (concedido ao que de mais “cool” apareceu na tela)

O elenco de “Doze Homens e Outro Segredo”

Filme Que Mais Incomodou e/ou Chocou

“A Paixão de Cristo”, de Mel Gibson – um snuff movie sobre a Bíblia que incomoda pelo sadismo visual.

Troféu John Travolta, ou “Agora Não Dá Mais” ou “Empurrão à Beira do Abismo”

Ben Affleck, que em 2004 apareceu na bomba “Sobrevivendo ao Natal” e não fez nada que melhorasse sua situação pós-“Contrato de Risco” com “Menina dos Olhos” ou “O Pagamento”.

Troféu Cera de Carnaúba para o Mais Canastrão do Ano

Ben Affleck, por todas as suas aparições durante 2004.

Cena Mais Inverossímil (no sentido James Bond)

O “plano” de Angelina Jolie para pegar Ethan Hawke em “Roubando Vidas”.

Troféu “Ops! Eu Acho Que Li o Roteiro Errado”

Robert de Niro, por “O Enviado”

Troféu “Precisou, Tô Lá”

Empate técnico: Ben Stiller, visto seis vezes durante o ano (“Quero Ficar Com Polly”, “A Inveja Mata”, “Starsky & Hutch”, “Com a Bola Toda”, “O Âncora” e “Entrando Numa Fria Maior Ainda”); e Jude Law, que também apareceu em seis filmes (“I Heart Huckabees”, “Capitão Sky e o Mundo de Amanhã”, “Alfie – O Sedutor”, “Perto Demais”, “Desventuras em Série” e “O Aviador”). Observação: estamos considerando filmes lançados nos EUA. Mas se formos considerar somente os que chegaram no Brasil, a marca ainda seria impressionante, já que Stiller esteve em “Duplex” e Law em “Cold Mountain” (ambos de 2003).

Troféu “Onde Está Wally?”
“Caçadores de Mentes”, de Renny Harlin, um filme que tinha lançamento previsto para 2003, foi adiado para 2004 e, agora, já caiu no esquecimento. Será que é tão ruim assim? Bom… Val Kilmer e Christian Slater estão no elenco.

Troféu “Só Sobrou Você”, para o Pior Casting

Empate técnico: Dakota Fanning, por “Chamas da Vingança”; e Anthony Hopkins, por “Revelações”

Troféu “Para Ser Cameo Eu Tinha Que Aparecer Um Minuto a Mais e Não Ser Creditado em Terceiro Lugar no Elenco”

Kiefer Sutherland, “Roubando Vidas”

E não percam, amanhã, as vencedoras do troféu “Por Ela Eu Entro em Coma”!

Diversão retumbante

PACIFIC RIM

Sem lançar um filme desde 2008, o cineasta mexicano Guillermo del Toro volta com tudo com “Círculo de Fogo”, que, a exemplo de seu trabalho anterior, “Hellboy II”, é um filme de monstros.

Na verdade, toda a carreira de del Toro foi construída com filmes de monstros, em menor ou maior escala. Aqui, eles são colossais, imensos, poderosos. A homenagem é explícita ao cinema japonês, que nos deu “Godzilla” nos anos 50 e exportou toda uma gama de outros produtos audiovisuais que se tornaram imensamente populares na TV, com “Ultraman”, “Kamen Rider”, “Jaspion” e “Changeman”, entre outros.

No Ocidente de “King Kong” e Ray Harryhausen, “Círculo de Fogo” é, na memória recente, o mais ambicioso projeto do gênero. Já tivemos outros filmes de monstros gigantes há pouco tempo, como o próprio “Hellboy” de del Toro, o fraco remake de “Fúria de Titãs” e o “King Kong” de Peter Jackson. Mas “Círculo de Fogo” é algo que vai além do escopo de fazer uma homenagem: é um filme que se preocupa com o público além dos fãs de kaiju, o termo japonês usado para definir essas criaturas abissais.

Primeiro porque del Toro tem a preocupação básica de nos deixar ver o que está acontecendo na tela, diferente de outros cineastas que se metem a fazer filmes de ação. Em alguns momentos, há confusão, mas ela é orgânica, surge em um momento de real desordem e pânico. Já na maior parte do tempo das cenas de ação, você vê quando um monstro está sendo desmembrado por um dos robôs jaegers, ou vice-versa. E del Toro ainda é beneficiado pelo tamanho das criaturas, o que naturalmente torna seus movimentos mais lentos, eliminando a necessidade do super slow-motion, tão na moda nos últimos tempos. A câmera lenta, então, é usada apenas em momentos muito específicos, como deve ser.

