Entre os lançamentos de outubro de 2026 na Filmicca está o clássico “Os Filhos do Medo” (1979), do mestre David Cronenberg. Escrito durante o turbulento divórcio do diretor, o filme mistura horror psicológico e mutação corporal para construir uma perturbadora história sobre parentalidade, raiva e os limites entre a mente e o corpo.
A plataforma também recebe neste mês de Halloween outro clássico: “Os Olhos Sem Rosto” (1960), de Georges Franju, que combina o horror com uma atmosfera de conto de fadas macabro, criando um filme ao mesmo tempo poético, perturbador e visceral.
As novidades no catálogo também incluem dois especiais dedicados aos cineastas Peter Watkins e Calebe Lopes que, cada um a sua maneira, também imbuem suas filmografias de elentos do cinema de gênero, fazendo o horror assumir diferentes formas.
A Filmicca está disponível para assinatura em todo o Brasil. A plataforma funciona em navegadores web para computador e nos aplicativos para Android, iPhone, Android TV, Apple TV, Fire TV, além de smart TVs LG e Samsung.
Confira a seguir o calendário com os filmes de outubro de 2026 na Filmicca (lembrando que mudanças podem ocorrer na programação e novas estreias podem ser adicionadas):
02/10
Os Filhos do Medo
The Brood
| David Cronenberg
| Canadá, 1979
Um homem tenta desvendar os métodos terapêuticos pouco convencionais de um excêntrico e controverso psicólogo aplicados à sua esposa internada em uma instituição. Enquanto investiga o trabalho do médico, uma série de ataques brutais cometidos por um grupo de crianças mutantes começa a se desenrolar, fazendo com que os dois acontecimentos pareçam cada vez mais ligados.
Um dos filmes fundamentais do horror corporal de David Cronenberg, “Os Filhos do Medo” transforma conflitos familiares, ressentimento e sofrimento psíquico em uma ameaça literalmente física. Escrito durante o turbulento divórcio do diretor, o filme mistura horror psicológico e mutação corporal para construir uma perturbadora história sobre parentalidade, raiva e os limites entre a mente e o corpo.
Ataques Psicotrônicos
| Calebe Lopes
| Brasil, 2024
Erick, um ex-pastor, e Virgínia, uma cientista, se encontram durante uma noite estranha, unidos por um mesmo propósito: descobrir a origem de um zumbido que atormenta a mente do homem. Entre fé e razão, crença e investigação, os dois tentam compreender uma perturbação que parece escapar às explicações convencionais.
Calebe Lopes e a Olho de Vidro Produções constroem aqui um curta de ficção científica e horror marcado por texturas visuais, sombras e sons metálicos, se utilizando da própria forma para traduzir o estado psicológico de seus personagens e aproximando o espectador de uma experiência sensorial em que medo, loucura, fé e ciência começam a se confundir.
09/10
Parque da Punição
Punishment Park
| Peter Watkins
| Estados Unidos, 1971
Em formato de pseudodocumentário e ambientado em um campo de detenção nos Estados Unidos de um futuro próximo, o filme acompanha um grupo de dissidentes políticos que, diante da possibilidade de longas penas de prisão, opta por enfrentar três dias no chamado “Parque de Punição da Montanha do Urso”, sob o calor escaldante do deserto. Enquanto os prisioneiros tentam alcançar uma bandeira antes de serem capturados pelas forças de segurança, uma equipe de filmagem britânica registra o confronto entre os dissidentes e seus perseguidores.
Em um dos filmes mais controversos já feitos, Peter Watkins mistura ficção e linguagem documental para construir uma das suas experiências mais radicais de cinema político. Filmada com muitos atores amadores, incluindo pessoas ligadas aos movimentos sociais e às forças de segurança, a obra transforma a tensão da Guerra do Vietnã, dos protestos e da repressão política em uma situação de crescente violência.
Cláudio
| Calebe Lopes
| Brasil, 2022
Cláudio atravessa a cidade sem perceber que não está sozinho. Enquanto caminha por ruas e espaços cotidianos, a presença de uma mulher e uma série de acontecimentos estranhos fazem com que sua jornada assuma contornos cada vez mais misteriosos.
Produzido pela Olho de Vidro como videoclipe para o EP em italiano da cantora Nana Lacrima, o curta bebe da fonte do giallo e da pornochanchada para transformar Salvador em cenário de uma narrativa estilizada, explorando o suspense, o erotismo e a atmosfera do cinema de gênero.
16/10
Edvard Munch
| Peter Watkins
| Noruega, Suécia, 1974
A infância marcada pela doença e pela morte, a relação difícil com a família, os primeiros contatos com a pintura, a vida boêmia e os relacionamentos que atravessaram sua trajetória compõem o retrato de Edvard Munch. Em vez de seguir uma cronologia convencional, Peter Watkins percorre diferentes momentos da vida do artista, aproximando suas experiências pessoais das transformações sociais e culturais da Noruega do final do século XIX.
Mais do que uma biografia tradicional, Edvard Munch é um híbrido de ficção e documentário que incorpora entrevistas diretas para a câmera, narração e montagem fragmentada. Watkins aproxima a linguagem do filme da própria experiência subjetiva do pintor, fazendo da memória, da angústia e da criação artística elementos inseparáveis.
Modo Noturno
| Calebe Lopes
| Brasil, 2020
Durante a quarentena, um cineasta registra imagens que deveriam fazer parte de um documentário sobre aquele período. Até que uma gravação inesperada muda o rumo do projeto e transforma o registro cotidiano em algo muito mais estranho.
