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Em pouco mais de dois anos, as apostas esportivas e os cassinos online se tornaram parte do dia a dia do brasileiro, presentes em patrocínios de clubes de futebol, campanhas de influenciadores e na publicidade que domina os intervalos dos jogos. Essa primeira fase foi marcada por um crescimento acelerado, investimento estrangeiro e aceitação do público.
Mas, em 2026, o debate mudou de eixo. Operadores ilegais, exposição de menores e episódios recentes de sigilo em decisões do governo colocaram o setor diante de uma pergunta direta: o Brasil está construindo um mercado de apostas confiável, ou apenas expondo a fragilidade de uma regulamentação feita às pressas?
O mercado de bets no Brasil entrou em uma fase mais rígida?
A fiscalização, antes concentrada nos operadores licenciados, começou a se espalhar por toda a cadeia: fornecedores de jogos, processadoras de pagamento e empresas de validação de identidade. Cassinos online já respondem por 60% do faturamento das casas regulamentadas no Brasil, segundo a consultoria H2 Gambling Capital. Fatia que sobe para 72% entre as plataformas ilegais, em um mercado clandestino que movimentou R$ 14 bilhões em 2025.
Para o apostador, a diferença entre operar dentro ou fora da legalidade nem sempre é visível à primeira vista: bônus e jogos como o Fortune Tiger aparecem tanto em sites autorizados quanto em plataformas clandestinas. Por isso, conferir essas ofertas conforme uma plataforma especializada, que reúne promoções somente de cassinos online autorizados a operar no país, virou um passo extra de segurança para quem decide apostar. Jogue com responsabilidade.
O cerco às apostas ilegais está aumentando?
Sim, e o cerco já passou dos operadores para fornecedores e parceiros de tecnologia. Em parceria com a Anatel, o governo bloqueou mais de 45 mil sites considerados irregulares, e a Secretaria de Prêmios e Apostas identificou 2.007 contas bancárias suspeitas de ligação com apostas ilegais, das quais 873 foram encerradas pelo Banco Central.
A Lei Complementar 224, de 2025, tornou fornecedores de tecnologia e intermediários financeiros solidariamente responsáveis pelos tributos do setor. André Guelfi, presidente do Instituto Brasileiro de Jogo Responsável e CEO da Betsson no Brasil, já deixou claro sua posição ao dizer que punir apenas operadores licenciados, enquanto fornecedores prestam serviço a plataformas clandestinas, não faz sentido.
A publicidade de apostas para menores pode mudar?
Pode, e já há discussão sobre o assunto no Congresso Nacional. Um projeto aprovado na Comissão de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família da Câmara proíbe que crianças e adolescentes apareçam em propagandas de apostas e loterias, atualizando o Estatuto da Criança e do Adolescente e fechando brechas da Lei 14.790/23.
O texto ainda depende da CCJ, da Câmara e do Senado, mas mostra uma preocupação que vai além do universo das apostas, ecoando debates sobre a tecnologia como fuga da realidade e o consumo digital cada vez mais precoce entre os jovens.
Falta de transparência na regulamentação das bets
Em junho de 2026, veio à tona que processos de autorização de bets no Brasil, incluindo o pagamento da outorga de R$ 30 milhões e a identidade dos beneficiários finais de cada plataforma, haviam recebido sigilo de até 100 anos por decisão do Ministério da Fazenda. Uma investigação publicada pela Gazeta do Povo mostrou que o caso veio à tona quando jornalistas tentaram acessar a documentação da 1xBet, operadora de origem russa banida em outros países e autorizada a funcionar no Brasil desde julho.
Dois dias depois, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, recuou e anunciou uma força-tarefa com a Controladoria-Geral da União para dar “ampla transparência” aos processos. O episódio expõe a tensão entre dois discursos do mesmo governo: de um lado, a promessa de rigor contra as bets; do outro, a dificuldade de explicar por que decisões sobre um setor que movimenta bilhões ficaram fora do alcance da Lei de Acesso à Informação.
Como será o futuro das apostas no Brasil?
Mercados de apostas mais maduros, como o europeu, seguiram um roteiro parecido: expansão rápida, seguida de fiscalização mais dura, limites de publicidade e maior prestação de contas.
Reduzir a clandestinidade, proteger públicos vulneráveis, atrair investimento responsável e construir confiança de longo prazo são objetivos que nem sempre andam juntos. A forma como o governo equilibrar essas prioridades nos próximos meses deve definir se a regulamentação das bets se consolida como referência ou continua gerando mais desconfiança do que segurança.
