Uma história envolvente, cheia de nuances, reviravoltas e muita música. Este é, com certeza, um filme de muitos elementos que podem representar sucesso entre grandes produções, mas o fato é que ele se torna ainda mais especial por ser uma animação. “Guerreiras do KPop” pode até parecer, à primeira vista, que exagera na mistura de elementos cinematográficos, mas, acredite: ele faz isso na medida perfeita.
Na história, acompanhamos o trio de K-pop Rumi, Mira e Zoey. Para além de cantar e ter milhares de fãs, elas possuem um trabalho secreto: caçam demônios. Em uma tradição milenar, passada por gerações de cantoras, elas protegem as almas da população contra o terrível Gwi-Ma por meio de suas vozes.
Com a direção da dupla Maggie Kang e Chris Appelhans (que também assina parte do roteiro), o longa tem ritmo e boas referências de filmes de ação e da cultura oriental, como a vivência samurai. Isso é importante não só para a construção das cenas de ação, mas também para criar densidade em relação às novas gerações.
Um ponto alto da parte técnica é a excelente mescla entre os estilos de animação utilizados, muitas vezes para ressaltar aspectos e emoções — como o amor que elas possuem pelos fãs e a raiva que sentem pelos demônios. Esse recurso não é novo; é utilizado com muita maestria em animes e, mais recentemente, em “Homem-Aranha no Aranhaverso”. Mesmo não sendo um recurso inovador, ele ganha contornos e estilos únicos quando bem aplicado esteticamente na história, o que acontece aqui perfeitamente.
Além de enfrentarem os desafios de proteger o mundo, as protagonistas lidam com suas inseguranças e momentos de amadurecimento típicos da juventude, o que faz com que nos conectemos ainda mais com cada personagem. A principal, Rumi, ainda enfrenta o dilema de um grande segredo: o fato de (alerta de spoiler!) ser metade demônio por conta de seu pai.
Após mais um dia comum de lotar estádios e derrotar criaturas, deparamo-nos com o submundo, onde conhecemos o local em que os demônios estão presos e seu principal “mestre”, Gwi-Ma. Nesse cenário, conhecemos Jinu, que sugere um contra-ataque às guerreiras com uma ideia, no mínimo, inusitada: a criação de uma boy band demoníaca.
Após um certo deboche, Gwi-Ma cede e aceita a ideia, concordando com a condição de Jinu de libertá-lo de suas lembranças da época em que era um simples mortal. Enquanto isso, na superfície, acompanhamos as marcas demoníacas se espalharem pelo corpo de Rumi e começarem a impactar sua voz. Sem saber da real situação, Zoey tem a ideia de levar Rumi a um especialista em tônicos. É nesse contexto que elas conhecem a mais nova boy band, intitulada “Saja Boys”.
Ao descobrirem que o grupo é formado por demônios, o trio inicia um plano para atacar os “Saja”. Nesse primeiro confronto, ao duelar com Rumi, Jinu acaba rasgando a manga da jaqueta dela e descobrindo seu segredo. Este é o primeiro ponto de virada da história. Agora, Rumi passa a ter não só um confidente, mas também alguém que questiona suas convicções e a faz aceitar, de fato, quem ela é.
Este é o grande trunfo da história de “Guerreiras do KPop”: para além das músicas (incluindo a vencedora do Oscar, “Golden”) e mensagens bonitas sobre amizade e laços reais, está a ideia da aceitação plena de quem somos. Além disso, o filme aponta para crenças que muitas vezes são reproduzidas sem crítica ou empatia. Nada é tão simples quanto parece e, ao assumirmos as complexidades de nossa identidade, damos espaço para que os outros também sejam autênticos. Essa, talvez, seja a maior mensagem desta animação. ■
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