Realizado pela Olho de Vidro com imagens registradas durante a pandemia e vídeos enviados por amigos do diretor, o curta brinca com os limites entre documentário, found footage e falso documentário, transformando a experiência da quarentena em uma narrativa de estranhamento. Narrado pelo próprio Calebe Lopes.
23/10
Lua Negra
Black Moon
| Louis Malle
| França, Alemanha, Itália, 1975
Em meio a uma guerra civil global entre homens e mulheres, uma adolescente foge de carro por uma paisagem devastada até encontrar uma casa isolada no campo. Lá, ela conhece uma velha senhora acamada, que se mantém em contato com o mundo através de seu rádio, um casal de irmãos e uma série de criaturas e personagens insólitos, entre crianças, animais e um misterioso unicórnio. À medida que permanece naquele lugar, ela começa a perceber que entrou em um mundo regido por regras próprias.
Entre fantasia, ficção científica e pesadelo, Louis Malle constrói em Lua Negra uma fábula surreal que abandona a lógica convencional para mergulhar em um universo de símbolos, desejos e estranhamento, dialogando livremente com o imaginário de Alice no País das Maravilhas, enquanto transforma uma paisagem pós-apocalíptica em território de sonho.
A Triste Figura
| Calebe Lopes
| Brasil, 2018
Maria é filha de um pastor evangélico cercado por segredos. Certa noite, enquanto pai e filha atravessam a cidade, os dois percebem que estão sendo seguidos por uma estranha figura encapuzada. O que começa como uma ameaça distante se aproxima cada vez mais, fazendo com que Maria confronte os mistérios escondidos por trás da imagem de seu pai e da própria fé que os cerca.
Com atmosfera sombria e forte presença do imaginário fantástico, Calebe, junto da Olho de Vidro Produções, utiliza o horror para abordar hipocrisia religiosa, segredo e medo. O curta teve entre suas locações uma sala de cinema transformada em igreja evangélica, criando um visual teatral para as cenas de culto. Selecionado em mais de 30 festivais no Brasil e no exterior, o filme recebeu sete prêmios, incluindo Melhor Ator para Carlos Betão e Melhor Trilha Sonora.
A Armadilha
Fällan
| Peter Watkins
| Suécia, 1975
No fim de 1999, John, um cientista que trabalha em uma estação internacional de tratamento de resíduos nucleares, vive com a esposa e o filho em uma residência subterrânea próxima à instalação. Enquanto a televisão anuncia as promessas otimistas de um novo milênio, a chegada de um familiar para a celebração do Ano-Novo transforma a reunião em um confronto cada vez mais tenso sobre política, tecnologia e o futuro.
Em um filme produzido originalmente para a televisão sueca, Peter Watkins nos leva ao terreno da ficção científica para imaginar um futuro próximo moldado pelo medo nuclear e pela vigilância. Em um espaço fechado, a ameaça tecnológica permanece quase sempre fora de campo, enquanto as divergências políticas e familiares revelam as fraturas de uma sociedade que acredita ter controle sobre o próprio futuro.
30/10
Os Olhos Sem Rosto
Les Yeux sans visage
| Georges Franju
| França, Itália, 1960
O Dr. Génessier é atormentado pela culpa após um acidente que desfigurou o rosto de sua filha, a bela Christiane, que todos acreditam estar morta. Ao lado de sua cúmplice e assistente de laboratório Louise, ele sequestra jovens mulheres e as leva para sua mansão. Depois de deixá-las inconscientes, remove seus rostos e tenta transplantá-los para o de Christiane, em uma busca obsessiva para devolver à filha a aparência perdida.
Georges Franju combina o horror com uma atmosfera de conto de fadas macabro, criando um filme ao mesmo tempo poético, perturbador e visceral. “Os Olhos Sem Rosto” tornou-se uma referência do cinema de horror e do body horror, especialmente pela maneira como transforma a busca pela beleza e pela identidade em uma história sobre controle, violência e desumanização.
Um Dia é da Vida, o Outro da Morte
| Calebe Lopes
| Brasil, 2017
Uma garota é encontrada morta dentro de uma universidade. Enquanto o corpo permanece no local e a notícia circula entre estudantes e funcionários, a rotina continua quase como se nada tivesse acontecido. Entre comentários, suspeitas e situações absurdas, surge a dúvida: quem é o assassino? E qual o segredo que Júlia quer contar a André? Enquanto tentam entender o que está acontecendo, os bosques da universidade também parecem esconder algo.
Mesclando ironia com elementos de suspense e terror, Calebe Lopes transforma um assassinato em uma história sobre indiferença e banalização da violência. Produzido pela Olho de Vidro, o curta foi rodado em um dos campi da Universidade Federal da Bahia, selecionado em mais de vinte festivais no Brasil e no exterior e integrou o Short Film Corner do Festival de Cannes em 2017.
Terra do Ocaso
Aftenlandet
| Peter Watkins
| Dinamarca, 1977
Em Copenhague, trabalhadores de um estaleiro entram em greve contra o congelamento dos salários e contra a construção de submarinos equipados com mísseis nucleares. Enquanto as manifestações se espalham pela cidade e um encontro de líderes europeus se aproxima, um grupo de ativistas sequestra um ministro para chamar atenção para a greve e para a ameaça nuclear. A resposta do governo transforma a crise trabalhista em um conflito cada vez mais amplo entre manifestantes, polícia e Estado.
Combinando ficção e procedimentos documentais, Watkins constrói um retrato de uma sociedade em que a crise política, a militância trabalhista, a manipulação da informação e o medo nuclear se confundem. Realizado com um grande elenco de não profissionais e marcado pela improvisação, o filme radicaliza a investigação do diretor sobre as relações entre mídia, poder e violência institucional.
Com informações da assessoria de imprensa da Filmicca.

