"Corpos Invisíveis" (2023), de Quézia Lopes - Foto: Carol Coelho/Divulgação
"Corpos Invisíveis" (2023), de Quézia Lopes - Foto: Carol Coelho/Divulgação

APAN indica dez produções para celebrar o Dia do Cinema Brasileiro

O Dia do Cinema Brasileiro é celebrado neste 19 de junho, data que marca os 128 anos da atividade no país. O marco faz referência ao registro de imagens feito por Afonso Segreto em 1898 na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro.

De acordo com a Agência Nacional do Cinema (Ancine), o setor fechou o ano de 2025 com R$ 1,41 bilhão em recursos de fomento, o que representa uma alta de 29% em comparação com o ano de 2024.

No mercado, aguarda-se a conclusão de seleção da Chamada Pública BRDE/FSA, que vai distribuir R$ 600 milhões para a produção de longas-metragens. O edital adota o modelo de “Empresa Vocacionada”, que direciona a cota de 25% das verbas para produtoras de pessoas da população negra, indígena ou com deficiência.

Para marcar este período de celebração, conquistas e luta constante, a Apan — Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro elaborou uma lista com dez filmes que fazem parte do catálogo da plataforma Todesplay. A seleção reúne títulos que abordam temas de identidade, ancestralidade, afeto e resistência.

A presidente da associação, Tatiana Carvalho Costa, declarou sobre a importância da data para os realizadores: “Celebrar os 128 anos do cinema brasileiro também é reconhecer as contribuições de realizadores negros para a construção da nossa cinematografia. Ao longo das últimas décadas, esses profissionais ajudaram a ampliar as narrativas sobre o país, trazendo para as telas histórias, territórios e perspectivas que muitas vezes estiveram à magnem da produção audiovisual tradicional”.

Entre as obras indicadas está “Kabadio – O Tempo Não Tem Pressa, Anda Descalço” (2017), sob direção de Daniel Leite, que registra a rotina e os costumes de moradores em uma comunidade do sul do Senegal. A diretora Juliana Chagas assina “As Pastoras – Vozes Femininas Do Samba” (2018), focado na presença de mulheres nos coros de escolas de samba, e “Diga Meu Nome” (2020), que acompanha a trajetória de Diana e Sélem no Rio de Janeiro.

Na ficção, “Entreturnos” (2014), de Edson Ferreira, narra a história de quatro personagens da Grande Vitória que vivenciam os desdobramentos de uma gravidez. Já “Mulheres Que Alimentam” (2017), de Olinda Wanderley, acompanha o dia a dia de mulheres na Bahia e a relação com o território.

A lista inclui ainda “Espero Que Esta Te Encontre E Que Estejas Bem” (2020), produção em que a diretora Natara Ney utiliza cartas para reconstituir um relacionamento. Já o longa “Esse Amor Que Nos Consome” (2012), de Allan Ribeiro, mescla documentário e ficção para retratar a vida e a parceria de Gatto Larsen e Rubens Barbot.

O diretor Renato Candido assina “Menina Mulher Da Pele Preta – Parte 1” (2023) e “Menina Mulher Da Pele Preta – Parte 2” (2024), obras que acompanham as vivências de protagonistas e debatem temas como racismo e ascensão. Por fim, “Corpos Invisíveis” (2023), de Quézia Lopes, recolhe reflexões sobre maternidade e resistência.

A APAN funciona desde o ano de 2016 com foco no fortalecimento de profissionais no mercado do audiovisual. A entidade promove a realização de laboratórios, cursos de formação e festivais para incentivar o acesso aos meios de produção e a igualdade no setor.

Confira a lista completa — lembrando que todas estão disponíveis na plataforma Todesplay:

  1. Kabadio – O Tempo Não Tem Pressa, Anda Descalço – 2017
    Dirigido por Daniel Leite, o documentário retrata o cotidiano e as tradições de uma pequena comunidade muçulmana localizada na região de Casamance, no sul do Senegal.
  2. As Pastoras – Vozes Femininas do Samba – 2018
    O filme dirigido por Juliana Chagas celebra o protagonismo feminino no samba ao retratar a trajetória e a relevância das pastoras, cantoras que integram os coros das escolas de samba.
  3. Entreturnos – 2014
    O longa, dirigido por Edson Ferreira, acompanha quatro personagens da Grande Vitória (ES) que têm seus caminhos cruzados por uma gravidez inesperada, dando origem a uma trama marcada por desejos, conflitos e relações complexas.
  4. Mulheres que Alimentam – 2017
    Dirigido por Olinda Wanderley, o documentário acompanha mulheres indígenas da aldeia Pataxó Hãhãhãe, na Bahia, retratando sua relação com o território, a luta pela terra e as perspectivas para o futuro da comunidade.
  5. Espero Que Esta Te Encontre e Que Estejas Bem – 2020
    A obra traz um romance investigativo, onde a diretora Natara Ney utiliza cartas encontradas ao acaso como ponto de partida para reconstruir a trajetória de um relacionamento do passado.
  6. Esse Amor Que Nos Consome – 2012
    No longa híbrido entre documentário e ficção, Allan Ribeiro acompanha a vida de Gatto Larsen e Rubens Barbot, parceiros há mais de 40 anos, em um retrato sensível sobre afeto, arte e convivência.
  7. Diga Meu Nome – 2020
    Dirigido por Juliana Chagas, o documentário retrata a trajetória de Diana e Sélem, duas mulheres trans negras do Rio de Janeiro.
  8. Menina Mulher da Pele Preta – Parte 1 – 2023
    Por meio das histórias de Dara, Jennifer e Simone, a obra, dirigida por Renato Candido, explora diferentes experiências de mulheres negras, abordando questões ligadas à identidade, aos afetos e à construção da própria trajetória.
  9. Menina Mulher da Pele Preta – Parte 2 – 2024
    Na Parte 2, Renato Candido apresenta as histórias de Larissa, Janaína e Deolinda, protagonistas negras cujas vivências abordam temas como afeto, racismo, ascensão social e identidade.
  10. Corpos Invisíveis – 2023
    Dirigido por Quézia Lopes, o documentário acompanha mulheres negras em reflexões sobre identidade, ancestralidade, maternidade e resistência ao racismo.