"O Silêncio das Ostras" (2024), de Marcos Pimentel - Foto: Olhar Filmes/Divulgação
"O Silêncio das Ostras" (2024), de Marcos Pimentel - Foto: Olhar Filmes/Divulgação

Cine Humberto Mauro exibe mostra “Especial Cinema Mineiro Contemporâneo” com 28 longas

O Cine Humberto Mauro, em Belo Horizonte, exibe, de 30 de abril a 13 de maio, a mostra “Especial Cinema Mineiro Contemporâneo”. A programação integra a primeira Semana Estadual do Audiovisual Mineiro Guilherme Fiuza Zenha. O evento reúne 28 longas-metragens produzidos entre os anos de 2022 e 2026, com entrada gratuita para o público. A seleção abrange gêneros como documentário, ficção e animação, apresentando um panorama atualizado da produção audiovisual de Minas Gerais.

A iniciativa homenageia o cineasta Guilherme Fiuza Zenha, falecido em 2024, e busca valorizar o legado da produção estadual. A abertura da mostra, no dia 30 de abril, conta com a exibição da animação “Chef Jack: O Cozinheiro Aventureiro” (2023). No mesmo dia, a grade inclui os filmes animados “Placa-Mãe” (2023), de Igor Bastos, e “Nimuendajú” (2025), de Tania Anaya. Para o feriado de 1º de maio, as sessões focam em narrativas sobre trabalho e vivências locais, com a exibição de “Maestra” (2024), “O Dia Que Te Conheci” (2023) e “Marte Um” (2022).

A curadoria apresenta obras que circularam recentemente em circuitos comerciais e festivais internacionais. Entre os títulos selecionados estão “O Último Episódio” (2025), de Maurílio Martins; “Zé” (2023), dirigido por Rafael Conde; e “Amizade” (2023), de Cao Guimarães. A mostra também ressalta produções realizadas fora da capital mineira, como “Placa-Mãe”, primeira animação produzida em Divinópolis. Sobre a presença no evento, o diretor Igor Bastos afirma: “O filme carrega esse diálogo com o tempo em que eu morei em BH. ‘Placa-Mãe’ é justamente um filme que fala sobre família e debate também questões da robótica”.

"O Último Episódio" (2025), de Maurilio Martins - Foto: Filmes de Plástico/Divulgação
Foto: Filmes de Plástico/Divulgação

Temas ligados ao território e a conflitos socioambientais compõem parte central da seleção. A luta quilombola no Vale do Jequitinhonha é abordada em “A Mensagem De Jequi” (2025) e na pré-estreia de “Cacimba” (2026). Os impactos da atividade mineradora no estado são tema de “Rejeito” (2023), “Suçuarana” (2024) e “O Silêncio das Ostras” (2024). A presença indígena é registrada em “Meu Pai, Kaiowá: Yõg Ãtak” (2024), sob direção de Luisa Lanna, Sueli Maxakali, Roberto Romero e Isael Maxakali.

A mostra recupera figuras históricas e eventos locais em “Santos Dumont, O Céu Na Cabeça” (2024) e “Palimpsesto” (2024). O longa “Nimuendajú” marca a estreia de Tania Anaya na direção de animação. Segundo a diretora, a sala de exibição possui papel na formação do setor: “O Cine Humberto Mauro conseguiu se consolidar e resistir. É uma alegria e uma honra fazer parte desta mostra”. A força feminina na direção também aparece em “A Estação” (2024), de Cristina Maure; “Minha África Imaginária” (2024), de Tatiana Carvalho Costa; e “IMO” (2025), de Bruna Schelb Corrêa.

Aspectos urbanos e identitários de Belo Horizonte e região metropolitana são explorados em “Lagoa Do Nado – A Festa De Um Parque” (2024) e “Para Os Guardados” (2025). A programação inclui ainda trabalhos de cunho subjetivo, como “Entre Vênus e Marte” (2024), “Tudo Que Você Podia Ser” (2023) e “Corpo Presente” (2024). A representação artística e metalinguística ganha espaço com “As Linhas da Minha Mão” (2023) e “Deuses Da Peste” (2025). A literatura mineira é adaptada em “Girassol Vermelho” (2025), baseado em obra de Murilo Rubião.

"Corpo Presente" (2023), de Leonardo Barcelos - Divulgação
“Corpo Presente” (2023), de Leonardo Barcelos – Divulgação

O gerente do Cine Humberto Mauro e curador da mostra, Vitor Miranda, explica que o objetivo é colocar em relação filmes de experiências distintas. Segundo ele, o evento reafirma Minas Gerais como um espaço de criação múltiplo e em constante transformação, permitindo que o público visualize as diversas faces do estado na tela.