"Voltei!" (2021), de Ary Rosa e Glenda Nicácio - Divulgação
"Voltei!" (2021), de Ary Rosa e Glenda Nicácio - Divulgação

Panorama Internacional Coisa de Cinema estreia em formato online

Com exibição de filmes, oficinas e debates, o XVI Panorama Internacional Coisa de Cinema acontece entre os dias 24 de fevereiro e 3 de março no formato online, com acesso gratuito à toda a programação — confira datas e horários no site oficial, onde os filmes também poderão ser vistos.

Uma das pioneiras do cinema nacional, a atriz e documentarista baiana Conceição Senna (1937-2020) será a grande homenageada do festival. “Desbravadora, destemida, Conceição nos encantou sendo atriz, diretora, apresentadora… Foi uma artista generosa, amorosa, em um tempo em que tudo se mostrava mais complicado de realizar, sobretudo para as mulheres. Graças à mulheres como Conceição é que conseguimos avançar, nos tornar um pouco melhores, com mais esperança na criação de uma sociedade mais bela e equilibrada”, declara Cláudio Marques, idealizador e um dos coordenadores do Panorama.

As obras selecionadas para o Panorama serão exibidas nas competitivas Nacional, Baiana e Internacional, em mostras paralelas e sessões especiais. Debates com cineastas e integrantes da equipe dos longas e curtas-metragens serão disponibilizados no mesmo dia dos filmes correspondentes, que ficarão acessíveis por 24 horas.



“Vil, Má - Divinely Evil” (2020), de Gustavo Vinagre - Divulgação
“Vil, Má – Divinely Evil” (2020), de Gustavo Vinagre – Divulgação

Entre os longas que integram a Competitiva Nacional está “Vil, Má – Divinely Evil” (SP), de Gustavo Vinagre, exibido no último Festival de Berlim (Alemanha) e no Queer Lisboa (Portugal). O longa apresenta Wilma Azevedo, que aos 74 anos, mãe de três filhos, narra sua trajetória de dominatrix e escritora de contos eróticos.

A vida conjunta de Conceição e Orlando Senna é o centro do documentário “O Amor Dentro da Câmera”, de Jamille Fortunato e Lara Back Belov, uma produção baiana que teve estreia mundial no 42º Festival de Cinema de Havana (Cuba), em dezembro de 2020. Também produzido na Bahia, “Filho de Boi”, de Haroldo Borges e Ernesto Molinero, recebeu o prêmio do público no Festival de Málaga (Espanha), com a saga de um adolescente em busca de sua identidade.

“O Amor Dentro da Câmera” (2020), de Jamille Fortunato e Lara Back Belov
“O Amor Dentro da Câmera” (2020), de Jamille Fortunato e Lara Back Belov

Presença forte nesta edição, a produção baiana é representada por “Rio de Vozes”, de Andrea Santana e Jean Pierre Duret, documentário sobre o Rio São Francisco premiado no Cine Ceará, além de “Voltei!”, Ary Rosa e Glenda Nicácio, e “Eu, empresa”, de Leon Sampaio e Marcus Curvelo (BA/MG). O primeiro traz uma crônica política a partir de irmãs ouvindo um importante julgamento no radinho de pilha, enquanto o segundo mergulha no subemprego e suas engrenagens de exploração.

Fechando a lista de oito selecionados estão “A Flecha e a Farda” (SP), de Miguel Antunes Ramos, e “Depois da Primavera” (RJ), de Isabel Joffily e Pedro Rossi. A mostra tem ainda dezesseis curtas-metragens, dois deles serão disponibilizados a cada dia de programação da competitiva, com um dos longas selecionados.

“A Flecha e a Farda” (2020), de Miguel Antunes Ramos - Divulgação
“A Flecha e a Farda” (2020), de Miguel Antunes Ramos – Divulgação

Na Competitiva Baiana, 24 filmes de diferentes formatos, gêneros e estilos, oferecem um cenário do cinema realizado no estado entre 2019 e 2020. Entre os destaques estão os longas “Dorivando Saravá, o Preto Que Virou Mar” (Henrique Dantas), exibido no Festival de Havana, e  “Memórias Afro-atlânticas” (Gabriela Barreto), vencedor de quatro prêmios no Novo Cine PE. Premiado no Black Femme Supremacy Film Fest (Baltimore-EUA), o curta “Facão”, de Camila Hepplin também integra a mostra.

Fechando as competitivas, a Internacional reúne seis longas e 12 curtas produzidos em países das Américas, Europa, Ásia e África, trazendo filmes recentes de lugares como Bielo-Rússia, República Tcheca, Lituânia, Moçambique e Irã. Vencedor da categoria Melhor Direção de Documentário do último Sundance Film Festival (EUA), “The earth is blue as an orange”, coprodução Ucrânia/Lituânia, dirigida por Iryna Tsilyk, está na mostra.

Abertura e homenagens

Para dar início à programação, em 24 de fevereiro, o XVI Panorama exibirá “Antena da Raça”, de Luis Abramo e Paloma Rocha, documentário exibido no último Festival de Cannes. No longa, os diretores resgatam o programa Abertura, apresentado por Glauber Rocha na TV Tupi, e o colocam em fricção com cenas do cinema do cineasta baiano e imagens do Brasil de 2018. “Antena da Raça” será liberado às 20h do dia 24, mas também ficará na plataforma de exibição do site do Panorama por 24 horas.

“Antena da Raça” (2020), de Luis Abramo e Paloma Rocha - Divulgação
“Antena da Raça” (2020), de Luis Abramo e Paloma Rocha – Divulgação

Dois longas serão exibidos para celebrar a trajetória de Conceição Senna: o documentário “Brilhante” (2005), dirigido por ela, e “Abrigo Nuclear” (1981), ficção científica de Roberto Pires, na qual a baiana atua. O primeiro aborda a relação criada, ao longo de 25 anos, entre a população de Lençóis e o filme Diamante Bruto, uma obra de Orlando Senna, companheiro de vida de Conceição. Brilhante será o filme de encerramento do festival.

Na sua 16ª edição, o festival também terá uma mostra em homenagem ao cineasta Fernando Coni Campos (1933-1988), com a exibição dos filmes “Um Homem em sua Jaula”, “Ladrões de Cinema”, “Viagem ao Fim do Mundo” e “O Mágico e o Delegado”. Nascido no município baiano de Conceição do Almeida, ele iniciou sua carreira no Rio de Janeiro, onde faleceu.

Uma iniciativa inédita, o “Panorama Convida” exibe filmes premiados em edições anteriores e os respectivos diretores escolhem uma obra de outro cineasta para ser exibida. Um debate será realizado ao vivo entre os diretores envolvidos. Carlos Nader traz seu documentário “Pan-Cinema Permanente” e convida Marco Del Fiol com o documentário “Cravos”, enquanto Felipe Bragança e Marina Meliande apresentam “A Alegria” e convidam Alice Furtado com “Sem Seu Sangue”.

Com informações das assessorias de imprensa do festival.

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