A plataforma de streaming gratuita Itaú Cultural Play iniciou a exibição da mostra “Eliza Capai — Resistência Pelo Afeto”. O ciclo serve como homenagem ao trabalho da documentarista com seis títulos de sua filmografia. A seleção reúne produções focadas na escuta e na aproximação com os contextos sociais apresentados em tela. Os títulos podem ser assistidos por meio de computadores, celulares e aplicativo para smart TV.
A lista de filmes abrange obras premiadas no Brasil e no exterior. Entre os destaques está “Incompatível com a Vida” (2023), documentário que utilizou uma experiência pessoal da cineasta para tratar sobre a interrupção da gestação. A obra recolhe depoimentos de mulheres sobre memórias e sentimentos ligados à maternidade, apontando ausências no suporte de saúde a gestantes. A produção venceu a 28ª edição do festival É Tudo Verdade, feito que qualificou o projeto para a disputa do Oscar de Melhor Documentário, além de receber premiações da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) e figurar em seleções da Associação Brasileira de Críticos de Cinema (Abraccine). Confira nossa entrevista com a diretora sobre o filme.
Outro trabalho presente na mostra é “Espero Tua (Re)Volta” (2019), focado no movimento de estudantes no estado de São Paulo no período entre o ano de 2013 e o contexto político anterior à crise sanitária global. A condução da narrativa ocorre pela voz de três estudantes, utilizando registros de ocupações e protestos públicos para debater educação e igualdade. A obra alcançou exibição em mais de 100 festivais, acumulando mais de 25 prêmios, com destaque para as premiações da Anistia Internacional e da Paz no 69º Festival Internacional de Cinema de Berlim.

A questão socioambiental compõe o enredo de “O Jabuti e a Anta” (2016). No formato de viagem fluvial por rios da região amazônica, a obra investiga as consequências da instalação de usinas hidrelétricas no país, tendo como pano de fundo a estiagem de 2014 na região Sudeste. A diretora apresenta falas de comunidades indígenas e ribeirinhas para tratar sobre o embate entre progresso econômico e conservação dos recursos naturais. A produção integrou a Première Brasil no 18º Festival do Rio e a seleção do 14º Festival Latino-Americano de Cinema Ambiental.
A realidade socioeconômica do sertão do Piauí serve de base para “No Devagar Depressa dos Tempos” (2014). O documentário avalia as alterações provocadas pelo programa Bolsa Família na rotina de mulheres no município de Guaribas, tratando de temas como relações de gênero e violência doméstica. O curta-metragem registrou passagens premiadas por eventos internacionais na Venezuela e em Marrocos durante o ano de 2015.
A mostra conta ainda com “#Resistência” (2017), filme que registrou mobilizações e ocupações populares no período de afastamento da ex-presidente Dilma Rousseff. O longa participou de exibições em eventos na Argentina e na França. Fecha o ciclo “Tão Longe é Aqui” (2013), diário de viagem da diretora pelo continente africano. A obra expõe conversas com mulheres sobre identidade e visões de mundo, tendo recebido o prêmio de Melhor Filme na mostra Novos Rumos do Festival do Rio e a distinção do júri no Femina Festival.