Outra vantagem de del Toro é que ele se exime de qualquer sentimentalismo. O que há de emoção em “Círculo de Fogo” vem do desenvolvimento dos personagens, e é tudo muito firme, como se espera de um cenário de guerra, graças ainda à escalação bem estudada do elenco.

Temos em Idris Elba um líder nato que se impõe pelo olhar e pela entonação da voz, não pelo porte físico e pelo grito, coisas que ele poderia usar facilmente a seu favor. O herói vivido por Charlie Hunnam é correto, mas tem aquele jeito de anti-herói que o torna mais que um mero soldado determinado. Sua copiloto, interpretada por Rinko Kikuchi, tem atitude e sensibilidade, tendo num flashback um dos melhores momentos do filme, graças, claro, à impressionante atuação da garotinha Mana Ashida. Até mesmo o comediante Charlie Day, irritante em outros filmes, aqui funciona bem como um dos cientistas loucos que tentam encontrar uma forma de derrotar os kaijus.

Com espetacular (sem hipérbole) design de produção e alívio cômico preciso, especialmente nas participações do grandalhão Ron Perlman, frequente colaborador de del Toro, “Círculo de Fogo” é cinema-entretenimento refinado e sem frescuras. Estamos cada vez mais carentes de blockbusters assim. ■

CÍRCULO DE FOGO (Pacific Rim, 2013, EUA). Direção: Guillermo del Toro; Roteiro: Guillermo del Toro, Travis Beacham; Produção: Guillermo del Toro, Jon Jashni, Mary Parent, Thomas Tull; Fotografia: Guillermo Navarro; Montagem: Peter Amundson, John Gilroy; Música: Ramin Djawadi; Com: Charlie Hunnam, Diego Klattenhoff, Idris Elba, Rinko Kikuchi, Charlie Day, Burn Gorman, Max Martini, Robert Kazinsky, Clifton Collins Jr., Ron Perlman; Estúdios: Warner Bros., Legendary Pictures, Disney Double Dare You; Distribuição: Warner Bros. 131 min

CINEMATÓRIO AWARDS 2006: Outros Destaques do Ano!

O Cara Mais Engraçado do Ano

Bill Murray, por “Flores Partidas”

Menção honrosa para Jackson Antunes, por “Confronto Final” * Não vimos o filme, mas só pelo trailer ele merece uma menção. Se tivéssemos visto, certamente ganharia o prêmio principal.

Cena Mais Hilária

A queda da Baleia, em “O Guia do Mochileiro das Galáxias”.

Transcrição do diálogo:

O Guia: É importante notar que, subitamente e contra qualquer probabilidade, a baleia apareceu do nada, várias milhas acima da superfície de um planeta alienígena. Partindo-se do fato que essa não é a posição ideal para uma baleia, esta inocente criatura teve muito pouco tempo para entender o que ela era de verdade. Estes foram os seus pensamentos enquanto ela caia:

A Baleia: Ahhh! Woooh! O que está acontecendo? Quem sou eu? Porque eu estou aqui? Qual o propósito da minha vida? O que eu quero dizer quando eu digo quem sou eu? Okay okay, fique calmo, segura a onda agora. Ooh, essa sensação é interessante. O que será? É como um formigamento na minha… Bem, eu acho que está na hora de começar a nomear as coisas. Vamos chamar de… Cauda! Yeah! Cauda! E, ei, o que é esse som estrondoso que passa pelo que logo eu vou chamar de cabeça? Vento! É um bom nome? Serve. Yeah, isto é realmente excitante. Estou ficando tonto de tanta antecipação! Ou é por causa do vento? Tem um monte dele agora, não? E o que é essa coisa que está vindo na minha direção bem rápido. Tão grande e chato e redondo, precisa de um nome a sua altura como “ow”, ownge”, cão, drão, chão! Isto! Chão! Ha! Eu me pergunto se ele gostaria de ser meu amigo? Olá, Chão!

