“Carlota Joaquina” volta aos cinemas em versão 4K para celebrar 30 anos
Um dos filmes mais importantes da história recente do cinema brasileiro volta às telonas em breve. “Carlota Joaquina, Princesa do Brasil”, o longa de estreia de Carla Camurati que se tornou um marco da Retomada nos anos 1990, será relançado no dia 14 de agosto. Para celebrar os 30 anos de seu lançamento original, a obra retorna em uma versão remasterizada em 4K, com recursos de acessibilidade e patrocínio da Petrobras.
A produção, que se destacou pela sua abordagem irreverente e crítica da história do Brasil, chegará aos cinemas de dez capitais. O filme, estrelado por Marieta Severo no papel-título e Marco Nanini como Dom João, foi um fenômeno de público e crítica, utilizando o humor para questionar as estruturas de poder que fundaram a nação.
Trinta anos depois, a diretora Carla Camurati, que também assina o roteiro com Melanie Dimantas, enxerga a obra com uma relevância que atravessa o tempo. Para ela, o filme continua a dialogar com as questões contemporâneas do Brasil.
“‘Carlota Joaquina, Princesa do Brazil’ fala com leveza de um país erguido sobre privilégios, acordos de conveniência e relações de poder — temas que, infelizmente, ainda ecoam na nossa realidade”, comenta a diretora. “O filme se reafirma como um retrato provocador da nossa história, mas também como um espelho, por vezes desconfortável, do presente.”
A trama acompanha a espanhola Carlota Joaquina desde os seus dez anos de idade, quando é prometida em casamento ao príncipe português Dom João. Enviada à Lisboa, ela encontra um noivo de temperamento introspectivo e uma corte menos imponente do que imaginava. Com a morte do herdeiro do trono e a saúde mental da rainha D. Maria I se deteriorando, o casal é levado ao poder em um momento de instabilidade global, com a Revolução Francesa e as ameaças de Napoleão Bonaparte. O ponto de virada é a fuga da corte para o Brasil, um evento que transforma o destino da colônia.
Além de Marieta Severo e Marco Nanini, o elenco conta com Ludmila Dayer vivendo Carlota na infância, Marcos Palmeira como Dom Pedro I e Vera Holtz como Maria Luísa de Parma.

Para Carla Camurati, o relançamento é uma oportunidade de novas gerações descobrirem o filme e de o público original o rever com outra perspectiva. “É uma emoção profunda saber que meu primeiro longa vai reencontrar o público no cinema. Revendo-o hoje, percebo que continua pulsando com força surpreendente”, afirma. “A crítica e o tom satírico, que já eram ousados na época, talvez sejam ainda mais compreendidos pelas novas gerações. Vai ser lindo ver jovens, professores e famílias descobrindo — ou revendo — o filme no cinema, que para mim segue sendo o espaço ideal para a experiência coletiva da arte.”
A produtora Bianca de Felippes, que trabalhou no filme ao lado de Camurati, contextualiza a importância da celebração. Ela conecta os 30 anos de “Carlota” a um momento significativo para a produção audiovisual brasileira, traçando um paralelo entre o início da Retomada e as conquistas atuais.
“Queríamos comemorar a data redonda de ‘Carlota Joaquina’ e tivemos a sorte de celebrar os 30 anos da Retomada em um momento histórico para o cinema brasileiro, com a conquista do Oscar”, diz Bianca, fazendo referência a produções recentes. “De ‘Carlota’ a ‘Ainda Estou Aqui’, foi uma longa travessia. Esse relançamento é uma forma de contar essa história — e a emoção de ver o filme em 4K, na tela grande, é insubstituível”.

