Vejo Você no Próximo Verão

Vencedor do Oscar por sua intepretação do escritor Truman Capote em 2006, por “Capote”, o ator Philip Seymour Hoffman se tornou uma unanimidade em seu ramo em duas décadas de carreira. Agora, Hoffman explora outra vertente cinematográfica com sua estréia como diretor em “Vejo Você no Próximo Verão”.

Também atuando como protagonista do longa, Hoffman elabora um retrato de quatro almas sofridas em Nova York. Seu personagem é um motorista de limusine que tem um encontro às cegas com uma mulher de meia-idade (Amy Ryan), colega de trabalho da esposa (Daphne Rubin-Vega) de seu melhor amigo (John Ortiz).



Entre decepções e reflexões, acidentes e brigas, Hoffman tenta se aprofundar no drama particular daquelas quatro pessoas da forma mais íntima possível. Seu personagem, por exemplo, quer aprender a nadar e a cozinhar para poder agradar sua pretendente. E nós acompanhamos seu esforço de muito perto, enxergando até mesmo suas projeções mentais enquanto ele “visualiza” suas braçadas na piscina. Em outro momento, estamos juntos a Hoffman e Ryan na cama, mas numa cena muito mais embaraçosa para o público acompanhar do que uma cena de sexo explícito, dado o grau de intimidade emocional que a relação dos personagens atinge ali.

“Vejo Você no Próximo Verão” trata de histórias particulares de superação, utilizando uma abordagem humanista que se tornou característica do recente cinema independente americano. Via de regra, Hoffman acaba puxando vários tiques desse cinema, especialmente no ritmo e na composição das cenas (exemplo já clássico: o ator enquadrado num canto da tela com o cenário chapado dominando o restante).

Ainda que isso reduza a autenticidade da direção de Hoffman, o filme é simpático e sabe se valorizar nas cenas de humor (e ainda conta com boa trilha sonora da banda Grizzly Bear). Só é uma pena que as chances de que ele seja lembrado como “o filme de estreia de Hoffman como diretor” sejam maiores do que por qualquer outro mérito.

Vejo Você no Próximo Verão (Jack Goes Boating, 2010, EUA)
direção: Philip Seymour Hoffman; roteiro: Robert Glaudini (baseado na peça dele mesmo); fotografia: W. Mott Hupfel; montagem: Brian A. Kates; música: Grizzly Bear; produção: Beth O’Neil, Peter Saraf, Marc Turtletaub, Emily Ziff; com: Philip Seymour Hoffman, John Ortiz, Amy Ryan, Daphne Rubin-Vega, Thomas McCarthy, Richard Petrocelli, Salvatore Inzerillo; estúdio: Big Beach Films, Cooper’s Town Productions, Labyrinth Theater Company, Olfactory Productions; distribuição: Imovision. 91 min

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