O Fim da Escuridão

Baseado em uma minissérie inglesa exibida na década de 80 e também dirigida por Martin Campbell, “O Fim da Escuridão” é um eficiente thriller que por certas partes parece rumar para o lado charmoso dos filmes noir das décadas de 40 e 50, e por outras usa a economia de ação de um filme policial da década de 70.

Reexaminando o recorrente tema da vingança vs. justiça, o filme conta com a atuação contida (porém extremamente necessária devido ao personagem) de Mel Gibson, em seu primeiro papel desde 2002. Há também a presença de Ray Winstone, sempre ameaçador, e de Danny Huston, que novamente parece encarnar o mesmo vilão nojento e asqueroso que já fez em vários filmes. Com esses jogadores, “O Fim da Escuridão” se concentra nos esforços de um pai para encontrar os culpados pelo assassinato da filha, sem intenção alguma de levá-los à justiça, acabando por esbarrar em uma conspiração que envolve uma grande corporação (os grandes vilões recorrentes dos últimos anos) e figuras do alto escalão do governo americano.



Sem se utilizar de uma premissa genial, sendo que a mesma pode ser encontrada em diversas outras histórias, a grande vitória do filme é ter um roteiro eficiente, assinado por William Monahan (ganhador do Oscar por “Os Infiltrados”, do Mestre Scorsese) e Andrew Bovell, e contar com a direção enxuta de um veterano como Campbell – que elimina a necessidade de um filme de ação explosivo e investe em uma narrativa contínua e afinada.

Pecando um pouco na trilha sonora de Howard Shore (que foi trazido de última hora em substituição a outros compositores), porém contando com uma direção de arte (é interessante notar o contraste entre as fotografias pessoais dos personagens de Gibson e Huston) e cenografia que produzem uma Boston chuvosa e melancólica assim como seu personagem principal, “O Fim da Escuridão” erra ao querer traduzir o sentimento de perda do pai na interação dele com a versão infantil da filha morta (cuja explicação é até genuína: o mesmo nunca esteve presente na vida adulta da filha). E isso acaba por estender o erro ao final, que chega a ser um pouco piegas, tirando o espectador da resolução do desejo de vingança do pai.

P.S.: É interessante notar a ironia em uma fala do personagem de Mel Gibson, na qual ele diz que “chega uma certa hora em que se deve escolher se devemos ser crucificados ou devemos estar batendo no prego que vai à cruz”.

nota: 7/10 — vale o ingresso

O Fim da Escuridão (Edge Of Darkness, 2010, EUA)
direção: Martin Campbell; roteiro: William Monahan, Andrew Bovell (baseado na minissérie inglesa homônima de Troy Kennedy-Martin); fotografia: Phil Meheux; montagem: Stuart Baird; música: Howard Shore; produção: Tim Headington, Graham King, Michael Wearing; com: Mel Gibson, Ray Winstone, Danny Huston, Bojana Novakovic, Shawn Roberts, David Allan Baker, Jay O’ Sanders, Danny O’Hare, Damien Young, Caterina Scorsone, Gabrielle Popa; estúdio: Warner Bros. Pictures, GK Films, BBC Films, Icon Productions; distribuição: Imagem Filmes. 117 min
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