[espatifa-se]

O Guia: Curiosamente, a única coisa que passou pela cabeça do vaso de petúnias, enquanto caía, foi: “Oh não, de novo não.”
Melhor Dublagem do Ano

Alan Rickman como Marvin, o Andróide Paranóide, em “O Guia do Mochileiro das Galáxias”.

Diálogo do Ano

Palpatine: Lembre-se de seus primeiros ensinamentos. “Todos que ganham poder têm medo de perdê-lo.” Até mesmo os Jedi.

Anakin: Os Jedi usam seu poder para o Bem.

Palpatine: O Bem é um ponto de vista, Anakin.

– Ian McDiarmid e Hayden Christensen, em “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”

Melhores Referências

A “cena do Papa-Léguas” em “Kung-Fusão” (e suas demais paródias e referências a filmes de ação e luta).

Melhor Final

“Batman Begins”

Menção honrosa para “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”, pelo plano final com o pôr-do-sol em Tatooine.

Melhor DVD

“Os Incríveis” (destaque para o curta com Sr. Incrível e Gelado que parece um desenho dos anos 80 – assista com os comentários!)

Melhores Trilhas Sonoras

“9 Canções”

“Boa Noite e Boa Sorte”

Troféu Samuel L. Jackson (concedido ao que de mais “cool” apareceu na tela)

Mickey Rourke como Marv, em “Sin City – A Cidade do Pecado”.

Filme Que Mais Incomodou e/ou Chocou

“Oldboy”, de Park Chan-wook – para quem acha que revelações em filmes não surpreendem mais.

Troféu John Travolta, ou “Agora Não Dá Mais” ou “Empurrão à Beira do Abismo”

Ben Kingsley, por ter aparecido em bombas como “Os Thunderbirds” e “A Sound of Thunder”. Mas só de ter aceitado trabalhar com Uwe Boll em “BloodRayne” ele já merecia.

Troféu Cera de Carnaúba, para o Mais Canastrão do Ano

Matthew McConaughey, por “Sahara”.

Prêmio James Bond, para a Cena Mais Inverossímil do Ano

Tom Cruise, o único ser humano capaz de destruir um tripode em “Guerra dos Mundos”.

Troféu “Ops! Eu Acho Que Li o Roteiro Errado”

John Cusack, por “Procura-se um Amor que Goste de Cachorros”.

Troféu “Precisou, Tô Lá”

Will Ferrell, visto nada menos que sete vezes ao longo do ano: “Kicking & Screaming” (ou “Papai Bate um Balão, a ser lançado direto em vídeo no Brasil), “A Feiticeira”, “Penetras Bons de Bico”, “Os Produtores”, “Melinda e Melinda” (é de 2004, mas só estreou no Brasil em 2005) e ainda “Winter Passing” e “The Wender Baker Story”, que passaram em festivais. E pensar que o Ferrell levou o troféu de Cara Mais Engraçado no ano passado. Pena que esteja desgastando sua imagemtão rápido.

Troféu “Só Sobrou Você”, para o Pior Casting

Keanu Reeves, por “Constantine”

Troféu “Para Ser Cameo Eu Tinha Que Aparecer Um Minuto a Mais e Não Ser Creditado em Terceiro Lugar no Elenco”

Vince Vaughn, por “Sr. e Sra. Smith”

Troféu “Mofei na Gaveta (e devia ter ficado lá)”

“A Sound of Thunder”

Melhor Interpretação Feminina do Ano

Jake Gyllenhall, por “O Segredo de Brokeback Mountain”

Troféu “Matei as Aulas de Montagem” ou “Proibido Para Epiléticos”

“Domino – A Caçadora de Recompensas”, de Tony Scott

Prêmio Especial “Pior Entonação para um NÃÃÃÃÃOOOOO!!!”

Darth Vader, por “Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith”

Quem Quer Ser um Milionário

O grande vencedor do Oscar deste ano, “Quem Quer Ser um Milionário”, faturou oito estatuetas na premiação da academia de cinema de Hollywood, além de também ter conquistado o Globo de Ouro, o BAFTA, o Festival de Toronto, entre outros. Com tantos troféus, o espectador pode pensar: “Deve ser o melhor filme do ano mesmo”. É a velha confusão de que prêmios são sinônimos de qualidade. A bem da verdade, não existe argumento que diga o contrário, visto que outros vencedores do Oscar são de fato excelentes filmes. Mas “Quem Quer Ser um Milionário”, que não é um filme ruim, está bem longe de merecer todo o destaque que lhe tem sido conferido.

