O Lobisomem

Nesta refilmagem do clássico filme de monstro de 1941, da Universal Pictures, Benício Del Toro interpreta o personagem principal, um homem que retorna para sua cidade natal depois que seu irmão é vítima do ataque de uma criatura misteriosa. Ele também acaba sendo atacado e toma para si a maldição do lobisomem: vem a lua cheia e ele se transforma em um ser feroz e incontrolável.

O grande destaque, sem dúvida, é a caracterização de Del Toro. Além de empregar à forma humana do personagem uma atuação de qualidade rara de se ver num filme do gênero, o ator também se sai um monstro muito bom. E Del Toro deve muito ao perito em efeitos especiais de maquiagem Rick Baker, que ganhou o Oscar em 1981 justamente por seu trabalho em “Um Lobisomem Americano em Londres”, de John Landis – que é considerado um dos, senão o melhor filme de lobisomem já feito.



E é aí onde aparecem as falhas deste novo “O Lobisomem”. Você certamente já viu a cena de “Um Lobisomem Americano em Londres” em que o protagonista, interpretado por David Naughton, se transforma no personagem-título. Toda aquela cena foi feita sem a ajuda de efeitos de computador, já que os mesmos não existiam não época. Já no “O Lobisomem” do século 21, a cena equivalente é duplamente decepcionante: primeiro, porque dispensa o trabalho de um profissional em extinção na indústria hollywoodiana como Rick Baker; e segundo, porque os efeitos de computador utilizados não ficaram nem um décimo convincentes como aqueles criados artesanalmente três décadas atrás.

A cena funciona? Sim. Não estamos diante de algo mal feito. Mas é aquela já velha história de o CGI não conseguir ser “palpável” – isto é, você tem convicção absoluta de que aquilo, no fundo, não passa de um desenho animado (sei que eu não deveria utilizar o termo “desenho animado” de forma pejorativa, visto que sou admirador dos mesmos, mas acredito que o leitor entendeu o que eu quis dizer). Sem falar que toda vez que o lobisomem aparece correndo ou pulando podemos ver claramente que se trata de um boneco feito por computador, de tão artificial que é.

Apesar dos pesares, a direção de Joe Johnston é estável o suficiente, embora ainda nos deixe esperando a promessa dos anos 90, com “Rocketeer” e “O Céu de Outubro”, ser cumprida. Ele consegue criar boas cenas de ação (a do acampamento cigano se destaca) e construir uma atmosfera clássica em torno da história. Tão clássica, que chega a parecer datada em vários momentos. E talvez seja este o principal problema de “O Lobisomem”: inova muito onde não precisava (nos efeitos visuais) e não traz nada que o irmão mais velho já não tenha oferecido.

nota: 4/10 — veja sem pressa

O Lobisomem (The Wolfman, 2010, EUA/Reino Unido)
direção: Joe Johnston; roteiro: Andrew Kevin Walker, David Self (baseado no roteiro de Curt Siodmak); fotografia: Shelly Johnson; montagem: Walter Murch, Dennis Virkler; música: Danny Elfman; produção: Sean Daniel, Benicio Del Toro, Scott Stuber, Rick Yorn; com: Benicio Del Toro, Anthony Hopkins, Emily Blunt, Hugo Weaving, Simon Merrells, Art Malik, David Sterne; estúdio: Universal Pictures, Relativity Media, Stuber Productions; distribuição: Universal Pictures. 125 min
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