"Não sei qual cidade se passa aos olhos dele" (2019) - Foto: Paula Melo/Xique Xique Neon
"Não sei qual cidade se passa aos olhos dele" (2019) - Foto: Paula Melo/Xique Xique Neon

Longa codirigido por menino de 5 anos estreia em Belo Horizonte

Neste domingo, 1º de dezembro, será lançado em Belo Horizonte, no MIS Cine Santa Tereza, o filme “Não Sei Qual Cidade Se Passa aos Olhos Dele”. Produção independente, dirigida por Thaís Inácio (mineira atuante na cena audiovisual carioca), o longa tem como grande destaque o garoto João Bernardo Mendonça, que protagonizou e também filmou algumas das cenas usando um telefone celular. Sua contribuição lhe rendeu o crédito de “direção simbólica” na tela.

“Não Sei Qual Cidade Se Passa aos Olhos Dele” foi filmado em 2015 no Quilombo de Vila Nova, que deu origem ao povoado mineiro de São Gonçalo do Rio das Pedras. Lá, Thaís e o ator e roteirista Jean Mendonça ensaiavam um novo trabalho da Cia. Banquete Cultural chamado “Áurea, a Lei da Velha Senhora”, que tinha como proposta a participação do elenco também em um curta-metragem filmado durante o espetáculo.

Segundo a diretora, o roteiro original do curta, escrito por Jean, contava a história da morte do personagem Negrinho, interpretado por João Bernardo, com cinco anos de idade na época. Mas durante a preparação para as gravações, esse enredo tomou outro rumo. “Desde as primeiras filmagens, o menino João se recusava a gravar e propunha novas cenas com seu celular”, conta Thaís. De acordo com ela, as imagens captadas falavam mais da vida e sua potência do que da morte e da ausência.



“Inicialmente a ideia era só um curta. Chegando lá no Quilombo, nos deparamos com a riqueza do lugar, os habitantes, Dona Ilídia, moradora de 100 anos. Entendemos que seria ali o set de filmagem e que o roteiro naturalmente sofreria alterações”, conta Jean Mendonça. Thaís acrescenta: “Assumimos o risco e buscamos algo que possibilitasse criar junto com João, sem ele perceber. Ele parecia avesso às ordens. Para deixá-lo à vontade o convidamos para definir planos e movimentos de imagem. O objeto celular performa no filme assim, uma conexão entre João e o espectador, é nele que o menino ensaia seu próprio olhar.”

Realizado sem nenhum tipo de financiamento de incentivo fiscal, “Não Sei Qual Cidade Se Passa aos Olhos Dele” tem como referência trabalhos de cineastas como Claire Denis, Béla Tarr e Carlos Nader. Selecionado para a Mostra do Filme Livre 2019, o longa toca em temas como família, afeto, conflito de gerações e matriarcado.

Após exibição neste domingo, haverá roda de conversa com o multiartista Evandro Passos, que está no elenco do filme, e a inauguração da exposição fotográfica “Ilídia”, da artista Paula Melo, que também assina a fotografia do filme. As atividades começam às 17h. Os ingressos serão distribuídos gratuitamente na bilheteria do MIS Cine Santa Tereza 30 minutos antes. Já a exposição poderá ser visitada até 31 de dezembro.

Com informações da assessoria de imprensa do filme.
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