É uma fábula moderna, situada na Índia, sobre um menino pobre, chamado Jamal, que passa a vida apaixonado por Latika, uma garota de sua comunidade, com quem ele acaba perdendo contato diversas vezes devido aos revezes da dura vida nas favelas locais. Sua última chance de reencontrá-la, e com a qual o longa começa, surge em um famoso programa de TV, equivalente ao “Show do Milhão” de Silvio Santos. Como em todo conto de fadas, existem os vilões – e somente eles podem impedir que Jamal volte a ver Latika: o apresentador do programa, desconfiado da sorte do garoto que acerta qualquer pergunta; e o líder de uma gangue, que tomou Latika para si.

Isto é “Quem Quer Ser um Milionário”: a história de alguém que sofre muito e, finalmente, tem uma chance de redenção, a menos que o atrapalhem. Estão lá todos os elementos clássicos de uma narrativa que quer manipular o público para fazê-lo torcer pelo protagonista e vibrar com sua vitória. O que explica a exaltação em torno do filme é exatamente essa probabilidade que ele possui de conseguir levantar o ânimo das pessoas. É um filme pra cima, positivo, alegre, apesar da realidade dura que lhe serve de pano de fundo. E em tempos de crise e recessão mundo a fora, nada mais normal que esse escapismo seja um produto buscado e ofertado.

O problema de “Quem Quer Ser um Milionário” não é ser um filme manipulativo, pois existem muitos outros assim que são verdadeiros clássicos do cinema. O que cria a ilusão de que este é “o melhor filme” é o oportunismo de vendê-lo dessa forma numa época em que “ser um milionário” é sonho até de quem já é um e pode acabar deixando de ser. Mais que isso, o longa decepciona por mostrar que, depois de David Fincher e Baz Luhrman, mais um cineasta subversivo – dentro do escopo do cinema de entretenimento – se rendeu aos convencionalismos da linguagem.

Fábula por fábula, Danny Boyle fez uma muito melhor em “Caiu do Céu” (que, por sinal, também envolve um garoto que ganha uma grande quantidade de dinheiro). É um filme totalmente linear, mas é um filme honesto com seus propósitos. Talvez a grande enganação por trás de “Quem Quer Ser um Milionário” seja dizer que ele é o mais experimental entre seus concorrentes nas premiações. Como assim “experimental”? Ir e voltar na linearidade da história já deixou de ser experimento há umas boas três, quatro décadas, e agora nada mais é do que um artifício utilizado gratuitamente por cineastas que temem estar fazendo um filme chato (salvo raras exceções em que se trata de estilo – ex.: Tarantino e David Lynch). A solução encontrada aqui por Boyle e o roteirista Simon Beaufoy foi simplesmente forçar a barra: ligar a resposta certa de cada pergunta do jogo do milhão a um acontecimento do passado de Jamal. Uau. E a resposta final, que surge em um fade logo após a última tomada antes dos créditos, deixa bem claro o quão ortodoxo o filme é.

O mesmo vale dizer para a fotografia de cores saturadas, quentes, paleta que parece ter se tornado padrão para retratar locais subdesenvolvidos. Uma das comparações com “Cidade de Deus” vem daí, juntamente com a montagem agitada (e alguém já deve ter bradado que a “cosmética da fome” voltou a ser moda).

O bom cinema vai além da história bonitinha e do visual bacana: se um filme quer ser relevante a ponto de merecer a distinção de “melhor” entre os outros, ele precisa também ser um espelho para que o público possa se reconhecer nele. “Quem Quer Ser um Milionário” é um espelho, mas daquele tipo que se encontra nos parques de diversões, diante do qual você se posiciona e vê sua imagem distorcida, pura e simplesmente com o propósito de se divertir por ela ser irreal.

nota: 5/10 — veja sem pressa

Quem Quer Ser um Milionário (Slumdog Millionaire, 2008, Reino Unido)
direção: Danny Boyle; roteiro: Simon Beaufoy; fotografia: Anthony Dod Mantle; montagem: Chris Dickens; música: A.R. Rahman; produção: Christian Colson; com: Dev Patel, Anil Kapoor, Freida Pinto, Feroz Abbas Khan, Madhur Mittal; estúdio: Celador Films, Film4, Pathé; distribuição: Europa Filmes. 120 min
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