O Equilibrista

“Para mim, é muito simples que vida deve ser vivida no limite. Você tem que exercitar a rebeldia. Recusar a se prender às regras, recusar o próprio sucesso, recusar ficar se repetindo. Ver cada dia, cada ano, cada idéia, como se fosse um verdadeiro desafio. Assim, você vai viver a sua vida na corda bamba.”

Em certo momento do documentário “O Equilibrista”, Philippe Petit critica a curiosidade daqueles que perguntaram o motivo de ele ter decidido atravessar as torres gêmeas do World Trade Center em 1974, equilibrando-se em cima de um cabo.

“‘Por quê? Por quê?’ É uma pergunta tipicamente americana. Fiz algo magnífico, misterioso, e me perguntam um banal: ‘Por quê?’ E a beleza de tudo isto era que eu não tinha uma razão.”



O ato de Philippe é uma performance circense radical e extrema. Em uma palavra: arte. Arriscada? Insana? Pretensiosa? Sim, pode ser tudo. Mas há algo ali muito bonito que não dá para definir bem.

É uma transgressão, sem dúvida, e o fato de o palco ser o recém-inaugurado World Trade Center demonstra o quanto aquelas torres já nasceram representativas e impositoras. Ver um homem desafiando um ícone, mais do que a altura ou a força da gravidade, tem algo de mágico.

Philippe está certo em criticar o “Por quê?” dos americanos. Sua performance não foi simbólica no sentido racional, mas certamente tem um significado para todos que a presenciaram e a vêem agora, na tela. Belo filme.

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